CONTARDO CALLIGARIS
Casamentos possíveis
--------------------------------------------------------------------------------
Em geral, a gente casa com a pessoa certa: com quem podemos culpar por nossos fracassos
--------------------------------------------------------------------------------
UMA DAS boas razões para se casar é a seguinte:
uma vez casados, podemos culpar o casal por boa
parte de nossas covardias e impotências.
O marido, por exemplo, pode responsabilizar mulher,
filhos e casamento por ele ter desistido de ser o
aventureiro que ainda dorme, inquieto, em seu peito.
A decepção consigo mesmo é menos amarga quando é
transformada em acusação: "Você está me impedindo
de alcançar o que eu não tenho a coragem de querer".
Essas recriminações, que disfarçam nossos fracassos,
não são unicamente masculinas.
Certo, os homens são quase sempre assombrados por
impossíveis devaneios de grandeza -como se algum
destino extraordinário e inalcançável já tivesse
sido sonhado para eles (e foi mesmo, geralmente
pelas suas mães). Diante de tamanha expectativa,
é cômodo alegar que o casal foi o impedimento.
As mulheres, inversamente, seriam mais pé-no-chão,
capazes de achar graça nas serventias do cotidiano.
Por isso mesmo, aliás, elas encarnariam facilmente,
para os homens, os limites que a realidade impõe aos
sonhos que eles não têm a ousadia de realizar.
Agora, as mulheres também sonham. Há a dona de casa
que acusa o marido, os filhos e o casamento por ela
ter desistido de outra vida (eventualmente, profissional),
que teria sido fonte de maiores alegrias. E há, sobre tudo,
para muitas mulheres, um sonho romântico de amor avassalador
e irresistível, do qual, justamente, elas desistem por
causa de marido, filhos e casamento.
Com isso, d. Quixote se queixa de que sua mulher esconde
seus livros de cavalaria e o impede de sair à cata de
moinhos de vento. E Madame Bovary se queixa de que seu
marido esconde seus livros de amor e a impede de sair
pelos bailes, à cata de paixões sublimes e elegantes.
Pena que raramente eles consigam ter os mesmos sonhos.
Um problema é que os sonhos dos homens podem ser de
conquista, mas dificilmente de amor, pois eles derivam
diretamente das esperanças que as mães depositam em seus
filhos, e, claro, uma mãe pode esperar que seu rebento
varão seja um dom-juan, mas raramente esperará ser
substituída por outra mulher no coração do filho.
Não pense que esse fogo cruzado de acusações seja causa
recorrente de divórcio. Ao contrário, ele faz a força
do casamento, pois, atrás da acusação ("É por sua causa
que deixei de realizar meus sonhos"), ouve-se: "Ainda
bem que você está aqui, do meu lado, fornecendo-me assim
uma desculpa -sem você, eu teria de encarar a verdade,
e a verdade é que eu mesmo não paro de trair meus próprios sonhos".
Ou seja, em geral, a gente casa com a pessoa "certa":
a que podemos culpar por nossos fracassos.
E essa, repito, não é uma razão para separar-se.
Ao contrário, seria uma boa razão para ficar juntos.
Quando a coisa aperta, não é porque sonhos e
devaneios teriam sido frustrados "por causa do outro",
mas pelas "cobranças", que, elas sim, podem se revelar insuportáveis.
Um exemplo masculino. Uma mulher me permite acreditar
que é por causa dela que eu não consigo ser o que quero:
graças a Deus, não posso mais tentar minha sorte no garimpo
agora que tenho esposa, filhos e tal. Até aqui, tudo bem.
Como compensação pelos sonhos dos quais eu desisti,
passo as tardes de domingo afogando num sofá e soltando
foguetes quando meu time marca um gol, mas eis que, no meio do jogo,
minha mulher me pede para brincar com as crianças ou para ir até
à padaria e comprar o necessário para o café - logo a mim,
que deveria estar explorando as fontes do Nilo ou negociando
a paz entre os senhores da guerra da Somália.
