Sunday, December 30, 2007

Ela carrega um cabide no braço direito.


Só.
Sabe que somos livres,
não pertencemos a ninguém
e não podemos querer ser
donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos
de quem quer que seja.
Só.
Leva isso para 2008.
+ alguns vestidos leves de algodão
e uma dúzia boas idéias para colocar em prática
no primeiro semestre.

Thursday, December 27, 2007

Silêncio! O filme já vai começar!
















Luiza voltou a nadar hoje.
Foram 2000 metros de metas para 2008.

[vai listar aqui cada uma delas, mas não hoje]

Cansaço físico.
Descanso merecido.
Ela dignou-se quando já passava das 22h a:

2 filmes alugados para uma única - SSSCSP -
Super Sessão Solo de Cinema Sem Pipoca.

“Amantes Constantes” de Philippe Garrel e
“Família Rodante” de Pablo Trapero

Desligar o celular.
1 copo de suco de laranja para consumir durante, mas
antes bem derramado na toalha limpa que ela colocou
sobre a mesa para o jantar rápido de
1 Salada Single inflável
3 fatias de queijo branco
1\2 ciabata do Anquier

Tudo isso e nada mais.
Tinha tudo de que desejava...

Pensamento do dia:
Desde que ganhei o Ipod,
minha vida virou um clip.
Hoje fez-se um trailer,
só pra variar.

Wednesday, December 26, 2007

Luzes.




Na estrada de volta para casa
ela enxergou a Lua.
Estava incrível.
Alcançou a máquina na mochila.
Fotografou.
Borrou.
Os olhos lacrimejaram.
Conteve-se.
Não ligou para ninguém para dizer
que ela era a mais bela já vista.
Pensou não haver cabimento.
Parece papo de bicho grilo!

Irritou-se.

Luiza tem olhado muito para o céu
e perdido o foco.

Seu Fígado foi embora antes da festa acabar.














Foi numa manhã de pouca tranquilidade
que ela ouviu do Seu Fígado:

_Não quero mais pertencer a você.
Você não tem sido boa suficiente comigo.
Não tem me tratado adequadamente.

Ela escutou atentamente às reclamações dele.
Sabe da dificuldade que é trocar,
equilibrar, se envolver sem doer.
Tem horror de errar nas relações de afeto.
Pediu perdão.
Mandou uma mensagem no celular:
“Desculpe-me se não tenho sido delicada contigo.
Feliz Natal”
De nada adiantou.

Seu Fígado estava decidido a terminar
a relação de 28 anos entre eles.
Mesmo em tempos de festas...

Luiza está sem beber.
Faz três dias.
Sente-se diferente por dentro.
Azia.
Sente-se bem.
Mas acha que vai passar.

Logo Seu Fígado vai querer voltar.

E eles serão felizes para sempre?!

[Ela não tem acreditado nas
histórias de amor com happy end]

[Mas conta contos infantis com final feliz
para sua sobrinha dormir]

Tuesday, December 25, 2007

Rosa, Dona Edna e o Seu Alzheimer.









Vovó acredita de novo no Papai Noel e
perguntou-me surpresa:

_Como é que ele foi lembrar-se de mim Lu?

_Ah Nona, ele se lembra de todos esta noite.

Ganhou de uma das tias uma caixa delicada
e recheada de pequenos sabonetes.
Comeu um.
Caminhou até o quarto de minha mãe indignada.

_Vera, aquele chocolate que aquela moça me deu
é um horror. Tem um gosto horrível.

Está tudo bem.

Como com crianças,
não podemos tirar os olhos dela.

Esqueceu os presentes no sofá
e foi dormir cedo.
Gosta mesmo é de sua própria cama.
Nada a deixa mais feliz.

Ah, talvez chocolates de verdade!

...

Rosa ganhou do Papai Noel de São Paulo
um carrinho de controle remoto que veio com defeito.
Agora o Papai Noel vai ter que trocar.

_E ele faz este tipo de serviço tia?

_Oh, Oh, Oh. Vai ter que fazer.

Saturday, December 22, 2007

Tá na moda!



Todos eles reclamam
que ela trabalha demais.












Ball´s Place
São Paulo:
rua mourato coelho, 451 - Pinheiros -
fone: (11)3814.4960
rua augusta, 2690 - Jardins
Galeria Ouro Fino
2º PISO fone: (11)3082.3821
Sorocaba: rua da Penha, 1126
ARP ALAMEDAS fone: (15)32343821
PARA SABER + DO CURSO LIVRE
E PRÁTICO DE MODA:(15)3234.3821
AFF! é a minha agência de figurino
http://www.fotolog.com/ballsplace

Friday, December 21, 2007

Coração fechado pra balanço.




[trabalhando muito]

[divertindo-se muito]

[dona de uma felicidade absurda]

[sente-se até culpada]

[desculpa]


[(foto by famoso desconhecido)]

- tomou um café com Canella e comprou para ele o livro do Tim.
- tomou um chá com Ivan e com ele sorriu mais de dez vezes.
- almoçou com Theo e ganhou dele 2 cds com suas músicas prediletas.
- arrumou um paquera novo na madrugada de ontem, um amigo antigo.
- teve pela primeira vez um mini diálogo no elevador
com um paquera antigo, talvez um amigo novo.
- está com vontade de presentear o mundo.
- comprou calcinhas novas.
- um DVD para Marina, sua irmã mais velha.
- vai jantar com Fabi.
- sair para dançar com os amigos da Pós.
- vai dar a Adri o tão esperado vestido roxo.

Sim, ela se contenta com pouco.

Wednesday, December 19, 2007

Alguns diálogos travados em 2007.



- Numa esquina da Vila Madalena. Ela corria. Ele pedalava.

LP _Bom te ver.

Ele _Bom pra quem?

LP _Pra mim “ué” que gosto de você.

(sorriso dela)

- Num restaurante japonês. Ela almoçava e sua mãe observava.


LP _Sabe mãe, parece que eles estavam esperando para serem felizes
e agora que chegou a hora, não conseguiram sentir. Não foram. Não são.

Mamãe _Mas a vida é mesmo assim filha.
Não dá para ficar programando a felicidade.
Pode ser que ela não venha nunca. Talvez esta felicidade não exista.

LP _É. Mas é bem triste ouvir você dizendo isso.

Mamãe _É. Mas é a verdade.

- No carro dela, em frente ao prédio dele.


LP _ A gente pode ser amigo?

Ele _Lógico.

(sorriso dele)

(questiona-o com a sobrancelha)

Ele _Estou sendo irônico. Vamos subir tomar um chá?

LP _Lógico! Estou sendo irônica.

Ele _Então vamos ali oh, tomar uma coisa.

LP _Boa noite.

- Na loja. Elas falavam sobre eles.

LP _Você acha que ele é feliz desse jeito?

Adri _Não. Acho que ele sabe bem o que é bom.

- No banheiro do bar que ela vai sempre para jantar salada de figo.

Ele _E você está feliz?

LP _Sim. Sabe, sou meio feliz. Puxei meu pai. Mas e você?

Ele _É uma fase bem estranha na minha vida.

(olhos de consolo dela)

- No mesmo bar, na mesa deles, numa outra noite.

Ele _Sabe como se faz Lu? Um passo para frente, dois para trás.

(ela acenou com a cabeça em sinal
de completo entendimento)

Mais tarde...

Ele _ Vamos tomar um café lá na sua ou na minha casa.

LP _ Não né.

Ele _ Por que?

LP _Um passo para frente, dois para trás.

Ele _Mas não comigo né Lu?!

(sorriso dela em sinal de por que não?)

- No elevador da avenida Angélica.


Maíra _É normal guria, eu já fiz isso.

LP _É?!

- A caminho do filme Alemão.

Maíra _ Já fez isso guria?

LP _Sim.

Maíra _Tudo bem falarmos sobre isso?

LP _Tudo. Desde que não tenhamos que repetir este assunto...

- Na casa dos pais dela.

Papai _Coloca uma redinha ali atrás dos seu carro. Verifique o óleo, a água.
Ah, e calibre os pneus antes de pegar a estrada. Vá com calma!

LP _Ok Pai. Alguma outra recomendação?

Papai _Use camisinha.


- No quarto dela, poucas horas antes dele partir.


Ele _ Lu.

LP _ Oi.

Ele _ E agora, o que eu faço com você?

(silêncio)

Ele _Você ficou comigo só porque sabia que não poderia se envolver.

(silêncio)

Observação importante:
Ela não detém tal poder.

Friday, December 14, 2007

Mini consciência do mini ano ou ano mini.


Final de ano é assim.
Tempo para rever o que passou e o que está por vir.
Estabelecer novas metas.
Renovar as esperanças, porque mamãe a ensinou assim.
Então, vamos lá!


Balanço de 2007: Positivo.
Ela chama de “Ano Mini ou Mini Ano
Foi bom, não pode reclamar...
Para início de conversa ela separou-se.
Mini sofrimento.
Resolveu viver só sem nunca ter passado
um dia sequer sem alguém por perto.
Foram mais ou menos cinqüenta e cinco noites mal dormidas,
enquanto insistiu em ocupar o lado de cá da cama enorme.
Espaços vazios, repletos de lembranças.
Mini memória.
Ela tem o péssimo hábito de apagar suas histórias.
Mini histórias.
Recapitulando; mini histórias,
que causaram mini sofrimentos e
perturbariam para sempre sua mini memória,
que agora ela só quer desocupar.
É tudo conseqüência.
Reação. Não tem se dado chance alguma de continuidade.
Por si só faz pausar.
Mas a vida não é um filme, sabe ela.
Tem dias em que acorda e repete para si
mesma em frente ao espelho:
_A vida não é uma festa!
Mini festa.
Ela encolhia.
Seus dias.
Diminuía o tom de voz.
O coração não sabia por quem e por que palpitar.
Não morreu.
Levou sua melhor amiga para Paris
em meados de julho e esta foi sem dúvida,
a tarde mais triste do ano. Sentiu-se só.
Inundou o carro de lágrimas.
Mini solidão.
No dia seguinte viajou 100 km para curar-se de toda dor.
Usou Nona, Rosa, silêncio e cabaninha. Sarou.
Lembra com doçura daquela tarde
regada a fanta, mini doces e café.
Delicado alívio.
Viveu um mini romance com um querido
que a ensinou a ser só e introduziu e verbo resguardar na vida dela.
Ouviu atentamente aos conselhos dele.
Fizeram uma rota.
Se fizeram companhia na medida certa.
Ela é grata por isso.
Também. Voltou a estudar.
Fez novos amigos na Pós.
Depois, fez novos amigos de bar.
Juntou os da pós, aos do bar e ainda aos clientes amigos,
aos amigos clientes, a turma de São José, da loja,
a turma da Ouro Fino, da natação, aos amigos do bairro,
da Bahia, do Canella e descobriu que...
É bem boa de fazer amigos.
Mini novos relacionamentos.
Ficou imprevisivelmente amiga da Fabi
e agora elas querem morar juntas um dia.
Foram diversas vezes comer mini bolinhos de arroz no Ritz.
Mojitos em abundância!

