Sunday, May 31, 2009

domingo

Num dia cheio de coisas para fazer.
Ela não consegue.
Seu corpo é quem manda.
Ela apenas obedece.
Mas a culpa é maior que tudo isso.
Vontades e desvantagens.
Sente-se então, agora, neste exato instante,
devendo a si própria.
Pode?

Friday, May 29, 2009

Para enfeitar as paredes!

Tem disso pra vender aqui!
na rua augusta, 2690 loja 328
2°andar - GAleria Ouro Fino
fone: 30823821

Thursday, May 28, 2009

Numa pequena entrevista:

_Agora, conte-me algo que seja impublicável de sua vida.
_Hummm... Impublicável?
_É! Algo de que se envergonhe ou
que ninguém saiba. Algo curioso sobre você!
Pausa.
_Olha vou te dar um exemplo. O "fulano ali"
contou-me que seu primeiro trabalho foi
como office boy do Amaury Júnior.
Silêncio.
_Mas isso é impublicável?
_Curioso?
_Não sei. No meu caso...
Talvez seja o fato de não haver em mim
algo que eu ache impublicável. Nossa, acho isso uma vergonha!

Monday, May 25, 2009

Curta!












Passamos o domingo juntas.
Fazendo um filme.
Caetano, Vovó e eu.

Ela contou-me repetidamente de sua
infância e adolescência.
Falou muito sobre sua casa na capital,
do tempo em que a Tia Mariana cuidava dela.
Na rua Teodoro Sampaio e eu acho esta coincidência doce.
Hoje sou eu quem reside em Pinheiros.

"São Paulo é transitório minha filha. Cansa!"

Vovó me deu tristes relatos de solidão.

"Eu sou viúva!"

De ausência.
De tempo.
Muito tempo.
E a falta dele para com o restante
daqueles que habitam seu mundo.
Seus filhos e netos.

"Às vezes eles vem me visitar."

Mostrou-me suas roupas, seus brincos e broches.
Uma bolsa vazia.
Mostrou-me fotos que enfeitam a sala de estar
onde ela nunca mais havia sentado para bater um papo.

"A foto serve para relembrar..."

Sua casa, seu quarto, um banheiro.
Apresentou-me tudo, como se eu já não conhecesse e
da forma que ela percebeu o ambiente naquele exato instante.
Porque no minuto seguinte tudo pode mudar.
Assim é o Alzheimer com ela.
Faz tudo transformar, recodificar, reorganizar.
E de repente aquela casa não está ali,
a filha dela não é aquela e Luiza não sou eu.

"Não... Você não é a Luiza.
É parecida com ela, mas não é ela!"

E por aí vai a confusão.
Ou melhor, a fusão de todas as histórias que vovó já viveu.
Seu filho vira seu irmão, o genro vira primo,
seu pai passa a ser marido e sua mãe Lydia,
por incrível que pareça, está aqui entre nós.

_Viva vó?
_Vivinha da silva! Graças à Deus!

E quem sou eu para explicar-lhe as verdades dessa vida.
Nossa conversa durou mais de três horas.
Seguidas.
Gravadas em fitas.
Imutáveis.
Amáveis.
Publicáveis.
E nossas.

Necessárias.
No caminho de volta para casa
percebi com tristeza que com a doença
as pessoas deixaram de conversar com a Dona Edna.
De fato, nossos diálogos não chegam a nenhum lugar.
Comum só o amor.
Se isso lhe basta...

Friday, May 22, 2009

LP indica:

porque pareceu UAU!

A semana.

Quando a saudade aperta.
Quando sente-se estranha
em meio aos mais íntimos.
Quando tem vontade de silêncio
e o piano toca desconcertado.
Quando sai para correr de todas as
verdades de dentro do peito.
E elas não saem. Ao contrário, acumulam.
Quando tudo deveria estar tranqüilo
e você simplesmente não consegue.
Quando sente-se incapaz.
Inseguro.
Quando a felicidade faz parte só
das histórias dos outros.
Quando a fome se perde.
As vontades fogem.
Quando seus olhos olham
e mentem descaradamente.
Quando você faz parte daquilo
que inventa para ser sua verdade.
Frágil.
Quando sua criatividade passa por cima da vida real.
Quando todos te apontam.
Relatam seus erros.
E você percebe que a vida não é um filme
nem um desenho. Quando já não existe desejo por nada.
Nem com o que há de se comer.
Quando você é o estranho no ninho.
O patinho feio.
O excluído.
Quando sai à procura de similares.
De derrotados.
É discutível.
Duvidoso.
Desconfiável.
Quando a fé desapega.
Quando as lágrimas tornam-se gigantes e pesadas.
Quando chove.
Ou o céu está nublado.
É assim.
Ainda bem que hoje fez sol.

Monday, May 18, 2009

2

















Ela fica em silêncio.
Ele fica aflito.

Wednesday, May 13, 2009

Olá! Como se sente?

