Monday, August 31, 2009

Novos 30.

Eu quero rir do meu mau humor.
Mandar minha intolerância para o inferno.
As dúvidas para o lugar comum.
Minha audácia para casa.
A rebeldia para o jantar.
As exigências, que permaneçam comigo
das oito as vinte, depois quero relaxar.
Que todas as possibilidades que consigo
enxergar fujam por um tempo.
Preciso permanecer na posição que ocupo no momento.
E gostaria ainda de perder a voz.
A memória, igual a minha avó.
Dedicar-me a leitura.
Provavelmente também ao desenho.
Desejo dormir ao teu lado.
Correr logo cedo.
Ver o sol.
E preparar o café.
Em setembro.

Dela.
















_Você está muito estressada!

Ela ouviu isso quando já estava dentro do elevador.
Atrasada, com uma sacola pesada nos braços e
a mochila nas costas, seguiu para o trabalho.
Crente que aquilo que acabara de ouvir,
não iria ajudar a melhorar seu humor.
Mas ok, o dia estava apenas começando.
Colocou o fone no ouvido com volume máximo
para que as buzinas e o barulho das
ruas não atrapalhassem seu caminhar.
Assim, sua vida naquela manhã tornara-se um clipe.
O clipe de sua música preferida!
Nada mal... Mas enquanto atravessava na faixa de pedestres,
onde um carro ocupava boa parte, constatou que ele tinha razão.
Ela não. Foram seus olhos que perceberam,
quase a matando de constrangimento. Lacrimejaram.
“É estresse!” eles disseram.
Estava estressada por tudo e por nada ao mesmo tempo.
E pior, estava atrasada.
Era como uma bomba relógio prestes a explodir.
Num sábado em que havia sol no céu.
O dia estava lindo, mas mesmo assim as lágrimas
não perdoaram e desceram. Fazendo as pintas dela afogar.
Disfarçadamente enxugou o rosto e pensou que a palavra
– estresse era demais. Muito pesada.
Portanto, cansada era mais apropriado. Combinava...
Também, pensando bem; era normal estar cansada.
Mas não estressada!
Trabalhando o quanto trabalhava,
tendo todos os compromissos que tinha,
as obrigações e ainda sentindo que não era capaz
de fazer mais, melhor ou o bastante.
Se cobrando tanto que chegava a doer na garganta.
E como se isso já não bastasse,
há dois dias decidiu que não queria mais
este fenômeno psicossomático de fazer inflamar
as amígdalas por conta de um estresse barato.
Barato ou caro não permitiria mais isso! Nada disso!
Passo a passo, a menina foi se dando conta
de que ele estava certo. Comparou-se às crianças
que possuem muitas atividades
(natação, inglês, judô, equitação, escola e tênis)
e que por isso ficam estressadas de verdade.
Foi uma tentativa de aliviar seu lado.
Mas não teve jeito. Ela não era mais criança
e isso tornava-a incompreensível, intolerável.
Foi preciso achar um culpado.
“É o estresse!” disseram seus olhos.
Aí, além do estresse sentiu culpa.
Inevitável.
Estava tudo ali dentro dela,
amontoado em seu peito. Desorganizado.
O estresse, o cansaço, a culpa, as lágrimas,
o nó na garganta e todas as incapacidades da semana.
Suas faltas, falhas e buscas.
Rendeu-se a quinze minutos de tristeza.
Era o único tempo que tinha para doer.
Ao chegar à Rebouças, se redimiu entre carros,
buzinas e o farol vermelho num tímido pedido de desculpas
que ele ouviu no mais absoluto silêncio.
Ela só disse isso, desligou em seguida.
Fazendo o clipe da sua música preferida
ter um final bem pertinente e pouco supreendente.
Bem vinda à vida real.

Abre amanhã:

Saturday, August 29, 2009

Explicação na mesa de agora pouco:

Amor é cuidado.
Zelo.
Agrado.
Conforto.
Proteção.
Carinho.
Isso `a que você se refere é que é outra coisa.
Paixão, talvez.
Porque pelo que sei, amor é mais ou menos isso!
Não é?!

Friday, August 28, 2009

O amor.

















Come.
Engole.
E chupa.

Sobretudo na hora de acordar e de dormir.