Essa cobrança, aparentemente chata, poderia salvar-me da
morosa constatação do fracasso de meus sonhos e das ninharias
com as quais me consolo. Talvez, aliás, ela me ajudasse a
encontrar prazer e satisfação na vida concreta, nos afetos
cotidianos. Mas não é o que acontece: o que ouço é mais uma
voz que confirma minha insuficiência.
À cobrança dos sonhos dos quais desisti acrescenta-se a
cobrança de quem foi (ou é) "causa" de minha desistência e
razão de meu "sacrifício": "Olhe só, mesmo assim, ela não
está satisfeita comigo." Em suma, não presto, nunca,
para mulher alguma -nem para a mãe que queria que eu fosse
herói nem para a esposa para quem renunciei a ser herói.
E a corda arrebenta.
O ideal seria aceitar que nosso par nos acuse de seus fracassos e,
além disso, não lhe pedir nada. Difícil.
ccalligari@uol.com.br
Showing posts with label coração. Show all posts
Showing posts with label coração. Show all posts
Thursday, September 10, 2009
Wednesday, September 02, 2009
Contratempo.
Ela estava tão alegre que sentia vergonha.
Na rua, disfarçava. Tampando a boca para que ninguém visse
o quanto estava rindo à toa.
Sentia culpa por estar feliz.
_Como assim, feliz?
Não tem o menor cabimento...
Não queria chamar atenção por esta razão.
Logo ela, cética.
Logo aquela que sempre achou a vida penosa demais.
Agora andava por aí, sorrindo largo.
Não acreditava nessa possibilidade, nem nas pessoas.
Ela não tinha crença alguma e
zombava de toda e qualquer esperança.
Era dura.
Feito pedra.
Amarga igual remédio.
Sentia falta de ar,
mas também não fazia tanta questão
em respira as impurezas da cidade.
Conformada com sua teoria de que as
pessoas dão aquilo que podem dar,
estava acomodada com tudo ao seu redor.
Num tanto faz, num leva e traz, no chove não molha.
Esperando a vida passar aos finais de semana.
Despreocupada com o tempo, com o vento,
saía sempre sem o guarda-chuva e o casaco.
Molhava-se e mesmo assim era incapaz
de perceber as horas. Mesmo passando frio
ou tendo que colocar as roupas no varal
que ficava numa pequena varanda em um
também pequeno apartamento.
Onde ela vivia só.
Triste em seu quarto, lendo o livro que
escolhera demoradamente nas prateleiras
da livraria que freqüentava.
Até que um dia, lá na livraria,
ela escolhia mais um romance para
viver em palavras quando uma mão maior
que a sua pegou o objeto retangular em questão.
A capa era amarela.
Estavam bem próximos um do outro
e ele percebeu que ela estava desejando-o.
Não a ele, mas o livro que carregava.
_Desculpe, qual o seu nome?
_Por que?
_É realmente, me perdoe, não quero ser invasivo.
Gostaria de saber seu nome...
_Ana.
_Oi Ana, vi que você ficou...
Bem, como vou te dizer... É...
Você por acaso estava querendo este livro aqui?
(disse isso chacoalhando o livro em sua frente,
como se ela fosse um cachorro e o livro um enorme osso).
Irrefutavelmente ela só balançou a cabeça num não.
Os cabelos dele, despenteados prendiam
os olhos dela, bem no alto.
Vestia camisa xadrez, jeans e all star azul.
Ela também, xadrez, jeans e all star vermelho.
Mesmo observando todos os detalhes nele,
que tinha sardas nas orelhas por exemplo
e que elas também habitavam seu cotovelo,
Ana preferiu ignorá-lo.
_Ah, ok. Acho que me enganei.
E quando ele já virava de costas ouviu um:
_Não...
_Hã?
_É verdade, este seria o meu livro escolhido de hoje.
Mais pela cor. Sabe, ainda não li a orelha,
então acho que tudo bem, posso não querê-lo.
