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Tuesday, September 22, 2009
Thursday, September 10, 2009
Não gostou? Reclame com ele!
CONTARDO CALLIGARIS
Casamentos possíveis
--------------------------------------------------------------------------------
Em geral, a gente casa com a pessoa certa: com quem podemos culpar por nossos fracassos
--------------------------------------------------------------------------------
UMA DAS boas razões para se casar é a seguinte:
uma vez casados, podemos culpar o casal por boa
parte de nossas covardias e impotências.
O marido, por exemplo, pode responsabilizar mulher,
filhos e casamento por ele ter desistido de ser o
aventureiro que ainda dorme, inquieto, em seu peito.
A decepção consigo mesmo é menos amarga quando é
transformada em acusação: "Você está me impedindo
de alcançar o que eu não tenho a coragem de querer".
Essas recriminações, que disfarçam nossos fracassos,
não são unicamente masculinas.
Certo, os homens são quase sempre assombrados por
impossíveis devaneios de grandeza -como se algum
destino extraordinário e inalcançável já tivesse
sido sonhado para eles (e foi mesmo, geralmente
pelas suas mães). Diante de tamanha expectativa,
é cômodo alegar que o casal foi o impedimento.
As mulheres, inversamente, seriam mais pé-no-chão,
capazes de achar graça nas serventias do cotidiano.
Por isso mesmo, aliás, elas encarnariam facilmente,
para os homens, os limites que a realidade impõe aos
sonhos que eles não têm a ousadia de realizar.
Agora, as mulheres também sonham. Há a dona de casa
que acusa o marido, os filhos e o casamento por ela
ter desistido de outra vida (eventualmente, profissional),
que teria sido fonte de maiores alegrias. E há, sobre tudo,
para muitas mulheres, um sonho romântico de amor avassalador
e irresistível, do qual, justamente, elas desistem por
causa de marido, filhos e casamento.
Com isso, d. Quixote se queixa de que sua mulher esconde
seus livros de cavalaria e o impede de sair à cata de
moinhos de vento. E Madame Bovary se queixa de que seu
marido esconde seus livros de amor e a impede de sair
pelos bailes, à cata de paixões sublimes e elegantes.
Pena que raramente eles consigam ter os mesmos sonhos.
Um problema é que os sonhos dos homens podem ser de
conquista, mas dificilmente de amor, pois eles derivam
diretamente das esperanças que as mães depositam em seus
filhos, e, claro, uma mãe pode esperar que seu rebento
varão seja um dom-juan, mas raramente esperará ser
substituída por outra mulher no coração do filho.
Não pense que esse fogo cruzado de acusações seja causa
recorrente de divórcio. Ao contrário, ele faz a força
do casamento, pois, atrás da acusação ("É por sua causa
que deixei de realizar meus sonhos"), ouve-se: "Ainda
bem que você está aqui, do meu lado, fornecendo-me assim
uma desculpa -sem você, eu teria de encarar a verdade,
e a verdade é que eu mesmo não paro de trair meus próprios sonhos".
Ou seja, em geral, a gente casa com a pessoa "certa":
a que podemos culpar por nossos fracassos.
E essa, repito, não é uma razão para separar-se.
Ao contrário, seria uma boa razão para ficar juntos.
Quando a coisa aperta, não é porque sonhos e
devaneios teriam sido frustrados "por causa do outro",
mas pelas "cobranças", que, elas sim, podem se revelar insuportáveis.
Um exemplo masculino. Uma mulher me permite acreditar
que é por causa dela que eu não consigo ser o que quero:
graças a Deus, não posso mais tentar minha sorte no garimpo
agora que tenho esposa, filhos e tal. Até aqui, tudo bem.
Como compensação pelos sonhos dos quais eu desisti,
passo as tardes de domingo afogando num sofá e soltando
foguetes quando meu time marca um gol, mas eis que, no meio do jogo,
minha mulher me pede para brincar com as crianças ou para ir até
à padaria e comprar o necessário para o café - logo a mim,
que deveria estar explorando as fontes do Nilo ou negociando
a paz entre os senhores da guerra da Somália.
Essa cobrança, aparentemente chata, poderia salvar-me da
morosa constatação do fracasso de meus sonhos e das ninharias
com as quais me consolo. Talvez, aliás, ela me ajudasse a
encontrar prazer e satisfação na vida concreta, nos afetos
cotidianos. Mas não é o que acontece: o que ouço é mais uma
voz que confirma minha insuficiência.
À cobrança dos sonhos dos quais desisti acrescenta-se a
cobrança de quem foi (ou é) "causa" de minha desistência e
razão de meu "sacrifício": "Olhe só, mesmo assim, ela não
está satisfeita comigo." Em suma, não presto, nunca,
para mulher alguma -nem para a mãe que queria que eu fosse
herói nem para a esposa para quem renunciei a ser herói.
