Monday, November 12, 2007

A Folha disse: Ruivas não têm nem dão sorte.




Estava escrito.
Li esta manhã. Passava das onze. Fiquei intrigada.
Dormi tão pouco... Meus olhos ficaram confusos,
não sabiam se sorriam ou se enchiam de lágrimas.
Mas já sei que sou assim, intensa. Afobada.
Não posso perder tempo.
Enquanto leio, dirijo e falo ao telefone.
Estava nublando o céu.
Coloquei a folha debaixo do braço e saí para um café no Jardins.
Mas foi diretamente da Barão de Limeira,
que surgiu o primeiro consolo.
Ela disse-me que eu não deveria dar tanta importância ao jornal
nem aos jornalistas de lá. Crédito!
Me fez comer peixe, coentro e pimenta.
Experimentos.
Minha resposta fora imediata...
Acredito nas pessoas de papel impresso.

Adorei o almoço, a companhia e a paisagem.
Vejo daquela janela dois prédios antiguinhos,
um verde, outro azul.
Colados.
Juntos, pairam no espaço
e carregam em suas cabeças gigantescas antenas.
Ficamos ligados.
Passei a entender curiosamente tudo assim,
de acordo com o que estava descrito:

“O MC1R (receptor 1 melanocortina) é o responsável pelo
cabelo ruivo nos humanos. Todo mundo tem este gene,
mas, nas pessoas ruivas, eles apresentam alterações.”

Desconfiava.
Sou geneticamente alterada.
Produzo melanina descontroladamente.
As sardas não mentem.

“O gene é do tipo recessivo, ou seja,
duas pessoas não ruivas podem ter um filho ruivo
porque carregam o gene”

É o caso de papai e mamãe.
Mas minhas nonas eram ruivas, as duas.
A culpa então é delas.
Tão somente.

“Cerca de 4% da população mundial tem
o gene do cabelo ruivo. Uma pesquisa da Universidade de Louisville,
nos EUA, revelou que pessoas de cabelos ruivos necessitam,
em média, de 20% a mais de anestésicos”.

Minha sensibilidade aquietou-se. Aliviou-se.
Como se permitisse ser assim, agora,
por haver esta explicação científica.
Permite-me pedir tudo com 20% de acréscimo.
E ter.
Pode me dar 20% a mais de carinho?
Me vê 20% a mais dessa sobremesa?
Que mimo... Agora tenho este trunfo.
20% a mais de cerveja, de abraços,
de amigos, de festinhas, jantares...
Adorei!

“O preconceito ligados aos cabelos avermelhados
vem de longa data: ruivos eram sacrificados no
Antigo Egito e tinham sua imagem associada a bruxas
e vampiros na Europa.”

Aff! Que medo.
Tive a impressão que algumas pessoas
sempre souberam disso.
Compreendo a hostilidade alheia.
Achava que era gratuita.
Mas pior, é crença.

“A figura dos ruivos também é ligada ao azar.
Na Idade Média, mulheres evitavam ter orgasmos
durante o período menstrual como forma de evitar filhos ruivos”

Mesmo assim eu ainda quero um bebê ruivo pra mim...

“Na Escócia, há uma superstição sobre a
primeira visita que se recebe no ano:
convidado ruivo é sinal de má sorte.”

Alguém quer companhia para o Reveillon?

Não vale.
Tenho direito de resposta?

Responda-me aí!

Friday, November 09, 2007

S E R I A L e B A N A L



Primeira dúvida cruel de um lindo dia nove de sol:

Dá para ser experiente e não ser rodada?

Segunda dúvida infiel de um lindo dia de sol anterior ao dia dez:

Vamos brincar de roda-roda-roda?

Terceira dúvida infeliz de um dia agora nublado posterior ao fatídico oito:

Deveríamos permanecer vestidos?

Ela só dorme.
Ela não sonha.
Mantém tudo sob controle.
Domina.
Domínio.
Acha.
Até ser desmascarada num café da manhã.
Foi tarde.
Logo depois das dez.

Queria sentir o infinito na ponta dos pés.

Thursday, November 08, 2007

Nuvens ilícitas.