7:43h am.
_Amor, me diz bom dia, bom trabalho.
Ela de olhos ainda fechados quase se aborrece por
ter sido acordada dessa maneira.
Não quer acreditar no que está ouvindo, mas
repete a frase com sorriso nos lábios.
_Bom dia Amor e bom trabalho.


23:19 pm.
Ele tocava o piano há pelo menos 40 minutos
quando resolveu levantar e apoiar o corpo no batente da porta
do quarto onde ela estava. De pijama, encostada na cabeceira da cama,
com todos os travesseiros, um pote de sorvete na mão, uma colher na outra.
Ora na boca, ora no pote.
_Não gostou?
_Como assim não gostei, eu adoro esta nossa música!
_Mas esta não é aquela, é outra.
_Ah... Mas eu adoro também. Adoro tudo o que você toca.
Diz ela séria, olhando exclusivamente para a TV.

Sunday, August 23, 2009

Esperei hoje a semana inteira.

Hoje é domingo.
Meu único dia nosso.
E eu queria sair cedo para andar de bicicleta contigo.
Mas acordamos as nove e já era tarde para um passeio assim.
Então eu queria ir naquela exposição e depois naquela outra.
Mas tomamos um café demorado e já era tarde.
Depois, deitamos de novo na cama, porque eu me
sentia cansada. Começou a garoar.
Eu li todo o jornal.
Ficamos com preguiça.
Passaram algumas outras horas e quando vi
meio domingo já havia ido embora.
Eu queria ir ao cinema, `as exposições,
passear pelo Bexiga, visitar seu avô.
Fazer tudo sem pressa, editar nosso filme,
ouvir um concerto mas todos começaram as onze
e nós os perdemos.
Queria almoçar em casa mas a nossa cozinha
parece intransitável aqui, agora.
Foi então que comecei a chorar.

Saturday, August 22, 2009

Vem!!!

















Vem!!!
ball´s place
são paulo: rua mourato coelho, 451
pinheiros e rua augusta, 2690
galeria ouro fino - 2°andar f:(11)30823821
sorocaba: rua da penha, 1126
centro - arp alamedas
f:(15)32343821

Vá ao MOTEL!

num click!

Jardim.

Ando exaustivamente pensando sobre o papel do amigo.
Sim, porque amigo a gente escolhe e cultiva do nosso lado.
Rega, cuida, aduba e poda.
Somos nós que decidimos com qual freqüência
visitaremos este ou aquele amigo.
É mais ou menos assim, quanto maior o bem estar entre nós,
mais tempo vou querer estar ao seu lado.
Provavelmente vou te ver mais do que vejo minha própria família.
Inevitavelmente irei me preocupar contigo.
Tentar te alegrar, te adoçar, te trazer um café
para uma conversa gostosa. De trocas. Justas e equilibradas.
Seremos uma família à parte.
De afinidades, respeito, admiração, cuidados, haja tato!

As relações humanas são muito complicadas.
Por isso, há quem prefira seguir só para
não ter que lidar com alguns sentimentos que
surgem em qualquer relacionamento.
O ciúme é um exemplo.
Difícil de lidar, assumir, desapegar.
É por isso que aos poucos vamos nos afastando
de algumas pessoas e deixando outras entrar.
A casa é pequena...
E na medida que a vida vai passando,
alguns amigos vão ficando para trás.
Sem mágoas, porque para quem costuma estar só
de passagem, é muito fácil dizer adeus.
Aos que ficam comigo, ofereço um jardim.
Que acomodem-se bem na medida do possível e
se esbaldem com tudo o que veêm. Pode pegar!
Plantei para vocês. Cada flor, cada cor e cheiro.
Naturalmente do jeito que sou.
Choro, aconselho, digo o que penso, mas de um jeito
que sei que não vou te chatear.
Magoar não é aconselhável aos amigos.
Então te entrego o melhor que tenho aqui por dentro
em forma de bolos, abraços, apertos, beijos e palavras
que cuidosamente escolho para nós.
Assim, de graça.
Desde que haja a troca e que você não se torne indiferente.

Thursday, August 20, 2009

HOuve aqui!

