Tuesday, March 31, 2009

Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Aos 22 era ele quem aguentava minha TPM.

Vencida, ainda tinha dúvidas.
















Quantas vezes uma pessoa do meu tamanho pode errar na vida?
Qual o tamanho da sua coleção de fracassos?
Quais dificuldades vieram para teu aprendizado?
Quanto vale ser forte?
Qual vantagem de ser fraco?
Frágil?
Quanto vale um cafezinho?
Qual valor do meu traço?
O que eu faço?
Para que sirvo?
Senhor diretor,
posso passar o dia todo aqui na
minha cama de pijama e cachecol?

_Mas não está frio Luiza.
_Há uma vastidão gélida aqui dentro.

Sunday, March 29, 2009

Matilda.

video
Um mini filme. A história de um grande amor.
Do meu maior. Caetano.

Thursday, March 26, 2009

colapso

Lembra ontem quando comentei contigo
que meu limite estava tão próximo
que já não via a linha que me separava dele?
Então...

costas

Monday, March 23, 2009

feliz aniversário!!!

Meu amor fez esta semana 30 anos.
Eu farei em agosto.
Mas antecipo minha conclusão de que fazer 30 anos
significa além de já termos amado algumas outras pessoas nessa vida,
além da experiência adquirida, das inseguranças profissionais,
das dores e gorduras acumuladas, a dificuldade para
conviver com a bebida, o cigarro e o trabalho;
fazer 30 significa acima de tudo isso que,
nossos pais estão ficando velhos.
Sim, eles têm quase 60. Não adianta disfarçar.
E não há plástica que resolva o tempo interno.
O tempo do coração, da memória ou do pulmão dos que fumam.

O problema é que aos 30 ainda
não somos totalmente crescidos.
Os filhos para os pais como dizem, nunca crescem.
Mas também, esta posição de
dependência passa a ser um conforto.
Um PLUS para nossa geração. Tome!
Faz parte do negócio e parece bom para ambos os lados.
Como se os laços de amor se fortalecessem
nutridos das dificuldades que sentimos
para gerir nossas próprias vidas.
Provocada também por eles que nos pouparam de
quase tudo que era indigesto até agora.
Mas aos 30 a coisa muda.

Deixamos de ter aquele ar de enganáveis.
Acho que é isso.
Tornamo-nos adultos, barbudos, peludos.
E alguns de nós até já tem filhos!
Dentro do mesmo sistema poupante em
troca de um cotidiano doce.
Porque assim é que se faz.

Mas aos trinta, ouça meu amigo, as coisas mudam.
Nossos pais sentem a obrigação de nos colocar a par
das dificuldades da vida real.
Pois sim, somos jovens crescidos
e parecemos mais fortes e saudáveis do que eles.
Acrescidos de tais responsabilidades,
lhe digo por experiência própria
que, viver passa ser desesperador.
Perceber a vida como ela é
sem o filtro deles é duro, por vezes cruel.

O pior é que ainda não
estamos aptos à resolver os problemas que eles relatam.
E às vezes estes nem existem soluções.
O que acaba por nos fazer sentir de novo pequenos.
Menores. Incapazes. Deficientes.
Faz sobrar mais algumas culpas grandes e felizes.
Vira um drama adulto.
Do qual não há como escapar.
Bem vindo!

PS.: Hoje, deitada na cama enorme de meus pais,
com vovó Eca de um lado e mamãe do outro tive
a nítida impressão, enquanto vovó segurava minha mão, de
que ela não espera mais nada. Só que o tempo a faça descansar.
E que graças ao Alzheimer que há anos anda com ela
não percebe mais o tempo passar.
Os dias dela são feitos de açúcar.

Thursday, March 19, 2009

Sua caixa de entrada.

Para bom escrevedor
meia palavra basta!

Tuesday, March 17, 2009

congestionada sempre.
















Dentro do carro, descendo a Consolação
ela pingava uma gota gorda de Sorine
em uma das narinas quando disse:
_Eu adoro conviver com vc.
_Você está dizendo isso para o seu descongestionante nasal?
_Não. Para você.
_Ahhh...

Monday, March 16, 2009

O menino que morava num antigo Baú.

Para Rosa - uma história:

Raul é um menino que morava num antigo baú.
Não tinha interesse pela vida fora dele.
E não havia quem o tirasse de lá.

Raul só gostava da Lua.
Tinha o desejo de fazer seu Baú voar até ela.
Mas como isso não acontecia,
Raul ficava olhando para Lua até cair no sono.
Saboreava o luar pelo buraquinho da fechadura
do velho caixote de madeira.
E sonhava.