Eu viverei sem ele. Lógico, já tenho idade suficiente
para saber que vou sobreviver e
acho até que eu não iria gostar muito...
Então pode ficar, é isso, é seu, todo seu...
_Calma querida, está nervosinha?
Teve um mal dia ou você é assim sempre?
Espere, deixe-me falar! Com calma, sim?!
Ele disse isso num sorriso apreensivo e engatou
logo após um suspiro longo.
_Então... Faremos assim, vou comprá-lo
porque este é também o meu escolhido,
também pela cor, enfim...
Você me passa seu telefone que assim
que eu terminar de ler, te empresto.
_Sei. E quando será isso?
_Logo, quero te ver logo...
Ela sorriu. Pegou uma caneta
(sempre tinha uma na bolsa) e
escreveu na contra capa do livro amarelo seu telefone.
Saiu em seguida, meio descrente.
Segurou com dureza a felicidade que queria
sair de dentro do peito. Afinal, não acreditava
em nada daquilo que o frio na barriga tentava alertar.
Há quem ache até que foi uma cena de puro desprezo.
Assim me confidenciou um dos funcionários
da livraria que assistiu a tudo de longe,
torcendo para ela amolecer, adoçar e se entregar.
Não sabe ele que desde o telefonema,
na mesma noite em que houve o encontro casual
na livraria, aliás, apenas algumas poucas horas
depois do ocorrido, assim, como mágica, a menina virou açúcar.
Graças àquele quase desconhecido, com sardas nas orelhas e no cotovelo,
que leu o primeiro capítulo inteiro para ela ao telefone.
Foram as 34 páginas mais felizes e rápidas de sua vida.
Passaram num instante impregnando nos lábios dela
um sorriso impossível de tirar ou disfarçar.
Foi aí que ela se deu conta de que o amor faz o tempo voar.
Mas quem se importa?
Na rua, disfarçava. Tampando a boca para que ninguém visse
o quanto estava rindo à toa.
Sentia culpa por estar feliz.
_Como assim, feliz?
Não tem o menor cabimento...
Não queria chamar atenção por esta razão.
Logo ela, cética.
Logo aquela que sempre achou a vida penosa demais.
Agora andava por aí, sorrindo largo.
Não acreditava nessa possibilidade, nem nas pessoas.
Ela não tinha crença alguma e
zombava de toda e qualquer esperança.
Era dura.
Feito pedra.
Amarga igual remédio.
Sentia falta de ar,
mas também não fazia tanta questão
em respira as impurezas da cidade.
Conformada com sua teoria de que as
pessoas dão aquilo que podem dar,
estava acomodada com tudo ao seu redor.
Num tanto faz, num leva e traz, no chove não molha.
Esperando a vida passar aos finais de semana.
Despreocupada com o tempo, com o vento,
saía sempre sem o guarda-chuva e o casaco.
Molhava-se e mesmo assim era incapaz
de perceber as horas. Mesmo passando frio
ou tendo que colocar as roupas no varal
que ficava numa pequena varanda em um
também pequeno apartamento.
Onde ela vivia só.
Triste em seu quarto, lendo o livro que
escolhera demoradamente nas prateleiras
da livraria que freqüentava.
Até que um dia, lá na livraria,
ela escolhia mais um romance para
viver em palavras quando uma mão maior
que a sua pegou o objeto retangular em questão.
A capa era amarela.
Estavam bem próximos um do outro
e ele percebeu que ela estava desejando-o.
Não a ele, mas o livro que carregava.
_Desculpe, qual o seu nome?
_Por que?
_É realmente, me perdoe, não quero ser invasivo.
Gostaria de saber seu nome...
_Ana.
_Oi Ana, vi que você ficou...
Bem, como vou te dizer... É...
Você por acaso estava querendo este livro aqui?
(disse isso chacoalhando o livro em sua frente,
como se ela fosse um cachorro e o livro um enorme osso).
