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Tuesday, September 22, 2009
Thursday, September 17, 2009
CASA NOVA!

Este é meu último post por aqui.
E posso dizer que já sinto falta desse lugar.
Está certo que estou indo para uma residência própria,
num endereço só meu, que tem meu nome e minha cara.
Mesmo assim, deixar de colocar palavras
aqui faz em mim saudade imediata.
Estranho porque há tempos venho querendo me mudar.
Andei pesquisando outros lugares, outras cores, identidade.
Mas agora que minha casa lá está toda pronta,
do jeitinho que eu queria, parece-me impossível abandonar isso tudo.
O ambiente e todas essas histórias.
É a minha vida descrita, inventada e reinventada.
Dia-dia. São meus amores, minhas dores e alegrias.
Minhas crenças. Poesia.
Estou fechando esta porta daqui,
indo para uma casa maior, mais confortável.
Mas tenho meu coração apertado.
Assim é a vida...
Ao menos esta minha dor no peito
fez lembrar do dia em que papai decidiu que sairia
do ponto comercial que herdou de meu avô.
Na rua da Penha, 534.
Onde vivemos quando crianças.
Onde antes de ser a loja de roupas, ele vendia bolsas.
Onde nasci. Cresci. E mostrava-me mal humorada,
sentada na escada, perto da hora de todos os almoços.
Até quase os quinze anos.
Quando e onde fomos felizes.
Tristes também, eu sei.
Mesmo assim foi um parto deixar aquele espaço.
As paredes sujas de nós.
O corredor onde havia nossas medidas.
Marina – 1.18m
Francisco – 1.05m
Luiza - 0.83m
Numa época em que parecíamos inseparáveis.
Mas assim é a vida...
Difícil e perdoável.
Papai e eu sofremos para deixar nossas memórias.
Passadas a limpo então... Doem demais.
Para tanto, aprendi desde cedo
que se cavarmos um buraco profundo e
jogarmos as memórias lá dentro, da-se assim um jeito.
O nosso jeito! Com terra e adubo.
E quando perto da superfície, se jogarmos sementes novas,
de flores e cores jamais vistas. A casa fica bonita!
Regando e cuidando sem pressa.
Esperando pacientemente a hora da colheita chegar.
Tudo da certo. Por isso,
anotem meu novo endereço
www.luizapannunzio.com
É para lá que levo meu coração apertado.
Onde há espaço de sobra e milhares de
páginas imaginárias em branco,
para preencher, pintar, recortar e desenhar.
Onde plantei uma árvore imensa com raízes bem forte.
Para que a dor da separação demore a chegar.
Outra vez.
Espero a visita de todos vocês.
um beijo
Lu Pannunzio
Tuesday, September 01, 2009
Monday, August 31, 2009
Dela.

_Você está muito estressada!
Ela ouviu isso quando já estava dentro do elevador.
Atrasada, com uma sacola pesada nos braços e
a mochila nas costas, seguiu para o trabalho.
Crente que aquilo que acabara de ouvir,
não iria ajudar a melhorar seu humor.
Mas ok, o dia estava apenas começando.
Colocou o fone no ouvido com volume máximo
para que as buzinas e o barulho das
ruas não atrapalhassem seu caminhar.
Assim, sua vida naquela manhã tornara-se um clipe.
O clipe de sua música preferida!
Nada mal... Mas enquanto atravessava na faixa de pedestres,
onde um carro ocupava boa parte, constatou que ele tinha razão.
Ela não. Foram seus olhos que perceberam,
quase a matando de constrangimento. Lacrimejaram.
“É estresse!” eles disseram.
Estava estressada por tudo e por nada ao mesmo tempo.
E pior, estava atrasada.
Era como uma bomba relógio prestes a explodir.
Num sábado em que havia sol no céu.
O dia estava lindo, mas mesmo assim as lágrimas
não perdoaram e desceram. Fazendo as pintas dela afogar.
Disfarçadamente enxugou o rosto e pensou que a palavra
– estresse era demais. Muito pesada.
Portanto, cansada era mais apropriado. Combinava...
Também, pensando bem; era normal estar cansada.
Mas não estressada!
Trabalhando o quanto trabalhava,
tendo todos os compromissos que tinha,
as obrigações e ainda sentindo que não era capaz
de fazer mais, melhor ou o bastante.
Se cobrando tanto que chegava a doer na garganta.
E como se isso já não bastasse,
há dois dias decidiu que não queria mais
este fenômeno psicossomático de fazer inflamar
as amígdalas por conta de um estresse barato.
Barato ou caro não permitiria mais isso! Nada disso!