E a corda arrebenta.
O ideal seria aceitar que nosso par nos acuse de seus fracassos e,
além disso, não lhe pedir nada. Difícil.
ccalligari@uol.com.br
Casamentos possíveis
--------------------------------------------------------------------------------
Em geral, a gente casa com a pessoa certa: com quem podemos culpar por nossos fracassos
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UMA DAS boas razões para se casar é a seguinte:
uma vez casados, podemos culpar o casal por boa
parte de nossas covardias e impotências.
O marido, por exemplo, pode responsabilizar mulher,
filhos e casamento por ele ter desistido de ser o
aventureiro que ainda dorme, inquieto, em seu peito.
A decepção consigo mesmo é menos amarga quando é
transformada em acusação: "Você está me impedindo
de alcançar o que eu não tenho a coragem de querer".
Essas recriminações, que disfarçam nossos fracassos,
não são unicamente masculinas.
Certo, os homens são quase sempre assombrados por
impossíveis devaneios de grandeza -como se algum
destino extraordinário e inalcançável já tivesse
sido sonhado para eles (e foi mesmo, geralmente
pelas suas mães). Diante de tamanha expectativa,
é cômodo alegar que o casal foi o impedimento.
As mulheres, inversamente, seriam mais pé-no-chão,
capazes de achar graça nas serventias do cotidiano.
Por isso mesmo, aliás, elas encarnariam facilmente,
para os homens, os limites que a realidade impõe aos
sonhos que eles não têm a ousadia de realizar.
Agora, as mulheres também sonham. Há a dona de casa
que acusa o marido, os filhos e o casamento por ela
ter desistido de outra vida (eventualmente, profissional),
que teria sido fonte de maiores alegrias. E há, sobre tudo,
para muitas mulheres, um sonho romântico de amor avassalador
e irresistível, do qual, justamente, elas desistem por
causa de marido, filhos e casamento.
Com isso, d. Quixote se queixa de que sua mulher esconde
seus livros de cavalaria e o impede de sair à cata de
moinhos de vento. E Madame Bovary se queixa de que seu
marido esconde seus livros de amor e a impede de sair
pelos bailes, à cata de paixões sublimes e elegantes.
Pena que raramente eles consigam ter os mesmos sonhos.
Um problema é que os sonhos dos homens podem ser de
conquista, mas dificilmente de amor, pois eles derivam
diretamente das esperanças que as mães depositam em seus
filhos, e, claro, uma mãe pode esperar que seu rebento
varão seja um dom-juan, mas raramente esperará ser
substituída por outra mulher no coração do filho.
Não pense que esse fogo cruzado de acusações seja causa
recorrente de divórcio. Ao contrário, ele faz a força
do casamento, pois, atrás da acusação ("É por sua causa
que deixei de realizar meus sonhos"), ouve-se: "Ainda
bem que você está aqui, do meu lado, fornecendo-me assim
uma desculpa -sem você, eu teria de encarar a verdade,
e a verdade é que eu mesmo não paro de trair meus próprios sonhos".
Ou seja, em geral, a gente casa com a pessoa "certa":
a que podemos culpar por nossos fracassos.
E essa, repito, não é uma razão para separar-se.
Ao contrário, seria uma boa razão para ficar juntos.
Quando a coisa aperta, não é porque sonhos e
devaneios teriam sido frustrados "por causa do outro",
mas pelas "cobranças", que, elas sim, podem se revelar insuportáveis.
Um exemplo masculino. Uma mulher me permite acreditar
que é por causa dela que eu não consigo ser o que quero:
graças a Deus, não posso mais tentar minha sorte no garimpo
agora que tenho esposa, filhos e tal. Até aqui, tudo bem.
Como compensação pelos sonhos dos quais eu desisti,
passo as tardes de domingo afogando num sofá e soltando
foguetes quando meu time marca um gol, mas eis que, no meio do jogo,
minha mulher me pede para brincar com as crianças ou para ir até
à padaria e comprar o necessário para o café - logo a mim,
que deveria estar explorando as fontes do Nilo ou negociando
a paz entre os senhores da guerra da Somália.
Essa cobrança, aparentemente chata, poderia salvar-me da
morosa constatação do fracasso de meus sonhos e das ninharias
com as quais me consolo. Talvez, aliás, ela me ajudasse a
encontrar prazer e satisfação na vida concreta, nos afetos
cotidianos. Mas não é o que acontece: o que ouço é mais uma
voz que confirma minha insuficiência.
À cobrança dos sonhos dos quais desisti acrescenta-se a
cobrança de quem foi (ou é) "causa" de minha desistência e
razão de meu "sacrifício": "Olhe só, mesmo assim, ela não
está satisfeita comigo." Em suma, não presto, nunca,
para mulher alguma -nem para a mãe que queria que eu fosse
herói nem para a esposa para quem renunciei a ser herói.
