Thursday, May 29, 2008

Destino Distinto.

Era quase junho passado...

Chegou questionando:
_ Você sabe o que quer?
Ela engoliu a pergunta de forma doce
porque não se atreve a ser diferente com ele.
A dúvida raspou-lhe a garganta.
Fez da dor, um ímpeto de clareza mental
que levou a responder:
_ Sim.
numa timidez que aparentemente
ele gosta de reconhecer nos olhos dela.

Era pura a mentira pura.
Ambos sabiam.

Quando partiu, deixou-a na calçada sob o sol de outono.
O calor dali a aquecia, corando-lhe a bochecha murcha.
Ele a fez relembrar do carinho que sentiam
um pelo outro nesta mesma época.
Faz um ano.

_ Mas já faz um ano!!!
exclamou a menina com os braços caídos,
cansados, próximos ao corpo.
Um corpo inerte. Quase morto.

Tuesday, May 27, 2008

3 Perigos!

1.Ela acha até bonito sofrer de amor...
2.Ele disse que Ela fica mais bonita quando triste...
3.Ela quer ficar linda para Ele...

Sunday, May 25, 2008

Enquanto Cada um com seu Cinema passa na sua velha TV.

Dos homens amigos da vida dela:

I. 38
“Ah, é igual cigarro.
Você pára de fumar e depois de alguns dias resolve
dar uma fumadinha, mas logo em seguida,
lógico, se arrepende.
É isso! Felicidade instantânea!
Você já sabe que não dará certo...
Segura daí que eu seguro daqui.”

[Ele parou de fumar no mesmo dia em que ela foi sensata.]

[Ctrl – C ]

F. 24
“No final, a gente só precisa de uma única pessoa.”

E. 39
“O que vale não é a felicidade,
mas os momentos intensos que se vive.”

[E disso ela não pode reclamar...]

Hoje foi Pinacotecar com dois novos amigos.
Divertido. Falaram de amores, yoga e afins...

Friday, May 23, 2008

Impublicável!

Eu lhe escrevi naquela caixa de presente
que te amaria para sempre.
Já dizia, era birra.
Só.
Percebi.
Tarde demais para passar ilesa.
Meu “para sempre” não é até agosto.
Eu fingi.
Que poderia seguir incondicionalmente
enquanto você fazia seus planos solos na minha sala de estar.
Não consegui.
Ignorar que a falta de planejamento comigo machuca.

Mas eu quis viver contigo, todos estes dias.
Foram 148 no total.
Acordar, fazer café, cuidar da nossa roupa limpa, o tênis sujo de lama.
Os cinemas, jantares, passeios longos a pé pelo centro.
Eu só quis agradar a você.
Ouvir uma música boa em sua companhia.
Agradar-me. Fotografar o melhor de nós.
Enquanto os outros diziam: “A gente combina!”

Menti para mim mesma.
Desenhei um sonho comum.
Desejei você dizer que talvez também
pudesse me amar para além do 8.
Queria mesmo que fossemos infinitos.
Queria que tivéssemos nos dado a chance
de viver outra história.
Que escrevêssemos diferente.
Na sua língua. Na minha. Na nossa.
Que invertêssemos nosso avesso,
voltássemos ao começo e pensássemos no plural.

Tuesday, May 20, 2008

Mais uma dele.

Como diz meu pai:
"Vamo que vamo
que tristeza não paga dívida".

Ela resolveu mudar de postura.
Na teoria.
Na prática, se não funcionar,
voltará borrada pra casa.

SOS.MSN

adri diz:
as palavras do teu pai são lindas, lindas.

adri diz:
é incrivel pensar num relacionamento pra sempre
e isso faz de vc mais especial que as outras pessoas
que por medo não sabem planejar...
Ou temem sentir...

- LP diz:
eu sou uma tola!

- LP diz:
ninguém é assim nos dias de hj!

adri diz:
não é nada tola!

adri diz:
por isso q vc é mais especial!!!
não é mais uma na multidão!

- LP diz:
sou uma tola... deveria entrar para uma dessas igrejas!!!!

adri diz:
imagina!
não tem nem pé nem cabeça o que vc está dizendo...

A única vez em que fui sensata, acabou com a relação.