COLUNA SEMANAL
or Gabrielle Machado

Daqui um mês mais ou menos tem mais uma
Invasão Sueca!Portanto vou falar um pouco das bandas
que irão se apresentar e de mais algumas descobertas minhas!
Após quatro anos de sucesso, o festival realizado pelo
Coquetel Molotov em parceria com o governo sueco trás
para o Brasil as seguintes bandas: Those Dancing Days,
Britta Persson e Loney, Dear. Eles farão apresentações
em São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre.
Mais informações dos shows aqui e ali.

Bom, agora as bandas em si. O Those Dancing Days
é uma banda de meninas que se conheceram na escola
e eu já planejava falar delas por aqui.
Elas são de Estocolmo e fazem um som característico
dos grupos femininos dos anos 60.
Logo que descobri o que elas cantavam já fiquei
com um pouco de preguiça de escutá-las
porque já pensei que seriam as novas Pipettes,
que eu até gosto, mas acho um pouco caricato demais.
Mas passado esse momento de preconceito eu ouvi
o material das meninas e gostei bastante,
até porque elas não se vestem com vestidos de bolinha
e não usam laquê no cabelo, como as londrinas do The Pipettes.
As músicas têm a sonoridade característica dos anos 60,
mas trazem uma modernidade suave (com os teclados meio
psicodélicos e batidas eletrônicas em algumas faixas,
como se os anos 80 estivessem agitando um pouco a “calmaria”
e mesmice desses grupos de meninas dos anos 60)
que às vezes pode até passar despercebida.
O primeiro álbum foi lançado ano passado e chama In Our Space Hero Suits
e as faixas que eu mais gosto são: Run Run, Hitten,
Falling in Fall e Home Sweet Home.

Já a Britta Persson é uma cantora de 26 anos que tem
alguns EPs lançados e dois álbuns, o primeiro,
lançado em 2006 se chama Top Quality Bones and A Little Terrorist
e o segundo, lançado ano passado é o Kill Hollywood Me.
A voz dela é leve e bem gostosa de ouvir, um pouco como a Laura Marling,
mas não tão doce quanto a inglesa. As músicas são bem folk na
primeira ouvida, mas dá pra perceber, em algumas faixas,
uma batida mais eletrônica e uma pitada de, mais uma vez, anos 80.
Talvez seja devido à influência que o pop tem nos suecos,
já que tantas bandas realizam no país trabalhos de grande qualidade no gênero.
As minhas músicas preferidas da Britta são: Winter Tour,
In Or Out e Kill Hollywood Me.

Loney, Dear é o pseudônimo usado por Emil Svanängen,
multi-instrumentista, cantor e compositor.
Ele também pode ser considerado um técnico de som/produtor musical,
já que seus primeiros álbuns foram gravados por ele mesmo,
no porão da casa dos pais. Eu simplesmente amo o tipo de música que
ele faz: letras boas, música muito bem produzida, instrumentos
tocados lindamente, arranjos gostosos de ouvir.
Gosto mais ainda da relação que ele tem com a música,
como se ela fosse o seu Deus (ele fala um pouco disso no site dele).
Ele tem 4 álbuns gravados e lançados por ele mesmo e outros
dois já como contratado de gravadoras, eles são Loney, Noir(2007)
e Dear John(2009). As faixas que eu não consigo parar
de ouvir são: Sinister in a State of Hope, I am John,
The City The Airport e Ignorant Boy.

Também da Suécia (deve ter alguma coisa na água desse país
que faz com que as pessoas façam boa música, é incrível
a quantidade de bandas boas fazendo coisas novas por lá) ,
mas que não vai participar da Invasão Sueca, tem a Miss Li,
pseudônimo da cantora Linda Carlsson, de 27 anos.
Eu demorei um pouco pra descobrir o que ela me lembrava,
mas sabia que tinha a ver com a música feita nos Estados Unidos
nos anos 20 e 30. Os instrumentos de sopro são tocados de um jeito
peculiar dessa época, o que me surpreendeu um pouco,
porque a música que ela canta tem uma batida pop, mas ao mesmo
tempo parece que saiu de um musical hollywoodiano.
Faltando algumas músicas pra terminar de ouvir o
álbum Best Of 061122-071122 a Miss Li me ajudou a perceber
as influências da música que ela faz: era um cover da ótima Goodmorning ,
música que faz parte de uma das seqüências que eu mais
amo no cinema, do filme Cantando na Chuva.
O cd todo é muito bom, divertido até.
As melhores faixas são: Goodmorning (claro), Oh Boy,
Let Her Go, Why Don’t You Love Me,
Gotta Leave My Troubles Behind e I’m Sorry, He’s Mine.