No Baú de Raul tinham dois brinquedos,
um livro lido, seu travesseiro e um pequeno cobertor
que lhe cobria por inteiro.
Achava que não precisava de mais nada além disso.
Gostava de viver assim, apertadinho.
Sentia-se protegido.
Acolhido, envolvido.
Era quase um abraço.

Raul vivia do passado.
Gostava de lembrar das coisas que fazia
antes de entrar no velho Baú.
Dos almoços em família, das brincadeiras
com os coleguinhas, corre-corre, os passeios de bicicleta,
amarelinha, a menininha ruiva da rua com quem pulava corda,
a piscina do clube no verão, sorvete aos finais de semana,
chocolate quente em frente a lareira e o que para ele era
o melhor de tudo, a cama enorme e macia dos pais.
Mas por que então Raul entrou no Baú e não saíra jamais?

O Baú de Raul estava em seu quarto antes mesmo dele nascer.
Ficava naquela posição, encostado no papel de parede azul,
logo abaixo da janela branca onde de manhã batia sol e de
noite o luar vinha visitar.
Era um caixote antigo de madeira nobre que já havia
pertencido ao seu avô e em seguida ao seu pai. Foi herança.
Portanto este não era um simples baú.
Mas uma caixa cheia de histórias!

Raul ainda bebê, observava do berço com olhar
de encantamento sua mãe guardar todos os brinquedos
naquela caixa de madeira.
O que despertou sua curiosidade.
Quando aprendeu a engatinhar, era sempre para
aquela direção que ele ia. Houve um tempo em
que acreditava que o baú era um portal para a
Terra dos Brinquedos.
E isso manteve em segredo.
Tinha vergonha do que as outras crianças podiam achar.
Não queria parecer tolo por imaginar – imaginar – imaginar.
Disfarçava seus pensamentos, escondendo-os.

Comum como qualquer outro garoto de cinco anos de idade,
antes de entrar no Baú Raul brincava na rua, ia à escola,
passeava com os pais e por vezes passava um dia todo com seus avós.
Todos adoravam sua companhia!
O tempo foi passando e as responsabilidades foram chegando.
Junto do crescimento do garoto vieram também as provas e
cobranças que resultaram em belas dores de barriga.
Nesta mesma época Raul perdeu dois dentes de leite
bem na frente, abrindo verdadeiras janelas em sua boca.
Ele morria de vergonha dos vãos e por conta disso parou
de falar em público. Sorrir, jamais! Sua mãe o alertava:
_Raul, veja o Antonio, o Filipe e a Laurinha,
todos também possuem esta janelinha!
Mas Raul mantinha a boca fechada e um silêncio perturbador.

Na medida em que os dias passavam, as estações mudavam e os anos corriam.
Flores nasciam, folhas caíam, nevava, chovia,
esfriava e fazia sol de rachar coquinho.
Raul tinha medo de tudo o que era novo.
Apavorado, reagia com total desinteresse por tudo que
existia de mutável no mundo.
Numa posição blasé, para não dar o braço à torcer.
Apenas recusava os convites.
Não – não e não. Obrigado.

Foi perdendo a vontade de sair de casa.
Depois de sair do quarto.
Não adiantava nem mesmo a menininha ruiva da rua chamá-lo na janela:
_Raul, venha! Vamos brincar!
Ele não saía. Mal comia. Raul não queria saber de nada.
Nem cinema. Nem a televisão escapava.
Era para ele um filme de terror constante.
Tamanho medo de viver e ver o mundo lá fora.

Foi então numa noite de total desespero que Raul,
ouvindo o barulho da chuva batendo no telhado, acordado
e com medo, resolveu se refugiar no antigo Baú.
Levou consigo seu livro preferido que de tanto ler,
já o havia decorado; seu travesseiro - o companheiro de sonhos
e o cobertor para cobri-lo até as orelhas de pavor.
Lá no fundo do antigo baú encontrou um soldadinho de chumbo
que servia de escudeiro e um pequeno urso empoeirado que só o fazia espirrar.
Nesta primeira noite, Raul agüentou firme a coceira no nariz,
para não chamar atenção de seus pais.
Sentia-se seguro dentro do baú.
Pronto. Criou seu mundo paralelo ali dentro.
Encontrou o esconderijo perfeito e não pretendia mais sair de lá.