Fez mini aparições:
Com sua prima Taís saiu algumas noites
e voltou para casa antes das 23h.
Visitou Laura no hospital.
Tomou diversos e rápidos cafés com Ruegg.
Conversou e aconselhou Giu,
sempre com a pressa pertinente dos dois.
Visitou a vovó Júlia.
Almoçou lentamente com as amigas e voltou atrasada ao trabalho.
Visitou seus pais.
Em Sorocaba, Lílian a viu correndo sempre.
Passou em todas as exposições possíveis.
Na Galeria Vermelho sempre de vestido e sorriso
(gosta das pessoas de lá).
Assistiu a quase todos os filmes que estavam em cartaz.
Recebeu diversas boas surpresas nas lojas.
Freqüentou as quintas do Vegas, o Hells e os domingos na Loca.
Os desfiles da Casa de Criadores.
Os aniversários que foi convidada.
Casamento da Fer.
Os lançamentos dos Livros que te interessaram.
Foi ao Tim Festival, ao Terra e ao Nokia Trends porque ganhou os convites.

Teve como mini desejo um homem que soubesse
preparar mini sanduíches; quando a fome batesse.
Mas tudo não passou de um sonho.
Mini sonhos de padaria.
Digeriu após a ingestão.
Percebeu que, de verdade não queria ter nenhum homem por perto
quando a fome lhe batesse; para ela, uma pizza resolve e não reclama.
Viveu novos mini romances, por conseqüência, reação e curiosidade.
Passou a freqüentar um só lugar logo depois do trabalho
onde o jantar predileto é a salada de figo.
_Pode ser meia?
Mini salada.
Agora a chamam de “hostess” e
sua amiga Adri virou a “cherente” da casa.
Além de sua melhor companhia...
Elas não pegam fila e pedem pizza quando cansam do cardápio.
Juntas fundaram o Clube da Fofura e
a sede é lá na Teodoro Sampaio.
Conheceram Ivan que tem medo de fantasmas.
A casa mudou de formato.
Agora tem flores bem perto da janela.
Um famoso que vive a olhar por entre as cortinas de sua sala de estar.
Zebra!
E o piano, ficou calado de canto. Tímido.
Reúnem-se as terça para tomar vinho,
água com gás e beliscar mini comidinhas gostosas.
Mini rúculas.
Mini cenouras.
Mini tortas.
Mini doses de tequila.
Mini tacos
que só o Maurício sabe preparar.
Teve participação especial nos mini surtos de stress
de Maíra que foram espaçando com o passar do ano.
Má arrumou um namorado.
Um professor universitário e agora eles são os únicos
membros do Clube da Fofura Ácida.
Ou Fofúria como denominou Estevan Spielberg outro dia.
Fez vários desenhos com nanquim.
Desenhou vestidos de algodão.
Fotografou-os.
Desenvolveu mini produtos para enfeitar as meninas.
E pra finalizar, uma sacola para seus clientes
deixarem de usar as de plástico no supermercado.
Fez mini vídeos de sua avó.
E se existe algo que ainda a emociona é isso, Dona Edna!
Gargalhou em volta de uma mesma mesa ao
som da vitrolinha vermelha que adquiriu tempos atrás.
Aliás, foram várias as mini aquisições.
Comprou muitos chicletes de misk lá no centro.
Lacinhos para o cabelo.
Sapatinhos vermelhos.
Brincos de pérolas.
Um boné listrado.
2 pares de tênis para ficar com os pés bem confortáveis.
cds, dvds e muitos livros.
Copinhos para tomar vodka.
Uma pequena taboa de carne de vidro.
Parou de comer carne.
É quase vegetariana, mas não gosta do título.
Hoje pela manhã disse que queria agir com normalidade.
Ser igual sem igual.
Adora sentar na cozinha com sua mãe e lhe contar as últimas.
Adora tomar cerveja com seu pai e lhe contar as últimas.
Adora ter seus irmãos por perto para trocar e ansiar pelas últimas.
Adora o bolo de chocolate com amêndoas da tia Cláudia.
Sua mini aproximação com Lavínia.
Sua ligação eterna com a tia Rose.
Os mini diálogos trocados com tio Sérgio.
E por incrível que pareça está feliz com a chegada do fim.
Afinal, é um tempo bom para quem
está carente de abraços íntimos.
Vai apertar todos em excesso.
Até ficar roxinho.
Igual aos mini roxos que insistem
em habitar suas pernas brancas.

Wednesday, December 12, 2007

Um sofá para 4.



Acabei de chegar do cinema.
Foi uma "Viagem a Darjeeling".
Saí sorrindo.

Feliz por ter dois irmãos.
E querendo ter três filhos.

Melhor Luiza ir dormir...

Wednesday, December 05, 2007

Ela vive no Incrível Mundo do Mágico de Óz.



Sou a Doroti.
Vivo a andar pela estrada dos tijolos amarelos.
A carregar os pedaços dos amigos que encontro pelo chão.
Monto-os.
Com as roupas mais legais que eu mesma faço.

Dei ao homem de lata um coração.
Agora ele pulsa.
E foge pra bem longe de mim.

Nós dois não queremos sentir.

Por isso, só.
Nós dois perdemos.

Monday, November 12, 2007

A Folha disse: Ruivas não têm nem dão sorte.




Estava escrito.
Li esta manhã. Passava das onze. Fiquei intrigada.
Dormi tão pouco... Meus olhos ficaram confusos,
não sabiam se sorriam ou se enchiam de lágrimas.
Mas já sei que sou assim, intensa. Afobada.
Não posso perder tempo.
Enquanto leio, dirijo e falo ao telefone.
Estava nublando o céu.
Coloquei a folha debaixo do braço e saí para um café no Jardins.
Mas foi diretamente da Barão de Limeira,
que surgiu o primeiro consolo.
Ela disse-me que eu não deveria dar tanta importância ao jornal
nem aos jornalistas de lá. Crédito!
Me fez comer peixe, coentro e pimenta.
Experimentos.
Minha resposta fora imediata...
Acredito nas pessoas de papel impresso.

Adorei o almoço, a companhia e a paisagem.
Vejo daquela janela dois prédios antiguinhos,
um verde, outro azul.
Colados.
Juntos, pairam no espaço
e carregam em suas cabeças gigantescas antenas.
Ficamos ligados.
Passei a entender curiosamente tudo assim,
de acordo com o que estava descrito:

“O MC1R (receptor 1 melanocortina) é o responsável pelo
cabelo ruivo nos humanos. Todo mundo tem este gene,
mas, nas pessoas ruivas, eles apresentam alterações.”

Desconfiava.
Sou geneticamente alterada.
Produzo melanina descontroladamente.
As sardas não mentem.

“O gene é do tipo recessivo, ou seja,
duas pessoas não ruivas podem ter um filho ruivo
porque carregam o gene”

É o caso de papai e mamãe.
Mas minhas nonas eram ruivas, as duas.
A culpa então é delas.
Tão somente.

“Cerca de 4% da população mundial tem
o gene do cabelo ruivo. Uma pesquisa da Universidade de Louisville,
nos EUA, revelou que pessoas de cabelos ruivos necessitam,
em média, de 20% a mais de anestésicos”.

Minha sensibilidade aquietou-se. Aliviou-se.
Como se permitisse ser assim, agora,
por haver esta explicação científica.
Permite-me pedir tudo com 20% de acréscimo.
E ter.
Pode me dar 20% a mais de carinho?
Me vê 20% a mais dessa sobremesa?
Que mimo... Agora tenho este trunfo.
20% a mais de cerveja, de abraços,
de amigos, de festinhas, jantares...
Adorei!

“O preconceito ligados aos cabelos avermelhados
vem de longa data: ruivos eram sacrificados no
Antigo Egito e tinham sua imagem associada a bruxas
e vampiros na Europa.”

Aff! Que medo.
Tive a impressão que algumas pessoas
sempre souberam disso.
Compreendo a hostilidade alheia.
Achava que era gratuita.
Mas pior, é crença.

“A figura dos ruivos também é ligada ao azar.
Na Idade Média, mulheres evitavam ter orgasmos
durante o período menstrual como forma de evitar filhos ruivos”

Mesmo assim eu ainda quero um bebê ruivo pra mim...

“Na Escócia, há uma superstição sobre a
primeira visita que se recebe no ano:
convidado ruivo é sinal de má sorte.”

Alguém quer companhia para o Reveillon?

Não vale.
Tenho direito de resposta?

Responda-me aí!

Friday, November 09, 2007

S E R I A L e B A N A L



Primeira dúvida cruel de um lindo dia nove de sol:

Dá para ser experiente e não ser rodada?

Segunda dúvida infiel de um lindo dia de sol anterior ao dia dez:

Vamos brincar de roda-roda-roda?

Terceira dúvida infeliz de um dia agora nublado posterior ao fatídico oito:

Deveríamos permanecer vestidos?

Ela só dorme.
Ela não sonha.
Mantém tudo sob controle.
Domina.
Domínio.
Acha.
Até ser desmascarada num café da manhã.
Foi tarde.
Logo depois das dez.

Queria sentir o infinito na ponta dos pés.

Thursday, November 08, 2007

Nuvens ilícitas.



Pensamento número um do fatídico dia oito:

"Acho que homens que usam seus cartões de crédito
no banheiro não merecem nosso crédito. Nem sexo!"

Wednesday, November 07, 2007

É o que diz Leão na Folha de São Paulo.

Agora leio meu horóscopo.
Adri me orienou a ler todas as manhãs.
E disse que o dela só dá liga com Saturno(ops), que não é bicho.
Mas ontem deu Urano, que não é pedra.
Não é nada...
Só mais palavras pra encher o cotidiano.
Na ilustrada.
Espero um dia agradável.
E segundo ele terei, porque tenho poderes para isso.
rs.
(já é Natal, a rua me avisou...)
"Bom dia para aplicar seu arsenal de argumentos
nas reuniões de grupo e com a equipe.
Se for preciso escrever ou falar para muitas pessoas,
melhor ainda. Com seu poder de persuasão,
a baliza será dada pela sua filosofia de vida e suas crenças.
Com seu amor, usar esse poder todo vai ser até covardia.
Brilhe no ambiente de casa."

Ela tem novos amigos que vêm na Augusta tomar café.

Monday, November 05, 2007

Carta de uma jovem poeta.

AN,
Vulgo Sr. 43,
Três pensamentos sublimes povoaram-me esta manhã gritando assim:

1. A saudadinha será controlada, ou melhor, confiscada.
Colocada numa caixa de papelão (que sujam as pontas dos dedos),
depois na estante da lavanderia.
Lá será esquecida, irremediavelmente.

2. Ele não deve desviar-se por ela, mas dela.
Pretensiosamente.

3. Ela achou gostoso encontrá-lo de madrugada.
Foi suficientemente imoral para seus padrões.
E de verdade, tem achado bom quebrar as regras de conduta.
(é uma fase de perdas & ganhos – meio à Lya Luft, já leu?)
Agora encontra-se de ressaca, do vinho de antes, d água e dele.
Questionando sua realidade exposta absurda e necessária.
Este papel normalmente é dela,
que sofre de um mal intenso de sinceridade. Roubou-a!
Precisava? Rs.
Sei que sim, ficamos assim então, “bebezão”...
Ainda bem que já tem alguém cuidando de ti e
que com este alguém há uma troca.
As falhas são todas iguais, para sempre.
Não acho indiferente.
É só uma fase de encantamento, que vai passar.
Você já deve saber disso, afinal, já tem 43...