Irrefutavelmente ela só balançou a cabeça num não.
Os cabelos dele, despenteados prendiam
os olhos dela, bem no alto.
Vestia camisa xadrez, jeans e all star azul.
Ela também, xadrez, jeans e all star vermelho.
Mesmo observando todos os detalhes nele,
que tinha sardas nas orelhas por exemplo
e que elas também habitavam seu cotovelo,
Ana preferiu ignorá-lo.
_Ah, ok. Acho que me enganei.
E quando ele já virava de costas ouviu um:
_Não...
_Hã?
_É verdade, este seria o meu livro escolhido de hoje.
Mais pela cor. Sabe, ainda não li a orelha,
então acho que tudo bem, posso não querê-lo.
Eu viverei sem ele. Lógico, já tenho idade suficiente
para saber que vou sobreviver e
acho até que eu não iria gostar muito...
Então pode ficar, é isso, é seu, todo seu...
_Calma querida, está nervosinha?
Teve um mal dia ou você é assim sempre?
Espere, deixe-me falar! Com calma, sim?!
Ele disse isso num sorriso apreensivo e engatou
logo após um suspiro longo.
_Então... Faremos assim, vou comprá-lo
porque este é também o meu escolhido,
também pela cor, enfim...
Você me passa seu telefone que assim
que eu terminar de ler, te empresto.
_Sei. E quando será isso?
_Logo, quero te ver logo...
Ela sorriu. Pegou uma caneta
(sempre tinha uma na bolsa) e
escreveu na contra capa do livro amarelo seu telefone.
Saiu em seguida, meio descrente.
Segurou com dureza a felicidade que queria
sair de dentro do peito. Afinal, não acreditava
em nada daquilo que o frio na barriga tentava alertar.
Há quem ache até que foi uma cena de puro desprezo.
Assim me confidenciou um dos funcionários
da livraria que assistiu a tudo de longe,
torcendo para ela amolecer, adoçar e se entregar.
Não sabe ele que desde o telefonema,
na mesma noite em que houve o encontro casual
na livraria, aliás, apenas algumas poucas horas
depois do ocorrido, assim, como mágica, a menina virou açúcar.
Graças àquele quase desconhecido, com sardas nas orelhas e no cotovelo,
que leu o primeiro capítulo inteiro para ela ao telefone.
Foram as 34 páginas mais felizes e rápidas de sua vida.
Passaram num instante impregnando nos lábios dela
um sorriso impossível de tirar ou disfarçar.
Foi aí que ela se deu conta de que o amor faz o tempo voar.
Mas quem se importa?
Monday, August 31, 2009
Novos 30.
Eu quero rir do meu mau humor.
Mandar minha intolerância para o inferno.
As dúvidas para o lugar comum.
Minha audácia para casa.
A rebeldia para o jantar.
As exigências, que permaneçam comigo
das oito as vinte, depois quero relaxar.
Que todas as possibilidades que consigo
enxergar fujam por um tempo.
Preciso permanecer na posição que ocupo no momento.
E gostaria ainda de perder a voz.
A memória, igual a minha avó.
Dedicar-me a leitura.
Provavelmente também ao desenho.
Desejo dormir ao teu lado.
Correr logo cedo.
Ver o sol.
E preparar o café.
Em setembro.
Mandar minha intolerância para o inferno.
As dúvidas para o lugar comum.
Minha audácia para casa.
A rebeldia para o jantar.
As exigências, que permaneçam comigo
das oito as vinte, depois quero relaxar.
Que todas as possibilidades que consigo
enxergar fujam por um tempo.
Preciso permanecer na posição que ocupo no momento.
E gostaria ainda de perder a voz.
A memória, igual a minha avó.
Dedicar-me a leitura.
Provavelmente também ao desenho.
Desejo dormir ao teu lado.
Correr logo cedo.
Ver o sol.
E preparar o café.
Em setembro.
