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Tuesday, September 22, 2009
Thursday, September 17, 2009
CASA NOVA!

Este é meu último post por aqui.
E posso dizer que já sinto falta desse lugar.
Está certo que estou indo para uma residência própria,
num endereço só meu, que tem meu nome e minha cara.
Mesmo assim, deixar de colocar palavras
aqui faz em mim saudade imediata.
Estranho porque há tempos venho querendo me mudar.
Andei pesquisando outros lugares, outras cores, identidade.
Mas agora que minha casa lá está toda pronta,
do jeitinho que eu queria, parece-me impossível abandonar isso tudo.
O ambiente e todas essas histórias.
É a minha vida descrita, inventada e reinventada.
Dia-dia. São meus amores, minhas dores e alegrias.
Minhas crenças. Poesia.
Estou fechando esta porta daqui,
indo para uma casa maior, mais confortável.
Mas tenho meu coração apertado.
Assim é a vida...
Ao menos esta minha dor no peito
fez lembrar do dia em que papai decidiu que sairia
do ponto comercial que herdou de meu avô.
Na rua da Penha, 534.
Onde vivemos quando crianças.
Onde antes de ser a loja de roupas, ele vendia bolsas.
Onde nasci. Cresci. E mostrava-me mal humorada,
sentada na escada, perto da hora de todos os almoços.
Até quase os quinze anos.
Quando e onde fomos felizes.
Tristes também, eu sei.
Mesmo assim foi um parto deixar aquele espaço.
As paredes sujas de nós.
O corredor onde havia nossas medidas.
Marina – 1.18m
Francisco – 1.05m
Luiza - 0.83m
Numa época em que parecíamos inseparáveis.
Mas assim é a vida...
Difícil e perdoável.
Papai e eu sofremos para deixar nossas memórias.
Passadas a limpo então... Doem demais.
Para tanto, aprendi desde cedo
que se cavarmos um buraco profundo e
jogarmos as memórias lá dentro, da-se assim um jeito.
O nosso jeito! Com terra e adubo.
E quando perto da superfície, se jogarmos sementes novas,
de flores e cores jamais vistas. A casa fica bonita!
Regando e cuidando sem pressa.
Esperando pacientemente a hora da colheita chegar.
Tudo da certo. Por isso,
anotem meu novo endereço
www.luizapannunzio.com
É para lá que levo meu coração apertado.
Onde há espaço de sobra e milhares de
páginas imaginárias em branco,
para preencher, pintar, recortar e desenhar.
Onde plantei uma árvore imensa com raízes bem forte.
Para que a dor da separação demore a chegar.
Outra vez.
Espero a visita de todos vocês.
um beijo
Lu Pannunzio
Thursday, September 10, 2009
Não gostou? Reclame com ele!
CONTARDO CALLIGARIS
Casamentos possíveis
--------------------------------------------------------------------------------
Em geral, a gente casa com a pessoa certa: com quem podemos culpar por nossos fracassos
--------------------------------------------------------------------------------
UMA DAS boas razões para se casar é a seguinte:
uma vez casados, podemos culpar o casal por boa
parte de nossas covardias e impotências.
O marido, por exemplo, pode responsabilizar mulher,
filhos e casamento por ele ter desistido de ser o
aventureiro que ainda dorme, inquieto, em seu peito.
A decepção consigo mesmo é menos amarga quando é
transformada em acusação: "Você está me impedindo
de alcançar o que eu não tenho a coragem de querer".
Essas recriminações, que disfarçam nossos fracassos,
não são unicamente masculinas.
Certo, os homens são quase sempre assombrados por
impossíveis devaneios de grandeza -como se algum
destino extraordinário e inalcançável já tivesse
sido sonhado para eles (e foi mesmo, geralmente
pelas suas mães). Diante de tamanha expectativa,
é cômodo alegar que o casal foi o impedimento.
As mulheres, inversamente, seriam mais pé-no-chão,
capazes de achar graça nas serventias do cotidiano.
Por isso mesmo, aliás, elas encarnariam facilmente,
para os homens, os limites que a realidade impõe aos
sonhos que eles não têm a ousadia de realizar.
Agora, as mulheres também sonham. Há a dona de casa
que acusa o marido, os filhos e o casamento por ela
ter desistido de outra vida (eventualmente, profissional),
que teria sido fonte de maiores alegrias. E há, sobre tudo,
para muitas mulheres, um sonho romântico de amor avassalador
e irresistível, do qual, justamente, elas desistem por
causa de marido, filhos e casamento.