Passo a passo, a menina foi se dando conta
de que ele estava certo. Comparou-se às crianças
que possuem muitas atividades
(natação, inglês, judô, equitação, escola e tênis)
e que por isso ficam estressadas de verdade.
Foi uma tentativa de aliviar seu lado.
Mas não teve jeito. Ela não era mais criança
e isso tornava-a incompreensível, intolerável.
Foi preciso achar um culpado.
“É o estresse!” disseram seus olhos.
Aí, além do estresse sentiu culpa.
Inevitável.
Estava tudo ali dentro dela,
amontoado em seu peito. Desorganizado.
O estresse, o cansaço, a culpa, as lágrimas,
o nó na garganta e todas as incapacidades da semana.
Suas faltas, falhas e buscas.
Rendeu-se a quinze minutos de tristeza.
Era o único tempo que tinha para doer.
Ao chegar à Rebouças, se redimiu entre carros,
buzinas e o farol vermelho num tímido pedido de desculpas
que ele ouviu no mais absoluto silêncio.
Ela só disse isso, desligou em seguida.
Fazendo o clipe da sua música preferida
ter um final bem pertinente e pouco supreendente.
Bem vinda à vida real.
Saturday, August 29, 2009
Explicação na mesa de agora pouco:
Amor é cuidado.
Zelo.
Agrado.
Conforto.
Proteção.
Carinho.
Isso `a que você se refere é que é outra coisa.
Paixão, talvez.
Porque pelo que sei, amor é mais ou menos isso!
Não é?!
Zelo.
Agrado.
Conforto.
Proteção.
Carinho.
Isso `a que você se refere é que é outra coisa.
Paixão, talvez.
Porque pelo que sei, amor é mais ou menos isso!
Não é?!
Sunday, August 23, 2009
Esperei hoje a semana inteira.
Hoje é domingo.
Meu único dia nosso.
E eu queria sair cedo para andar de bicicleta contigo.
Mas acordamos as nove e já era tarde para um passeio assim.
Então eu queria ir naquela exposição e depois naquela outra.
Mas tomamos um café demorado e já era tarde.
Depois, deitamos de novo na cama, porque eu me
sentia cansada. Começou a garoar.
Eu li todo o jornal.
Ficamos com preguiça.
Passaram algumas outras horas e quando vi
meio domingo já havia ido embora.
Eu queria ir ao cinema, `as exposições,
passear pelo Bexiga, visitar seu avô.
Fazer tudo sem pressa, editar nosso filme,
ouvir um concerto mas todos começaram as onze
e nós os perdemos.
Queria almoçar em casa mas a nossa cozinha
parece intransitável aqui, agora.
Foi então que comecei a chorar.
Meu único dia nosso.
E eu queria sair cedo para andar de bicicleta contigo.
Mas acordamos as nove e já era tarde para um passeio assim.
Então eu queria ir naquela exposição e depois naquela outra.
Mas tomamos um café demorado e já era tarde.
Depois, deitamos de novo na cama, porque eu me
sentia cansada. Começou a garoar.
Eu li todo o jornal.
Ficamos com preguiça.
Passaram algumas outras horas e quando vi
meio domingo já havia ido embora.
Eu queria ir ao cinema, `as exposições,
passear pelo Bexiga, visitar seu avô.
Fazer tudo sem pressa, editar nosso filme,
ouvir um concerto mas todos começaram as onze
e nós os perdemos.
Queria almoçar em casa mas a nossa cozinha
parece intransitável aqui, agora.
Foi então que comecei a chorar.
Wednesday, August 19, 2009
Me desmisifica.
Muitas tardes enumero meus defeitos para você.
Te mostro quão desvantajoso é estar ao meu lado.
Mas você não acredita...
Te mostro quão desvantajoso é estar ao meu lado.
Mas você não acredita...
Sunday, August 16, 2009
Thursday, August 13, 2009
Embarque. Embargo.
Quando eu era pequena, bem pequena, desgostei de você.
Foi assim:
Estávamos todos almoçando.
Era frango. Aquele frango de panela que a vovó fazia
e que eu adorava. O dia era de sol, almoçávamos
na mesa de madeira que tinha as cadeiras
também em madeira com estofado verde.
Saia um cheiro daquela mesa...
Um cheiro de madeira que eu nunca
mais senti em nenhum outro lugar.
Um cheiro de tempo, talvez.
Os raios de sol invadiam a mesa
quando o vento fazia a cortina branca
de renda da Nona voar.
Eu estava à direita.
Você bem na minha frente.
Ela na cabeceira, como manda uma matriarca.
A mesa foi posta por mim.