FALE COM ELA:
gabibilly@gmail.com

Wednesday, August 19, 2009

Me desmisifica.

Muitas tardes enumero meus defeitos para você.
Te mostro quão desvantajoso é estar ao meu lado.
Mas você não acredita...

Olha que legal!

Sunday, August 16, 2009

Saturday, August 15, 2009

Receita de família: O bolo de mexirica!

1 mexirica morcote
2 xícaras de farinha
1 xícara de óleo
1 de açúcar
4 ovos
1 colher de fermento

Bata no liquidificador a mexirica com a casca
cortada em pedaços (sem caroço) e todos os
outros ingredientes. Por último o fermento!
UNte a assadeira e leve a massa ao forno
por cerca de 30 minutos. Fique de olho!!!
Umedeça o bolo ainda quente com o suco
de um limão e açúcar (+ ou - uma xícara).
Pronto! Depois disso, é só delícia!
Sirva com chá e bom papo!

Para outras receitas incríveis...

Thursday, August 13, 2009

Embarque. Embargo.

Quando eu era pequena, bem pequena, desgostei de você.
Foi assim:
Estávamos todos almoçando.
Era frango. Aquele frango de panela que a vovó fazia
e que eu adorava. O dia era de sol, almoçávamos
na mesa de madeira que tinha as cadeiras
também em madeira com estofado verde.
Saia um cheiro daquela mesa...
Um cheiro de madeira que eu nunca
mais senti em nenhum outro lugar.
Um cheiro de tempo, talvez.
Os raios de sol invadiam a mesa
quando o vento fazia a cortina branca
de renda da Nona voar.
Eu estava à direita.
Você bem na minha frente.
Ela na cabeceira, como manda uma matriarca.
A mesa foi posta por mim.
Pratos, talheres, copos e os guardanapos
que cuidadosamente dobrei formando um triângulo.
Com a faca em cima dele, eu imaginava um barco.
Um barco à vela com o qual eu poderia navegar
para bem longe dali. Mas aquilo era apenas
mais um almoço em família em que você comparecia.
Fazia-se presente. Fazia-se notar.
Por sua rebeldia, inteligência e mágoa.

Era um dia de sol, eu havia arrumado
todos os lugares na mesa que exalava
o cheiro de madeira mais forte que um dia já senti.
Todos tinham seus barcos do lado direito do prato,
mas ninguém parecia querer sair navegando por aí.
Aguardavam ansiosos a hora da reza acabar.
Sim, lá ainda tinha aquele ritual todo de
agradecer aos alimentos que estavam prestes a ser digeridos.
E eu já tinha minha pressa, naquela época!
Estava feliz com meu lugar perto dela.
Minha dedicação pela Nona sempre foi enorme,
desde bem pequena. Ela me conquistou pela barriga.
Pelo tempero, pela magia da cozinha,
a fumaça. Era quase uma alquimia.
Para mim, vovó era mágica!
No centro da mesa arrumei as comidas
que vinham da cozinha.
Tinha uma salada de tomates meio murchos
com cebolas e eu não gostava nada, nada de cebolas.
Mas tudo bem, sobre a toalha branca de linho fui
organizando as travessas de feijão, de arroz e por último...
A panela do frango. Foi com muita água na boca
que ajeitei a panela de frango e fiquei
esperando pelo meu melhor pedaço.
Sim, vovó sempre o reservava para mim.
Ela sabia o quanto eu adorava seu “franguinho de panela”.
Hoje, como ela não cozinha mais,
herdei a receita.
Mamãe me escreveu quando fui morar sozinha.
Aliás, tenho várias receitas por ela escritas.
Receitas da minha avó, receitas de família.
Coisas básicas como arroz, feijão, omelete,
bifes, mas que foram importantíssimas
para o início da minha vida adulta.