Com isso, d. Quixote se queixa de que sua mulher esconde
seus livros de cavalaria e o impede de sair à cata de
moinhos de vento. E Madame Bovary se queixa de que seu
marido esconde seus livros de amor e a impede de sair
pelos bailes, à cata de paixões sublimes e elegantes.
Pena que raramente eles consigam ter os mesmos sonhos.
Um problema é que os sonhos dos homens podem ser de
conquista, mas dificilmente de amor, pois eles derivam
diretamente das esperanças que as mães depositam em seus
filhos, e, claro, uma mãe pode esperar que seu rebento
varão seja um dom-juan, mas raramente esperará ser
substituída por outra mulher no coração do filho.
Não pense que esse fogo cruzado de acusações seja causa
recorrente de divórcio. Ao contrário, ele faz a força
do casamento, pois, atrás da acusação ("É por sua causa
que deixei de realizar meus sonhos"), ouve-se: "Ainda
bem que você está aqui, do meu lado, fornecendo-me assim
uma desculpa -sem você, eu teria de encarar a verdade,
e a verdade é que eu mesmo não paro de trair meus próprios sonhos".
Ou seja, em geral, a gente casa com a pessoa "certa":
a que podemos culpar por nossos fracassos.
E essa, repito, não é uma razão para separar-se.
Ao contrário, seria uma boa razão para ficar juntos.
Quando a coisa aperta, não é porque sonhos e
devaneios teriam sido frustrados "por causa do outro",
mas pelas "cobranças", que, elas sim, podem se revelar insuportáveis.
Um exemplo masculino. Uma mulher me permite acreditar
que é por causa dela que eu não consigo ser o que quero:
graças a Deus, não posso mais tentar minha sorte no garimpo
agora que tenho esposa, filhos e tal. Até aqui, tudo bem.
Como compensação pelos sonhos dos quais eu desisti,
passo as tardes de domingo afogando num sofá e soltando
foguetes quando meu time marca um gol, mas eis que, no meio do jogo,
minha mulher me pede para brincar com as crianças ou para ir até
à padaria e comprar o necessário para o café - logo a mim,
que deveria estar explorando as fontes do Nilo ou negociando
a paz entre os senhores da guerra da Somália.
Essa cobrança, aparentemente chata, poderia salvar-me da
morosa constatação do fracasso de meus sonhos e das ninharias
com as quais me consolo. Talvez, aliás, ela me ajudasse a
encontrar prazer e satisfação na vida concreta, nos afetos
cotidianos. Mas não é o que acontece: o que ouço é mais uma
voz que confirma minha insuficiência.
À cobrança dos sonhos dos quais desisti acrescenta-se a
cobrança de quem foi (ou é) "causa" de minha desistência e
razão de meu "sacrifício": "Olhe só, mesmo assim, ela não
está satisfeita comigo." Em suma, não presto, nunca,
para mulher alguma -nem para a mãe que queria que eu fosse
herói nem para a esposa para quem renunciei a ser herói.
E a corda arrebenta.
O ideal seria aceitar que nosso par nos acuse de seus fracassos e,
além disso, não lhe pedir nada. Difícil.
ccalligari@uol.com.br
Casamentos possíveis
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Em geral, a gente casa com a pessoa certa: com quem podemos culpar por nossos fracassos
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UMA DAS boas razões para se casar é a seguinte:
uma vez casados, podemos culpar o casal por boa
parte de nossas covardias e impotências.
O marido, por exemplo, pode responsabilizar mulher,
filhos e casamento por ele ter desistido de ser o
aventureiro que ainda dorme, inquieto, em seu peito.
A decepção consigo mesmo é menos amarga quando é
transformada em acusação: "Você está me impedindo
de alcançar o que eu não tenho a coragem de querer".
Essas recriminações, que disfarçam nossos fracassos,
não são unicamente masculinas.
Certo, os homens são quase sempre assombrados por
impossíveis devaneios de grandeza -como se algum
destino extraordinário e inalcançável já tivesse
sido sonhado para eles (e foi mesmo, geralmente
pelas suas mães). Diante de tamanha expectativa,
é cômodo alegar que o casal foi o impedimento.
As mulheres, inversamente, seriam mais pé-no-chão,
capazes de achar graça nas serventias do cotidiano.