Quando ficava entediado, lia o livro.
Quando queria diversão, tinha os brinquedos.
Quando queria companhia, contemplava o Luar.
Assim, nem percebia o tempo passar.
E se o tempo não passava, nada mudava.
Tu do continuava sempre igual para Raul!
Só às vezes quebrava a rotina com seus sonhos incríveis.
Foi assim, de repente que uma longa noite de sono levou Raul à Lua.
Aterrissando meio desajeitado,
levantou poeira com sua nave espacial especial de madeira.
Visitou estrelas, desviou de satélites e na volta pegou carona
num grande cometa. Descobriu que a lua é linda de perto.
Que flutuar é uma das melhores sensações vivenciadas ou sonhadas;
não importa. Viu o planeta Terra lá de cima e ele é incrivelmente azul.
Azul da cor do mar. Foi uma aventura e tanto!
Inacreditável como diria a vovó quando ele lhe contasse.

Mas quando Raul acordou não tinha ninguém por perto.
Estavam todos vivendo a vida lá fora.
E ele teve que esperar por horas até a chegada dos avós
que visitavam o baú todas as tardes.
Encostavam-se no velho caixote,
cada um com sua xícara de chá de limão e liam para Raul
as mais incríveis fábulas. Era o momento mais doce do dia deles.
Raul que sempre viajava com seu Baú para dentro de todas
essas histórias fez desta tarde diferente para sempre.
falou-falou-falou.
Como há muito não falava.
Contou – contou – contou.
Detalhadamente sua viagem para todos os planetas.
_Que inacreditável Raul!
_Mas é a mais pura verdade vovó!
Exclamou o menino animado com a reação previsível de sua avó.

Os pais de Raul estavam muito preocupados
com o isolamento do filho. Num primeiro momento,
queriam tirá-lo do baú de qualquer jeito.
Mas depois aceitaram a decisão do garoto que desde
pequeno sempre soube o que sentia.
_Deixe o menino!
Dizia o sábio pai que tinha certeza de que um dia
o velho caixote de madeira ficaria pequeno para
um menino como ele, criativo e expansivo.
_Ele não vai caber lá para sempre...
Sorrindo, tentava tranqüilizar a mãe, pois sabia
que um dia Raul teria que sair de lá, nem que fosse aos quinze anos.

E isso aconteceu muito antes do que se esperava.

Numa manhã de sol igual a tantas outras, Raul
criava histórias mirabolantes em sua cabeça quando
ouviu a voz da menininha ruiva da rua chamando-o para brincar.
Pensou:
“Que garotinha insistente! Por que não me deixa em paz?!”
E ela continuou a gritar:
_Raul, vem! Vamos brincar!
Ele ignorou.
Mas ela continuou – continuou –continuou.
Até que Raul, levantou-se com raiva e sem perceber,
pulou para fora do Baú e enfiou a cabeça pra lá da janela.
Enxergou tudo.
E como os raios de sol deixavam os cabelos da
menininha ruiva da rua ainda mais vermelhos. Gritou de volta:
_Sua cabelo de fogo!
Ela apenas sorriu. Estava linda.
Vestia um vestido rosa e sapatos azuis da cor do mar
que em cima da grama verde do bem cuidado quintal da casa dele,
fazia uma combinação espetacular. Até parecia um sonho mas
Raul estava acordado, prestes a entrar de novo no mundo real.
_Você é muito insistente sabia?
Ela apenas sorriu e abriu os braços esperando um abraço.
Raul não teve dúvidas ao abrir a porta do quarto.
Queria sair. Queria contar à menininha ruiva da rua
que as cores dos sapatos que ela usava eram exatamente da
cor do nosso planeta visto lá da Lua.
Estava tão afobado que desceu a escada do sobrado voando.
Sua mãe que preparava um bolo de cenoura na cozinha quase o perdeu de vista.
_ Raul? É você meu filho?
Ela nem acreditava que o menino deixara o baú.
Ele corria-corria-corria!!!
Até tropeçar na primeira pedra que estava em seu caminho
bem no canto da calçada.
A mãe, lá da porta da casa viu quando Raul caiu.
Levou as mãos à cabeça tampando os olhos por um longo instante.
Depois torceu para que o menino levantasse. Chegou a dizer baixinho:
_Vamos Raul, levante!
E lá da outra ponta, no gramado a menina ruiva da rua
continuava com os braços abertos esperando firmemente o abraço.