Voltando naquele dia, estava sol e a comida
demorou um pouco mais de tempo para ficar pronta.
A reza foi um pouco mais longa,
apesar de estarmos todos famintos.
Até que o Amém nos liberou para servirmos os pratos.
“Graças a Deus” falei baixinho.
Vovó sorriu e começou por mim.
Colocou a coxa do frango no meu prato.
Eu sorri em retribuição.
Ela então colocou uma montanha de arroz
e um mar de feijão. Uma rodela de tomate
e me liberou das cebolas.
Todos serviram-se e não se ouviu mais nem um piu.
Só a mastigação às vezes quebrava o silêncio ou o gelo.
O clima já estava tenso talvez,
eu é que não percebia, que ironia.
Até que você me fez perceber.
Me poupar não estava na sua lista.
Sentado na minha frente, logo começou a criticar
a forma como a vovó comia. E começou a se exaltar
e dizer o quanto ela era porca à mesa,
o quanto faltava à ela educação e
que isso lhe provocava ânsia.
Ânsia ou enjôo, não sei a palavra exata que usou naquele dia.

Passava da uma da tarde, eu tinha fome,
mas o frango não me descia.
Meus olhos se encheram de lágrimas e
eu fiquei com aquela coxa de frango na mão,
olhando você gritar com ela.
E levantar-se da mesa.
E gritar cada vez mais alto,
com tanto ódio que eu nunca mais me esqueci.
E toda vez que sinto o cheiro de franguinho assim,
feito na panela, lembro-me desse dia na sala da casa
da minha vó onde o sol invadia,
quando o vento soprava forte na
tentativa de levar seu barco para longe de nós.

Adoro amigos que fazem festa!!!

Monday, August 10, 2009

Da para passar em branco?


















+














dessa vez.










































por
favor.



















(quero ser invisível.)

Saturday, August 08, 2009

Ai, ai, aiai... Tá chegando a hora!

Já faz tempo que penso como é ter 30.
Desde os quatorze.
Mas nunca estive tão próxima de completar
esta idade. E agora que a data se aproxima, vejo
quanta bobagem já foi dita. Especialmente por mim.
Não acreditem em mim.
Sou volúvel. Absolutamente.
Terça feira, onze; é meu aniversário.
Não tenho vontade de festa, não tenho vontade de nada.
Quer dizer, tenho `as vezes, mas passa.
Sinto uma enorme preguiça.
Não dos amigos. Mas da função que é fazer aniversário.
Apagar a velinha. Atender a todos aqueles telefonemas,
abrir os presentes, gostar dos presentes, agradecer os presentes,
agradecer por terem vindo, fazer marmita de bolo para os mais
íntimos levarem calorias para casa, desfazer-se de todas as embalagens...
Meu Deus! Tragam-me os presentes sem embrulhar dessa vez!
Por que? Não achem-me mal humorada,
apesar de merecer este título de vez em quando.
Mas, não sinto que nenhuma mudança deva ser celebrada.
Só a da lei anti-fumo!
De resto, não mereço palmas, bexigas, e já sei bem com quem será
que vou casar. Nada me anima `a festejar!
Nem mesmo minha estável condição hormonal.
Não me acho mais equilibrada emocionalmente.
Nem enrugada e muito menos mais sábia.
Fazer trinta, de repente, ficou sem graça.
Aliás, há pouco descobri que ser adulto é uma coisa chata.
Que os livros não bastam para nos distrair.
Muito menos as pessoas.
Que o paladar refina-se e para saborear verdadeiramente
algo com prazer, é preciso mais que dedicação.
Inclusive no sexo.
É aos trinta que percebemos que tudo se torna repetitivo.
Os filmes, as peças, as histórias de amor.
As mulheres continuam se odiando.
Mas, não deixam de trocar receitas.
De bolos `a cremes que andam usando ao redor dos olhos.
Já eu, não uso cremes.
Então, me dá o endereço do seu médico?
Eu não vou ao médico.
Do ortomolecular?
Posso te passar de um homeopata, mas não o recomendo...
Olha, eu tenho uma massagista ótima!
Por que, estou com cara de quem está tensa por acaso?!
E não está?
É... Culpa de uma enorme vontade vocacional para ser mãe
que anda me invadindo. E uma pequenina pressão social
que anima-me a prosseguir com esta vontade que
chega a me angustiar. E se eu não conseguir? Serei um fracasso maior!
_Luiza, vem deitar... Vem vá...
_Já vou amor. Já vou...

Argentina e Califórnia.