E a corda arrebenta.
O ideal seria aceitar que nosso par nos acuse de seus fracassos e,
além disso, não lhe pedir nada. Difícil.
ccalligari@uol.com.br
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Wednesday, September 02, 2009
Contratempo.
Ela estava tão alegre que sentia vergonha.
Na rua, disfarçava. Tampando a boca para que ninguém visse
o quanto estava rindo à toa.
Sentia culpa por estar feliz.
_Como assim, feliz?
Não tem o menor cabimento...
Não queria chamar atenção por esta razão.
Logo ela, cética.
Logo aquela que sempre achou a vida penosa demais.
Agora andava por aí, sorrindo largo.
Não acreditava nessa possibilidade, nem nas pessoas.
Ela não tinha crença alguma e
zombava de toda e qualquer esperança.
Era dura.
Feito pedra.
Amarga igual remédio.
Sentia falta de ar,
mas também não fazia tanta questão
em respira as impurezas da cidade.
Conformada com sua teoria de que as
pessoas dão aquilo que podem dar,
estava acomodada com tudo ao seu redor.
Num tanto faz, num leva e traz, no chove não molha.
Esperando a vida passar aos finais de semana.
Despreocupada com o tempo, com o vento,
saía sempre sem o guarda-chuva e o casaco.
Molhava-se e mesmo assim era incapaz
de perceber as horas. Mesmo passando frio
ou tendo que colocar as roupas no varal
que ficava numa pequena varanda em um
também pequeno apartamento.
Onde ela vivia só.
Triste em seu quarto, lendo o livro que
escolhera demoradamente nas prateleiras
da livraria que freqüentava.
Até que um dia, lá na livraria,
ela escolhia mais um romance para
viver em palavras quando uma mão maior
que a sua pegou o objeto retangular em questão.
A capa era amarela.
Estavam bem próximos um do outro
e ele percebeu que ela estava desejando-o.
Não a ele, mas o livro que carregava.
_Desculpe, qual o seu nome?
_Por que?
_É realmente, me perdoe, não quero ser invasivo.
Gostaria de saber seu nome...
_Ana.
_Oi Ana, vi que você ficou...
Bem, como vou te dizer... É...
Você por acaso estava querendo este livro aqui?
(disse isso chacoalhando o livro em sua frente,
como se ela fosse um cachorro e o livro um enorme osso).
Irrefutavelmente ela só balançou a cabeça num não.
Os cabelos dele, despenteados prendiam
os olhos dela, bem no alto.
Vestia camisa xadrez, jeans e all star azul.
Ela também, xadrez, jeans e all star vermelho.
Mesmo observando todos os detalhes nele,
que tinha sardas nas orelhas por exemplo
e que elas também habitavam seu cotovelo,
Ana preferiu ignorá-lo.
_Ah, ok. Acho que me enganei.
E quando ele já virava de costas ouviu um:
_Não...
_Hã?
_É verdade, este seria o meu livro escolhido de hoje.
Mais pela cor. Sabe, ainda não li a orelha,
então acho que tudo bem, posso não querê-lo.
Eu viverei sem ele. Lógico, já tenho idade suficiente
para saber que vou sobreviver e
acho até que eu não iria gostar muito...
Então pode ficar, é isso, é seu, todo seu...
_Calma querida, está nervosinha?
Teve um mal dia ou você é assim sempre?
Espere, deixe-me falar! Com calma, sim?!
Ele disse isso num sorriso apreensivo e engatou
logo após um suspiro longo.
_Então... Faremos assim, vou comprá-lo
porque este é também o meu escolhido,
também pela cor, enfim...
Você me passa seu telefone que assim
que eu terminar de ler, te empresto.
_Sei. E quando será isso?
_Logo, quero te ver logo...
Ela sorriu. Pegou uma caneta
(sempre tinha uma na bolsa) e
escreveu na contra capa do livro amarelo seu telefone.
Saiu em seguida, meio descrente.
Segurou com dureza a felicidade que queria
sair de dentro do peito. Afinal, não acreditava
em nada daquilo que o frio na barriga tentava alertar.
Há quem ache até que foi uma cena de puro desprezo.
Assim me confidenciou um dos funcionários
da livraria que assistiu a tudo de longe,
torcendo para ela amolecer, adoçar e se entregar.
Não sabe ele que desde o telefonema,
na mesma noite em que houve o encontro casual
na livraria, aliás, apenas algumas poucas horas
depois do ocorrido, assim, como mágica, a menina virou açúcar.
Graças àquele quase desconhecido, com sardas nas orelhas e no cotovelo,
que leu o primeiro capítulo inteiro para ela ao telefone.
Foram as 34 páginas mais felizes e rápidas de sua vida.