Pensamento número um do fatídico dia oito:

"Acho que homens que usam seus cartões de crédito
no banheiro não merecem nosso crédito. Nem sexo!"

Wednesday, November 07, 2007

É o que diz Leão na Folha de São Paulo.

Agora leio meu horóscopo.
Adri me orienou a ler todas as manhãs.
E disse que o dela só dá liga com Saturno(ops), que não é bicho.
Mas ontem deu Urano, que não é pedra.
Não é nada...
Só mais palavras pra encher o cotidiano.
Na ilustrada.
Espero um dia agradável.
E segundo ele terei, porque tenho poderes para isso.
rs.
(já é Natal, a rua me avisou...)
"Bom dia para aplicar seu arsenal de argumentos
nas reuniões de grupo e com a equipe.
Se for preciso escrever ou falar para muitas pessoas,
melhor ainda. Com seu poder de persuasão,
a baliza será dada pela sua filosofia de vida e suas crenças.
Com seu amor, usar esse poder todo vai ser até covardia.
Brilhe no ambiente de casa."

Ela tem novos amigos que vêm na Augusta tomar café.

Monday, November 05, 2007

Carta de uma jovem poeta.

AN,
Vulgo Sr. 43,
Três pensamentos sublimes povoaram-me esta manhã gritando assim:

1. A saudadinha será controlada, ou melhor, confiscada.
Colocada numa caixa de papelão (que sujam as pontas dos dedos),
depois na estante da lavanderia.
Lá será esquecida, irremediavelmente.

2. Ele não deve desviar-se por ela, mas dela.
Pretensiosamente.

3. Ela achou gostoso encontrá-lo de madrugada.
Foi suficientemente imoral para seus padrões.
E de verdade, tem achado bom quebrar as regras de conduta.
(é uma fase de perdas & ganhos – meio à Lya Luft, já leu?)
Agora encontra-se de ressaca, do vinho de antes, d água e dele.
Questionando sua realidade exposta absurda e necessária.
Este papel normalmente é dela,
que sofre de um mal intenso de sinceridade. Roubou-a!
Precisava? Rs.
Sei que sim, ficamos assim então, “bebezão”...
Ainda bem que já tem alguém cuidando de ti e
que com este alguém há uma troca.
As falhas são todas iguais, para sempre.
Não acho indiferente.
É só uma fase de encantamento, que vai passar.
Você já deve saber disso, afinal, já tem 43...

Bj
L:P
- que se diverte enquanto você trabalha ou ainda
se diverte, mas não com ela. Jamais!

Saturday, November 03, 2007

Se antes eu sofria de ansiedade, agora sofro a falta dela.




Sem vontades de ninguém.
Enquanto as amigas inquietam-se
com o telefone que não toca,
com a mensagem que não vem,
ela não sente nada além de uma
tranqüilidade estranha e plena.
Enche a boca de conclusões obvias para
uma menina da maturidade dela e o
estômago com bolo de maracujá e chá de maçã.
Cheia de antibiótico.
Clindal AZ 500 é o seu nome.
Será que aqueles três comprimidos
alteraram sua disposição para o querer amar?
Ou melhor, para querer ser amada, ao menos desejada?
Ouvidos bem tampados, graças a Deus. Ela envergonha.
Estava achando a cidade muito tranqüila e calma.
O catarro entupiu as vias,
permitindo um silêncio duradouro e dolorido.
Latejante assim fazendo-me concluir que a coitada
escutou tanta merda esta semana, que foi isso...
Adoeceu.
“Merda!” É um superlativo fofo para o
fim de semana prolongado na cama!

Foi assim, uma vez sozinha no cinema
basta para querer ir sempre só.
Histórias impróprias para quem sofre de solidão,
mas ela não sofre desse mal.
Só, sabe que a fase é mesmo de perdas e
conformada como está, ganha peso.
Todos os que perdeu desde a separação.
Come bolinhos de arroz e de chuva sem ressaca moral.
Acha normal. Quase tudo.
É para ela um “tudo bem” insuportável
numa fase delicada ao olhar do próximo.
Ignora as recomendações de todos e dos guias.
Aliás, odeia avaliações alheias,
estrelinhas, satisfações dos outros.
Precisa ver para crer,
sentir na pele (como toda mulher de quase 30).
Quer sentir seus arrepios que até então eram da febre.
Sem cessar.
Foi um mar de filmes.