COLUNA SEMANAL
de Gabrielle Machado

Já tem algum tempo que eu tenho procurado bandas e cantores argentinos.
Alguns dias atrás eu descobri o Sebastián Rubin,
cantor argentino que liderava a banda Grand Prix,
que fez bastante sucesso, principalmente na Europa,
entre 2002 e 2003. A banda se desfez e Rubin voltou
para a Argentina para fazer carreira solo.
Desde 2004 ele lançou quatro álbuns, entre eles Componé,
ladrón (2004) que está disponibilizado em seu site para
download gratuito, com ótimas músicas próprias e alguns covers.
Neste ano, Rubin lançou Desayuno de Campeones,
disco com faixas que mostram que ele sabe fazer pop rock muito bem,
com algumas pitadas do indie rock que o Grand Prix fazia.
As músicas são leves e gostosas de ouvir,
entre elas, as ótimas: Yo Me Quiero Enamorar,
El Genio de La Soledad e Del Lado Del Sol.



Ainda da Argentina tem o grande El Mató a um Policía Motorizado
(ótimo nome!), banda formada em 2003,
com ótimas guitarras distorcidas e melodias bonitas
e influência de Sonic Youth, Velvet Underground, Yo La Tengo, etc...
As músicas são ótimas e é uma pena que mesmo sendo de tão
perto eles não sejam tão conhecidos pelos brasileiros.
Dizem que as apresentações ao vivo são muito boas
e muito melhores do que os álbuns (como deveria ser sempre, né?).
El Mato já lançou um LP e três EPs e as
minhas músicas favoritas são:
Chica Rutera, Doctor a Muerte,
El Rey de La TV Italiana e Vienen Bajando.



Outra banda que eu tenho ouvido muito é o Coconut Records,
da Califórnia, que é mais um projeto solo com vários
colaboradores do que uma banda em si. Esse projeto
foi idealizado por Jason Schwartzman,
ator americano que fez, entre outros filmes,
The Darjeeling Limited, do diretor Wes Anderson
(amo os filmes dele, a direção de arte é
muito bem feita- tudo é lindo e bem pensado).
A “banda” começou em 2006 e já lançou dois álbuns:
Nighttiming (2007) e Davy (2009).
As músicas são um pop rock com influências de
bandas independentes americanas, um pouco como o Sebastian Rubin.
Em algumas faixas eu sinto o mesmo clima calmo,
como se fosse de férias, que o Little Joy me passa,
como em Back to you e Microphone.
Em sua maioria as faixas são leves e gostosas de ouvir
em qualquer momento. Entre as que eu mais gosto estão essas:
Drummer, I am Young, West Coast e The Summer.

para falar com ela:
gabibilly@gmail.com

Wednesday, August 05, 2009

O nó na garganta.

Algumas vezes fico tão angustiada
que me perco chorando no caminho de volta para casa.
E a razão para todo rebuliço
que me embrulha o estômago
deixa de ser clara.
Passa a ser quase tudo o que me rodeia.
Inclusive você.

Tombo.

O amor.
Me enche.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Guiar solta no ar.
Deixo-me levar.

Levanto cedo, ganho energia.
Beijos, abraços, promessas.
Anseio melhoras.
Vejo as cores do mundo.
Sinto muito, tudo.
Me faz prazer.
Renova-me.
As vontades.
As vantagens de ter com quem
compartilhar meu dia a dia.

Mas, em contra partida, se ele acaba me mata.
Me faz ficar de cama.
Cheia de angústias e culpas.
E desejos de te ver por mais uns dias.
E vontade de sentir de novo a
novidade que só o amor nos dá.
Deu.
É passado. Onde finjo não perceber.
Faço-me de boba. Tonta, de trouxa.
Me deixo usar.
Porque mesmo se você voltar
e dormir aqui ao meu lado.
Mesmo que fique por um dia inteiro
só para me consolar.
E faça meu almoço, colo, carinho e desculpas.
De nada adiantará. Mesmo assim eu finjo.
De propósito, doo.
Toda angústia assim
passa a ser maior que nós.
Corroi-me por dentro.
Me come.
Faz um estrago maior.
Maior que o amor que um dia achamos
que sentimos um pelo outro.
Maior que suas mentiras.
Maior que nossos sonhos.
Que terminam em pequenas doses de desaforos.