Por isso mesmo, aliás, elas encarnariam facilmente,
para os homens, os limites que a realidade impõe aos
sonhos que eles não têm a ousadia de realizar.
Agora, as mulheres também sonham. Há a dona de casa
que acusa o marido, os filhos e o casamento por ela
ter desistido de outra vida (eventualmente, profissional),
que teria sido fonte de maiores alegrias. E há, sobre tudo,
para muitas mulheres, um sonho romântico de amor avassalador
e irresistível, do qual, justamente, elas desistem por
causa de marido, filhos e casamento.
Com isso, d. Quixote se queixa de que sua mulher esconde
seus livros de cavalaria e o impede de sair à cata de
moinhos de vento. E Madame Bovary se queixa de que seu
marido esconde seus livros de amor e a impede de sair
pelos bailes, à cata de paixões sublimes e elegantes.
Pena que raramente eles consigam ter os mesmos sonhos.
Um problema é que os sonhos dos homens podem ser de
conquista, mas dificilmente de amor, pois eles derivam
diretamente das esperanças que as mães depositam em seus
filhos, e, claro, uma mãe pode esperar que seu rebento
varão seja um dom-juan, mas raramente esperará ser
substituída por outra mulher no coração do filho.
Não pense que esse fogo cruzado de acusações seja causa
recorrente de divórcio. Ao contrário, ele faz a força
do casamento, pois, atrás da acusação ("É por sua causa
que deixei de realizar meus sonhos"), ouve-se: "Ainda
bem que você está aqui, do meu lado, fornecendo-me assim
uma desculpa -sem você, eu teria de encarar a verdade,
e a verdade é que eu mesmo não paro de trair meus próprios sonhos".
Ou seja, em geral, a gente casa com a pessoa "certa":
a que podemos culpar por nossos fracassos.
E essa, repito, não é uma razão para separar-se.
Ao contrário, seria uma boa razão para ficar juntos.
Quando a coisa aperta, não é porque sonhos e
devaneios teriam sido frustrados "por causa do outro",
mas pelas "cobranças", que, elas sim, podem se revelar insuportáveis.
Um exemplo masculino. Uma mulher me permite acreditar
que é por causa dela que eu não consigo ser o que quero:
graças a Deus, não posso mais tentar minha sorte no garimpo
agora que tenho esposa, filhos e tal. Até aqui, tudo bem.
Como compensação pelos sonhos dos quais eu desisti,
passo as tardes de domingo afogando num sofá e soltando
foguetes quando meu time marca um gol, mas eis que, no meio do jogo,
minha mulher me pede para brincar com as crianças ou para ir até
à padaria e comprar o necessário para o café - logo a mim,
que deveria estar explorando as fontes do Nilo ou negociando
a paz entre os senhores da guerra da Somália.
Essa cobrança, aparentemente chata, poderia salvar-me da
morosa constatação do fracasso de meus sonhos e das ninharias
com as quais me consolo. Talvez, aliás, ela me ajudasse a
encontrar prazer e satisfação na vida concreta, nos afetos
cotidianos. Mas não é o que acontece: o que ouço é mais uma
voz que confirma minha insuficiência.
À cobrança dos sonhos dos quais desisti acrescenta-se a
cobrança de quem foi (ou é) "causa" de minha desistência e
razão de meu "sacrifício": "Olhe só, mesmo assim, ela não
está satisfeita comigo." Em suma, não presto, nunca,
para mulher alguma -nem para a mãe que queria que eu fosse
herói nem para a esposa para quem renunciei a ser herói.
E a corda arrebenta.
O ideal seria aceitar que nosso par nos acuse de seus fracassos e,
além disso, não lhe pedir nada. Difícil.
ccalligari@uol.com.br
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sonhos
Friday, September 04, 2009
Wednesday, September 02, 2009
Contratempo.
Ela estava tão alegre que sentia vergonha.
Na rua, disfarçava. Tampando a boca para que ninguém visse
o quanto estava rindo à toa.
Sentia culpa por estar feliz.
_Como assim, feliz?
Não tem o menor cabimento...
Não queria chamar atenção por esta razão.
Logo ela, cética.
Logo aquela que sempre achou a vida penosa demais.
Agora andava por aí, sorrindo largo.
Não acreditava nessa possibilidade, nem nas pessoas.
Ela não tinha crença alguma e
zombava de toda e qualquer esperança.
Era dura.
Feito pedra.
Amarga igual remédio.
Sentia falta de ar,
mas também não fazia tanta questão
em respira as impurezas da cidade.
