Monday, December 15, 2008

No Balanço do Ano.

Chacoalhou.
2008 foi cheio de altos e baixos.
Idas e boa vindas!
Fique à vontade. A casa não é sua nem minha.
É aluguel.
Sem despedidas.
Quase caiu. Mais de uma vez.
Passou por sete meses mal dormidos.
Sonhando tudo pela metade.
Comendo pouco.
Correndo muito.
Querendo o que não lhe pertencia.
Desejando o que não podia.
Amando.
Estudando.
Desenhando.
Percebeu-se meio autista,
fechada em seu mundo de traços.
Fina.
Um dia olhou-se no espelho e
viu que não tinha nem peito nem bunda.
Só pintas.

No balanço do ano,
assume investidas em seu lado mais
dramático - trágico - cômico.
Alimentou-o.
Mas termina 2008 segura de que
não quer mais viver assim.
Certamente, como diz Caetano.
Agradece aos amigos que lhe trouxeram músicas
novas para sempre alegrar esta casa.
Que por hora ainda vive vazia à sua espera.
Clamando por seu barulho.
Ouvindo o silêncio dela.
Morto.
Pensamentos.
Pregados nas paredes preenchidas de poesia.
De carinhos compartilhados.

Percebeu neste ano que bom mesmo
é ter você por perto.
Que quando é de verdade,
dá se um jeito de viver uma paixão.
Que sempre dá se um jeito para tudo.
Que és imatura.
E que por isso acha que pode tudo,
que tudo se resolve.
Ou melhor, é pior; “ela resolve”.

Percebeu numa tarde a caminho do aeroporto
que os pais sempre confiaram demais nela.
Que podiam, mas talvez, não deveriam.
E que por isso, o medo de decepcioná-los
a perseguiu continuamente, o ano inteiro.
Dormia com ela.
O medo de errar.
Mas que mesmo amedrontada,
errou diversas vezes e
se culpou e depois errou por se culpar.
Virou uma bola de neve.
Se Papai Noel existisse, lhe traria um presente.
Mas no atual momento encontra-se bem, obrigada.
Não precisa é de nada.
Nada à desejar.
Só os cuidados teus.
Pois continua chorando no trânsito.
Por lembra-se de você.
E de você e de você.
O tempo inteiro.
E quando chove, piora.
Recorda-se daquela,
aquela e aquela outra situação que passou.
Congestionamento.
Mas tudo passa.
Parece ouvir sua mãe dizendo
bem na virada de todos os anos
num abraço apertado com sua voz confiável e trêmula:
_Minha filha, tudo passa. E o ano que vem será melhor.

1 comment:

ana c said...

"_Minha filha, tudo passa. E o ano que vem será melhor."

e todas nós insistimos em acreditar! =/