Bj
L:P
- que se diverte enquanto você trabalha ou ainda
se diverte, mas não com ela. Jamais!

Saturday, November 03, 2007

Se antes eu sofria de ansiedade, agora sofro a falta dela.




Sem vontades de ninguém.
Enquanto as amigas inquietam-se
com o telefone que não toca,
com a mensagem que não vem,
ela não sente nada além de uma
tranqüilidade estranha e plena.
Enche a boca de conclusões obvias para
uma menina da maturidade dela e o
estômago com bolo de maracujá e chá de maçã.
Cheia de antibiótico.
Clindal AZ 500 é o seu nome.
Será que aqueles três comprimidos
alteraram sua disposição para o querer amar?
Ou melhor, para querer ser amada, ao menos desejada?
Ouvidos bem tampados, graças a Deus. Ela envergonha.
Estava achando a cidade muito tranqüila e calma.
O catarro entupiu as vias,
permitindo um silêncio duradouro e dolorido.
Latejante assim fazendo-me concluir que a coitada
escutou tanta merda esta semana, que foi isso...
Adoeceu.
“Merda!” É um superlativo fofo para o
fim de semana prolongado na cama!

Foi assim, uma vez sozinha no cinema
basta para querer ir sempre só.
Histórias impróprias para quem sofre de solidão,
mas ela não sofre desse mal.
Só, sabe que a fase é mesmo de perdas e
conformada como está, ganha peso.
Todos os que perdeu desde a separação.
Come bolinhos de arroz e de chuva sem ressaca moral.
Acha normal. Quase tudo.
É para ela um “tudo bem” insuportável
numa fase delicada ao olhar do próximo.
Ignora as recomendações de todos e dos guias.
Aliás, odeia avaliações alheias,
estrelinhas, satisfações dos outros.
Precisa ver para crer,
sentir na pele (como toda mulher de quase 30).
Quer sentir seus arrepios que até então eram da febre.
Sem cessar.
Foi um mar de filmes.

Iniciou-se com El Passado e passou bem mal com Gael.
Ele é lindo e come todas.
Ela quer um Gael só pra ela.
Aplaudiu Babenco. Agradeceu.
Entendeu boa parte dos erros que
ainda não chegou a cometer.
Pensou então, será que não amou de menos?
Culpou-se.
Queria ter sido inconseqüente.
Mas o que esperar de uma menina
que ainda não mandou ninguém pra
“Putaq’eupariu”, nem um “Vaitomarnoseucu” ela foi capaz.
Ela apenas sorri e quando alguém realmente a magoa,
reativamente seu corpo não quer mais se encontrar
com o corpo daquela pessoa. É simples assim.
Independe do seu ser racional. Chega ao físico.
Assim como a saudade. Desiste.

Seguiu em frente com Sexy and the City e confesso,
seus lábios esticaram pouco em frente a TV.
Achou de um feminismo machista chato.
Vai entender...
Depois foi a vez de Tropa de Elite no HSBC Belas Artes.
Aff! Não agüenta os bancos invadindo os cinemas...
Mas ela que estava sabotando este filme
pelo simples prazer em dizer,
“não, ainda não assisti”; não resistiu e rendeu-se.
Já era sabido, assinou assim a
sentença do papo chato na noite.
Além do seu signo eles já teriam a resposta
para a segunda pergunta mais feita ultimamente.
Segue o diálogo quase sempre igual,
fiel reprodução da realidade tal como ela é e acontece,
não é mera coincidência:

_Qual seu signo?
_Não acredito em signos.
_Mas vc não sabe qual é?
_É leão.
_Olha!!! Mas vc não parece de leão.
_Ah, é... Não?! Que pena. Ta aí, já comecei te decepcionando.

(sorriso)

_Nossa, vem cá... vc assistiu Tropa de Elite?
E a resposta nova seria,
_Sim belezinha, e vc?

(sorriso)

Ela é meiga. E depois de ver a Tropa passar,
sentiu ser uma mini delinqüente meiga
e sem carta de motorista.
E isso até os guardas da Barão de Limeira já sabem.
Tentaram deter a Adri só porque agora são muito amigas.
Diga-me com quem andas que lhes direi que és.
É bíblico?
Ela não acredita em nada.
A fase é mesmo de perdas e uma delas
é a fantasia de que está tudo sob seu controle.
Está tudo fudido. Ferrado. Perdido.
Um baseado, por favor,
ela quer matar mais algumas crianças...
Teve náuseas.
Chegou em instantes ao fundo do seu
poço artesanal de águas límpidas.
O Cheiro do Ralo foi o terceiro filme do feriado.
Já estava na cama e na cama com
Selton Mello é sempre hilário.
Chegou à conclusão que aquele
personagem é sua amiga Maira.
E que realmente, quando a gente percebe,
“os convites já estão na gráfica”.
É preciso cuidado extra.

Querô no Unibanco deixou-a tensa.
Mas sair do cinema e ir ao café a fez voltar à calmaria.
Cafeína e pimenta alegram a turma dela.
Beijos Proibidos [Baisers Volèrs],
do Truffaut foi fantástico.
Necessária doçura .
Interrompido pelo telefone dela que
ousou vibrar e tocar alto duas vezes consecutivas.
Logo o dela que não estava aguardando
nenhuma ligação importante.
Por fim viu Cartola, música para os olhos.
Em companhia da caixinha do suco de laranja.
Da vitrola quieta na sala ocupando seu espaço.
Dela.
Laço Vermelho. Ela fez um desenho.
Deixou o disco do Roberto girando por horas.
Vitamina C.
Sem vontade de ninguém ela parecia feliz na casa.
Estava irritantemente tranqüila, estranha e plena.

(sorriso)

Preocupante.
Lencinhos de papel espalhavam-se
delicadamente pelo quarto.
Ventava.
Um vento que levou seu pensamento pra
longe deixando de gorjeta um arrepio.
Da febre.
Sem cessar.
Sem culpa.

(sorriso)

Wednesday, October 31, 2007

Boa Noite Cinderela.



Um breve parêntese:

(
Noite de confusões, conclusões e conflitos.
Minha cabeça está colorida, dolorida e perturbada.
Um caos com soda cáustica.
Catástrofes de mensagens lentas até as cinco da manhã.
Não vou atender, nem tentar entender.

Já amanheceu e eu vou colocar tudo na minha ordem.
Arrumar as prateleiras.
Colocar cada cor em seu devido lugar.
Acho que vou chamar o Ivan de ontem para ajudar.
Vamos organizar por data de uso, vencimento e convencimento.
Enquanto Adri joga dominó no balcão daquele bar.
Snoopy e Mau me servem de companhia.

Acho que minha real vontade é fugir para qualquer lugar.
Sabes que tenho pensado em sumir por uns tempos.
Sumir de nós.
Tomar uma pílula do esquecimento.
Dá para tomar uma por mim?
Faria isso se me amasse.

Aliás, falamos de amor esta noite.
E me contaram que meu amar nada tem haver com o deles.
).

Monday, October 29, 2007

Delicatessen.

De coração tranqüilo e vago.
É buraco. Vazio. Um vácuo.
Vai botando coisas no lugar.
Fazendo bagunça dentro de si.
Preenchendo-se de pequenos prazeres incertos.

As pessoas não devem querer continuar.
Não devem nada, além daquilo.
E da conta que vamos dividir.
O Estacionamento, eu pago, uma gentileza.
É contribuição por conta da casa que você não vai conhecer.

Não querem precisar dela, que não parece precisar deles.
Aceita: tickets, chicletes, balas de revolver de açúcar.
Momento doçura.
Enchendo os olhos d’água como fazia na infância
com as piscinas de plástico.
Verão.
Paciência.
Fazendo-os transbordar e gotejar de canto, devagar.
Vai vestindo azul, vestido novo que acabou de sair da máquina.

Luiza definitivamente não sabe sentir assim.
Ela acorda feliz.
Faz rebuliço no ar.
Pula com graça os degraus da escada, diariamente.
Faz, do mais comum dos gestos, um ritual de passagem.
Vai equilibrando-se na guia da calçada.
Ouvindo o barulho da rua, divertindo-se com a poeira local.
Percebendo as cores, as novidades. A chuva. Belezas.
Descobre que a garoa embaça a paisagem e deixa tudo muito mais bonito.
Mais poético.

[Como a vela de aniversário
que a nova amiga (que ela não teve medo de conhecer)
colocou no brigadeiro de alguém especial,
tentando tornar aquele instante infinito].


Tem pensado nas pessoas que são especiais e fugazes.
Nos momentos ternos e não eternos.
Sabe que algumas delas só devem durar o tempo necessário.
Curto.
Que esgotam.
Mas questiona- se e não sabe se é por saudade.
Invade.
De dúvidas. Tramas. Derrame de palavras levianas.
Ela destoa com a falta de fisicalidade. Gratuita violência.
Subestima a dor. Ignora-a.
E chega à conclusão de que realmente não serve para isso.
E que, realmente vale à pena.
E mais, que tem dado um valor às palavras,
tanto escritas quanto faladas, que nem sempre elas têm.
O valor é dela.
Que és incapaz de magoar um coração.
Responsabiliza-se pelo buraco vazio, pelo vago vácuo corpo ao lado.
Não quer enganar.
Projeta tudo, menos o olhar nos olhos dele.
Já os outros olham.
Sempre mais espertos, mais sabidos,
mais vividos, cheirando as dúvidas dela, a divagar.

[Por que sorri assim esta menina que não tem nada nem ninguém?]

Mas ela tem.
Na consciência que se estiver para sempre, infinitamente,
com os lábios meio esticados de um canto a outro,
a vida de todos ficará mais fácil.
E ela quer facilitar. Desmistificar.
Dar calmaria às relações, sejam elas quaisquer.
As noites são claras.
Os dias já têm suficiente dificuldade.

Mais.
Foi numa terça que conheceu Sr. Augusto,
alfaiate de 82, em atividade no seu andar.
Parece-me que a identificação fora imediata.
Os dois tornaram-se grandes amigos, confidentes.
Ele entrou para a turma do 8 dela.
Ela pagou um café em troca das palavras doces e
das mãos ágeis daquele senhor, que alinhavou frases impecáveis.
Era tudo de que precisavam.
Costuraram com vermelho as longas histórias dele.
Ela sonhou em um dia narrar contos assim.
Usaram a fita métrica para medir o amor incondicional praticado.
Dentre os tecidos, linha e tesoura.
Moldes novos.

Fez fôlego.
Suspiro.
Foi tão doce que provocou arrepio.
Alívio.
E continuidade para aquela tarde intranqüila.

Saturday, October 13, 2007

Glória = 2 lendas urbanas compactuadas + uma frase gozada x 3 pessoas em busca de diversão.

r e s u l t a d o
Três pensamentos sonoros:
(gritando às cinco da manhã)

1. A noite é gay.
Todos são gays. E eu amo dançar com eles.
Às vezes, porém, me sinto no lugar errado
apesar de gostar do lugar. Gosto da trilha.
E de ver meus clientes. Permaneço trabalhando...
Dançando meu vestido novo.
Mas definitivamente preciso freqüentar banheiros melhores.

2. Ele está vivendo a mesma fase que eu.
Que bom para ele. Ruim para nós. Não sei por que insisti.
Ainda. Fico feliz em vê-lo sem foco. Deve lhe ser um tormento.
Não sai do lugar, nem me acompanha. Não movimento.
E eu acerto sempre no make para mais um
“Encontro e Desencontro”.