Pratos, talheres, copos e os guardanapos
que cuidadosamente dobrei formando um triângulo.
Com a faca em cima dele, eu imaginava um barco.
Um barco à vela com o qual eu poderia navegar
para bem longe dali. Mas aquilo era apenas
mais um almoço em família em que você comparecia.
Fazia-se presente. Fazia-se notar.
Por sua rebeldia, inteligência e mágoa.
Era um dia de sol, eu havia arrumado
todos os lugares na mesa que exalava
o cheiro de madeira mais forte que um dia já senti.
Todos tinham seus barcos do lado direito do prato,
mas ninguém parecia querer sair navegando por aí.
Aguardavam ansiosos a hora da reza acabar.
Sim, lá ainda tinha aquele ritual todo de
agradecer aos alimentos que estavam prestes a ser digeridos.
E eu já tinha minha pressa, naquela época!
Estava feliz com meu lugar perto dela.
Minha dedicação pela Nona sempre foi enorme,
desde bem pequena. Ela me conquistou pela barriga.
Pelo tempero, pela magia da cozinha,
a fumaça. Era quase uma alquimia.
Para mim, vovó era mágica!
No centro da mesa arrumei as comidas
que vinham da cozinha.
Tinha uma salada de tomates meio murchos
com cebolas e eu não gostava nada, nada de cebolas.
Mas tudo bem, sobre a toalha branca de linho fui
organizando as travessas de feijão, de arroz e por último...
A panela do frango. Foi com muita água na boca
que ajeitei a panela de frango e fiquei
esperando pelo meu melhor pedaço.
Sim, vovó sempre o reservava para mim.
Ela sabia o quanto eu adorava seu “franguinho de panela”.
Hoje, como ela não cozinha mais,
herdei a receita.
Mamãe me escreveu quando fui morar sozinha.
Aliás, tenho várias receitas por ela escritas.
Receitas da minha avó, receitas de família.
Coisas básicas como arroz, feijão, omelete,
bifes, mas que foram importantíssimas
para o início da minha vida adulta.
Voltando naquele dia, estava sol e a comida
demorou um pouco mais de tempo para ficar pronta.
A reza foi um pouco mais longa,
apesar de estarmos todos famintos.
Até que o Amém nos liberou para servirmos os pratos.
“Graças a Deus” falei baixinho.
Vovó sorriu e começou por mim.
Colocou a coxa do frango no meu prato.
Eu sorri em retribuição.
Ela então colocou uma montanha de arroz
e um mar de feijão. Uma rodela de tomate
e me liberou das cebolas.
Todos serviram-se e não se ouviu mais nem um piu.
Só a mastigação às vezes quebrava o silêncio ou o gelo.
O clima já estava tenso talvez,
eu é que não percebia, que ironia.
Até que você me fez perceber.
Me poupar não estava na sua lista.
Sentado na minha frente, logo começou a criticar
a forma como a vovó comia. E começou a se exaltar
e dizer o quanto ela era porca à mesa,
o quanto faltava à ela educação e
que isso lhe provocava ânsia.
Ânsia ou enjôo, não sei a palavra exata que usou naquele dia.
Passava da uma da tarde, eu tinha fome,
mas o frango não me descia.
Meus olhos se encheram de lágrimas e
eu fiquei com aquela coxa de frango na mão,
olhando você gritar com ela.
E levantar-se da mesa.
E gritar cada vez mais alto,
com tanto ódio que eu nunca mais me esqueci.
E toda vez que sinto o cheiro de franguinho assim,
feito na panela, lembro-me desse dia na sala da casa
da minha vó onde o sol invadia,
quando o vento soprava forte na
tentativa de levar seu barco para longe de nós.
Foi assim:
Estávamos todos almoçando.
Era frango. Aquele frango de panela que a vovó fazia
e que eu adorava. O dia era de sol, almoçávamos
na mesa de madeira que tinha as cadeiras
também em madeira com estofado verde.
Saia um cheiro daquela mesa...
Um cheiro de madeira que eu nunca
mais senti em nenhum outro lugar.
Um cheiro de tempo, talvez.
Os raios de sol invadiam a mesa
quando o vento fazia a cortina branca
de renda da Nona voar.
Eu estava à direita.
Você bem na minha frente.
Ela na cabeceira, como manda uma matriarca.
A mesa foi posta por mim.
Pratos, talheres, copos e os guardanapos
que cuidadosamente dobrei formando um triângulo.
Com a faca em cima dele, eu imaginava um barco.
Um barco à vela com o qual eu poderia navegar
para bem longe dali. Mas aquilo era apenas
mais um almoço em família em que você comparecia.