Conformada com sua teoria de que as
pessoas dão aquilo que podem dar,
estava acomodada com tudo ao seu redor.
Num tanto faz, num leva e traz, no chove não molha.
Esperando a vida passar aos finais de semana.
Despreocupada com o tempo, com o vento,
saía sempre sem o guarda-chuva e o casaco.
Molhava-se e mesmo assim era incapaz
de perceber as horas. Mesmo passando frio
ou tendo que colocar as roupas no varal
que ficava numa pequena varanda em um
também pequeno apartamento.
Onde ela vivia só.
Triste em seu quarto, lendo o livro que
escolhera demoradamente nas prateleiras
da livraria que freqüentava.
Até que um dia, lá na livraria,
ela escolhia mais um romance para
viver em palavras quando uma mão maior
que a sua pegou o objeto retangular em questão.
A capa era amarela.
Estavam bem próximos um do outro
e ele percebeu que ela estava desejando-o.
Não a ele, mas o livro que carregava.
_Desculpe, qual o seu nome?
_Por que?
_É realmente, me perdoe, não quero ser invasivo.
Gostaria de saber seu nome...
_Ana.
_Oi Ana, vi que você ficou...
Bem, como vou te dizer... É...
Você por acaso estava querendo este livro aqui?
(disse isso chacoalhando o livro em sua frente,
como se ela fosse um cachorro e o livro um enorme osso).
Irrefutavelmente ela só balançou a cabeça num não.
Os cabelos dele, despenteados prendiam
os olhos dela, bem no alto.
Vestia camisa xadrez, jeans e all star azul.
Ela também, xadrez, jeans e all star vermelho.
Mesmo observando todos os detalhes nele,
que tinha sardas nas orelhas por exemplo
e que elas também habitavam seu cotovelo,
Ana preferiu ignorá-lo.
_Ah, ok. Acho que me enganei.
E quando ele já virava de costas ouviu um:
_Não...
_Hã?
_É verdade, este seria o meu livro escolhido de hoje.
Mais pela cor. Sabe, ainda não li a orelha,
então acho que tudo bem, posso não querê-lo.
Eu viverei sem ele. Lógico, já tenho idade suficiente
para saber que vou sobreviver e
acho até que eu não iria gostar muito...
Então pode ficar, é isso, é seu, todo seu...
_Calma querida, está nervosinha?
Teve um mal dia ou você é assim sempre?
Espere, deixe-me falar! Com calma, sim?!
Ele disse isso num sorriso apreensivo e engatou
logo após um suspiro longo.
_Então... Faremos assim, vou comprá-lo
porque este é também o meu escolhido,
também pela cor, enfim...
Você me passa seu telefone que assim
que eu terminar de ler, te empresto.
_Sei. E quando será isso?
_Logo, quero te ver logo...
Ela sorriu. Pegou uma caneta
(sempre tinha uma na bolsa) e
escreveu na contra capa do livro amarelo seu telefone.
Saiu em seguida, meio descrente.
Segurou com dureza a felicidade que queria
sair de dentro do peito. Afinal, não acreditava
em nada daquilo que o frio na barriga tentava alertar.
Há quem ache até que foi uma cena de puro desprezo.
Assim me confidenciou um dos funcionários
da livraria que assistiu a tudo de longe,
torcendo para ela amolecer, adoçar e se entregar.
Não sabe ele que desde o telefonema,
na mesma noite em que houve o encontro casual
na livraria, aliás, apenas algumas poucas horas
depois do ocorrido, assim, como mágica, a menina virou açúcar.
Graças àquele quase desconhecido, com sardas nas orelhas e no cotovelo,
que leu o primeiro capítulo inteiro para ela ao telefone.
Foram as 34 páginas mais felizes e rápidas de sua vida.
Passaram num instante impregnando nos lábios dela
um sorriso impossível de tirar ou disfarçar.
Foi aí que ela se deu conta de que o amor faz o tempo voar.
Mas quem se importa?
Na rua, disfarçava. Tampando a boca para que ninguém visse
o quanto estava rindo à toa.
Sentia culpa por estar feliz.
_Como assim, feliz?
Não tem o menor cabimento...
Não queria chamar atenção por esta razão.
Logo ela, cética.
Logo aquela que sempre achou a vida penosa demais.
Agora andava por aí, sorrindo largo.
Não acreditava nessa possibilidade, nem nas pessoas.
