Diversas vezes tenho vontade de jogar do alto do prédio,
do quinto andar, tudo aquilo que nos restou.
Nada.
Diversas vezes tenho vontade de falar às pessoas tudo o que eu penso delas,
de dizer na cara as verdades enxergadas, as mentiras lavadas.
Palavras.
Diversas noites tenho vontade de vomitar o jantar,
de gritar, de chorar, de abraçar alguém bem forte, de colo, de útero, de mãe.
Desabafos.
Diversas vezes tenho nojo do Pronto- Socorro,
quero me lavar, me despir dos problemas, me anular por algumas horas.
Fuga.
Diversos dias me encontro em completo desespero,
deitada no chão da cozinha, gelado, de óculos escuro, sentindo o próprio pulsar.
Passa.
Diversas vezes olho para você e não vejo nada,
não quero nada e não posso te tocar.
Cegueira.
Diversas tardes chorei, chorei e chorei.
Lágrimas.
Diversas vezes busquei respostas nas histórias,
nos livros, nas palavras sábias.
Deus.
Diversas foram as vezes que eu desisti,
por poucas horas, não vi luz e quis você.
Amor.
Diversas serão as vezes que será preciso um recomeço,
aprender de novo a andar, a sentir todos os prazeres e todas as dores que o destino guardou pra nós.
Vida.
Friday, May 05, 2006
Monday, March 13, 2006
Arbitrariamente pensei em solucionar este caso de amor.
Um jura que amou demais,
se deu a mais, ensinou mais e foi mais feliz que o outro.
Outro, não diz nada.
Não acha nada, nem sente nada.
Só sente muito.
Está em choque e perdeu a fala.
Esqueceu-se de todas as trocas e dos pactos
que todo e qualquer casal feliz faz ao se apaixonar.
Perderam-se ali, em primeiro lugar,
os sonhos sonhados de todos os dias ou noites trocadas.
Na luz do computador,
ela não encontrou nada para sarar a dor.
Revirou a casa, procurando uma razão ao descompasso.
Enquanto o outro,
só achava linda a luz da TV azul refletida nela.
Sempre assim.
Eram quase platônicos.
Foi quando o castelo de areia na beira do mar,
que estavam fazendo para morar,
desmoronou antes da água bater.
Um vendaval passou levando alguns grãos de areia.
Foi o que bastou.
Ficaram sem alicerce.
Agora o casal passa os dias olhando para o céu.
Procurando os tais grãos de areia que
se perderam ao vento.
No universo.
Só estrelas.
Sem espaço nem tempo.
Um deles pensou em virar um passarinho
e sair voando sozinho.
Montar seu próprio ninho
numa árvore alta e distante de tudo.
Mas reconsiderou.
Já amou demais, se deu a mais,
ensinou mais e foi mais feliz que o outro,
para largar sua metade assim, ao meio.
Começo e fim.
Infinito.
se deu a mais, ensinou mais e foi mais feliz que o outro.
Outro, não diz nada.
Não acha nada, nem sente nada.
Só sente muito.
Está em choque e perdeu a fala.
Esqueceu-se de todas as trocas e dos pactos
que todo e qualquer casal feliz faz ao se apaixonar.
Perderam-se ali, em primeiro lugar,
os sonhos sonhados de todos os dias ou noites trocadas.
Na luz do computador,
ela não encontrou nada para sarar a dor.
Revirou a casa, procurando uma razão ao descompasso.
Enquanto o outro,
só achava linda a luz da TV azul refletida nela.
Sempre assim.
Eram quase platônicos.
Foi quando o castelo de areia na beira do mar,
que estavam fazendo para morar,
desmoronou antes da água bater.
Um vendaval passou levando alguns grãos de areia.
Foi o que bastou.
Ficaram sem alicerce.
Agora o casal passa os dias olhando para o céu.
Procurando os tais grãos de areia que
se perderam ao vento.
No universo.
Só estrelas.
Sem espaço nem tempo.
Um deles pensou em virar um passarinho
e sair voando sozinho.
Montar seu próprio ninho
numa árvore alta e distante de tudo.
Mas reconsiderou.
Já amou demais, se deu a mais,
ensinou mais e foi mais feliz que o outro,
para largar sua metade assim, ao meio.
Começo e fim.
Infinito.
Wednesday, March 01, 2006
Com - Fusões.
Vou vivendo o dia.
Sem gosto.
Sem vontade de acordar.
Sem aspirinas.
Nem estimulantes.
Reescrevendo a história que não é minha.
Por onde estou de passagem.
Pagando por toda viagem que não fiz.
Vou levando a vida, tentando descobrir quem somos nós de outro dia.
Inventando dúvidas, dívidas, correndo e atropelando os nossos sonhos.
Na nossa cama desfeita.
Nosso fogão.
Nossas nuvens.
O meu chão.
O barulho e a luz são da televisão.
Sem gosto.
Sem vontade de acordar.
Sem aspirinas.
Nem estimulantes.
Reescrevendo a história que não é minha.
Por onde estou de passagem.
Pagando por toda viagem que não fiz.
Vou levando a vida, tentando descobrir quem somos nós de outro dia.
Inventando dúvidas, dívidas, correndo e atropelando os nossos sonhos.
Na nossa cama desfeita.
Nosso fogão.
Nossas nuvens.
O meu chão.
O barulho e a luz são da televisão.
Saturday, February 18, 2006
Ao desespero.
| Aos poucos. Sinto-me forte. Decididamente forte. Perdôo tudo e não esqueço nada. E ainda levo o nosso rancor para passear aos domingos pela manhã num parque qualquer. Me divirto com a pequena idéia imaginária e ordinária dos poucos que acharam que o peso era muito grande para mim. Que zombaram de mim. Riram. E torceram-me contra. Contra o quê? Você! O que queres de mim? Meus rins? Estou bem aqui. Levando o piano nas costas, literalmente. E sem reclamar da dor. Os analgésicos fazem-a passar lentamente. E os exames médicos tentam nos explicar o que ninguém quer saber. Nada. As semanas passam rápidas. E eu sinto-me a cada dia que passa, mais forte. Decididamente forte. |
Friday, February 03, 2006
A morte de LP.
Resolvi morrer.
Porque com a dor que eu sentia, não poderia escrever.
Não me aliviaria, nem a ti.
Nem a ninguém.
E já percebi que de tempos em tempos eu me deleto.
Por inteiro.
E não sobra nada.
Pra mim nem para você.
E eu realmente não sinto nada.
Só sinto muito.
Depois passa.
Mais rápido e veloz que as horas.
E de repente, me sinto de novo pronta a recomeçar.
Forte.
Com os dois pés pra trás.
Porque com a dor que eu sentia, não poderia escrever.
Não me aliviaria, nem a ti.
Nem a ninguém.
E já percebi que de tempos em tempos eu me deleto.
Por inteiro.
E não sobra nada.
Pra mim nem para você.
E eu realmente não sinto nada.
Só sinto muito.
Depois passa.
Mais rápido e veloz que as horas.
E de repente, me sinto de novo pronta a recomeçar.
Forte.
Com os dois pés pra trás.
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