Fazia-se presente. Fazia-se notar.
Por sua rebeldia, inteligência e mágoa.
Era um dia de sol, eu havia arrumado
todos os lugares na mesa que exalava
o cheiro de madeira mais forte que um dia já senti.
Todos tinham seus barcos do lado direito do prato,
mas ninguém parecia querer sair navegando por aí.
Aguardavam ansiosos a hora da reza acabar.
Sim, lá ainda tinha aquele ritual todo de
agradecer aos alimentos que estavam prestes a ser digeridos.
E eu já tinha minha pressa, naquela época!
Estava feliz com meu lugar perto dela.
Minha dedicação pela Nona sempre foi enorme,
desde bem pequena. Ela me conquistou pela barriga.
Pelo tempero, pela magia da cozinha,
a fumaça. Era quase uma alquimia.
Para mim, vovó era mágica!
No centro da mesa arrumei as comidas
que vinham da cozinha.
Tinha uma salada de tomates meio murchos
com cebolas e eu não gostava nada, nada de cebolas.
Mas tudo bem, sobre a toalha branca de linho fui
organizando as travessas de feijão, de arroz e por último...
A panela do frango. Foi com muita água na boca
que ajeitei a panela de frango e fiquei
esperando pelo meu melhor pedaço.
Sim, vovó sempre o reservava para mim.
Ela sabia o quanto eu adorava seu “franguinho de panela”.
Hoje, como ela não cozinha mais,
herdei a receita.
Mamãe me escreveu quando fui morar sozinha.
Aliás, tenho várias receitas por ela escritas.
Receitas da minha avó, receitas de família.
Coisas básicas como arroz, feijão, omelete,
bifes, mas que foram importantíssimas
para o início da minha vida adulta.
Voltando naquele dia, estava sol e a comida
demorou um pouco mais de tempo para ficar pronta.
A reza foi um pouco mais longa,
apesar de estarmos todos famintos.
Até que o Amém nos liberou para servirmos os pratos.
“Graças a Deus” falei baixinho.
Vovó sorriu e começou por mim.
Colocou a coxa do frango no meu prato.
Eu sorri em retribuição.
Ela então colocou uma montanha de arroz
e um mar de feijão. Uma rodela de tomate
e me liberou das cebolas.
Todos serviram-se e não se ouviu mais nem um piu.
Só a mastigação às vezes quebrava o silêncio ou o gelo.
O clima já estava tenso talvez,
eu é que não percebia, que ironia.
Até que você me fez perceber.
Me poupar não estava na sua lista.
Sentado na minha frente, logo começou a criticar
a forma como a vovó comia. E começou a se exaltar
e dizer o quanto ela era porca à mesa,
o quanto faltava à ela educação e
que isso lhe provocava ânsia.
Ânsia ou enjôo, não sei a palavra exata que usou naquele dia.
Passava da uma da tarde, eu tinha fome,
mas o frango não me descia.
Meus olhos se encheram de lágrimas e
eu fiquei com aquela coxa de frango na mão,
olhando você gritar com ela.
E levantar-se da mesa.
E gritar cada vez mais alto,
com tanto ódio que eu nunca mais me esqueci.
E toda vez que sinto o cheiro de franguinho assim,
feito na panela, lembro-me desse dia na sala da casa
da minha vó onde o sol invadia,
quando o vento soprava forte na
tentativa de levar seu barco para longe de nós.
Monday, August 10, 2009
Saturday, August 08, 2009
Ai, ai, aiai... Tá chegando a hora!
Já faz tempo que penso como é ter 30.
Desde os quatorze.
Mas nunca estive tão próxima de completar
esta idade. E agora que a data se aproxima, vejo
quanta bobagem já foi dita. Especialmente por mim.
Não acreditem em mim.
Sou volúvel. Absolutamente.
Terça feira, onze; é meu aniversário.
Não tenho vontade de festa, não tenho vontade de nada.
Quer dizer, tenho `as vezes, mas passa.
Sinto uma enorme preguiça.
Não dos amigos. Mas da função que é fazer aniversário.
Apagar a velinha. Atender a todos aqueles telefonemas,
abrir os presentes, gostar dos presentes, agradecer os presentes,
agradecer por terem vindo, fazer marmita de bolo para os mais
íntimos levarem calorias para casa, desfazer-se de todas as embalagens...
Meu Deus! Tragam-me os presentes sem embrulhar dessa vez!
Por que? Não achem-me mal humorada,
apesar de merecer este título de vez em quando.
Mas, não sinto que nenhuma mudança deva ser celebrada.
Só a da lei anti-fumo!
