Wednesday, June 06, 2007

É Drama, Aventura e Comédia Romântica!

Aos trinta, ou quase trinta como é meu caso, uma mulher já amou de verdade pelo menos uma vez na vida. E isso fode tudo!

Engraçado, sempre quis ter trinta. Desde os dezessete.
Isso porque sempre admirei as mulheres de trinta.
Elas me pareciam bem resolvidas. Mais bonitas.
Mais mulheres do que eu, menina.
Agora, finalmente aos vinte e sete, sempre digo que tenho trinta. Antecipo-me. Como sempre, na pressa de viver emoções precoces.
Mas esta ansiedade não faz parte dessa idade.
Não, aos trinta não somos afobadas nem ansiosas.
Tão pouco ociosas.
Nós, mulheres de trinta, achamos que temos o controle da vida.
Que estamos no comando. Dando as regras,
distribuindo as tarefas, racionalizando os sentidos.
Como se isso fosse possível.
Mas vá tentar explicar para uma mulher de trinta o contrário...
Mulheres de trinta não te deixam falar, nem se quer explicar.
Elas dizem por último, riem por último.
Mandam e desmandam, em casa e no trabalho, no sexo e no amor.
Sim, mulheres de trinta - inteligentes,
conseguem separar sexo de amor.
Marido, de pai do seu filho. TPM de stress.

Teoricamente, tudo aos trinta funciona.
Somos práticas e independentes.
Ah, e magras se desejarmos.
Os hormônios parecem controlados!
Nos dividimos em grupos de mulheres distintos assim:
as que se casaram e tiveram filhos;
as que se casaram e não tiveram filhos
(estas cultivam flores, cachorros e sobrinhos para suprir a carência característica da idade);
as solteiras que estão loucas para se casar e finalmente, as divorciadas.
E dentre estes grupos ainda nos subdividimos em:
as que são felizes, as que se consideram infelizes
e as que acham que um dia serão felizes (as solteiras)
quando encontrarem o príncipe encantado.
Mas vá explicar para uma mulher de trinta que isso não existe!!!
Sua tentativa vai morrer de morte natural.
Ela não te dará ouvidos.
A mulher de trinta precisa ver para crer.
Isso porque já tem vivência, experiência.
Acha que tem, pelo menos.
Acha que já sofreu o suficiente, já amou o suficiente
e foi ou é amada insuficientemente. Sempre.

É normal encontrar mulheres de trinta achando
que a vida tem sido bem cruel com elas.
Mas que agora (aos trinta) retomada a consciência do
seu valor material e mental nada mais a segurará.
A não ser um bom cirurgião e as inseguranças femininas
que existem em qualquer idade, mas que nesta fase,
parecem querer tomar proporções desanimadoras...
É! A crise dos trinta. Entramos de cabeça (e de corpo inteiro)
no maravilhoso mundo dos cosméticos anti-idade.
Começam também os exames detalhadíssimos no ginecologista.
E é também bem nessa fase que os dermatologistas insistem em enxergar em nós (belas mulheres da meia idade)
manchas do tempo. Sabe, faz tempo...
Não precisa explicar! E dá-lhe creme!
Creme pra cá, creme pra lá, para a região dos olhos,
para a testa, para orelha, olheiras.
Para as gordurinhas do lado esquerdo.
Para as do lado direito é outro pote!
Sim, você tem defeitos que nem imaginaria.
Nem em seu pior pesadelo.
E é aos trinta que descobre isso.

Minha visão estereotipada da bem sucedida
carreira solo da mulher de trinta foi por água abaixo.
Os dentistas querem clarear os nossos dentes,
os cabeleireiros nos oferecem uma tintura creme
e isso quer dizer que apareceu o primeiro fio de cabelo branco em você. Ele te pertence! As mini saias não. Parecem coisas de adolescentes.
A depiladora é a mesma, há dez anos te maltratando
intimamente e você ainda paga por isso.
Faz as unhas para pertencer ao sistema. Entra no esquema.
Casa, trabalho, cinema.
Nós mulheres de trinta, nos livramos da ressaca trabalhando.
Dos problemas, trabalhando.
Dos dilemas, trabalhando.
Estamos em plena atividade, quando não, doméstica.
Correndo da mesmice. Sem tempo para os amigos.
Buscando intimidade sem cair na rotina.
Sexo sem compromisso.
Mas dá para dar uma ligadinha depois???

A verdade é que mesmo aos trinta ainda
queremos um amor de filme. Com cheiro de menta e pipoca.
E café na cama sem que eu tenha que pedir.
Queremos a felicidade imaginária,
as dúvidas extraviadas,
os sonhos que deixamos de lado sem
haver um bom motivo para tal abandono.
Aliás, aos trinta, não queremos abandonar mais nada!
Queremos aglomerar, reunir, juntar, amontoar, acumular.
Sentir sempre com as pontas dos dedos. Dos cinco. Desejos.
Queremos o frio na barriga mesmo no inverno.
E está em tempo.

ESTE TEXTO É DEDICADO A TODAS AS MINHAS AMIGAS SOLTEIRAS QUE ME PROPORCIONAM BOAS ANÁLISES SOBRE O TEMA. OBRIGADA! :)

6 comments:

Anonymous said...

Considerações absolutamente precisas, Genial Luzia! :)

Clínica AniMais said...

Estou esperando o texto na versão masculina agora...

Helga said...

Ei Luiza!
Acompanho seu blog há um tempo e achei esse texto deliciosamente especial! Muito bom ler algo assim... Parabéns!!

Patrícia Leme - rc.patricia@ig.com.br said...

Parabéns pelo belo texto, apesar de ser dedicado às solteiras, as casadas também têm seus dilemas, seus dias de glória e seus dias de Bridget Jones... os trinta ou quase trinta... idade perfeita... saber aproveitar os bons momentos é o que faz a diferença... beijos

Erica said...

Lu, mto mto bom!
Eu vou até imprimir e mostrar pra mammys, que tá solteira.rs... (ela tem 43. Ou seria 44. Enfim...ela vai adorar!)
adorei!
=) Bjoss!

Roma cidade aberta said...

Quando eu tinha 17, também queria ter 30!