Tuesday, February 13, 2007

Quando eu crescer, quero ser criança de novo.

É sempre assim.
Quando estou sentada bem de frente para a secretária,
já começo a suar frio. Sei que ela está prestes a me fazer aquela pergunta.
_ Profissão?
Engasgo. Olho no fundo dos olhos dela. Suspiro.
Meus pensamentos apressam-se.
Todas as minhas atividades, de verdade, ficam bem na ponta da língua.
Um minuto de silêncio prossegue, sem que eu queira.
Organizo-me por dentro. Bem, sou formada em artes.
Mas isso não quer dizer que eu seja artista.
Trabalho com moda, mas não sou modelista, nem mesmo costureira.
Desenho. Fotografo. Mas meu real desejo é escrever sempre, todos os dias.
Mas, não sei... Escritora?! Não.
Sou comerciante na maior parte do tempo, isso sim.
E alguns preferem me chamar de empresária.
Micro - empresária. Eu deixo.
Mas a grande verdade é que eu vendo coisas.
Idéias, roupas, caras e bocas.
Igual aos meninos no sinal.
Somos todos micro-empresários da vida real.
Isso! Então, a resposta é:

_ Puxa, preciso decidir isso agora?
Ela me olha fulminantemente.
Como quem dissesse... Querida, não tenho a tarde toda
para preencher o seu cadastro!
Engulo seca a minha dúvida e
respondo qualquer uma das alternativas anteriores.
Às vezes até invento. Tipo, farmacêutica, terapeuta, dona de casa.
E tem vezes que respondo:

_ Nada, avulsa mesmo.
E quem é que vai dizer que não...
E quem é que vai provar o contrário...
E tem dias que me sinto mesmo assim...
Mantenho-me em dilema.
Dúvida perturbadora.
Afinal, o que mesmo eu queria ser quando crescer?
E agora que eu cresci o que sobrou de mim?
No que foi que me transformei?
Vamos lá!

Sou menina.
E gosto de meninos.
Tem sido assim desde a adolescência.
Sou branquela. Tenho sarda.
E tenho gostado muito do sol por entre os edifícios.
Já fui mais ruiva. Nunca a primeira da turma.
Quando criança, brinquei muito na rua,
com as minhas vizinhas amigas.
De futebol, de escolinha, de pular corda, amarelinha...
E o carrinho de rolimã do meu irmão, era eu quem pilotava!
Tive piolho, comi muito bolo da Cida,
bolinhos de chuva e as balas de goma da vovó.
Minha memória de infância, engraçado, é quase toda gastronômica!
Lembro do dia em que teve uma super feijoada (e que estava chovendo),
dos meus bolos de aniversário, da coxinha e do pé de moleque.
Fui tão feliz que cresci feliz.

Fiz artes plásticas aos dezessete.
Aos vinte e sete queria ter feito jornalismo e publicidade.
Teria me dado bem também. Seria mais feliz?
Não sei. Na semana passada,
descobri que fazer cinema também não seria má idéia.
Eu gostaria de escrever roteiros de filmes, novelas
e um livro com o seguinte título: “Memórias de uma mulher de trinta”,
então, tenho três anos para começar e finalizar este projeto.
E mais, descobri que odeio projetos.
A palavra PROJETO me desagrada por completo.
Desejo realizar. Sou imediatista. Por isso a fotografia me cabe.
Miojos, molhos prontos, tortas congeladas e pizzas também.
Tudo precisa ser rápido. Não perdemos tempo com bobagens.
Só os romances precisam ser longos.
Amo intensamente e guardo meus rancores
num cantinho especial do meu corpo.
Ora no estômago, ora nas amídalas, mas, meu sorriso, repare,
é sempre o mesmo. Nem muito largo, nem muito fechado. Sorriso médio.
Gosto de acordar cedo. Gosto de vender logo cedo.
E simplesmente, amo os meus clientes. Isso não é piada não. É sério!

Gosto de desenhar ouvindo Caetano.
Correr ouvindo Lirinha em tom de denúncia.
E nadar em silêncio. Muitos dos meus problemas,
resolvo debaixo d´água.
Gosto de tomar uma cervejinha num bar qualquer para conversar
com você coisas que a gente não conversa em casa.
Funciona!
Odeio ir ao banco.
Odeio filas, nem mesmo as de restaurantes se salvam.
Impaciente confessa.
Faço compras de dez em dez itens só
para freqüentar a fila rápida e involumosa dos supermercados.
Sinto-me sempre, na maior parte do tempo, atrasada.
Tomo muito café e no trânsito, leio o jornal que está quase vencendo.
De tarde, como maçã. De manhã, mamão para fazer cocô.
Adoro! Observo as pessoas no ônibus.
Os esmaltes das pessoas. Cintilantes! Observo tudo.
Até me canso de olhar e de pensar em histórias melhores para contar.
Agora ando com caneta e papel, fazendo notas do mundo.
Desenhando uma trajetória melhor,
mais acessível e ao mesmo tempo, mais distante de tudo.
Nossos erros, meus remorsos, suas culpas, minhas desculpas.
Ando a colocar tudo no papel, pra ver se eu me encontro.
Me acho.
Me candidato ao meu próprio papel multifuncional
de ser apenas mais uma.
Luiza.

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1 comment:

Fábio said...

Saudade de você Lu. Saudade das suas idéias, das nossas brigas... to sempre aqui... no mundo virtual, esperando pessoas reais.... Beijos.