3. Quero tomar um banho por horas.
Chegar logo em casa. É perto. Sair do aperto.
Desligar o celular. Coragem. Queria ter tido.
Serenidade suficiente para ficar na cama.
Faltou-me. Amor em mim. Não teve. Tive.
Não há culpados entre nós.
Mas só porque nós não há!

Thursday, October 11, 2007

Bolhas de detergente.



Andamos tentando ser transparentes um com o outro.
Não deu muito certo.
Um dia você me ligou de madrugada.
No outro, ligou-me logo cedo.
Não havia dormido.
Nem eu pregado os olhos.

É melhor continuarmos mentindo.

Wednesday, October 10, 2007

Monday, October 08, 2007

Sem Título.

A casa não respira.
Janelas e portas fechadas.
Fachada que não combina com ela.
Os olhos não vêem nada.

Roubaram minhas flautas mágicas.
Joguei fora o som do mundo, mudo.
Mataram o futuro dele em silêncio.
Enganou as meninas mais espertas do
bairro porque elas se deixaram enganar.
Enquanto eu inventava um mito para me proteger.

Dele nasceu um bebê
Grande amor entre o homem e uma concha
A estrela do mar, das estórias de criança,
registrou o acontecimento.
Mais uma bela narrativa linear para passar no cinema.
Iluminando a sala, uma tatuagem de luz em movimento.
Correndo, correndo...
Trazendo saturação e magia pra bem perto dos olhos dela.
Encontrando confronto no conforto da poltrona que mais parecia abraçá-la.
Justo ela, que já não mais acreditava na beleza do lugar.

Sublime instante.
Inquieta, soltou o ponto pouco antes de terminar a projeção.
Arrebentou a linha fina e frágil.
Limitou o banal enquanto ainda estava escuro.
Rasgou o tecido.
Manchou a cor.
Tentou obsessivamente classificar o mundo.
Mudou o molde e mordeu a língua.

Morreu foi de dor inverossímil.

Friday, September 28, 2007

Preciso de muito.

Saúde deles. Saúde minha. Saudade. Solidariedade. Doce. Amor recíproco. Carinho. Cuidado. Café. Companhia. Almoço com amigos. Almoço com família. Preciso de Rosa. De sorrisos. Do meu carro funcionando. Da Dri me ligando de Paris, me trazendo boas novas. Visitas inusitadas. Cinema sem pipoca. Estrelas vistas da minha cama. Meu edredon mesmo no verão. Roupas novas todos os dias. Preciso de linha, agulhas, alfinetes e tecidos moderninhos. Linho. Toalhas brancas. Descongestionante nasal. Música nova para dançar. Conversas atípicas com papai. Saladinha. Vovó Edna esquecendo-se do mundo. Preciso de todo mundo ao mesmo tempo. Contatos. Tormentos. Problemas seus para resolver e esquecer-me dos meus. Desculpas. Perdões. Sexo. Cheirinho de confort. Bolinho de arroz do Ritz ou da mamãe. Aliás, preciso de mamãe animada me enfeitando para sempre. Mojitos. Jantares com Luis Felipe (meu amigo psiquiatra). Análises na mesa de bar. Sapatos coloridos. Laços para cintura e cabelo. Livros. Lili me ajudando a ter raciocínio linear. Andar pelo centro. Sonhos alheios. Piscina. Corrida. Arte. Pão de queijo. Amigos gays de madrugada me chamando de “fofa”. Desenhos no corpo. Seu piano ocupando minha sala. Preciso de Internet para viver. Rapidez. Competência. Metas. Desafios para tardes tranqüilas. Preciso saber quando começa a minha TPM e quando termina. Preciso casulo. Arrepio. Ócio aos domingos de sol. Ácido humor. Uma mesa para quatro. Ipod. Neosaldina. Verdades. Frutinhas. Solidão. Ouvir seu silêncio. Fugir. Buscar-te e ver te escapando de mim. Preciso do dia. Às vezes só quero a noite. Priscilla e Moisés me fazendo companhia. Papéis. Tinta. Bico de pena. Dignidade. Amor próprio em tempo integral. Saciedade sentir. Cheiro de gasolina. Pneus novos. Fotos novas. Tecnologia. Obras aqui por dentro. Preciso de um tempo para nós. Um sofá confortável para chegar mais gente. Informações precisas. Preciso de um téco de cinismo seu emprestado. Ironia. Pensamentos melhores para o futuro. Dinheiro. Preciso saber tirar férias. Parar quando as coisas já não fazem sentido. Comer menos fritura. Reciclar todo o lixo. Chorar toda vez que der vontade. Fazer novos amigos. Preciso estudar. Ler de tudo. Ver de tudo. Sentir de tudo. Chegar ao extremo. Voltar. Gritar se preciso. Pintar as unhas de laranja. Usar protetor solar mesmo em dias nublados. Maíra desequilibrando-nos. Mais pessoas vivendo no meu mundo prático. De flores vivas no apartamento. Esgotamento. Vivência. Preciso querer. Pedir. Agradecer. Resolver com antecedência. Duvidar da sua má vontade. Insistir em você. Persistir. Cansar. Desistir. Implorar pra te ver. Invadir seu apartamento. Lamentos. Um chá para dois. Ser inconseqüente. Rezar. Pecar. Amar alguém daqui um tempo. Ou amanhã. Ou depois de amanhã. Ou não. Gente gentil por perto. Preciso de dias diferentes todos os dias. Obediência. Sabedoria. Paciência. Generosidade. Bem estar comigo mesma. Sucrilhos. Continuidade. Palavras sinceras. Uma caneta bic sempre por perto. Boas idéias. Vender. Poesias. Um livro de cabeceira. Blush para ficar com carinha saudável. Coca-cola desintoxicando-me. Revistas de moda. Folha pela manhã. Celular. Espelho de vez enquando. Fósforo. Energia. Novas receitas para testar no meu velho fogão. Curiosidade aguçada. Inventividade atormentada. Tags. Links. MSN. Um bom banho. Uma boa cama. Bons travesseiros. Festas de arromba. Discos de vinil rodando na minha vitrola vermelha. Matadores de pernilongos. Papel higiênico neve. Comida árabe. Trabalho. Equilíbrio. Crianças. Você me fazendo rir. Polaramine. Calminex. Band-aid. Bolinhos de chuva. Chuva num dia de preguiça. Um dia de preguiça por ano. Água com e sem gás. Plástico bolha para aliviar a tensão. Brincos de pérolas. Um mar para ver. Areia para construir castelos instáveis. Presentes de corpo e alma. Fé sua. Falta minha. Diversões instantâneas. Ritmo. Fuga. Figa. Que fique aqui comigo.

Wednesday, September 26, 2007

Nada, nada e nada.

2.000 metros nadando pra lá e pra cá divididos assim:

500 m – assuntos profissionais
500 m – pendências familiares
350 m – amigos
350 m – organizando o roteiro do que vai ser o dia
200 m – finanças
100 m – para assuntos do coração

Muitos dos meus problemas,
resolvo debaixo d’água em 40 minutos.

Monday, September 24, 2007

Sunday, September 23, 2007

Maré baixa transborda um corpo meio vazio.

Olhos iguais ao horizonte do mar, rasos d’água salgada.
Ríspido respinga a lágrima.
E o sol, sal seca.
Transformando tudo em livros de areia.
Em palavrinhas ao vento.

A solidão experimentada pela primeira vez aos vinte e oito.
Antes evitada.
Evitando a si mesma.
Porque foi mais fácil viver assim.
Enchendo-se de nada e ninguéns.

Momentaneamente, ele não lhe serve, nem lhe faz muita falta.
Não correria este risco.
Escolheu seus vazios a dedo.
Tocando as texturas do que hoje é nada.
Pêlos.
Restaram coisinhas tolas.

Ela não se reconhece.
Mas procura a conexão em banda larga.
Porém, nada mais a toca. Não há som algum.
Em cada esquina padrão.
Transita.
Querências.
Nos cinemas que prefere ir bem desacompanhada.

Sabe que uma mulher como ela
não pode viver só de pão de queijo.
Nem da cerveja sem jantar,
seguida de oito cafezinhos puros com adoçante.
Cinco gotas. Um mojito para viagem.
Bem maquiada pra não desmaiar e
sorrindo porque alertaram, esta é sua vingança.
Tem facilidade para verbalizar os sentidos.
Dificuldades para respirar.
Portando, trava-se aí a primeira batalha.
Falar e respirar. Respirar e falar.
Contra também a ansiedade. Acelerada por nada.
Faz restar o nada, as dúvidas e por que a pressa?

Achava que não tinha problemas com rejeição.
Este sentimento de todos, qualquer um.
Mas tem! Sentiu envergonhadamente. Percebeu dias atrás.
Que ama sucrilhos com leite, danoninho e toddynho.
Pequenos prazeres.
Tem a estranha mania de falar tudo no diminutivo.
Diminuindo coisas grandes. Inclusive emoções.
Deixando tudo do seu tamanhinho.
Ao seu alcance.
Na altura de suas mãos,
na largura de seus passos atrasados.
Tem se perguntado, onde estava que
não ouviu aquela música na adolescência?
O que lia que não aquele livro?
Por onde andava que não naquela rua?
Tem se enchido de dúvidas e telefonemas mudos.
De mensagens que vão e não precisam de respostas.
Que se perdem como ela.
Tem se lotado de informações
que geram ainda mais dúvidas.
Para que servem?
Tem querido ser querida, mas sem querer, querer ninguém.
Vale?

Olhar o horizonte do mar.
Lembrar da canção de ninar que mamãe cantava para ela.
Do um pequenino grão de areia,
sonhador que se apaixona por uma
estrela e vive uma história de amor.
Acha lindo.
Desacredita.
Faz os olhos transbordarem.
Do sol, saldo vazio, da ansiedade de ninguéns.
Algumas dúvidas apressadas,
dos poucos pequenos prazeres no diminutivo,
um livro de areia de palavrinhas ao vento,
do grão um sonho ou pesadelo.
Toda história de amor tem final feliz?

Então não era amor.

Friday, September 14, 2007

Nada demais. Era só TPM.



Uma pena.
Mas agradeço a mágoa.
Nada em especial com alguém tão especial.
Precisa de espaço.
E tempo. Mais tempo.
Não precisa de palavras delicadas.
Definitivamente nem as identifica.
Há mais.
Há sentir.
Sim.
Sente-se.
Só.
Não quero ter que te ensinar...

Thursday, August 30, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias (dia 5).

5 últimos filmes assistidos por LP:

1. As leis da família.
2. Paris eu te amo.
3. A comédia do poder.
4. Medos privados em lugares públicos.
5. O livro de cabeceira.

5 últimas coisas ingeridas por LP:

1. dois comprimidos de tylenol
2. uma xícara de café puro
3. um toddynho
4. uma fatia de pão pullman com polenguinho
5. um copo de plástico de água

5 últimos livros lidos por LP:

1. A menina que roubava livros.
2. Na praia.
3. Como respirar debaixo d’água.
4. Memórias das minhas putas tristes.
5. O pequeno príncipe.