Ela não tinha crença alguma e
zombava de toda e qualquer esperança.
Era dura.
Feito pedra.
Amarga igual remédio.
Sentia falta de ar,
mas também não fazia tanta questão
em respira as impurezas da cidade.
Conformada com sua teoria de que as
pessoas dão aquilo que podem dar,
estava acomodada com tudo ao seu redor.
Num tanto faz, num leva e traz, no chove não molha.
Esperando a vida passar aos finais de semana.
Despreocupada com o tempo, com o vento,
saía sempre sem o guarda-chuva e o casaco.
Molhava-se e mesmo assim era incapaz
de perceber as horas. Mesmo passando frio
ou tendo que colocar as roupas no varal
que ficava numa pequena varanda em um
também pequeno apartamento.
Onde ela vivia só.
Triste em seu quarto, lendo o livro que
escolhera demoradamente nas prateleiras
da livraria que freqüentava.
Até que um dia, lá na livraria,
ela escolhia mais um romance para
viver em palavras quando uma mão maior
que a sua pegou o objeto retangular em questão.
A capa era amarela.
Estavam bem próximos um do outro
e ele percebeu que ela estava desejando-o.
Não a ele, mas o livro que carregava.
_Desculpe, qual o seu nome?
_Por que?
_É realmente, me perdoe, não quero ser invasivo.
Gostaria de saber seu nome...
_Ana.
_Oi Ana, vi que você ficou...
Bem, como vou te dizer... É...
Você por acaso estava querendo este livro aqui?
(disse isso chacoalhando o livro em sua frente,
como se ela fosse um cachorro e o livro um enorme osso).
Irrefutavelmente ela só balançou a cabeça num não.
Os cabelos dele, despenteados prendiam
os olhos dela, bem no alto.
Vestia camisa xadrez, jeans e all star azul.
Ela também, xadrez, jeans e all star vermelho.
Mesmo observando todos os detalhes nele,
que tinha sardas nas orelhas por exemplo
e que elas também habitavam seu cotovelo,
Ana preferiu ignorá-lo.
_Ah, ok. Acho que me enganei.
E quando ele já virava de costas ouviu um:
_Não...
_Hã?
_É verdade, este seria o meu livro escolhido de hoje.
Mais pela cor. Sabe, ainda não li a orelha,
então acho que tudo bem, posso não querê-lo.
Eu viverei sem ele. Lógico, já tenho idade suficiente
para saber que vou sobreviver e
acho até que eu não iria gostar muito...
Então pode ficar, é isso, é seu, todo seu...
_Calma querida, está nervosinha?
Teve um mal dia ou você é assim sempre?
Espere, deixe-me falar! Com calma, sim?!
Ele disse isso num sorriso apreensivo e engatou
logo após um suspiro longo.
_Então... Faremos assim, vou comprá-lo
porque este é também o meu escolhido,
também pela cor, enfim...
Você me passa seu telefone que assim
que eu terminar de ler, te empresto.
_Sei. E quando será isso?
_Logo, quero te ver logo...
Ela sorriu. Pegou uma caneta
(sempre tinha uma na bolsa) e
escreveu na contra capa do livro amarelo seu telefone.
Saiu em seguida, meio descrente.
Segurou com dureza a felicidade que queria
sair de dentro do peito. Afinal, não acreditava
em nada daquilo que o frio na barriga tentava alertar.
Há quem ache até que foi uma cena de puro desprezo.
Assim me confidenciou um dos funcionários
da livraria que assistiu a tudo de longe,
torcendo para ela amolecer, adoçar e se entregar.
Não sabe ele que desde o telefonema,
na mesma noite em que houve o encontro casual
na livraria, aliás, apenas algumas poucas horas
depois do ocorrido, assim, como mágica, a menina virou açúcar.
Graças àquele quase desconhecido, com sardas nas orelhas e no cotovelo,
que leu o primeiro capítulo inteiro para ela ao telefone.
Foram as 34 páginas mais felizes e rápidas de sua vida.
Passaram num instante impregnando nos lábios dela
um sorriso impossível de tirar ou disfarçar.
Foi aí que ela se deu conta de que o amor faz o tempo voar.
Mas quem se importa?
Monday, August 31, 2009
Novos 30.
Eu quero rir do meu mau humor.
Mandar minha intolerância para o inferno.
As dúvidas para o lugar comum.
Minha audácia para casa.
A rebeldia para o jantar.