Monday, May 19, 2008

The End.

Os diálogos vindos de lá:

Papai: _ Você não está sendo muito egoísta?
Ela: _Acho que sim.
Nona: _ Você não se casou né Luiza?
Ela: _Não vovó (sem vontade de recordar-lhe)
Nona: _Você nem tem namorado?
Ela: _Tinha vó.
Nona: _Ah, mas você não é dessas meninas que namoram muito né?
Ela desequilibra e uma lágrima escorrega.

Mamãe: _Vocês são diferentes. Tem planos diferentes.
Ela: _Eu sei. Mas eu queria que ele planejasse comigo.
Mamãe: _ Mas você já sabia que não seria assim desde o início...
Silêncio.
Nona: _Você está tão magra. Tá doente?
Ela:_Não nona, estou ótima.
Nona: _Não parece.

Rosa:_Tia Luiza, minha prima fala espanhol.
Ela: _Rosa, faz carinho na tia... assim oh, no cabelo.
Pausa para o cafuné.

Papai: _Você é uma pessoa privilegiada,
já amou de verdade duas vezes nessa vida, e tens tão pouca idade...
Ela sorri, mas não vê privilégio nisso.
Nona: _Você é filha de quem?
Ela: _ De sua filha e do seu genro.
Nona: _Sério... Não sabia não.
Papai: _Sabe Lu, sua mãe e eu ficamos conversando e
chegamos à conclusão de que não adianta você fingir
que sabe viver um relacionamento que
não seja pensado ser para sempre.
Você não é assim...
Não sabe ser. Não se relaciona assim com nada nem ninguém.
Ela: _É, mas nada é para sempre.
Nona: _ Você é filha de quem hein?
Ela: _Sou filha da sua filha.
Nona: _Ah, e ela mora com você?
Ela: _Não Nona, meus pais moram com você.
Mamãe: _Você está lúcida. Realmente nada é para sempre,
mas para estar com alguém você precisa acreditar
na continuidade daquilo que se constrói diariamente.
Você é assim... Cada um é de um jeito.
E se dissestes a ele tudo isso que me disse,
do amor, seus desejos, seus planos...
Não há mais nada a fazer.

Nona: _ Você mora onde?
Ela: _Em Pinheiros Nona.
Nona: _Ah, eu morava lá na Fradique.
Ela sorri.
Dois minutos depois...
Nona: _Mas vem cá, você mora aonde?
Ela: _Em Pinheiros vovó.

E esta pergunta se repetiu por mais seis vezes no decorrer da tarde,
na cama de meus pais, com a televisão ligada num canal qualquer.

Saturday, May 17, 2008

Quando ELE é você e ELA sou eu.

Quando não há mais nada,
ela inventa.
Quando há um problema,
ignora.
Quando aperta,
apavora.
Quando ele pede calma para resolver junto dela,
faz desfeita.
Quando não se sustenta,
chora.
Quando ambos estão calmos,
argumenta.
Quando passa a angustia,
sorriem juntos.
Quando colocam um filme,
ela que sofre de déficit de atenção
levanta-se e resolve cozinhar.
Quando o desespero não vai embora,
ela sai para caminhar.
Quando é hora de jantar,
prefere desenho.
Quando há desejo,
ele não está.
Quando trabalham,
não percebem o tempo passar.
Quando faz frio,
ela esquece o casaco.
Quando está sol,
cobre-se com a meia de lã.
Quando saem,
ela maquia o cansaço.
Enquanto há blush,
recusa-se a dormir.
Quando passa das onze,
ela pensa no dia seguinte.
Quando pensa no futuro,
não se imagina sem ele.
Quando chegar agosto,
ele não se imagina com ela.
Quando acabar o outono,
vão comprar um aquecedor
para deixá-la quentinha para sempre.
Quando houver dor,
vai usar band-aid.
Quando houver dúvida,
vai guardá-la para si.
Quando houver dívida,
agendará o pagamento.
Enquanto houver amor,
querida,
lamento!

Thursday, May 15, 2008

A M O R

Tudo se lhe pode tirar e suprir,
menos isso,
já que é essa particularidade que a define.

Thursday, May 08, 2008

Acorda LP!

