Eu quero rir do meu mau humor.
Mandar minha intolerância para o inferno.
As dúvidas para o lugar comum.
Minha audácia para casa.
A rebeldia para o jantar.
As exigências, que permaneçam comigo
das oito as vinte, depois quero relaxar.
Que todas as possibilidades que consigo
enxergar fujam por um tempo.
Preciso permanecer na posição que ocupo no momento.
E gostaria ainda de perder a voz.
A memória, igual a minha avó.
Dedicar-me a leitura.
Provavelmente também ao desenho.
Desejo dormir ao teu lado.
Correr logo cedo.
Ver o sol.
E preparar o café.
Em setembro.
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Monday, August 31, 2009
Wednesday, August 05, 2009
Tombo.
O amor.
Me enche.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Guiar solta no ar.
Deixo-me levar.
Levanto cedo, ganho energia.
Beijos, abraços, promessas.
Anseio melhoras.
Vejo as cores do mundo.
Sinto muito, tudo.
Me faz prazer.
Renova-me.
As vontades.
As vantagens de ter com quem
compartilhar meu dia a dia.
Mas, em contra partida, se ele acaba me mata.
Me faz ficar de cama.
Cheia de angústias e culpas.
E desejos de te ver por mais uns dias.
E vontade de sentir de novo a
novidade que só o amor nos dá.
Deu.
É passado. Onde finjo não perceber.
Faço-me de boba. Tonta, de trouxa.
Me deixo usar.
Porque mesmo se você voltar
e dormir aqui ao meu lado.
Mesmo que fique por um dia inteiro
só para me consolar.
E faça meu almoço, colo, carinho e desculpas.
De nada adiantará. Mesmo assim eu finjo.
De propósito, doo.
Toda angústia assim
passa a ser maior que nós.
Corroi-me por dentro.
Me come.
Faz um estrago maior.
Maior que o amor que um dia achamos
que sentimos um pelo outro.
Maior que suas mentiras.
Maior que nossos sonhos.
Que terminam em pequenas doses de desaforos.
A angústia.
Me transborda.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Solta no ar.
E lá em cima, no alto, estoura.
Me enche.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Guiar solta no ar.
Deixo-me levar.
Levanto cedo, ganho energia.
Beijos, abraços, promessas.
Anseio melhoras.
Vejo as cores do mundo.
Sinto muito, tudo.
Me faz prazer.
Renova-me.
As vontades.
As vantagens de ter com quem
compartilhar meu dia a dia.
Mas, em contra partida, se ele acaba me mata.
Me faz ficar de cama.
Cheia de angústias e culpas.
E desejos de te ver por mais uns dias.
E vontade de sentir de novo a
novidade que só o amor nos dá.
Deu.
É passado. Onde finjo não perceber.
Faço-me de boba. Tonta, de trouxa.
Me deixo usar.
Porque mesmo se você voltar
e dormir aqui ao meu lado.
Mesmo que fique por um dia inteiro
só para me consolar.
E faça meu almoço, colo, carinho e desculpas.
De nada adiantará. Mesmo assim eu finjo.
De propósito, doo.
Toda angústia assim
passa a ser maior que nós.
Corroi-me por dentro.
Me come.
Faz um estrago maior.
Maior que o amor que um dia achamos
que sentimos um pelo outro.
Maior que suas mentiras.
Maior que nossos sonhos.
Que terminam em pequenas doses de desaforos.
A angústia.
Me transborda.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Solta no ar.
E lá em cima, no alto, estoura.
Friday, July 10, 2009
Satisfação garantida ou dinheiro de volta.
Eu quero as coisas mais simples.
Que de tão simples parecerem,
ninguém as deseja como eu.
Tanto.
Não me importo com o resto.
Que aos outros é o todo.
Só, quero o que há de mais simples aqui dentro.
E quero tanto, mas tanto, que acho que
se ainda não possuo é porque não mereço.
Descontento.
E é num total incorformismo que te imploro.
Dai-me aqui este conforto.
Vamos encher nossa casa disso que vos digo.
Parece-te banal.
Mas não é.
Sofá,
nem cama ou a tv de plasma.
