Friday, May 23, 2008

Impublicável!

Eu lhe escrevi naquela caixa de presente
que te amaria para sempre.
Já dizia, era birra.
Só.
Percebi.
Tarde demais para passar ilesa.
Meu “para sempre” não é até agosto.
Eu fingi.
Que poderia seguir incondicionalmente
enquanto você fazia seus planos solos na minha sala de estar.
Não consegui.
Ignorar que a falta de planejamento comigo machuca.

Mas eu quis viver contigo, todos estes dias.
Foram 148 no total.
Acordar, fazer café, cuidar da nossa roupa limpa, o tênis sujo de lama.
Os cinemas, jantares, passeios longos a pé pelo centro.
Eu só quis agradar a você.
Ouvir uma música boa em sua companhia.
Agradar-me. Fotografar o melhor de nós.
Enquanto os outros diziam: “A gente combina!”

Menti para mim mesma.
Desenhei um sonho comum.
Desejei você dizer que talvez também
pudesse me amar para além do 8.
Queria mesmo que fossemos infinitos.
Queria que tivéssemos nos dado a chance
de viver outra história.
Que escrevêssemos diferente.
Na sua língua. Na minha. Na nossa.
Que invertêssemos nosso avesso,
voltássemos ao começo e pensássemos no plural.

2 comments:

Helena said...

devo dizer que leio em segredo sempre
e que quase choro
ou choro em segredo
não gosto de tempo contado...
mas diferente do teu agosto
o meu junho já está próximo

Li Ferraz said...

Seus textos são ótimos.
Me apaixonei. acho engraçado o mundo literário porque nos encontramos na palavra do outro.
Roubei o seu textinho da revista Atitude e vou colocar no meu blog!!!
Bjos e Parabens!