5 descobertas de LP sobre ela mesma:


1. gosta de ler poemas e se emociona com eles.
2. mojito é sua bebida preferida
3. é boa amiga, dessas que você pode ligar a qualquer hora da madrugada.
4. é tranqüila por fora e tensa por dentro.
5. hiperativa – não era uma fase... tudo bem!

5 coisas que LP tem feito de madrugada:

1. dançado com amigos, o que tem sido bem divertido.
2. estudado, sua Pós graduação tem lhe tirado o sono.
3. estado em cafés 24 horas em companhia de
Priscilla da Bahia e Maíra de Floripa +
chocolate quente, pão de queijo e internet... é perfeito!
4. tem recebido mensagens em seu celular,
algumas engraçadíssimas, outras em tanto.
5. chegado em casa só, nem sempre sóbrea
e é aí que não consegue deixar de perceber o
comentário indesejado do porteiro, do tipo
“ foi boa a noite hoje hein Dona Luiza!” eu mereço!rs.

Wednesday, August 29, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias (dia 4).

5 coisas legais que dá para fazer no ônibus ou no metrô por LP:

1. observar as pessoas. Uma por uma.
2. dá para escrever sobre estas pessoas e até desenhá-las.
Ou ainda, ler o jornal.
3. se quiser, pode conhecer a pessoas que
sentou ao seu lado ou a que está em pé na sua frente.
4. se alimentar, o que é bem complicado quando se está dirigindo.
5. dá ainda para terminar de se maquiar, arrumar o cabelo... se enfeitar!

5 coisas super desinteressantes por LP:

1. signo. Papo sobre ascendentes e astros.
2. papo ecológico de gente que não recicla nem o óleo da cozinha.
3. pessoas eu não trabalham nem estudam.
Não produzem seu próprio dinheirinho,
vivendo de mesada,
acomodadas por pais responsáveis demais.
4. Jô Soares
5. fofocas da classe média e alta, dando ritmo à vida das dondocas.

5 coisas legais que LP tem em seu apartamento:

1. seus livros.
2. suas duas poltronas pretas.
3. suas poesias, desenhos e recortes de jornal
pendurados nas paredes, convivendo com ela.
4. seus remédios para dor e o descongestionante nasal,
fazendo-a sobreviver.
5. seus sonhos depositados nos travesseiros,
bem embrulhados em fronhas limpas.

5 coisas que LP tem nojo:

1. cabelo dos outros e seu acumulados na escova
ou espalhados pelo box do banheiro.
2. escova de dente velha.
3. banheiro químico em dia de sol.
4. comida engordurada.
5. de vomitar.

5 cheiros adoráveis por LP:

1. gasolina
2. acetona
3. confort
4. café
5. da torta da mamãe

Friday, August 24, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias (dia 3).

5 dúvidas pertinentes:

1. por que pararam de falar no aquecimento global?
por que está frio?
2. considerando que eu já almocei sozinha,
posso convidar o porteiro para o jantar?
3. é insano brindar com a lata de azeite
o primeiro gole de vinho e passar
o resto da noite conversando com ela?
4. por que você não me liga?
será que deu liga? acha que devo ligar?
5. posso preferir ir ao cinema sozinha?
Não me sinto a vontade para chorar na sua frente.

5 palavras preferidas por LP:


1. obrigada
2. recíproco
3. ame
4. doce
5. tesouro

5 boas lembranças da infância de LP:

1. aniversário de três anos junto com o Chico,
bolo do Mickey, roupa vermelha, laço no cabelo
e de presente uma coleção de carimbos da turma da mônica.
2. um natal inocentemente feliz aos oito anos.
3. a cozinha da vovó Edna, menção especial
para as balas de goma e a coxinha de frango.
4. piscina com a mamãe no final de tardes
quentes – a água parecia geléia.
5. brincadeira de “escravos de jó” ao redor da mesa,
na casa da tia Walde com outras crianças.

5 sensações prediletas por LP:


1. arrepio
2. saciedade
3. ócio
4. saudade
5. exaustão

5 coisas insuportáveis para LP:

1. gente preconceituosa
2. fila de banco e de banheiro
3. pessoas que nunca mudam o visual.
Que estão sempre com o mesmo corte de cabelo
e um pretinho básico que as deixam iguais a todo mundo.
4. pessoas que cospem no chão.
5. atrasos

Thursday, August 23, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias (dia 2).

5 coisas abomináveis da TV por LP:

1. programação de domingo.
2. programação infantil da TV aberta – exceto canal Cultura.
3. jornalismo terrorista.
4. o casal Fátima Bernardes e Willian Bonner.
5. big brother.

5 últimas alegrias vividas por LP de ontem para hoje:

1. ter recebido sua irmã em sua casa.
2. ter tido companhia no café da manhã.
3. achou-se emocionalmente equilibrada lá pelas duas da tarde.
4. perdeu-se às 17h
5. pesou-se e sorriu para seus 52 k

5 produtos que LP considera cruéis:

1. Biothônico Fontoura é dose pra leão.
2. sabonetes íntimos líquidos para nós mulheres
que tem além de nomes bizarros (ex.: Dermacid)
tem propagandas machistas e embalagens horríveis cor de rosa.
3. Corega – a fita adesiva para dentadura (quer dizer, prótese)
que permite que você coma até maçã e sorria num churrasco.
4. cremes hidratantes bronzeadores e luminosos
que prometem fazer você brilhar.
5. TAK 500 - você toma um comprimido
que vira uma esponja sugadora de gordura.
Aff!! Isso existe!

5 sonhos de consumo de LP

1. aquela máquina de fazer suco que
se você enfia uma cenoura inteira e uma beterrada
resulta num suco incrível de múltiplas vitaminas.
2. um apartamento
3. uma TV tela plana daquelas bem fininhas.
4. sapatos para o verão 2008
antes de todo mundo e antes mesmo do verão chegar.
5. tecnologia.

5 preocupações constantes:


1. não sentir nada. Só sentir muito.
2. bem estar de sua família e amigos.
3. o quanto se produz de dinheiro X o quanto se gasta para viver.
4. juros do cheque especial, dos cartões de crédito.
5. falta de tempo. Os dias, semanas, meses e anos passando por mim.

Wednesday, August 22, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias.

5 coisas que irritam LP:

1. pessoas que falam demais.
2. que roubam comida do meu prato (só batata frita pode).
3. que sempre que me encontram, reclamam da vida,
do trabalho, da família, do namorado, da cunhada, da casa...
4. que tomam suco enquanto eu tomo cerveja.
5. que não sorriem fácil, largo e solto.

5 coisas que agradam LP:

1. bebês ruivos.
2. jantar com os amigos em restaurantinhos pequenos e aconchegantes.
3. pessoas inteligentes, sorridentes e generosas.
4. um café expresso, bom papo e adoçante.
5. poesias de Mallarmé.

5 coisas que emocionam LP:

1. arte
2. vovó Edna e seu Auseimer.
3. cheiros de infância, memória, saudade.
4. palavras sinceras ditas de pertinho.
5. amanhecer – anoitecer.
Ela quase nunca tem a chance de observar estas passagens.

5 coisas que LP gosta de fazer aos domingos:

1. tomar sol na cama (no inverno).
2. almoçar com amigos e ou família.
3. tomar um bom café da manhã, mesmo que seja meio dia.
4. cinema, exposição, teatro... sozinha ou acompanhada, não importa.
5. se conseguir acordar cedo, sair para correr no parque mais próximo.

5 coisas que dão a LP muito prazer:

1. chocolatinhos pequenininhos muito bem embrulhadinhos e saborosos.
Gosta de derretê-los no céu da boca.
2. sexo com intimidade.
3. estourar bolinhas do plástico bolha.
4. vender.
5. brincar com sua sobrinha e outras crianças como se fosse da idade delas.

Friday, August 17, 2007

Se é que há.

Vê se fica feliz!
Com coisas simples, mais palpáveis.
Seja fácil comigo. Serei com você incondicionalmente.
Pare de colocar sua felicidade
tão distante da palma de suas mãos.
Seja feliz agora, neste instante.
Permita-se.
Tranqüilamente a andar num novo ritmo.
Acompanhe-me.
Dance...
Seja mais maleável.
Mais engraçado.
Tente rir um pouco.
De você, aos poucos.
Sorrir ao outro.
Dar sua atenção, um minuto do seu dia
para as pessoas que te querem bem.
Telefone pra elas.
Encontre-as.
Tente gostar de quem gosta de você.
Perceba... Todos têm algo de bom.
Faça a troca. Comércio. Escambo.
Traga-me o melhor de ti e leve consigo o melhor de mim.
Tente!
É um exercício que toda pessoa inteligente deve fazer...
Venha disposto!
A tarde será agradável.
Saudável.
Impreterivelmente.
Porque vou fazer ela acontecer assim.
Vou te falar coisas que sei que gostaria de ouvir.
Farei elogios que saem de mim.
Naturalmente.
Vou dizer que está lindo.
O dia. Você.
Que seus sapatos são lindos e o casaco impecável.
Vou dizer ainda algo positivo
sobre seu cabelo e a tatuagem nova.
Te farei especial ao meu lado.
Tomaremos um chá quente com bolachas.
Será confortável. Macio.
Você poderia me levar para um café.
Adoçar-nos por nada.
Em troca te darei flores.
Um cheiro de mato.
Algo verde para colocarmos na sala.
Algo vivo.
Faça-me te ver bem vivo.
Pulsante.
Indagando, perguntando, questionando.
Traga pra nossa mesa palavras bem colocadas.
Que combinem com a gente.
Histórias engraçadas. Invente coisas boas.
Situações.
Traga-me suas novidades. Dúvidas.
Divida-se comigo.
Seja generoso.
Intenso e leve.
Leve-me para seus sonhos
sem que tenhamos que sair da cadeira.
Não tenha medo de dizer suas verdades.
Acredite na capacidade do outro em te compreender.
Seja sincero consigo. Com o mundo. Com todo mundo.
Na medida certa.
Faça-me sorrir com os olhos.
Olhe-me nos olhos e guia-me com os teus.
Me mostra teu universo. Sua música preferida.
O último livro de ontem.
Me ensina a ser.
Tome sol aos domingos.
Vá ao cinema, ao teatro e me convide, por favor.
Faça algumas surpresas.
Surpreenda-se.
Estude.
Cozinhe e convide amigos para o jantar.
Durma por oito horas ao
menos três vezes por semana.
De pijama quente, cobertores macios
e um bom travesseiro.
Faça exercícios físicos.
Vá à praia.
Ande descalço na areia, na grama.
Pare a tarde para um sorvete.
Contemple um dia terminando
ou começando, sem pressa.
As maravilhas das cores do céu.
Espreguice.
Recicle o lixo.
Não responsabilize o outro.
Faça por si mesmo.
Ame. Seja cordial.
Sensível.
Sinta, não consinta.
Economize desafetos e água.
E não desperdice energia com bobagens.