Desejos comuns.
Não é eletrodoméstico, nem uma jóia.
Nenhuma viagem.
Nada disso.
Não planejo móveis.
Cristais quebram.
Talheres se perdem.
Não é fácil.
Minha satisfação garantida.
Não disse isso.
Em momento algum.
Desde que te desconheço.
Tome seu dinheiro de volta.
O que eu quero não existe para comprar.
Mas neste exato instante em que te escrevo,
sinto-me repleta desse meu bem.
Estar.
Que de tão simples parecerem,
ninguém as deseja como eu.
Tanto.
Não me importo com o resto.
Que aos outros é o todo.
Só, quero o que há de mais simples aqui dentro.
E quero tanto, mas tanto, que acho que
se ainda não possuo é porque não mereço.
Descontento.
E é num total incorformismo que te imploro.
Dai-me aqui este conforto.
Vamos encher nossa casa disso que vos digo.
Parece-te banal.
Mas não é.
Sofá,
nem cama ou a tv de plasma.
Desejos comuns.
Não é eletrodoméstico, nem uma jóia.
Nenhuma viagem.
Nada disso.
Não planejo móveis.
Cristais quebram.
Talheres se perdem.
Não é fácil.
Minha satisfação garantida.
Não disse isso.
Em momento algum.
Desde que te desconheço.
Tome seu dinheiro de volta.
O que eu quero não existe para comprar.
Mas neste exato instante em que te escrevo,
sinto-me repleta desse meu bem.
Estar.
Saturday, July 04, 2009
À nossa vidinha idiota.
Levanta as 6:30h e se já não estiver atrasada,
sai para correr.
Quando ele precisa estar muito cedo na filmagem,
ela faz seu café.
Às vezes, esta refeição,
a mais importante para ela, não tem espaço.
Pulam!
Ao trabalho.
Por doze, quatorze horas seguidas.
E esta prática diária que só se exclui aos domingos
exige dos dois esforços físicos e mentais.
Ontem por exemplo, saíram juntos às 7h de casa.
Voltaram por volta das 21h.
Ela fez o jantar.
Mas antes comeu umas besteiras de aperitivo.
Tipo ovinhos de amendoim.
Que para ela deveriam chamar ovinhos de dinossauro,
seria muito mais divertido!
_Luiza, você já viu ovos de dinossauro?
_Não, mas não parece?
Abriram um vinho, mas não beberam nem meia taça.
Mal falavam de tão exaustos.
Ela, cansada de sua própria voz,
pensava na semana que acabava outra vez.
Não fez as unhas, não cortou o cabelo, mas foi ao dentista
e leu o jornal todos os dias!
Então, o saldo do cuidado com si própria,
deu positivo para a primeira semana do mês de férias dos outros.
Jantaram em silêncio, olhando para TV.
Falaram mal da novela, como de hábito.
_Por que a gente assiste a esta novela?
_Para odiá-la talvez.
Deitaram em seguida.
Na cama desarrumada da noite passada.
E dormiram com as pernas entrelaçadas.
De longe, até pareciam felizes.
sai para correr.
Quando ele precisa estar muito cedo na filmagem,
ela faz seu café.
Às vezes, esta refeição,
a mais importante para ela, não tem espaço.
Pulam!
Ao trabalho.
Por doze, quatorze horas seguidas.
E esta prática diária que só se exclui aos domingos
exige dos dois esforços físicos e mentais.
Ontem por exemplo, saíram juntos às 7h de casa.
Voltaram por volta das 21h.
Ela fez o jantar.
Mas antes comeu umas besteiras de aperitivo.
Tipo ovinhos de amendoim.
Que para ela deveriam chamar ovinhos de dinossauro,
seria muito mais divertido!
_Luiza, você já viu ovos de dinossauro?
_Não, mas não parece?
Abriram um vinho, mas não beberam nem meia taça.
Mal falavam de tão exaustos.
Ela, cansada de sua própria voz,
pensava na semana que acabava outra vez.
Não fez as unhas, não cortou o cabelo, mas foi ao dentista
e leu o jornal todos os dias!