Iniciou-se com El Passado e passou bem mal com Gael.
Ele é lindo e come todas.
Ela quer um Gael só pra ela.
Aplaudiu Babenco. Agradeceu.
Entendeu boa parte dos erros que
ainda não chegou a cometer.
Pensou então, será que não amou de menos?
Culpou-se.
Queria ter sido inconseqüente.
Mas o que esperar de uma menina
que ainda não mandou ninguém pra
“Putaq’eupariu”, nem um “Vaitomarnoseucu” ela foi capaz.
Ela apenas sorri e quando alguém realmente a magoa,
reativamente seu corpo não quer mais se encontrar
com o corpo daquela pessoa. É simples assim.
Independe do seu ser racional. Chega ao físico.
Assim como a saudade. Desiste.

Seguiu em frente com Sexy and the City e confesso,
seus lábios esticaram pouco em frente a TV.
Achou de um feminismo machista chato.
Vai entender...
Depois foi a vez de Tropa de Elite no HSBC Belas Artes.
Aff! Não agüenta os bancos invadindo os cinemas...
Mas ela que estava sabotando este filme
pelo simples prazer em dizer,
“não, ainda não assisti”; não resistiu e rendeu-se.
Já era sabido, assinou assim a
sentença do papo chato na noite.
Além do seu signo eles já teriam a resposta
para a segunda pergunta mais feita ultimamente.
Segue o diálogo quase sempre igual,
fiel reprodução da realidade tal como ela é e acontece,
não é mera coincidência:

_Qual seu signo?
_Não acredito em signos.
_Mas vc não sabe qual é?
_É leão.
_Olha!!! Mas vc não parece de leão.
_Ah, é... Não?! Que pena. Ta aí, já comecei te decepcionando.

(sorriso)

_Nossa, vem cá... vc assistiu Tropa de Elite?
E a resposta nova seria,
_Sim belezinha, e vc?

(sorriso)

Ela é meiga. E depois de ver a Tropa passar,
sentiu ser uma mini delinqüente meiga
e sem carta de motorista.
E isso até os guardas da Barão de Limeira já sabem.
Tentaram deter a Adri só porque agora são muito amigas.
Diga-me com quem andas que lhes direi que és.
É bíblico?
Ela não acredita em nada.
A fase é mesmo de perdas e uma delas
é a fantasia de que está tudo sob seu controle.
Está tudo fudido. Ferrado. Perdido.
Um baseado, por favor,
ela quer matar mais algumas crianças...
Teve náuseas.
Chegou em instantes ao fundo do seu
poço artesanal de águas límpidas.
O Cheiro do Ralo foi o terceiro filme do feriado.
Já estava na cama e na cama com
Selton Mello é sempre hilário.
Chegou à conclusão que aquele
personagem é sua amiga Maira.
E que realmente, quando a gente percebe,
“os convites já estão na gráfica”.
É preciso cuidado extra.

Querô no Unibanco deixou-a tensa.
Mas sair do cinema e ir ao café a fez voltar à calmaria.
Cafeína e pimenta alegram a turma dela.
Beijos Proibidos [Baisers Volèrs],
do Truffaut foi fantástico.
Necessária doçura .
Interrompido pelo telefone dela que
ousou vibrar e tocar alto duas vezes consecutivas.
Logo o dela que não estava aguardando
nenhuma ligação importante.
Por fim viu Cartola, música para os olhos.
Em companhia da caixinha do suco de laranja.
Da vitrola quieta na sala ocupando seu espaço.
Dela.
Laço Vermelho. Ela fez um desenho.
Deixou o disco do Roberto girando por horas.
Vitamina C.
Sem vontade de ninguém ela parecia feliz na casa.
Estava irritantemente tranqüila, estranha e plena.

(sorriso)

Preocupante.
Lencinhos de papel espalhavam-se
delicadamente pelo quarto.
Ventava.
Um vento que levou seu pensamento pra
longe deixando de gorjeta um arrepio.
Da febre.
Sem cessar.
Sem culpa.

(sorriso)