De resto, não mereço palmas, bexigas, e já sei bem com quem será
que vou casar. Nada me anima `a festejar!
Nem mesmo minha estável condição hormonal.
Não me acho mais equilibrada emocionalmente.
Nem enrugada e muito menos mais sábia.
Fazer trinta, de repente, ficou sem graça.
Aliás, há pouco descobri que ser adulto é uma coisa chata.
Que os livros não bastam para nos distrair.
Muito menos as pessoas.
Que o paladar refina-se e para saborear verdadeiramente
algo com prazer, é preciso mais que dedicação.
Inclusive no sexo.
É aos trinta que percebemos que tudo se torna repetitivo.
Os filmes, as peças, as histórias de amor.
As mulheres continuam se odiando.
Mas, não deixam de trocar receitas.
De bolos `a cremes que andam usando ao redor dos olhos.
Já eu, não uso cremes.
Então, me dá o endereço do seu médico?
Eu não vou ao médico.
Do ortomolecular?
Posso te passar de um homeopata, mas não o recomendo...
Olha, eu tenho uma massagista ótima!
Por que, estou com cara de quem está tensa por acaso?!
E não está?
É... Culpa de uma enorme vontade vocacional para ser mãe
que anda me invadindo. E uma pequenina pressão social
que anima-me a prosseguir com esta vontade que
chega a me angustiar. E se eu não conseguir? Serei um fracasso maior!
_Luiza, vem deitar... Vem vá...
_Já vou amor. Já vou...
Desde os quatorze.
Mas nunca estive tão próxima de completar
esta idade. E agora que a data se aproxima, vejo
quanta bobagem já foi dita. Especialmente por mim.
Não acreditem em mim.
Sou volúvel. Absolutamente.
Terça feira, onze; é meu aniversário.
Não tenho vontade de festa, não tenho vontade de nada.
Quer dizer, tenho `as vezes, mas passa.
Sinto uma enorme preguiça.
Não dos amigos. Mas da função que é fazer aniversário.
Apagar a velinha. Atender a todos aqueles telefonemas,
abrir os presentes, gostar dos presentes, agradecer os presentes,
agradecer por terem vindo, fazer marmita de bolo para os mais
íntimos levarem calorias para casa, desfazer-se de todas as embalagens...
Meu Deus! Tragam-me os presentes sem embrulhar dessa vez!
Por que? Não achem-me mal humorada,
apesar de merecer este título de vez em quando.
Mas, não sinto que nenhuma mudança deva ser celebrada.
Só a da lei anti-fumo!
De resto, não mereço palmas, bexigas, e já sei bem com quem será
que vou casar. Nada me anima `a festejar!
Nem mesmo minha estável condição hormonal.
Não me acho mais equilibrada emocionalmente.
Nem enrugada e muito menos mais sábia.
Fazer trinta, de repente, ficou sem graça.
Aliás, há pouco descobri que ser adulto é uma coisa chata.
Que os livros não bastam para nos distrair.
Muito menos as pessoas.
Que o paladar refina-se e para saborear verdadeiramente
algo com prazer, é preciso mais que dedicação.
Inclusive no sexo.
É aos trinta que percebemos que tudo se torna repetitivo.
Os filmes, as peças, as histórias de amor.
As mulheres continuam se odiando.
Mas, não deixam de trocar receitas.
De bolos `a cremes que andam usando ao redor dos olhos.
Já eu, não uso cremes.
Então, me dá o endereço do seu médico?
Eu não vou ao médico.
Do ortomolecular?
Posso te passar de um homeopata, mas não o recomendo...
Olha, eu tenho uma massagista ótima!
Por que, estou com cara de quem está tensa por acaso?!
E não está?
É... Culpa de uma enorme vontade vocacional para ser mãe
que anda me invadindo. E uma pequenina pressão social
que anima-me a prosseguir com esta vontade que
chega a me angustiar. E se eu não conseguir? Serei um fracasso maior!
_Luiza, vem deitar... Vem vá...
_Já vou amor. Já vou...
Wednesday, August 05, 2009
O nó na garganta.
Algumas vezes fico tão angustiada
que me perco chorando no caminho de volta para casa.
E a razão para todo rebuliço
que me embrulha o estômago
deixa de ser clara.
Passa a ser quase tudo o que me rodeia.
Inclusive você.
que me perco chorando no caminho de volta para casa.
E a razão para todo rebuliço
que me embrulha o estômago
deixa de ser clara.
Passa a ser quase tudo o que me rodeia.
Inclusive você.
Labels:
angustia,
falta de ar,
medo,
realidade,
relação
Tuesday, August 04, 2009
Saturday, August 01, 2009
Quantos são os que não amam?