Saturday, August 11, 2007

Fase Boa Porque:

Mora só.
Almoça sozinha.
Janta sozinha.
Conversa com as plantas que estão
bem distribuídas na janela do banheiro.
Com a lata de azeite logo no primeiro gole de vinho tinto.
Tinta. Pinta.
Os olhos e a boca antes de sair de casa.
Os cabelos. Deixa crescer.
Formada em Artes Plásticas pela FAAP
resolveu agora aos 28, voltar a estudar.
Pra ocupar o tempo que não tem.
Ausência de si.
Matriculou-se na Pós de Comunicação
com ênfase em Jornalismo Cultural pela PUC.
E tem adorado ir até lá três vezes por semana
pra pensar literatura, cultura, arte e religiosidade.
Trabalha com moda desde menina - estilista.
Faz disso um comércio, com três lojas pra cuidar
de segunda a sábado.
Aos domingos dedica-se ao sol que vêm
visitá-la depois do meio dia.
Se o dia insistir no cinza ela sai pra correr,
pra nadar, pra ver exposições, teatro, cinema.
Nada de ficar em casa!!!
Não tem visto nada na TV.
Precisaria de muitas ritalinas
para chegar ao final dos DVDs
que tem na estante do quarto.
Mas não se droga porque não tem acesso a elas.
E não sente nada.
Nem sente muito.
Ainda...
Isso a tem deixado um tanto transtornada.
Se bem que “tudo bem”. Vai passar.
Pensou em andar numa montanha russa
pra ver de novo seu coração palpitar.
Alimentou a chance de levar uma surra
pra ver se a dor residia novamente em seu corpo.
Mas tudo não passou de projetos.
Odeia projetos.
Gosta de executar.
É pragmática.
Funcional.
Desenha poesias e gosta muito de escrever
em seu livro de cabeceira,
que na verdade não é de cabeceira, mas de bolsa.
Fica na bolsa. Preta como as unhas.
Dentro, dois comprimidos de neosaldina,
uma aspirina efervescente,
uma pasta e escova de dente,
uma cartela de dorflex (parcialmente consumida),
um livro quase no fim.
A agenda,
as contas a serem pagas,
uma caixa de antiinflamatórios
receitada por seu amigo psiquiatra,
alguns elásticos e presilhas de cabelo.
O celular.
A chave do carro, da casa,
das lojas e do seu cofrinho que não
tem nada dentro, a não ser
lembranças que ela não consegue
deixar espalhadas pelo apartamento.

Friday, August 10, 2007

Constatação veloz de uma mulher de quase 30.

A ansiedade me mata aos poucos.
Se pelo menos ela me matasse rápido...

Wednesday, August 08, 2007

5 Dúvidas de uma mulher de quase 30:

- Como se faz pouca sopa?
- Por que pararam de falar no aquecimento global? Por que está frio?
- Por que você não me liga? Será que deu liga? Será que devo ligar?
- Considerando que eu já almocei sozinha, posso convidar o porteiro para o jantar?
- É insano brindar sua primeira taça de vinho com o litro de azeite
e passar o restante da noite batendo um papo com ela?

Responda!
rs.
É só uma piada x 5!

Podemos almoçar? Você leva sua namorada e eu levo meu bom humor...

Monday, August 06, 2007

A Frase do Homem Contemporâneo.

Depois de uma longa reflexão foi eleita a frase
mais dita pelo homem contemporâneo de meia idade.
Pelo menos é a que eu tenho mais ouvido
com meus próprios ouvidos e olhos que
não escondem a insatisfação imaginária
do repetido repertório triste quando se diz:

“Eu não valho nada.”

E a pergunta que me sobra é:
Quer mesmo falar sobre isso?

rs.

Wednesday, July 25, 2007

Não me leia.

Já sei que prefere me ler feliz.
Se bem que acho inviável. Já olhou pela janela?
Mas posso mentir se isto provocar alívio.
Tudo bem pra mim.
Porém, felicidade palpável mesmo, só aqui dentro.
Na minha poltrona preta, rodeada dos meus livros,
meus desenhos e meu silêncio.
O pó gelado de São Paulo impregna a casa toda.
Fuligem de caminhão, carro e ônibus que sobem me visitar no segundo andar.
E entram sem bater, loucas pra me ver.
Por isso decidi, vou comprar uma bicicleta e farei uma longa viagem.
Respirar outros ares.
Suar frio vendo outra paisagem que não as paredes do quarto.
Quero sorrir observando outras flores.
Eu adoro as do supermercado, mas elas são quase mortas.
Quero coisas vivas. Quero viver bem com minhas verdades.
Sentir o vento no rosto e que ele seque minhas lágrimas.
Quero cheiro de mato. De chuva. Terra molhada.
Quero um campo inteiro só pra mim.
Minha bicicleta e eu. Mais nada.
Vou ver se consigo sonhar algo pra nós.
Enquanto meu cabelo se mexe na velocidade do pedal.
Vou me impor limites.
Quero sabores novos e longos períodos de descanso.
Sei que sou capaz. Só não sou agora.
Não quero agora.
Mas fica tranqüila, te fiz um texto feliz.
Sabendo que tudo se cura com hipoglós, merthiolate,
sonrisal e algumas palavras doces.
Doce. Um bom filme. Bons amigos e chá!
Agora sorria, afinal fiz um esforço enorme ignorando-me por dentro.

Só Felicidade.

Meus primeiros dias de solteira feliz
foram realmente felizes. Pode acreditar!
Me encantei com as novidades do mundo
das pessoas sozinhas não deprimidas.
Foram descobertas incríveis.
A começar por todas as coisas que se vende no supermercado,
voltada para este mercado solitário e que eu
jamais havia dado um segundo da minha atenção.
Agora ando a procura deles nas prateleiras.
Porções únicas de arroz, laranjas descascadas cortadas
ao meio sem caroço e posição de destaque para as chamadas
saladas “single” que vem lavada em pequeninas embalagens infladas.
Prontas para consumo.
Aliás, tudo na vida de solteiro é pronto para consumo.
Instantâneo. No máximo, vem um AGITE ANTES DE USAR.
Estou me habituando com a idéia.
No mais, percebi que não tenho compromisso depois do trabalho.
Não tenho que chegar em casa porque não tem ninguém me esperando.
E confesso, não sei se gosto. Tem dias que gosto, tem dias que desgosto.
Mas acho que é assim mesmo.
Ando me divertindo com minhas oscilações de humor.
Se houvesse um gráfico... rs.
Descobri que posso fazer tudo o que quero.
E que o que eu não quero, não preciso fazer.
Que agora, sou só eu quem sofre as conseqüências, assim, só eu me fodo.
Se eu não quiser, resolvo. Sorrio. Trabalho. Corro. Descanso. Saio. Danço.
E volto para casa ao amanhecer.
Voltei a observar o sol nascer. Cheirando a fumaça sempre, infelizmente.
E mantivemos neste primeiro mês uma relação intensa... O sol e eu.
Momentos prolongados de prazer na cama aos domingos.
É o único lugar do apê que ele bate e durante a tarde,
por isso só nos encontramos nos finais de semana. Mas já é alguma coisa.
Uma relação. Ahhh, as relações. Foi difícil e não menos engraçado.
Me vi só. Me vi tímida, crítica, quase chata, egoísta.
Sem paciência com a pessoa certa, com paciência com a pessoa errada...
Desesperada aos domingos.
É o pior dia para quem está sozinho. Domingo é de matar!
Mas ando sempre a repetir em alto e bom tom,
para me ouvir e quem sabe me conscientizar:
“Cada um dá o que pode dar”.
Se alguém pode me fazer companhia no domingo, ótimo.
E levando-se em consideração que o sol já vem me ver...
Maravilha!
Andei refazendo contatos antigos. Nostalgia total.
Andei a procura de pessoas que gostam de coisas que eu gosto
ou que me mostrem novidades vindas de lá.
Com quem eu possa trocar algo mais do que quatro frases e quem sabe,
me empolgar e fazer o papo rolar, rolar, rolar...
Se desmembrar em coisas melhores. Em jantares. Viagens.
Em almoços. Já pensou? Em almoços de domingo?
Nossa. Vai ser ótimo. Divertido.
E feliz.
Uma felicidade só.


LP encontrou Maíra de Floripa, Priscilla da Bahia.
Se divertiu com Cecília e Drizis que embarca no início do mês para Paris.
Almoçou num domingo de sol com Felipe.
E vai ficar bem porque tem conseguido se relacionar relativamente
com as pessoas ao seu redor.

Wednesday, July 18, 2007

O que eu posso dizer?

Achei este textinho... Achei que tinha que publicar...
Belezinha. Mas não tem nada ver com o dia de hoje.

Nublado e cinzento - da cor da estação.
Ou seja, como diria minha amiga Drizis...
"Dia Fashion"!!!
.................................................................................................
Bem, deixe-me ver.
Não quero ficar perto de você.
Não quero mais ter que te ver.
Não quero ir contra os meus princípios
só para te deixar feliz ou sem culpa.
Mesmo sendo eu uma principiante,
sei bem o chão em que quero pisar daqui para diante.
Sei também que talvez esta má experiência
não seja a única na minha vida.
Não, se Deus quiser será.
E falando nele, sei que contrario todas as doutrinas católicas
quando escondo minha outra face da sua mão pesada.
Não sou boa na arte de perdoar. Confesso.
Mas nem por isso sinto-me uma menina má.
Não me sinto pronta.
Instantaneamente pronta.
Igual miojo.
Nas noites mal dormidas ainda sonho.
Sinto muito, estou apenas me protegendo.
E como aqui sou só eu...
O que quer que eu faça?
O que quer que eu diga?
Quer que eu fale mais baixo para ninguém ouvir?
Sim, eu prefiro.
Prefiro sussurrar.
Prefiro cuspir.
Esmurrar a parede do banheiro,
meu único cômodo com chaves.

Prefiro que você fale tão baixo,
mas tão baixo, que não seja possível eu te escutar.
Prefiro a música alta.
A TV sempre ligada, em alerta.
Maré baixa.
E sem telefone em casa.

Saturday, July 14, 2007

Só o pó.

Exaustão.
Cheguei.
Depois de um mês buscando-a desesperadamente.
Então, agora será a hora do descanso sem paz.
Porque o corpo lamenta, mas não “guenta”.
Arde.
Chora.
Desordena.
Desonra.
Distorce.
Fragmenta-se em pedacinhos.
Em cacos afiados igual lâmina.
Lamentos.
Não levanta da cama.
Não dorme.
Não sonha.

Come sempre a mesma coisa que tem na geladeira.
Não sente gosto, nem cheiro, nem desejo.
Nem falta.
Não tem alta.
Não grita.
Nem fala alto o bastante que o faça ouvir os sussurros.
O corpo padece.
Mente.
Adoece.
E se entorpece com antibióticos da farmácia mais próxima.

O corpo agradece o descanso.
A trégua.
Mesmo sem paz.
Apático, quieto com pensamentos barulhentos.
Por todas as dúvidas de outrora.
Pela música de fundo que não há.
Por não existir mais nada além dele mesmo e as paredes do quarto encardidas do pó.
Que enche a vida dela.

Wednesday, July 11, 2007

Os primeiros dias.