Labels:
amor,
comportamento,
coração,
cotidiano,
recomendação
Wednesday, August 12, 2009
Monday, August 10, 2009
Saturday, August 08, 2009
Ai, ai, aiai... Tá chegando a hora!
Já faz tempo que penso como é ter 30.
Desde os quatorze.
Mas nunca estive tão próxima de completar
esta idade. E agora que a data se aproxima, vejo
quanta bobagem já foi dita. Especialmente por mim.
Não acreditem em mim.
Sou volúvel. Absolutamente.
Terça feira, onze; é meu aniversário.
Não tenho vontade de festa, não tenho vontade de nada.
Quer dizer, tenho `as vezes, mas passa.
Sinto uma enorme preguiça.
Não dos amigos. Mas da função que é fazer aniversário.
Apagar a velinha. Atender a todos aqueles telefonemas,
abrir os presentes, gostar dos presentes, agradecer os presentes,
agradecer por terem vindo, fazer marmita de bolo para os mais
íntimos levarem calorias para casa, desfazer-se de todas as embalagens...
Meu Deus! Tragam-me os presentes sem embrulhar dessa vez!
Por que? Não achem-me mal humorada,
apesar de merecer este título de vez em quando.
Mas, não sinto que nenhuma mudança deva ser celebrada.
Só a da lei anti-fumo!
De resto, não mereço palmas, bexigas, e já sei bem com quem será
que vou casar. Nada me anima `a festejar!
Nem mesmo minha estável condição hormonal.
Não me acho mais equilibrada emocionalmente.
Nem enrugada e muito menos mais sábia.
Fazer trinta, de repente, ficou sem graça.
Aliás, há pouco descobri que ser adulto é uma coisa chata.
Que os livros não bastam para nos distrair.
Muito menos as pessoas.
Que o paladar refina-se e para saborear verdadeiramente
algo com prazer, é preciso mais que dedicação.
Inclusive no sexo.
É aos trinta que percebemos que tudo se torna repetitivo.
Os filmes, as peças, as histórias de amor.
As mulheres continuam se odiando.
Mas, não deixam de trocar receitas.
De bolos `a cremes que andam usando ao redor dos olhos.
Já eu, não uso cremes.
Então, me dá o endereço do seu médico?
Eu não vou ao médico.
Do ortomolecular?
Posso te passar de um homeopata, mas não o recomendo...
Olha, eu tenho uma massagista ótima!
Por que, estou com cara de quem está tensa por acaso?!
E não está?
É... Culpa de uma enorme vontade vocacional para ser mãe
que anda me invadindo. E uma pequenina pressão social
que anima-me a prosseguir com esta vontade que
chega a me angustiar. E se eu não conseguir? Serei um fracasso maior!
_Luiza, vem deitar... Vem vá...
_Já vou amor. Já vou...
Desde os quatorze.
Mas nunca estive tão próxima de completar
esta idade. E agora que a data se aproxima, vejo
quanta bobagem já foi dita. Especialmente por mim.
Não acreditem em mim.
Sou volúvel. Absolutamente.
Terça feira, onze; é meu aniversário.
Não tenho vontade de festa, não tenho vontade de nada.
Quer dizer, tenho `as vezes, mas passa.
Sinto uma enorme preguiça.
Não dos amigos. Mas da função que é fazer aniversário.
Apagar a velinha. Atender a todos aqueles telefonemas,
abrir os presentes, gostar dos presentes, agradecer os presentes,
agradecer por terem vindo, fazer marmita de bolo para os mais
íntimos levarem calorias para casa, desfazer-se de todas as embalagens...
Meu Deus! Tragam-me os presentes sem embrulhar dessa vez!
Por que? Não achem-me mal humorada,
apesar de merecer este título de vez em quando.
Mas, não sinto que nenhuma mudança deva ser celebrada.
Só a da lei anti-fumo!
De resto, não mereço palmas, bexigas, e já sei bem com quem será
que vou casar. Nada me anima `a festejar!
Nem mesmo minha estável condição hormonal.