As exigências, que permaneçam comigo
das oito as vinte, depois quero relaxar.
Que todas as possibilidades que consigo
enxergar fujam por um tempo.
Preciso permanecer na posição que ocupo no momento.
E gostaria ainda de perder a voz.
A memória, igual a minha avó.
Dedicar-me a leitura.
Provavelmente também ao desenho.
Desejo dormir ao teu lado.
Correr logo cedo.
Ver o sol.
E preparar o café.
Em setembro.
Mandar minha intolerância para o inferno.
As dúvidas para o lugar comum.
Minha audácia para casa.
A rebeldia para o jantar.
As exigências, que permaneçam comigo
das oito as vinte, depois quero relaxar.
Que todas as possibilidades que consigo
enxergar fujam por um tempo.
Preciso permanecer na posição que ocupo no momento.
E gostaria ainda de perder a voz.
A memória, igual a minha avó.
Dedicar-me a leitura.
Provavelmente também ao desenho.
Desejo dormir ao teu lado.
Correr logo cedo.
Ver o sol.
E preparar o café.
Em setembro.
Labels:
amor,
comportamento,
coração,
cotidiano,
recomendação
Dela.

_Você está muito estressada!
Ela ouviu isso quando já estava dentro do elevador.
Atrasada, com uma sacola pesada nos braços e
a mochila nas costas, seguiu para o trabalho.
Crente que aquilo que acabara de ouvir,
não iria ajudar a melhorar seu humor.
Mas ok, o dia estava apenas começando.
Colocou o fone no ouvido com volume máximo
para que as buzinas e o barulho das
ruas não atrapalhassem seu caminhar.
Assim, sua vida naquela manhã tornara-se um clipe.
O clipe de sua música preferida!
Nada mal... Mas enquanto atravessava na faixa de pedestres,
onde um carro ocupava boa parte, constatou que ele tinha razão.
Ela não. Foram seus olhos que perceberam,
quase a matando de constrangimento. Lacrimejaram.
“É estresse!” eles disseram.
Estava estressada por tudo e por nada ao mesmo tempo.
E pior, estava atrasada.
Era como uma bomba relógio prestes a explodir.
Num sábado em que havia sol no céu.
O dia estava lindo, mas mesmo assim as lágrimas
não perdoaram e desceram. Fazendo as pintas dela afogar.
Disfarçadamente enxugou o rosto e pensou que a palavra
– estresse era demais. Muito pesada.
Portanto, cansada era mais apropriado. Combinava...
Também, pensando bem; era normal estar cansada.
Mas não estressada!
Trabalhando o quanto trabalhava,
tendo todos os compromissos que tinha,
as obrigações e ainda sentindo que não era capaz
de fazer mais, melhor ou o bastante.
Se cobrando tanto que chegava a doer na garganta.
E como se isso já não bastasse,
há dois dias decidiu que não queria mais
este fenômeno psicossomático de fazer inflamar
as amígdalas por conta de um estresse barato.
Barato ou caro não permitiria mais isso! Nada disso!
Passo a passo, a menina foi se dando conta
de que ele estava certo. Comparou-se às crianças
que possuem muitas atividades
(natação, inglês, judô, equitação, escola e tênis)
e que por isso ficam estressadas de verdade.
Foi uma tentativa de aliviar seu lado.
Mas não teve jeito. Ela não era mais criança
e isso tornava-a incompreensível, intolerável.
Foi preciso achar um culpado.
“É o estresse!” disseram seus olhos.
Aí, além do estresse sentiu culpa.
Inevitável.
Estava tudo ali dentro dela,
amontoado em seu peito. Desorganizado.
O estresse, o cansaço, a culpa, as lágrimas,
o nó na garganta e todas as incapacidades da semana.
Suas faltas, falhas e buscas.
Rendeu-se a quinze minutos de tristeza.
Era o único tempo que tinha para doer.
Ao chegar à Rebouças, se redimiu entre carros,
buzinas e o farol vermelho num tímido pedido de desculpas
que ele ouviu no mais absoluto silêncio.
Ela só disse isso, desligou em seguida.
Fazendo o clipe da sua música preferida
ter um final bem pertinente e pouco supreendente.
Bem vinda à vida real.
Saturday, August 29, 2009
Explicação na mesa de agora pouco:
Amor é cuidado.
Zelo.
Agrado.
Conforto.
Proteção.
Carinho.
Isso `a que você se refere é que é outra coisa.
Paixão, talvez.