Acordara assim.
Comentou ao atravessar a rua:
_Estou num bom humor de dar pena!
Raro.
Previsivelmente curto para uma manhã de quinta.
“Vixi... Hoje já é quinta.” Pensou.
Ela que agora conta o tempo de trás para frente,
fez meio minuto de silêncio para constatar que faltam
99 dias para ele ir embora.
Mas cadê o bom humor?
Sorri preferindo ignorar a matemática do amor.
É muito cedo para se fazer contas Luiza!
E depois hoje é dia de pagamento por aqui.
Dia de pagar as funcionárias.
Dia em que elas ficam felizes quando a vêem chegar à loja.
Dia de ir ao banco, ficar horas na fila...
Ok, não vamos pensar nisso.
Passam das oito e quarenta da manhã.
Sua aula na Consolação começa as nove.
Tem fome.
Resolve que precisa de um pão com queijo
e três toddynhos que dividirá com ele.
_Me espera no carro?
Fila.
Fica apreensiva.
Afinal, ele está no carro a sua espera.
Ela odeia fazê-lo esperar.
Bobagem.
Luiza precisaria tentar ser igual às outras mulheres.
Mas insiste em mostrar-se diferente.
Independente e pontual.
Alguém gosta?
Só o pai da gente gosta.
Aposto!
O moço do caixa pergunta educadamente:
_Cartão Mais? Nota Fiscal Paulista?
enquanto ela devaneia suas dúvidas,
o que só a faz atrasar ainda mais.
_Não, não, não. Nada disso. Obrigada.
Sorri amarelo.
Corre para o carro.
Ele estava lá, lindo e ruivo como sempre.
Sem nenhum comentário.
Pertinente. Mostro o achocolatado...
Ele sorri de leve.
Tudo bem, ainda é cedo...
Estávamos os dois de bom humor.
Que coisa mais linda!
E rara.
E previsivelmente curta.
Trânsito!
Ele fica no Jardins.
Ela segue com Beirut tocando bem baixinho.
Faz sua aula com um cara que se apresenta como
um feliz jardineiro, americano, formado em agronomia,
que vive no Brasil. Sim, e a palestra era sobre
sua vida auto-sustentável.
Planta, colhe, vive sem grana e sem energia elétrica.
No meio do mato.
No meio do nada.
Que lindo.
Poético.
Mas seu primeiro casamento acabou...
“É lógico!” ela pensa.
Faz contas.
Irrita-se.
Já não é mais tão cedo para a matemática.
Finanças... Empresas... Contas e contas e mais contas.
De onde vem tanto boleto?
Sabe quanto me custam estas aulas Senhor Jardineiro feliz?
Deu meio dia.
Ufa!
Ela não tem fome.
Aff!
Caminha até o carro e com ele se introduz no trânsito.
Congestionado.
Soro Fisiológico.
Te contei?
Não respira há dias.
Não respira de manhã, nem de tarde, nem de noite.
Mas de noite, piora.
Almoça qualquer coisa.
Está nos 51kg e isso está longe de ser uma boa idéia.
Bancos.
Lojas.
Paga todo mundo.
Fica sem um puto.
E sofrimento pouco é bobagem.
Toca o telefone.
Lembra?
Tem hora marcada com a depiladora!
Ui!
E lá vai ela, no maior bom humor passar pela dor.
Dói, mas passa.
Antes de casar sara.
Sara?
Ahahhahah
Que piada!
Lembra-se momentaneamente da Nona.
De sua mãe.
“Vixi, é dia das mães”...
Telefona.
_O que quer de presente?
_Uma planta.
Acha que é fácil?
Um sapato é bem mais prático.
Mas tudo bem, quem mandou perguntar?
Poderia dar um livro, um DVD...
E como se transporta uma planta?
Tensão!
Um minuto e meio de silêncio entre uma puxada e outra de cera.
Ainda é cedo para se preocupar com isso.
Hoje é quinta, o dia das mães é só no domingo!
E faltam 99 dias para ele seguir viagem...

Sunday, May 04, 2008

Eles só ficam bem na foto.

Na madrugada de ontem:

_Estou com dor de garganta.

_Culpa das palavras.
Quem falar primeiro perde.


Ah...