Então, o saldo do cuidado com si própria,
deu positivo para a primeira semana do mês de férias dos outros.
Jantaram em silêncio, olhando para TV.
Falaram mal da novela, como de hábito.
_Por que a gente assiste a esta novela?
_Para odiá-la talvez.
Deitaram em seguida.
Na cama desarrumada da noite passada.
E dormiram com as pernas entrelaçadas.
De longe, até pareciam felizes.
Wednesday, June 10, 2009
Thursday, April 09, 2009
Quem disse que a vida não é um filme?
Cena Interna
Estúdio - casa
Ela está em pé na cozinha de frente para pia cheia de louças.
Ele deitado na cama, no quarto que é bem em frente
a cozinha o que permite um diálogo entre eles.
Quase meia noite.
Ele exausto diz que precisa descansar.
Ela exausta diz que precisa fazer o bolo que havia planejado.
_É meu presente de Páscoa!
_Ta bem.
_Mas você vai dormir?
_Preciso deitar.
Ele parece chateado.
Ela também, mas na verdade só estão cansados.
Ela acha que precisa terminar a receita.
Como, se não terminar significasse imenso fracasso.
Então, para não fracassar manuseia os ovos, a farinha e
as cenouras raladas com habilidade e pressa.
Liga o liquidificador que faz barulho.
Ele grita do quarto:
_Nossa, os vizinhos devem estar adorando!
Ela o ignora.
_Quer conversar?
pergunta ela à ele que responde em tom de ironia
_Quero dormir.
_Ahhh que pena! Eu queria tanto conversar.
_Ta bem.
Ela sorri olhando para ele que se esconde
por debaixo do edredon branco.
_Sabe, tenho umas dúvidas à nosso respeito.
_Xiii... Lá vem a "possibility girl".
Ela nem olha para ele, continua fazendo seu bolo.
Ele pergunta meio sem animação
_Quais?
_Ahhh, quer saber?
_Lógico!
_Mas nem eu sei.
_Não sabe quais dúvidas tem?
_Não, mas eu as possuo!
_Então pergunte-me e eu te respondo,
assim as dúvidas acabarão.
_Mas eu não sei o que te perguntar.
Silêncio.
_Na verdade já sei. A pergunta é:
toda vez que você fica em silêncio,
me olhando, é porque concordas com que estou dizendo?
_Ah, acho que sim.
_Então você não tem dúvidas?
Neste instante, ela para de olhar para a tigela onde prepara
a massa do bolo e olha fixamente para a cama onde ele
está invisível.
Ela olha para o amontoado de travesseiros
ansiosa esperando que ele lhe dê a resposta.
_Dúvidas quanto a nós? Não. Não tenho.
Ela se agita sozinha na cozinha e caminha até a porta do quarto.
_Então você compreende tudo o que falo?
Quer dizer, você acha que tudo o que eu falo
é na verdade tudo o que penso?
_Assim espero...
_Mas eu falo muito!
_É Luiza... Eu sei.
_Não sabe não.
_Ta bem, então não sei.
_ Somos muito diferentes. Somos de mundos diferentes!
Ela diz isso voltando para o interior
da cozinha de costas até o fogão.
Abaixa-se, liga o forno ouvindo ele dizer:
_Mas a graça está aí.
_Eu também acho engraçado, mas não sei...
_Não sabe o que?
Ela volta para tigela, liga a batedeira
e ele repete a frase acrescentada de uma única palavra
que faz uma incrível diferença:
_Nossa, os vizinhos devem estar adorando, amor!
Ela sorri e faz a próxima pergunta bem alto
pois a batedeira produz um barulho realmente insuportável.
_Mas não há nada que você ache estranho em mim?
Algo que te incomode?
_Acho que você está incomodando os vizinhos...
Ela ignora de novo este comentário dele.
Ele demora mais de um minuto para responder
a pergunta fazendo com que ela
quase prefira que ele não responda.
_Algo que me incomode?
Bem, te acho às vezes triste demais.
Às vezes, tímida demais.
Mas eu gosto disso também.
Silêncio.
_Gosta desse incômodo?
Silêncio.
Ela então percebe que ele adormeceu.