Porque pelo que sei, amor é mais ou menos isso!
Não é?!
Zelo.
Agrado.
Conforto.
Proteção.
Carinho.
Isso `a que você se refere é que é outra coisa.
Paixão, talvez.
Porque pelo que sei, amor é mais ou menos isso!
Não é?!
Friday, August 28, 2009
O amor.

Come.
Engole.
E chupa.
Sobretudo na hora de acordar e de dormir.
7:43h am.
_Amor, me diz bom dia, bom trabalho.
Ela de olhos ainda fechados quase se aborrece por
ter sido acordada dessa maneira.
Não quer acreditar no que está ouvindo, mas
repete a frase com sorriso nos lábios.
_Bom dia Amor e bom trabalho.
23:19 pm.
Ele tocava o piano há pelo menos 40 minutos
quando resolveu levantar e apoiar o corpo no batente da porta
do quarto onde ela estava. De pijama, encostada na cabeceira da cama,
com todos os travesseiros, um pote de sorvete na mão, uma colher na outra.
Ora na boca, ora no pote.
_Não gostou?
_Como assim não gostei, eu adoro esta nossa música!
_Mas esta não é aquela, é outra.
_Ah... Mas eu adoro também. Adoro tudo o que você toca.
Diz ela séria, olhando exclusivamente para a TV.
Thursday, August 27, 2009
Wednesday, August 26, 2009
Sunday, August 23, 2009
Esperei hoje a semana inteira.
Hoje é domingo.
Meu único dia nosso.
E eu queria sair cedo para andar de bicicleta contigo.
Mas acordamos as nove e já era tarde para um passeio assim.
Então eu queria ir naquela exposição e depois naquela outra.
Mas tomamos um café demorado e já era tarde.
Depois, deitamos de novo na cama, porque eu me
sentia cansada. Começou a garoar.
Eu li todo o jornal.
Ficamos com preguiça.
Passaram algumas outras horas e quando vi
meio domingo já havia ido embora.
Eu queria ir ao cinema, `as exposições,
passear pelo Bexiga, visitar seu avô.
Fazer tudo sem pressa, editar nosso filme,
ouvir um concerto mas todos começaram as onze
e nós os perdemos.
Queria almoçar em casa mas a nossa cozinha
parece intransitável aqui, agora.
Foi então que comecei a chorar.
Meu único dia nosso.
E eu queria sair cedo para andar de bicicleta contigo.
Mas acordamos as nove e já era tarde para um passeio assim.
Então eu queria ir naquela exposição e depois naquela outra.
Mas tomamos um café demorado e já era tarde.
Depois, deitamos de novo na cama, porque eu me
sentia cansada. Começou a garoar.
Eu li todo o jornal.
Ficamos com preguiça.
Passaram algumas outras horas e quando vi
meio domingo já havia ido embora.
Eu queria ir ao cinema, `as exposições,
passear pelo Bexiga, visitar seu avô.
Fazer tudo sem pressa, editar nosso filme,
ouvir um concerto mas todos começaram as onze
e nós os perdemos.
Queria almoçar em casa mas a nossa cozinha
parece intransitável aqui, agora.
Foi então que comecei a chorar.
Saturday, August 22, 2009
Vem!!!

Vem!!!
ball´s place
são paulo: rua mourato coelho, 451
pinheiros e rua augusta, 2690
galeria ouro fino - 2°andar f:(11)30823821
sorocaba: rua da penha, 1126
centro - arp alamedas
f:(15)32343821
Labels:
amigos,
amor,
ball´s place,
moda,
recomendação,
sonhos
Jardim.
Ando exaustivamente pensando sobre o papel do amigo.
Sim, porque amigo a gente escolhe e cultiva do nosso lado.
Rega, cuida, aduba e poda.
Somos nós que decidimos com qual freqüência
visitaremos este ou aquele amigo.
É mais ou menos assim, quanto maior o bem estar entre nós,
mais tempo vou querer estar ao seu lado.
Provavelmente vou te ver mais do que vejo minha própria família.
Inevitavelmente irei me preocupar contigo.
Tentar te alegrar, te adoçar, te trazer um café
para uma conversa gostosa. De trocas. Justas e equilibradas.
Seremos uma família à parte.
De afinidades, respeito, admiração, cuidados, haja tato!
As relações humanas são muito complicadas.
Por isso, há quem prefira seguir só para
não ter que lidar com alguns sentimentos que
surgem em qualquer relacionamento.