Ontem saí com um amigo que não acredita no amor.
Basicamente fico tentando fazer com que ele mude de opinião.
Sou uma romântica convicta enquanto ele posa de solteiro convicto.
Mas nisso, eu é que não acredito.
Finjo.
Ontem pela primeira vez, passava das duas da manhã,
me peguei inconformada
com o fato dele viver assim. Sem expectativas.
Era quase uma mágoa criada.
Porque da maneira como ele trata seu coração e o dos outros,
coloca em dúvida tudo aquilo que julgo ser o mais prazeroso em viver.
_Estaríamos enganados?
Bom, sem amar não vivo.
Sem amor não sinto.
Tive dois, ou três desde os desesseis.
Quando um acabava outro comecava. Seguidamente.
Quando se esgotava eu sofria.
Quase morria.
Mas sobrevivia. Só.
Para amar outra vez.
E me entregava.
Com uma pressa calma.
Me deliciava.
Permitia.
Guiar, levar para qualquer lugar.
Me arrastava. Cuidava.
E amava, amava, amava.
-O amor é como um doce. O melhor.
Desses que a gente come bem devagarinho.
Cujo sabor permanece na boca por um longo período.
E você pode repetir sempre que quiser!
Prolongando-o até enjoar.
_Ah é éééé!?! Deus me livre!
Thursday, July 30, 2009
C A faz o dia seguir triste.
A palavra CÂNCER é proibida na minha família.
Isso coloca em dúvida a tal lei da atração.
Tudo bem porque nunca nem li nem assisti "O Segredo".
_E então mama, levou ela ao médico?
_Sim, ela está toda feliz hoje.
_E o que ela tem? Ele disse?
_C A.
_Ah? Câncer?
_Raãm.
Isso coloca em dúvida a tal lei da atração.
Tudo bem porque nunca nem li nem assisti "O Segredo".
_E então mama, levou ela ao médico?
_Sim, ela está toda feliz hoje.
_E o que ela tem? Ele disse?
_C A.
_Ah? Câncer?
_Raãm.
Sunday, July 26, 2009
domingo
Chegou ao apartamento.
Fazia mais de um ano que não botava os pés lá.
Apertou a campanhia.
Seguiu um voz cansada.
Gritada sem força nem ânimo:
_Entre.
Abriu a porta e enxergou sua avó de cabeça baixa,
descalça, sentada em uma das cadeiras da sala de jantar.
_Cadê sua tia? Por que ela não veio me buscar?
_Oi Vó, eu pedi para vir no lugar dela.
Para te fazer uma surpresa.
_Ah.
Um silêncio monstruoso tomou conta do ambiente.
Abaxou-se sob os pés dela e começou a colocar delicadamente
as meias nos pés. Inchados. Depois, calçou-lhe os sapatos.
Com dificuldade. Fez uma graça, uma piada, mas
sua avó, especialmente naquela manhã, não estava para gracinhas.
Os olhos se cuzaram vagarosamente e tímidos.
Quando deu conta, as duas olhavam de novo para baixo.
_Como tens pés pequeninos vó?!
_36 como os seus.
Olharam-se novamente.
Rápido.
E pela primeira vez se enxergaram de fato.
Cruas, com suas verdades.
Não se desgrudaram.
Os cílios se mechiam pedindo calma e socorro.
Ao mesmo tempo.
As mais siceras desculpas.
Sentia-se mal.
Por todas as não visitas do ano.
Não era um habito preocupar-se com ela.
E depois que soube que ficou doente, não podia mudar
de comportamento. Vovó não gostava de ser paparicada
assim só de vez em quando. Ou se é sempre ou nunca!
E à elas faltava intimidade para isso.
Não pode telefonar para dizer o quanto sentia.
Percebeu que nem seu número possuía.
E aquela senhora debilitada que não
mais conseguia calçar o próprio sapato, era sua avó.
À quem pelo menos há vinte anos
não dava satisfação alguma.
Nunca mais havia saboreado a sardinha frita,
o cuscuz e a dobradinha.
Como se estes pequenos prazeres tivessem perdido
a importância com o tempo. Ficaram na infância dela.
Por isso ela sentia culpa.
Enquanto a avó talvez nem se importasse. Não percebesse.
Distraída com os outros netos e bisnetos.
E os problemas com o apartamento na Praia Grande.
Mas era manhã de um domingo e o encontro
entre elas pesou-lhe sobre os ombros.
Estendeu a mão.
A avó segurou firme em seu braço.
Levantaram-se. Uma apoiando na outra.
Seguiram o mesmo caminho.