O menino ficou no chão.
Percebeu naquele exato momento que precisaria levantar
do tombo, levantar a cabeça e caminhar.
Que ficar ali caído na calçada não era a melhor opção.
Estava quente, pelando o concreto onde seu rosto esfolado apoiava.
Suava. Estava um sol de rachar coquinho e a
menininha ruiva da rua lá de braços abertos.
Ele a viu e até sorriu para ela ao levantar o queixo ralado.
Ardeu. Lágrimas começaram a descer dos olhos de Raul descontroladamente.
Ele chorava e não era de dor, mas de alegria.

Alegria por ter perdido o medo de tudo.
Das coisas. Da vida. Estava pronto. Certo.
Decidido a continuar o que de fato o levara sair do seu quarto,
abandonar o antigo caixote de madeira e se aventurar pelo mundo a fora.
Tinha coragem de continuar a inventar para viver do lado de fora.
Acreditava em si próprio e confiava nas pessoas ao redor.
Pois a menininha ruiva da rua continuava firme e
forte na grama verde com seus sapatos azuis da cor do mar esperando-o.
Raul, com tantas histórias para lhe contar
juntou forças e ergueu seu corpo.
Todo dolorido caminhou para até bem perto dela e disse:
_Sabia que eu já fui para Lua?
Ela o abraçou bem forte e disse baixinho
só para ele ouvir e mais ninguém:
_Sabia. Eu te vi passando com sua nave de madeira pela minha janela.

Wednesday, March 11, 2009

dengo

_Por que está falando assim?
_Assim como?
_Assimmmm nhé-nhé-nhé.
_Porque estou doente.
_E está doente na boca?
_Não. Nas costas.
_Então não fale assim!

Tuesday, March 10, 2009

Mata pernilongo!

Acordou no meio da noite
assustada com as burrifadas
dele de OFF em seus pés.
O cheiro lembrava praia...

Sunday, March 08, 2009

Hoje é domingo.
Dia internacional da mulher.
Acabo de ganhar o presente que pedi.
Um pedaço de vidro para que eu possa fazer deslizar meu estilete.
Estou escrevendo bem aqui ao lado dele.
Não vamos almoçar com a família.
Nem com a dele, nem com a minha.
Acho que nem vamos almoçar.
Hoje é domingo.
Dia nosso.
Não há regras.
Vamos ficar de pijama.
Escrevendo, desenhando, filmando,
fazendo música e comendo chocolate.
Talvez um filme no início da noite.
Talvez não.
Parece que não precisamos de nada.
Ou tudo de que precisamos está aqui.
Só por hoje.

A Orquestra.

De fato, não sei da onde vem meu gosto pela música erudita.
Não me lembro de papai ouvindo na vitrola.
Nem da mamãe sintonizando o rádio.
Só sei que gosto.
Emociono e relaxo.
Equilibro o desconcerto.

Sexta passada, às oito e quinze da noite
saí do trabalho correndo, vestindo preto, largo,
enfeitada do calor que vem presenteando a cidade.
Fui ver Yan Pascal Tortelier reger nossos músicos.
Rímel, blush e três grampos.
Um coque salva uma mulher.
Finge elegância.
Não alto nem muito baixo.
Bem no meio.
Levamos em passos lentos os avós do meu Caetano
para nos acompanhar. Avô que também chamo de meu.
Sentamos no coro. De frente ao regente.
Nas últimas quatro cadeiras que estavam à nossa espera.

A Sala São Paulo é um dos lugares mais belos da cidade.
Não há dúvidas.
Os músicos ocupam seus lugares.
Abrem as partituras e me encantam de tal
forma que meus olhos se agitam,
tamanha felicidade em perceber que tudo vira desenho.
As roupas, os cabelos, as páginas, as notas musicais...
Preto e branco.
Não há negros na orquestra. Isso chama a minha atenção.
Ele manda eu fechar os olhos.
_Ouça.
Mas prefiro mantê-los bem abertos.
Meu contato com a música é visual.
_Eu a enxergo.
Sorrio com o maestro dançando na minha frente.
Ritmado na respiração de todos.
E enquanto a música ía, tudo passava pela minha cabeça.
Meu aniversário de três anos, meus pais dançando,
minha irmã brigando, meu irmão sorrindo.
Pensei no futuro. Em filhos. Nos papéis que quero
desempenhar ao seu lado. Na sua família. Na nossa.