O ciúme é um exemplo.
Difícil de lidar, assumir, desapegar.
É por isso que aos poucos vamos nos afastando
de algumas pessoas e deixando outras entrar.
A casa é pequena...
E na medida que a vida vai passando,
alguns amigos vão ficando para trás.
Sem mágoas, porque para quem costuma estar só
de passagem, é muito fácil dizer adeus.
Aos que ficam comigo, ofereço um jardim.
Que acomodem-se bem na medida do possível e
se esbaldem com tudo o que veêm. Pode pegar!
Plantei para vocês. Cada flor, cada cor e cheiro.
Naturalmente do jeito que sou.
Choro, aconselho, digo o que penso, mas de um jeito
que sei que não vou te chatear.
Magoar não é aconselhável aos amigos.
Então te entrego o melhor que tenho aqui por dentro
em forma de bolos, abraços, apertos, beijos e palavras
que cuidosamente escolho para nós.
Assim, de graça.
Desde que haja a troca e que você não se torne indiferente.
Sim, porque amigo a gente escolhe e cultiva do nosso lado.
Rega, cuida, aduba e poda.
Somos nós que decidimos com qual freqüência
visitaremos este ou aquele amigo.
É mais ou menos assim, quanto maior o bem estar entre nós,
mais tempo vou querer estar ao seu lado.
Provavelmente vou te ver mais do que vejo minha própria família.
Inevitavelmente irei me preocupar contigo.
Tentar te alegrar, te adoçar, te trazer um café
para uma conversa gostosa. De trocas. Justas e equilibradas.
Seremos uma família à parte.
De afinidades, respeito, admiração, cuidados, haja tato!
As relações humanas são muito complicadas.
Por isso, há quem prefira seguir só para
não ter que lidar com alguns sentimentos que
surgem em qualquer relacionamento.
O ciúme é um exemplo.
Difícil de lidar, assumir, desapegar.
É por isso que aos poucos vamos nos afastando
de algumas pessoas e deixando outras entrar.
A casa é pequena...
E na medida que a vida vai passando,
alguns amigos vão ficando para trás.
Sem mágoas, porque para quem costuma estar só
de passagem, é muito fácil dizer adeus.
Aos que ficam comigo, ofereço um jardim.
Que acomodem-se bem na medida do possível e
se esbaldem com tudo o que veêm. Pode pegar!
Plantei para vocês. Cada flor, cada cor e cheiro.
Naturalmente do jeito que sou.
Choro, aconselho, digo o que penso, mas de um jeito
que sei que não vou te chatear.
Magoar não é aconselhável aos amigos.
Então te entrego o melhor que tenho aqui por dentro
em forma de bolos, abraços, apertos, beijos e palavras
que cuidosamente escolho para nós.
Assim, de graça.
Desde que haja a troca e que você não se torne indiferente.
Wednesday, August 19, 2009
Me desmisifica.
Muitas tardes enumero meus defeitos para você.
Te mostro quão desvantajoso é estar ao meu lado.
Mas você não acredita...
Te mostro quão desvantajoso é estar ao meu lado.
Mas você não acredita...
Sunday, August 16, 2009
Saturday, August 15, 2009
Receita de família: O bolo de mexirica!
1 mexirica morcote
2 xícaras de farinha
1 xícara de óleo
1 de açúcar
4 ovos
1 colher de fermento
Bata no liquidificador a mexirica com a casca
cortada em pedaços (sem caroço) e todos os
outros ingredientes. Por último o fermento!
UNte a assadeira e leve a massa ao forno
por cerca de 30 minutos. Fique de olho!!!
Umedeça o bolo ainda quente com o suco
de um limão e açúcar (+ ou - uma xícara).
Pronto! Depois disso, é só delícia!
Sirva com chá e bom papo!
Para outras receitas incríveis...
2 xícaras de farinha
1 xícara de óleo
1 de açúcar
4 ovos
1 colher de fermento
Bata no liquidificador a mexirica com a casca
cortada em pedaços (sem caroço) e todos os
outros ingredientes. Por último o fermento!
UNte a assadeira e leve a massa ao forno
por cerca de 30 minutos. Fique de olho!!!
Umedeça o bolo ainda quente com o suco
de um limão e açúcar (+ ou - uma xícara).
Pronto! Depois disso, é só delícia!
Sirva com chá e bom papo!
Para outras receitas incríveis...
Wednesday, August 12, 2009
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