A angústia.
Me transborda.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Solta no ar.
E lá em cima, no alto, estoura.

Monday, August 03, 2009

é mês do cachorro louco!

Escuta aqui!

COLUNA SEMANAL
por Gabrielle Machado

A Band of Skulls é nova, formada no ano passado,
mas o som tem a qualidade das bandas dos anos 70.
Lançaram álbum em março desse ano,
chamado Baby Darling Doll Face Honey.
As faixas têm o peso que um bom rock combinado
com blues pode ter. Logo que ouvi achei bem parecido
com o Wolfmother, banda australiana que faz um
hard rock bem característico dos anos 70,
como Led Zepellin, The Who, Pink Floyd e outros.
A diferença do Band of Skulls é que também
podemos perceber um toque de White Stripes
e a ótima fusão de vocal feminino e
masculino em diversas faixas.
O cd inteiro é muito bom e as minhas preferidas
são I Know What I Am, Honest,
Death By Diamonds and Pearls, Patterns e Blood.

De Nova York, mais uma banda ótima que surgiu
no Brooklyn e faz parte, assim como o
The Pains of Being Pure at Heart
(que eu falei semana passada),
de uma nova safra de grandes bandas de rock americanas:
Crystal Stilts. Eles já têm alguns singles e EPs lançados
e o primeiro álbum, que saiu ano passado,
chama Alight of Night. O som que eles fazem
é um pop rock anos 80, que eu gosto de imaginar
como sendo um Joy Division menos melancólico.
A voz do vocalista é meio arrastada e grave e
me lembra bastante o Ian Curtis, vocalista do Joy Division.
Do Alight of Night as minhas preferidas
são The Dazzled, Crystal Stilts e The SinKing.
Tem também a ótima Sugarbaby, que vale muito pelo clipe,
onde eles pegaram um vídeo do youtube com umas meninas dançando
e colocaram a música em cima. Ficou muito bom!

E pra quem gosta de Yo La Tengo a dica é o cd novo,
Popular Songs, com lançamento previsto pra 8 de setembro,
mas que já vazou na internet. O Yo La Tengo é uma das bandas
que eu mais gosto e escuto. São americanos e já lançaram
inúmeros cds desde sua formação, em 1984.
São famosos por não se prenderem à um gênero musical,
mas sim de misturarem de forma genial rock,
pop, punk, folk, música eletrônica, etc...
Popular Songs é um álbum maravilhoso,
com músicas lindas. Recomendo ouvir ele inteiro,
de uma vez só. Não consigo escolher as minhas preferidas,
teria que dizer que prefiro o disco todo!
Espero ansiosamente pelo dia 8 de setembro,
para poder comprar um exemplar, de preferência de vinil,
e colocar na vitrola pra ouvir!

PARA FALAR COM ELA:
gabibilly@gmail.com
EEE!!!

Saturday, August 01, 2009

Quantos são os que não amam?

















Ontem saí com um amigo que não acredita no amor.
Basicamente fico tentando fazer com que ele mude de opinião.
Sou uma romântica convicta enquanto ele posa de solteiro convicto.
Mas nisso, eu é que não acredito.
Finjo.
Ontem pela primeira vez, passava das duas da manhã,
me peguei inconformada
com o fato dele viver assim. Sem expectativas.
Era quase uma mágoa criada.
Porque da maneira como ele trata seu coração e o dos outros,
coloca em dúvida tudo aquilo que julgo ser o mais prazeroso em viver.

_Estaríamos enganados?

Bom, sem amar não vivo.
Sem amor não sinto.
Tive dois, ou três desde os desesseis.
Quando um acabava outro comecava. Seguidamente.
Quando se esgotava eu sofria.
Quase morria.
Mas sobrevivia. Só.
Para amar outra vez.
E me entregava.
Com uma pressa calma.
Me deliciava.
Permitia.
Guiar, levar para qualquer lugar.
Me arrastava. Cuidava.
E amava, amava, amava.

-O amor é como um doce. O melhor.
Desses que a gente come bem devagarinho.
Cujo sabor permanece na boca por um longo período.
E você pode repetir sempre que quiser!
Prolongando-o até enjoar.
_Ah é éééé!?! Deus me livre!