Dessa vez num silêncio tranquilo.
Não era preciso dizer nada.
Fazia mais de um ano que não botava os pés lá.
Apertou a campanhia.
Seguiu um voz cansada.
Gritada sem força nem ânimo:
_Entre.
Abriu a porta e enxergou sua avó de cabeça baixa,
descalça, sentada em uma das cadeiras da sala de jantar.
_Cadê sua tia? Por que ela não veio me buscar?
_Oi Vó, eu pedi para vir no lugar dela.
Para te fazer uma surpresa.
_Ah.
Um silêncio monstruoso tomou conta do ambiente.
Abaxou-se sob os pés dela e começou a colocar delicadamente
as meias nos pés. Inchados. Depois, calçou-lhe os sapatos.
Com dificuldade. Fez uma graça, uma piada, mas
sua avó, especialmente naquela manhã, não estava para gracinhas.
Os olhos se cuzaram vagarosamente e tímidos.
Quando deu conta, as duas olhavam de novo para baixo.
_Como tens pés pequeninos vó?!
_36 como os seus.
Olharam-se novamente.
Rápido.
E pela primeira vez se enxergaram de fato.
Cruas, com suas verdades.
Não se desgrudaram.
Os cílios se mechiam pedindo calma e socorro.
Ao mesmo tempo.
As mais siceras desculpas.
Sentia-se mal.
Por todas as não visitas do ano.
Não era um habito preocupar-se com ela.
E depois que soube que ficou doente, não podia mudar
de comportamento. Vovó não gostava de ser paparicada
assim só de vez em quando. Ou se é sempre ou nunca!
E à elas faltava intimidade para isso.
Não pode telefonar para dizer o quanto sentia.
Percebeu que nem seu número possuía.
E aquela senhora debilitada que não
mais conseguia calçar o próprio sapato, era sua avó.
À quem pelo menos há vinte anos
não dava satisfação alguma.
Nunca mais havia saboreado a sardinha frita,
o cuscuz e a dobradinha.
Como se estes pequenos prazeres tivessem perdido
a importância com o tempo. Ficaram na infância dela.
Por isso ela sentia culpa.
Enquanto a avó talvez nem se importasse. Não percebesse.
Distraída com os outros netos e bisnetos.
E os problemas com o apartamento na Praia Grande.
Mas era manhã de um domingo e o encontro
entre elas pesou-lhe sobre os ombros.
Estendeu a mão.
A avó segurou firme em seu braço.
Levantaram-se. Uma apoiando na outra.
Seguiram o mesmo caminho.
Dessa vez num silêncio tranquilo.
Não era preciso dizer nada.
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Wednesday, July 22, 2009
dimensão
A impressão que eu tenho é que
a medida que eu vou crescendo,
os dilemas crescem comigo.
Somos proporcionais.
a medida que eu vou crescendo,
os dilemas crescem comigo.
Somos proporcionais.
Wednesday, July 15, 2009
Memória - 01.
04.
Teve um dia em que teu pai te batia
e me dizia ao telefone:
_A culpa é toda sua!
A culpa é sua da minha mulher estar em depressão.
A culpa é sua por ele estar assim. Não ligue mais.
E ele te batia, te batia.
E eu ouvia, do outro lado da linha você chorar.
Teve um dia em que teu pai te batia
e me dizia ao telefone:
_A culpa é toda sua!
A culpa é sua da minha mulher estar em depressão.
A culpa é sua por ele estar assim. Não ligue mais.
E ele te batia, te batia.
E eu ouvia, do outro lado da linha você chorar.
Tuesday, July 14, 2009
Pensou nos primeiros 4 minutos do dia:
Daqui a pouco é agosto.
Gosto do frio quando está calor
e do calor quando está frio.
Nunca estou satisfeita!
Sexo de manhã me da preguiça de sair da cama.
Mas tudo bem porque cada dia é mais difícil de sair da cama.
Se fosse possível, hoje não saía da cama.
Ser adulto é chato.
É isso. Sair da cama cedo.
Não entendo como os adultos
conseguem ser adultos há tanto tempo.
E minha mãe que é adulta já há pelo menos 30 anos.
Coitada. Como ela aguenta?!
Acho que a solução é mesmo ter uns filhos.
Mas pensa, onde estariam agora?
Se Deus existir, bem bonzinho e me achar merecedora,
dará além de filhos, netos pra mim.
Tudo em seu tempo e em seu devido lugar.
Hoje vou caminhando. Definitivamente não gosto de dirigir.
Nem de me arrumar para casamentos.
Não me lembro do nome daquele
seu amigo que se casa no sábado.