Termina de fazer o bolo calada.
Deixa a cozinha toda revirada,
cheia de farinha e açúcar por todo lado.
Apaga a luz e vai se deitar.
Mas não consegue dormir.
Abalada por seus excessos.
Me indica uma trilha?
Estúdio - casa
Ela está em pé na cozinha de frente para pia cheia de louças.
Ele deitado na cama, no quarto que é bem em frente
a cozinha o que permite um diálogo entre eles.
Quase meia noite.
Ele exausto diz que precisa descansar.
Ela exausta diz que precisa fazer o bolo que havia planejado.
_É meu presente de Páscoa!
_Ta bem.
_Mas você vai dormir?
_Preciso deitar.
Ele parece chateado.
Ela também, mas na verdade só estão cansados.
Ela acha que precisa terminar a receita.
Como, se não terminar significasse imenso fracasso.
Então, para não fracassar manuseia os ovos, a farinha e
as cenouras raladas com habilidade e pressa.
Liga o liquidificador que faz barulho.
Ele grita do quarto:
_Nossa, os vizinhos devem estar adorando!
Ela o ignora.
_Quer conversar?
pergunta ela à ele que responde em tom de ironia
_Quero dormir.
_Ahhh que pena! Eu queria tanto conversar.
_Ta bem.
Ela sorri olhando para ele que se esconde
por debaixo do edredon branco.
_Sabe, tenho umas dúvidas à nosso respeito.
_Xiii... Lá vem a "possibility girl".
Ela nem olha para ele, continua fazendo seu bolo.
Ele pergunta meio sem animação
_Quais?
_Ahhh, quer saber?
_Lógico!
_Mas nem eu sei.
_Não sabe quais dúvidas tem?
_Não, mas eu as possuo!
_Então pergunte-me e eu te respondo,
assim as dúvidas acabarão.
_Mas eu não sei o que te perguntar.
Silêncio.
_Na verdade já sei. A pergunta é:
toda vez que você fica em silêncio,
me olhando, é porque concordas com que estou dizendo?
_Ah, acho que sim.
_Então você não tem dúvidas?
Neste instante, ela para de olhar para a tigela onde prepara
a massa do bolo e olha fixamente para a cama onde ele
está invisível.
Ela olha para o amontoado de travesseiros
ansiosa esperando que ele lhe dê a resposta.
_Dúvidas quanto a nós? Não. Não tenho.
Ela se agita sozinha na cozinha e caminha até a porta do quarto.
_Então você compreende tudo o que falo?
Quer dizer, você acha que tudo o que eu falo
é na verdade tudo o que penso?
_Assim espero...
_Mas eu falo muito!
_É Luiza... Eu sei.
_Não sabe não.
_Ta bem, então não sei.
_ Somos muito diferentes. Somos de mundos diferentes!
Ela diz isso voltando para o interior
da cozinha de costas até o fogão.
Abaixa-se, liga o forno ouvindo ele dizer:
_Mas a graça está aí.
_Eu também acho engraçado, mas não sei...
_Não sabe o que?
Ela volta para tigela, liga a batedeira
e ele repete a frase acrescentada de uma única palavra
que faz uma incrível diferença:
_Nossa, os vizinhos devem estar adorando, amor!
Ela sorri e faz a próxima pergunta bem alto
pois a batedeira produz um barulho realmente insuportável.
_Mas não há nada que você ache estranho em mim?
Algo que te incomode?
_Acho que você está incomodando os vizinhos...
Ela ignora de novo este comentário dele.
Ele demora mais de um minuto para responder
a pergunta fazendo com que ela
quase prefira que ele não responda.
_Algo que me incomode?
Bem, te acho às vezes triste demais.
Às vezes, tímida demais.
Mas eu gosto disso também.
Silêncio.
_Gosta desse incômodo?
Silêncio.
Ela então percebe que ele adormeceu.
Termina de fazer o bolo calada.
Deixa a cozinha toda revirada,
cheia de farinha e açúcar por todo lado.
Apaga a luz e vai se deitar.
Mas não consegue dormir.
Abalada por seus excessos.
Me indica uma trilha?
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