Nunca sobrou tanto tempo.
Vazio.
E percebo que continuo a dormir do meu lado da cama.
Dividindo meu edredom com o espaço restante.
Há sobras.
E travesseiros a mais.
Mas não reclamo.
Acho bom.
Preencho o dia e a noite de
forma que me perco no tempo.
Já não sei bem quando foi ontem,
nem quando será amanha de manhã.
Quando foi mesmo que cruzei com você da última vez?
Não me lembro mais.
Permito-me acordar mais tarde.
Tomar sol na cama aos domingos.
Derreter dois quadradinhos de
chocolate suíço no céu da boca de madrugada.
E correr quilômetros e quilômetros sem afobar.
Aliás, correr nunca foi tão importante.
Permito-me não seguir regras nem horários.
Nem dietas.
Só faço o que eu quero.
Independo do próximo.
Chega a ser arrogante, mas me policio.
Leio meu livro que parece não ter fim.
Pintos meus olhos.
Alguém que pinte as unhas pra mim.
Desenho. Preocupo-me com o verão 2008 se aproximando.
Pego roupas novas. Cintura alta.
Corto um cabelo tigela.
Sorrio com as possibilidades a minha volta.
Dou gargalhada.
Vou ao cinema sozinha.
Percebo-me egoísta, mas por enquanto
isso não será um problema.
Várias situações me coloco porque
acho sinceramente que se
há um momento para vivê-las,
este é o mais apropriado.
Busco satisfação pessoal.
Virei uma droga sintética.
Um comprimido.
Mas meu máximo de uso é
neosaldina pra curar a ressaca.
Não me encontro.
Bebo.
Comunico-me bem no começo.
Mas basta uma palavra mal colocada que eu inverto.
Saio. Te deixo. Sumo por um tempo.
Tipo férias.
Privilégios...
Não precisa explicar-me nada.
Não precisa dizer nada só pra me agradar.
Se preferir, não precisa nem me enxergar.
Estou bem aqui.
Só.

Wednesday, June 20, 2007

NÃO SINTO NADA. SÓ SINTO MUITO. Volume-2.

Vamos lá, escrever é preciso.
Para organizar os sentidos e acalmar a galera.
Prometi para mim mesma que não escreveria
nada que parecesse triste, para os amigos e familiares não
ficarem ainda mais preocupados do que já estão.
Vivendo seus dias com minhas novidades em mentes.
Roubando-me a energia que tanto preciso
para acordar de manhã e calçar os sapatos.
Não há culpados entre nós.
Até o momento, o que sei é que devo explicações.
Não se tira alguém de circulação assim, sem mais, nem menos.
Então, vou te deixar encontrar meus motivos.
Quando não, me apontar o previsível sofrimento.
Mas todos precisam entender que eu não lhes trouxe nenhum
problema e sim uma nova situação. Uma posição.
Uma mudança de planos. De trajetos. De história.
Trouxe comigo um livro inteiro de páginas brancas.
E deixei para trás milhares de momentos bons tatuados
no meu punho esquerdo.
Fomos espertos, só ficamos com o melhor de nós.
Agora, um novo começo. Novos tropeços. Mas dessa vez, só.
Uma incrível carreira solo sem destino.
Parece-me uma aventura e tanto, não?!
Single, como ele prefere denominar. Não importa.
O que quero, é que não se preocupem ok?!
Não era esta a minha intenção.
Nossa decisão pareceu tão coerente. Sensata.
Tão honesta. Exata.
Escrevo por que... Quero que saibam que estou feliz.

Reavaliando – nos.
Nossa trajetória foi espetacular.
Teve drama, teve fama, brigas e como eu costumo dizer,
o maior amor do mundo. O nosso.
Nossa trajetória foi heróica.
Teve dificuldades enormes e estranhas novidades.
Liberdade, um entra e sai.
Teve poesia, muita música e cafés da manhã na cama.
Nossa trajetória teve de ser revisada.
Avaliações, notas e imposições.
Mudanças de planos, de cidade, de casa, de carro, de vida, de amigos.
Baguncei um pouco você...
Mas permanecemos juntos quando nem eu mesma
acreditei que a gente iria conseguir.

Nossa trajetória foi linda.
Teve romance e flores (já quase no final).
Jantares regados aos vinhos mais vagabundos,
saboreados como se fossem os melhores. E muito chocolate.
Foi doce.
Teve para sempre um papo bom e uma grande amizade jamais vista.
Aprendemos a cozinhar juntos.
Aprendemos a suportar juntos. A nós. Aos outros.
Aprendemos a viver. Com pouco.
E quando você começou a viver com muito,
achei que era a hora de te deixar caminhar só.

Nossa história teve festa. Foi uma festa. Teve bexigas.
Faltou-nos ar na maior parte do tempo.
Mas a gente saiu para dançar de madrugada diversas vezes.
E a gente também dançou no meio da sala de casa
muitas vezes ao som do seu bolero.
De pijama quente e meias escorregadias.
Nossa trajetória teve filhotes caninos e eu
vou guardar com saudade a sensação de felicidade
que havia naquela época.
Teve o piano. O conhaque. O seu filho.
E todos aqueles que eu planejei, mas que de ver verdade,
faltou-me coragem.

Nossa trajetória teve uma dor que eu nunca superei,
quando você ficou doente.
Teve muita incompreensão. Falta de tato dos outros.
Falta de afeto. De ética. De respeito. E faltou-me o perdão.
Mas saiba que não me perdôo por isto.
Nossa trajetória teve superação. Cuidado. Remédios. Horários.
Teve você grudado em mim... Lembra?!
Teve a Rosa nascendo. E você é o padrinho!
O mais querido. Que ela mais gosta de brincar, cantar e dançar.
Teve a vovó Edna adoecendo e você respondendo as
mesmas perguntas de sempre, no maior bom humor.
Bons almoços em família. Piadas ácidas e risadas rápidas.
Teve você tentando me animar na maior parte do tempo. Obrigada.

Nossa trajetória foi marcada por nós mesmos.
Por nossa criatividade. Sua música, minhas imagens.
Por sermos tão complementares.
Pela dificuldade que tivemos de enxergar o quão
distantes estávamos caminhando. Juntos.
Por não querermos enxergar, talvez.
Pela solidez da nossa vida mole. Dura.
Por tudo o que perdura.
Por um carinho eterno e mútuo.
E sua última pergunta:
_ Agora que separou, vai por silicone?

Rs. Não.
Tinha que ser assim...

LNN – Louca Nota Necessária:
Finalizei este texto e mandei para o Tom aprovar
e corrigir através do MSN.
Segue abaixo nosso diálogo:

- Tom em: Fechado pra balanço diz:
Lu, ficou ótimo.

- LP em: Momento Doce. CÚ DOCE! diz:
Gostou? Posso enviar?

-Tom em: Fechado pra balanço diz:
Gostei muito. Manda já.

- LP em: Momento Doce. CÚ DOCE! diz:
Mas não tem erros?

-Tom em: Fechado pra balanço diz:
Só os nossos. Rs.

Wednesday, June 06, 2007

É Drama, Aventura e Comédia Romântica!

Aos trinta, ou quase trinta como é meu caso, uma mulher já amou de verdade pelo menos uma vez na vida. E isso fode tudo!

Engraçado, sempre quis ter trinta. Desde os dezessete.
Isso porque sempre admirei as mulheres de trinta.
Elas me pareciam bem resolvidas. Mais bonitas.
Mais mulheres do que eu, menina.
Agora, finalmente aos vinte e sete, sempre digo que tenho trinta. Antecipo-me. Como sempre, na pressa de viver emoções precoces.
Mas esta ansiedade não faz parte dessa idade.
Não, aos trinta não somos afobadas nem ansiosas.
Tão pouco ociosas.
Nós, mulheres de trinta, achamos que temos o controle da vida.
Que estamos no comando. Dando as regras,
distribuindo as tarefas, racionalizando os sentidos.
Como se isso fosse possível.
Mas vá tentar explicar para uma mulher de trinta o contrário...
Mulheres de trinta não te deixam falar, nem se quer explicar.
Elas dizem por último, riem por último.
Mandam e desmandam, em casa e no trabalho, no sexo e no amor.
Sim, mulheres de trinta - inteligentes,
conseguem separar sexo de amor.
Marido, de pai do seu filho. TPM de stress.

Teoricamente, tudo aos trinta funciona.
Somos práticas e independentes.
Ah, e magras se desejarmos.
Os hormônios parecem controlados!
Nos dividimos em grupos de mulheres distintos assim:
as que se casaram e tiveram filhos;
as que se casaram e não tiveram filhos
(estas cultivam flores, cachorros e sobrinhos para suprir a carência característica da idade);
as solteiras que estão loucas para se casar e finalmente, as divorciadas.
E dentre estes grupos ainda nos subdividimos em:
as que são felizes, as que se consideram infelizes
e as que acham que um dia serão felizes (as solteiras)
quando encontrarem o príncipe encantado.
Mas vá explicar para uma mulher de trinta que isso não existe!!!
Sua tentativa vai morrer de morte natural.
Ela não te dará ouvidos.
A mulher de trinta precisa ver para crer.
Isso porque já tem vivência, experiência.
Acha que tem, pelo menos.
Acha que já sofreu o suficiente, já amou o suficiente
e foi ou é amada insuficientemente. Sempre.

É normal encontrar mulheres de trinta achando
que a vida tem sido bem cruel com elas.
Mas que agora (aos trinta) retomada a consciência do
seu valor material e mental nada mais a segurará.
A não ser um bom cirurgião e as inseguranças femininas
que existem em qualquer idade, mas que nesta fase,
parecem querer tomar proporções desanimadoras...
É! A crise dos trinta. Entramos de cabeça (e de corpo inteiro)
no maravilhoso mundo dos cosméticos anti-idade.
Começam também os exames detalhadíssimos no ginecologista.
E é também bem nessa fase que os dermatologistas insistem em enxergar em nós (belas mulheres da meia idade)
manchas do tempo. Sabe, faz tempo...
Não precisa explicar! E dá-lhe creme!
Creme pra cá, creme pra lá, para a região dos olhos,
para a testa, para orelha, olheiras.
Para as gordurinhas do lado esquerdo.
Para as do lado direito é outro pote!
Sim, você tem defeitos que nem imaginaria.
Nem em seu pior pesadelo.
E é aos trinta que descobre isso.

Minha visão estereotipada da bem sucedida
carreira solo da mulher de trinta foi por água abaixo.
Os dentistas querem clarear os nossos dentes,
os cabeleireiros nos oferecem uma tintura creme
e isso quer dizer que apareceu o primeiro fio de cabelo branco em você. Ele te pertence! As mini saias não. Parecem coisas de adolescentes.
A depiladora é a mesma, há dez anos te maltratando
intimamente e você ainda paga por isso.
Faz as unhas para pertencer ao sistema. Entra no esquema.
Casa, trabalho, cinema.
Nós mulheres de trinta, nos livramos da ressaca trabalhando.
Dos problemas, trabalhando.
Dos dilemas, trabalhando.
Estamos em plena atividade, quando não, doméstica.
Correndo da mesmice. Sem tempo para os amigos.
Buscando intimidade sem cair na rotina.
Sexo sem compromisso.
Mas dá para dar uma ligadinha depois???

A verdade é que mesmo aos trinta ainda
queremos um amor de filme. Com cheiro de menta e pipoca.
E café na cama sem que eu tenha que pedir.
Queremos a felicidade imaginária,
as dúvidas extraviadas,
os sonhos que deixamos de lado sem
haver um bom motivo para tal abandono.
Aliás, aos trinta, não queremos abandonar mais nada!
Queremos aglomerar, reunir, juntar, amontoar, acumular.
Sentir sempre com as pontas dos dedos. Dos cinco. Desejos.
Queremos o frio na barriga mesmo no inverno.
E está em tempo.