Merda! Preciso lembrar do nome!
Preciso lembrar do nome!
Senão, de novo vou chegar na Cleusa Presentes
como fiz ontem e não saberei a que lista pertencemos.
Apesar de que, todas as listas devem ser meio iguais.
Milhares de pessoas se casam neste sábado.
É... Legal as pessoas casarem.
[um meio sorriso]
Ontem você teve uma espécie de ciúme.
É eu vi! Percebi! Tudo bem vá...
A noite vou fazer funcionar a nova máquina
de lavar que ocupa junto da velha toda nossa lavanderia.
Se é que posso chamar aquilo de lavanderia!
Vou colocar a máquina velha na sala.
Tipo decoração. É, uma solução.
É... Não vejo a hora de mudar.
Apesar disso nunca ter passado pela minha cabeça!
Parece perfeito.
Olha, estou bem humorada!
Obrigada, a culpa é sua!
Estou atrasada.
Merda!
Ainda tenho que passar na Cleusa,
me perder nas listas e comprar algo
com a cara de alguém que não conheço.
Queria mesmo é comprar uma bicicleta
e consequentemente um capacete.
Preciso ir ao médico,
mas vou tentando me consertar sozinha.
É meu jeito.
Xiii, está sangrando meu nariz.
Igual ontem. E amanhã, provavelmente.
Gostaria de respirar.
Mais e melhor.
Não é nada demais né?!
Só fazer o ar entrar.
E sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Gosto do frio quando está calor
e do calor quando está frio.
Nunca estou satisfeita!
Sexo de manhã me da preguiça de sair da cama.
Mas tudo bem porque cada dia é mais difícil de sair da cama.
Se fosse possível, hoje não saía da cama.
Ser adulto é chato.
É isso. Sair da cama cedo.
Não entendo como os adultos
conseguem ser adultos há tanto tempo.
E minha mãe que é adulta já há pelo menos 30 anos.
Coitada. Como ela aguenta?!
Acho que a solução é mesmo ter uns filhos.
Mas pensa, onde estariam agora?
Se Deus existir, bem bonzinho e me achar merecedora,
dará além de filhos, netos pra mim.
Tudo em seu tempo e em seu devido lugar.
Hoje vou caminhando. Definitivamente não gosto de dirigir.
Nem de me arrumar para casamentos.
Não me lembro do nome daquele
seu amigo que se casa no sábado.
Merda! Preciso lembrar do nome!
Preciso lembrar do nome!
Senão, de novo vou chegar na Cleusa Presentes
como fiz ontem e não saberei a que lista pertencemos.
Apesar de que, todas as listas devem ser meio iguais.
Milhares de pessoas se casam neste sábado.
É... Legal as pessoas casarem.
[um meio sorriso]
Ontem você teve uma espécie de ciúme.
É eu vi! Percebi! Tudo bem vá...
A noite vou fazer funcionar a nova máquina
de lavar que ocupa junto da velha toda nossa lavanderia.
Se é que posso chamar aquilo de lavanderia!
Vou colocar a máquina velha na sala.
Tipo decoração. É, uma solução.
É... Não vejo a hora de mudar.
Apesar disso nunca ter passado pela minha cabeça!
Parece perfeito.
Olha, estou bem humorada!
Obrigada, a culpa é sua!
Estou atrasada.
Merda!
Ainda tenho que passar na Cleusa,
me perder nas listas e comprar algo
com a cara de alguém que não conheço.
Queria mesmo é comprar uma bicicleta
e consequentemente um capacete.
Preciso ir ao médico,
mas vou tentando me consertar sozinha.
É meu jeito.
Xiii, está sangrando meu nariz.
Igual ontem. E amanhã, provavelmente.
Gostaria de respirar.
Mais e melhor.
Não é nada demais né?!
Só fazer o ar entrar.
E sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
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Tuesday, July 07, 2009
muda
_Você é muito palavra!
_Está dizendo que eu falo demais?
_Não. Mas você é isso. Escreve, coloca no papel.
Você não fala, mas pensa demais.
_Como se isso fosse ruim...
_Não percebe que só você sofre?
Constrói narrativas para
suas histórias, transforma, complica.
Quando é tão mais fácil que isso...
Sinta, é simples.
_E sentir é simples?
_Está dizendo que eu falo demais?
_Não. Mas você é isso. Escreve, coloca no papel.
Você não fala, mas pensa demais.
_Como se isso fosse ruim...
_Não percebe que só você sofre?
Constrói narrativas para
suas histórias, transforma, complica.
Quando é tão mais fácil que isso...
Sinta, é simples.
_E sentir é simples?
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