Não me acho mais equilibrada emocionalmente.
Nem enrugada e muito menos mais sábia.
Fazer trinta, de repente, ficou sem graça.
Aliás, há pouco descobri que ser adulto é uma coisa chata.
Que os livros não bastam para nos distrair.
Muito menos as pessoas.
Que o paladar refina-se e para saborear verdadeiramente
algo com prazer, é preciso mais que dedicação.
Inclusive no sexo.
É aos trinta que percebemos que tudo se torna repetitivo.
Os filmes, as peças, as histórias de amor.
As mulheres continuam se odiando.
Mas, não deixam de trocar receitas.
De bolos `a cremes que andam usando ao redor dos olhos.
Já eu, não uso cremes.
Então, me dá o endereço do seu médico?
Eu não vou ao médico.
Do ortomolecular?
Posso te passar de um homeopata, mas não o recomendo...
Olha, eu tenho uma massagista ótima!
Por que, estou com cara de quem está tensa por acaso?!
E não está?
É... Culpa de uma enorme vontade vocacional para ser mãe
que anda me invadindo. E uma pequenina pressão social
que anima-me a prosseguir com esta vontade que
chega a me angustiar. E se eu não conseguir? Serei um fracasso maior!
_Luiza, vem deitar... Vem vá...
_Já vou amor. Já vou...
Wednesday, August 05, 2009
Tombo.
O amor.
Me enche.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Guiar solta no ar.
Deixo-me levar.
Levanto cedo, ganho energia.
Beijos, abraços, promessas.
Anseio melhoras.
Vejo as cores do mundo.
Sinto muito, tudo.
Me faz prazer.
Renova-me.
As vontades.
As vantagens de ter com quem
compartilhar meu dia a dia.
Mas, em contra partida, se ele acaba me mata.
Me faz ficar de cama.
Cheia de angústias e culpas.
E desejos de te ver por mais uns dias.
E vontade de sentir de novo a
novidade que só o amor nos dá.
Deu.
É passado. Onde finjo não perceber.
Faço-me de boba. Tonta, de trouxa.
Me deixo usar.
Porque mesmo se você voltar
e dormir aqui ao meu lado.
Mesmo que fique por um dia inteiro
só para me consolar.
E faça meu almoço, colo, carinho e desculpas.
De nada adiantará. Mesmo assim eu finjo.
De propósito, doo.
Toda angústia assim
passa a ser maior que nós.
Corroi-me por dentro.
Me come.
Faz um estrago maior.
Maior que o amor que um dia achamos
que sentimos um pelo outro.
Maior que suas mentiras.
Maior que nossos sonhos.
Que terminam em pequenas doses de desaforos.
A angústia.
Me transborda.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Solta no ar.
E lá em cima, no alto, estoura.
Me enche.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Guiar solta no ar.
Deixo-me levar.
Levanto cedo, ganho energia.
Beijos, abraços, promessas.
Anseio melhoras.
Vejo as cores do mundo.
Sinto muito, tudo.
Me faz prazer.
Renova-me.
As vontades.
As vantagens de ter com quem
compartilhar meu dia a dia.
Mas, em contra partida, se ele acaba me mata.
Me faz ficar de cama.
Cheia de angústias e culpas.
E desejos de te ver por mais uns dias.
E vontade de sentir de novo a
novidade que só o amor nos dá.
Deu.
É passado. Onde finjo não perceber.
Faço-me de boba. Tonta, de trouxa.
Me deixo usar.
Porque mesmo se você voltar
e dormir aqui ao meu lado.
Mesmo que fique por um dia inteiro
só para me consolar.
E faça meu almoço, colo, carinho e desculpas.
De nada adiantará. Mesmo assim eu finjo.
De propósito, doo.
Toda angústia assim
passa a ser maior que nós.
Corroi-me por dentro.
Me come.
Faz um estrago maior.
Maior que o amor que um dia achamos
que sentimos um pelo outro.