ESTE TEXTO É DEDICADO A TODAS AS MINHAS AMIGAS SOLTEIRAS QUE ME PROPORCIONAM BOAS ANÁLISES SOBRE O TEMA. OBRIGADA! :)

Thursday, May 31, 2007

Lp é "Profissa".

Trabalhar com moda é tão chik! Rs.
É mais ou menos assim:
Trabalhamos 24 horas por dia, 365 dias por ano.
Não relaxamos nunca. Até quando chegamos em casa,
depois de todo um dia intenso de trabalho,
continuamos com nossas crias na cabeça.
Nossas pregas e cartelas de cores.
Buscando as tendências antes dos outros.
Investindo em revistas (é cruel o quanto gastamos com elas!!!)
e na TV a cabo para ver a Europa em seus casacos mais quentes,
ou nas saias menores já existentes.

Nós que trabalhamos com moda,
trabalhamos até quando estamos parecendo relaxadas em frente à TV,
com a bunda raramente bem acomodada no sofá.
Sim, sentar-se é raro! Trabalhamos em pé, quando não,
abaixando-se e levantando... Os tecidos... As linhas...
Os moldes pelo chão! As tesouras...
“Se cair mais uma tesoura no chão, eu mato!”
Ouço isso desde pequenina e mamãe nunca matou ninguém.
Nem à tesouradas! Bom, mas voltando ao fato do glamour da profissão...
Vamos lá, fazer um modelinho novo!
Mulheres querem coisas novas o tempo todo!
Não basta um casaco, mas milhares deles.
Mesmo que ela só vá comprar um,
ela quer ter a chance de descartar todos os outros.
Ou não, ela vai comprar todos, mas só vai usar um!
Mulheres são a cada dia mais exigentes e estamos aqui,
praticamente vivendo por elas.
Isso independente da nossa opção sexual.
Viveremos por elas e pronto!

Então começamos pela modelagem.
Fazemos o primeiro molde. Depois a primeira peça piloto.
Verificamos os defeitos e o que devemos mudar.
Aprimorar o modelo. Pra ele ficar mais lindo e
consequentemente as mulheres ficarem mais elegantes.
Fazemos o segundo molde, o terceiro, quarto e o quinto, não importa!
Lembra-se da exigência de nossas consumidoras?
Também somos mulheres, portanto, também somos exigentes!
Depois fazemos milhares de peças pilotos.
Experimentamos, verificamos os defeitos.
Alfinetamos as modelos. Ás vezes, recomeçamos do zero, tudo de novo.
Às vezes descartamos a idéia original,
mas isso só acontece quando a peça fica intragável.
Quando brigamos com o tecido.
Sim, temos esta relação de amor e ódio com nossa matéria prima,
como toda mulher!!! Rs. A primeira peça demora a ficar pronta.
E normalmente ficamos na ponta da máquina,
enquanto a costureira a termina. Ansiosas!
De lá para o arremate. Depois ferro. Queremos vê-la impecável!
E ela vem e a gente veste em alguém que seja P.
Linda! Magnífica! Eu ando até batendo palmas ao final do processo.
Final? Tá de brincadeira?
Falta a grade.
Sim, você fez o P. Falta o PP, o M e o G.
Ou seja, a grade!
E amanhã, precisaremos criar algo novo!
Voltemos aos moldes, às tesouras e se alguma delas cair no chão hoje...
Eu me mato!
Ai, que chik!

Friday, May 11, 2007

A lista.

LP elaborou uma lista incrível com as 12 coisas + cruéis
(coisas, não vale pessoas nem situações) por ela considerada:

1. Sabonete para xoxota (a começar pelos nomes – vagisil ou dermacid),
com embagem cor de rosa e propagandas bizarras na TV.
2. Bolacha de água e sal, sem gosto, sem graça e calórica. Prefiro pão de queijo.
3. Filas. Sejam elas nos bancos ou no banheiro daquela festa que você já teve que enfrentar fila para entrar, fila para comprar a cerveja e ainda vai ter que agüentar outra fila para sair da balada, a fila do manobrista... Não há quem agüente!
4. Vigilantes do Peso. Alguém aí conhece algo mais chato?
5. Futebol toda quarta feira na TV.
6. Música sertaneja é cruel para mim, desculpem!
7. Formigas que gostam de doce e salgado e atacam tudo o que enxergam pela frente, inclusive aquele último pedaço de bolo recheado que você tinha deixado para comer mais tarde.
8. Biotônico Fontoura é dose pra leão!
9. Cabelos com chapinha, escova progressiva, de chocolate, japonesa...
Uniformizando as cabeças das meninas.
10. Política.
11. Papanicolau.
12. Livros de auto-ajuda. Ui! Não dá!

O Fundamental.

Em São Paulo era outono, numa noite de terça.
E eu acabara de voltar do bar Leblon,
sem o menor risco de balas perdidas.
Aliás, já te falei da minha teoria de que no Rio
não existe bala perdida? É bala na mira. Andam mirando em nós.
Estão treinando conosco. E levam nota dez porque andam acertando-nos bem.
Mas isso não vem ao caso. O dilema da noite é que me sinto só.
Sozinha. Sem companhia. Com poucos (três ou quatro) amigos de verdade.
Sem cachorros. Sem conhecer as vizinhas.
Vivendo numa grande metrópole com minha TV a cabo.
Tão sozinha que ando a sentir falta de Dona Maria,
minha amiga de oitenta e tantos que morreu no ano passado.
Ela era chata (só falava de doenças, do marido Jacob,
falecido um ano antes e dos filhos que não vinham visitá-la – é claro),
mas me fazia companhia. Chá com bolacha às quatro e trinta.
Enfim, me vi só depois de um dia cheio. Foi cruel!
E para uma pessoa como eu, tímida, que prefere escrever a falar,
olhar para baixo ou invés de olhar nos olhos; que se emociona fácil,
introspectiva; comunicar-se é como ir para forca a cada diálogo.
É um exercício diário, igual aos outros que me obrigo a fazer.
Já dizia uma psicóloga amiga minha (inclusa na conta acima),
com a qual tenho me consultado de forma velada nos últimos cinco anos,
“Não existe crescimento sem sofrimento”.
Aff! Chego à conclusão então de que sofrer é viver e por conseqüência crescer.
E hoje foi só mais um dia daqueles...
O lado bom da história é que, diante tamanha solidão nada mais há
para se fazer a não ser mergulhar nas profundezas do nosso ser mais íntimo
e observar, como bom expectador, o que realmente somos - sem rótulos.
E é engraçado se não fosse trágico, mas nossas peculiaridades
exibem-se graciosamente num dia como o de hoje.
E pensar que cheguei a esta crise existencial só por
causa de uma pesquisadora de rua que resolveu ignorar o
espaço físico ocupado por mim ao lado dela (ombro a ombro),
sem dar ao menos a chance de eu lhe dizer:
_Desculpe, não posso responder.
Ela não interrompeu meus passos apressados
e ainda tornou-me invisível num dia de sol.
Como assim? Eu seria a pessoa mais indicada para opinar
sobre a cremosidade de todas as marcas de requeijão existentes no planeta.
Ou eu não tenho cara de quem come pão com requeijão todos os dias?

Dessa forma ignorada começou meu dia.
Foi a gota d´água, ou melhor, uma facada de requeijão no peito,
dada por uma desconhecida de prancheta na mão e caneta bic atrás da orelha.
Depois do fato consumado, nada mais me restara.
Corri para casa e vasculhando as velhas agendas num ato de completo desespero,
percorri os nomes dos amigos da faculdade que não vejo há pelo menos três anos.
Mas os números de telefone já nem existem mais, faltam dígitos,
faltou-nos contato e eu não teria coragem suficiente para ligar a qualquer um deles,
depois de todo este tempo de silêncio e dizer, e aí? Vai fazer o que hoje?
Lembre-se da minha timidez desorientada.
Aproveitei para jogar as empoeiradas de 97 a 2007 no lixo.
Isso quer dizer que desmarquei todo e qualquer compromisso
para os próximos sete meses. Assim a vida se reiniciou ao meio dia,
depois de uma manhã inconsolável. Pintei as unhas de vermelho e
saí perambulando em meio aos transeuntes. Nem os bebês sorriram.
Nem o caixa do supermercado. Nem o atendente do Mc Donalds
perguntou se eu queria mais batata por quarenta centavos.
Invisível, percebi coisas incríveis!
Descobri que não sou o centro do universo, que as coisas não regem sobre mim,
tampouco eu sobre elas. Que não sou pontual e por isso meu relógio de pulso
(de plástico) está dez minutos adiantado. Mas como sei disso,
não me engano e perco a hora. Descobri que sou negativa para que,
quando algo positivo aconteça, me surpreenda.
Não gosto de criar expectativas em nenhuma área.
Não gosto de piadas, nem de BIS em shows de música.
Teatro é teatro, música é música. Me irrita o entra e sai dos músicos,
que já sabiam que iriam voltar e mesmo assim saem do palco!
Descobri que não sou previsível, nem 100% coerente.
Ah, nem amável por completo.
Que falo baixo, tenho uma vergonha controlada e dentes sensíveis.
Adoro café e tomo coca-cola. Não sei mentir. Não uso pijama de seda jamais.
Não sou organizada, nem sexy. Deixo roupas pelo chão,
toalhas molhadas em cima da cama e sapatos debaixo da mesa de jantar.
Gosto de música para dançar, silêncio para dormir, um bom livro e neosaldina.
Crítica. Amargo as conseqüências por ser assim.
Invisível, inviável. Não sei cuidar de plantas e por excesso de zelo
acabo por matar todas elas afogadas na lavanderia,
onde também não bate sol nem a pau.
Descobri e assumo a preguiça para o fio dental,
as dificuldades para o corel draw e o mau humor quando a fome assombra-me.
Descobri meu gosto para chocolates sempre depois do jantar,
derretendo-os junto ao céu da boca. Amei o filme Céu de Sueli e
por acaso tenho uma tia ótima com este nome.
Pratico esporte porque assim despreocupo-me com a balança e posso comer mais.
Adoro umas cervejas de vez em quando e em tempos difíceis com mais freqüência.
Sorrio sempre profissionalmente. Gosto de acordar cedo, inclusive aos domingos.
Satisfaço meu desejo de consumo desenfreado no supermercado mais próximo.
Nada de futilidade, a não ser doméstica.
Gosto de mudar os móveis de lugar para não estar sempre no mesmo.
Gosto de ouvir o que os outros tem para contar.
Acredito na medicina alternativa. Acredito em Deus, até uma bíblia tenho.
Acredito na invisibilidade daquilo que não queremos ver.
Acredito ainda que, ser invisível para sempre não seria de todo ruim.
Eu poderia colocar o dedo no nariz e ajeitar a calcinha em plena praça pública.
Não teria que pentear o cabelo, nem passar blush para parecer saudável.
Ah, e nunca mais uma cera quente veria a minha virilha.
Por fim, invisível passei pelo dia. Foi só.
Era terça, era outono e eu acabara voltar do bar Leblon.
Sobrevivente, desanimada e defumada pelo cigarro do próximo
que não notara o meu desconforto. Escovei os dentes rapidamente,
mal podia esperar para cair na cama quente. Demaquiei os olhos pintados,
pretos, desde as sete da manhã. Estava exausta e triste até perceber a
própria imagem borrada, refletida no espelho do banheiro.
Ela sorriu para mim.
E foi o fundamental.