As cenas se multiplicavam em mim.
Envolvida, perdi o fôlego.
Tornei espectadora da minha própria história.
Dos abraços que demos. As surpresas que tivemos.
A tristeza que me assombrou. As dores que mantenho em segredo.
O apoio que recebo deles e dele em especial.
Altos e baixos.
Lembrei das reuniões que fazíamos quando criança.
Chamavam-se “dever de sentar-se”. Num clima tenso
porque para mim tudo o que era devido, talvez não fosse bom.
Assim como escovar os dentes. Lembrei dos meus padrinhos,
dos meus presentes repetidos, do meu carinho por eles.
Do nome dos meus avôs que não conheci, tentei. Confundi.
Lembrei da dificuldade em aceitar que não tinha
como administrar as vontades dele. Das desvantagens em fugir.
Das doenças que já tivemos de enfrentar.
Do tempo em que íamos à missa domingo de manhã
e depois tinha café com leite e pão com manteiga
que a igreja distribuía aos pobres. Eu adorava!
Lembrei com gosto.
Os passeios de bicicleta. Das tardes na piscina do clube.
Da coxinha do Egídio. Cheiros dos papéis de carta.
De nós deitados na grama observando a vovó e a
Rosa caminhando com dificuldade.

Pensei na constituição da nossa família.
Dos nossos amigos. Dos meus primos.
Somos todos coração. Que também sofrem porque,
de qualquer forma, todos precisam de um dilema para viver.
Então, mesmo que não exista um problema,
a gente inventa e acredita. Mas dos males,
escolhemos os menores. A dedo.
Lembrei do dia em que sem querer machuquei Aline,
minha vizinha, com um corte profundo no punho
ao levantá-la para apertar uma campainha do bairro.
De todas as minhas culpas.
Do meu acidente com o patinete motorizado
que ganhei de aniversário metade-metade com Francisco
e estourei-o no muro logo no primeiro passeio.
Da minha falta de sorrisos aos quinze anos.
O dedo da vovó que prendi na porta do carro.
Da minha alegria com o primeiro amor,
com o segundo e o terceiro, um amor adulto, maior.
Da minha fé que levo em silêncio para todo canto.
Dos nossos erros. Dos almoços com tio Sérgio.
Da capacidade em apaixonar. Perdoar. Deletar.
De todo meu amor por todos.
Da saudade do tio Di e até da tia Dela.

Meus lábios se estenderam de um canto a outro
quando recordei da brincadeira de escravos de Jó na casa da tia Walde,
com os guarda chuvas na casa da tia Sueli, eu devia ter uns quatro anos.
Na praia com a tia Rose. Ela era uma louca de nos levar para lá.
Os passeios no fusca da Samira. Toda ajuda do tio Jorge.
Lembrei do meu pai no balcão da loja.
Minha mãe na mesa de corte. Do trabalho.
Somos sim trabalhadores, incessantes. Sonhadores. Braçais.
Somos quase máquinas de costura e juntos somos fortes.
Só, me orgulho deles. Queria que estivessem ali conosco.
A orquestra me fez pensar em disciplina.
Esforço. Comando. Foco. Tempo. Pausa. Ritmo.
Harmonia. Continuidade. E palmas.
Aplausos!
Porque assim é a vida!


Para experimentar dessas sensações
veja a programação completa no site
OSESP e bom espetáculo!

Saturday, March 07, 2009

sequelas

_Se eu surtar vc me devolve para minha família?
_Isso eu que decido. Mas por que está pensando nisso?
_Se eu surtar vc me devolve, tipo um pacote? Promete! Por favor...
_Esta bem.
_Obrigada.

Thursday, March 05, 2009

deserto

Sobre as verdades.
Mantém em segredo.
Mas nem todas.
Boa parte delas cuspiu em teu rosto.
Hoje visto quão desnecessário.
Outras escreveu.
Verdades lidas em voz alta para colocar as paredes à par.
Para protegerem e que não haja uma próxima vez.
De todo mal que ele lhe fez.

E os azulejos do banheiro souberam de tudo.
As luzes filmaram.
O piso de taco desesperou-se com o movimento.
Os espelhos da casa fugiram, tamanha vergonha.
Ouviram seu choro.
Silêncio.
Pouco podiam fazer.

Há.
Três minutos atrás.

Sentada no ônibus a caminho do trabalho
percebeu que não sente mais a dor da surra.
Nem a perda.
Não sente culpa.
Não tem orgulho.
Só.
Rareia ar.

Tuesday, March 03, 2009

As aparências a enganam.

_Luiza, você comprou o gengibre?
_Sim, está aí em cima da mesa.
_Onde?
_Aqui oh!
Diz ela impaciente com a mandioquinha na mão.

Monday, March 02, 2009