Por favor, não mente.
Sejamos sinceros a partir de agora.
Eu veja bem, sou exatamente isto que você vê.
Sou esta que vos escreve.
Que perde horas em palavras que
relatam cenas de um umbigo rico em lamentos.
Mas, como se faz para sentir diferente?
Você também não sabe.
Então, diga-me como se sente?
Realmente.
Eu não posso te ajudar?
Sente-se.
Sente-se mal?
Bem, está tudo ok?
Quer um cigarro?
Um trago?
Quer um pedaço de mim?
Me conte, monte uma de suas histórias
para eu ouvir atentamente.
Para odiar ou amar.
Para que eu sinta pena.
Para que tenhas dó de mim.
Para que sejamos invadidos
de inveja ou de alegria.
De curiosidade, fantasia.
Conte-me como é ser você?
Eu não sei.
Você tem alguma idéia?
Por onde devemos começar?
Já começamos devendo?
És linear?
Você me dará começo, meio e fim?
Vamos lá!
Pouco importa!
Muito prazer!
Vamos nos conhecer?
Esta que vos escreve sou eu,
exatamente como imagina.

Agora conte-me...
Como se sente?

Tuesday, May 12, 2009

Ele é meu melhor motivo.

O anel que aperta-lhe o dedo:

_Vó, a senhora me da este seu anel?
Disse apontando o ouro
que quase já não se vê em seu dedinho gordo.
_Não. Eu ganhei. Não posso te dar! É uma aliança!
_Então, mas passado tantos anos...
A senhora poderia me dar de presente.
_De jeito nenhum! Arrume alguém para dar à você!
Você tem que se casar Luiza!

elegantemente

Monday, May 11, 2009

Memória - 01.

03.

No carro, na volta, ela perdeu a cabeça por duas vezes talvez.
Se culpa por isso todas as noites.
Gritou com ele.
Bem alto até sua garganta doer.
Para que ele parasse de cantar a tal música da baleia.
Gritou mais de uma vez.
Chorou.
Parou no acostamento e ficou por meia hora para fora.
Não sabia mais o que fazer.
Ele não reagia, apenas cantava aquela canção.
Cada vez mais alto.
Balançava seu corpo para frente e para trás.
Ela quase desistiu de chegar em casa.
E quando isso aconteceu, disfarçou aos vizinhos.
Pensou “Vai passar”.
Mas, era apenas o início.
Da sucessão de movimentos repetidos.
Despido, banhava-se e saia. Corria.
Abria e fechava portas, janelas e gavetas.
A casa acabou ficando toda molhada.
Ele escorregava, caia e não chorava, mas se machucava.
Se machucavam e ele não percebia.
Quando ela conseguia, encostava,
pedia calma, tentava abraçá-lo para tranqüilizar.
Mas não havia jeito. Ele era fisicamente mais forte.
E quando descobriu a cozinha, ela escondeu dele o faqueiro.
Confiscou os fósforos e desligou o gás.
Nas quatro horas que se seguiram dedicou-se a enxugar
o piso da casa que ele molhava, escorregava,
caía, chorava e machucava.

Achado.












O problema é que com ele
ela pode ser exatamente o que é.
Isso a torna insuportável!

Saturday, May 09, 2009

1 beijo e até mais tarde.

Quero te deixar livre.
Quero você sem obrigações comigo.
Te quero pró prazer.
Deve ir sem dar satisfação.
Não quero te preocupar.
Quero que vá, que parta.
Que me despedace.

Deixe-me cá onde estou.
Onde sempre estive.
Da onde nunca fugi.

Quero que saibas que sobrevivo.
E você também.
Peço apenas que caminhe em sua direção.
Que me deixe aqui sem sentido.
Que tome seu rumo.
Seu drink.
Encontre-se.
Assemelhe-se.
E me deixe. Só.

Tuesday, May 05, 2009

De nada doce.

Ainda deitada na cama quente sua mente
desperta para necessidade de se levantar.
Faz com que seu corpo reaja.
Mas ao perceber que está só,
coberta pelo lençol, rodeada de travesseiros
e com o livro infantil que está lendo lá em baixo
encostado no pé esquerdo,
ela resolve ficar mais. Só mais um pouco.
São oito e meia e a claridade invade a
cabeceira da cama. Os primeiros raios de sol
batem em seus cabelos vermelhos.
Ela insiste em seus olhos fechar.
Hoje, simples assim, não quer se levantar.
Não tem astral para isso.
Ele, sem perceber, prepara o café.
Esquenta dois pães no forninho e
meia xícara de leite.
Corta um pedaço de melancia
e leva até sua boca.
Não a sua, mas a boca dela que resmunga
mal humorada “Deixe-me dormir em paz”.

Sunday, May 03, 2009

Molestada.

Ficou meses sem você.
Dias sem comer.
Horas esperando só passar.
Para te ver em palavras.
Descritas de ilusão.
Passadas a limpo pelo tempo.

A dica de hoje:
















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Friday, May 01, 2009

Maravilhoso!
















[ pra ver um téco ]

Sonhei com esta música.

Ontem voltamos .
Assim, de última hora.
Sentamos no coro e eu aos poucos
fui me acalmando. Me deixando levar.
Ou contaminar.
Ontem tinha piano.
Aqui em casa também há.
Caetano toca para eu acordar.

No mundo das palavras.
















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