Maior que suas mentiras.
Maior que nossos sonhos.
Que terminam em pequenas doses de desaforos.
A angústia.
Me transborda.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Solta no ar.
E lá em cima, no alto, estoura.
Saturday, August 01, 2009
Quantos são os que não amam?

Ontem saí com um amigo que não acredita no amor.
Basicamente fico tentando fazer com que ele mude de opinião.
Sou uma romântica convicta enquanto ele posa de solteiro convicto.
Mas nisso, eu é que não acredito.
Finjo.
Ontem pela primeira vez, passava das duas da manhã,
me peguei inconformada
com o fato dele viver assim. Sem expectativas.
Era quase uma mágoa criada.
Porque da maneira como ele trata seu coração e o dos outros,
coloca em dúvida tudo aquilo que julgo ser o mais prazeroso em viver.
_Estaríamos enganados?
Bom, sem amar não vivo.
Sem amor não sinto.
Tive dois, ou três desde os desesseis.
Quando um acabava outro comecava. Seguidamente.
Quando se esgotava eu sofria.
Quase morria.
Mas sobrevivia. Só.
Para amar outra vez.
E me entregava.
Com uma pressa calma.
Me deliciava.
Permitia.
Guiar, levar para qualquer lugar.
Me arrastava. Cuidava.
E amava, amava, amava.
-O amor é como um doce. O melhor.
Desses que a gente come bem devagarinho.
Cujo sabor permanece na boca por um longo período.
E você pode repetir sempre que quiser!
Prolongando-o até enjoar.
_Ah é éééé!?! Deus me livre!
Thursday, July 30, 2009
C A faz o dia seguir triste.
A palavra CÂNCER é proibida na minha família.
Isso coloca em dúvida a tal lei da atração.
Tudo bem porque nunca nem li nem assisti "O Segredo".
_E então mama, levou ela ao médico?
_Sim, ela está toda feliz hoje.
_E o que ela tem? Ele disse?
_C A.
_Ah? Câncer?
_Raãm.
Isso coloca em dúvida a tal lei da atração.
Tudo bem porque nunca nem li nem assisti "O Segredo".
_E então mama, levou ela ao médico?
_Sim, ela está toda feliz hoje.
_E o que ela tem? Ele disse?
_C A.
_Ah? Câncer?
_Raãm.
Saturday, July 25, 2009
hoje bem cedinho:
_Obrigada.
_Do que?
_Por me fazer feliz.
_Ah, de nada.
_Do que?
_Por me fazer feliz.
_Ah, de nada.
Labels:
alívio,
amor,
caetano caruso,
casal,
comportamento,
conversa,
coração
Wednesday, July 01, 2009
Monday, June 22, 2009
Wednesday, June 17, 2009
Wednesday, June 10, 2009
Friday, June 05, 2009
caminhos

Eu sigo por aí.
Desde cedo.
Abrindo caminhos.
Roteirizando rotinas.
Correndo atrás dos sonhos que
acho apropriado à nós dois.
Eu vou por lá.
Bem longe.
Carregando as bagagens nas costas.
Sem reclamar do peso.
Do trânsito, dos calos, dos outros.
Eu ando rápido porque a história me fez assim.
Me mudo continuamente sem movimentos
bruscos que é para não assustar.
Escolho outros rumos por aqui,
donde não saio por teimosia.
Rabisco trajetos e invisto em nossos trajes.
Te faço mais belo.
Depois, relato baixinho, cansada,
no caminho de volta pra nossa casa,
as impressões do meu tênis azul.
Tuesday, April 14, 2009
Duas certezas e uma consequência óbvia.
Tenho problemas no coração.
Falta-me ar.
Morrerei de insuficiência respiratória
seguida de parada cardíaca.
Nem vai doer. Vai?!
Falta-me ar.
Morrerei de insuficiência respiratória
seguida de parada cardíaca.
Nem vai doer. Vai?!
Subscribe to:
Posts (Atom)