Passaram num instante impregnando nos lábios dela
um sorriso impossível de tirar ou disfarçar.
Foi aí que ela se deu conta de que o amor faz o tempo voar.
Mas quem se importa?
Na rua, disfarçava. Tampando a boca para que ninguém visse
o quanto estava rindo à toa.
Sentia culpa por estar feliz.
_Como assim, feliz?
Não tem o menor cabimento...
Não queria chamar atenção por esta razão.
Logo ela, cética.
Logo aquela que sempre achou a vida penosa demais.
Agora andava por aí, sorrindo largo.
Não acreditava nessa possibilidade, nem nas pessoas.
Ela não tinha crença alguma e
zombava de toda e qualquer esperança.
Era dura.
Feito pedra.
Amarga igual remédio.
Sentia falta de ar,
mas também não fazia tanta questão
em respira as impurezas da cidade.
Conformada com sua teoria de que as
pessoas dão aquilo que podem dar,
estava acomodada com tudo ao seu redor.
Num tanto faz, num leva e traz, no chove não molha.
Esperando a vida passar aos finais de semana.
Despreocupada com o tempo, com o vento,
saía sempre sem o guarda-chuva e o casaco.
Molhava-se e mesmo assim era incapaz
de perceber as horas. Mesmo passando frio
ou tendo que colocar as roupas no varal
que ficava numa pequena varanda em um
também pequeno apartamento.
Onde ela vivia só.
Triste em seu quarto, lendo o livro que
escolhera demoradamente nas prateleiras
da livraria que freqüentava.
Até que um dia, lá na livraria,
ela escolhia mais um romance para
viver em palavras quando uma mão maior
que a sua pegou o objeto retangular em questão.
A capa era amarela.
Estavam bem próximos um do outro
e ele percebeu que ela estava desejando-o.
Não a ele, mas o livro que carregava.
_Desculpe, qual o seu nome?
_Por que?
_É realmente, me perdoe, não quero ser invasivo.
Gostaria de saber seu nome...
_Ana.
_Oi Ana, vi que você ficou...
Bem, como vou te dizer... É...
Você por acaso estava querendo este livro aqui?
(disse isso chacoalhando o livro em sua frente,
como se ela fosse um cachorro e o livro um enorme osso).
Irrefutavelmente ela só balançou a cabeça num não.
Os cabelos dele, despenteados prendiam
os olhos dela, bem no alto.
Vestia camisa xadrez, jeans e all star azul.
Ela também, xadrez, jeans e all star vermelho.
Mesmo observando todos os detalhes nele,
que tinha sardas nas orelhas por exemplo
e que elas também habitavam seu cotovelo,
Ana preferiu ignorá-lo.
_Ah, ok. Acho que me enganei.
E quando ele já virava de costas ouviu um:
_Não...
_Hã?
_É verdade, este seria o meu livro escolhido de hoje.
Mais pela cor. Sabe, ainda não li a orelha,
então acho que tudo bem, posso não querê-lo.
Eu viverei sem ele. Lógico, já tenho idade suficiente
para saber que vou sobreviver e
acho até que eu não iria gostar muito...
Então pode ficar, é isso, é seu, todo seu...
_Calma querida, está nervosinha?
Teve um mal dia ou você é assim sempre?
Espere, deixe-me falar! Com calma, sim?!
Ele disse isso num sorriso apreensivo e engatou
logo após um suspiro longo.
_Então... Faremos assim, vou comprá-lo
porque este é também o meu escolhido,
também pela cor, enfim...
Você me passa seu telefone que assim
que eu terminar de ler, te empresto.
_Sei. E quando será isso?
_Logo, quero te ver logo...
Ela sorriu. Pegou uma caneta
(sempre tinha uma na bolsa) e
escreveu na contra capa do livro amarelo seu telefone.
Saiu em seguida, meio descrente.
Segurou com dureza a felicidade que queria
sair de dentro do peito. Afinal, não acreditava
em nada daquilo que o frio na barriga tentava alertar.
Há quem ache até que foi uma cena de puro desprezo.
Assim me confidenciou um dos funcionários
da livraria que assistiu a tudo de longe,
torcendo para ela amolecer, adoçar e se entregar.
Não sabe ele que desde o telefonema,
na mesma noite em que houve o encontro casual
na livraria, aliás, apenas algumas poucas horas
depois do ocorrido, assim, como mágica, a menina virou açúcar.
Graças àquele quase desconhecido, com sardas nas orelhas e no cotovelo,
que leu o primeiro capítulo inteiro para ela ao telefone.
Foram as 34 páginas mais felizes e rápidas de sua vida.
Passaram num instante impregnando nos lábios dela
um sorriso impossível de tirar ou disfarçar.
Foi aí que ela se deu conta de que o amor faz o tempo voar.
Mas quem se importa?
Friday, August 28, 2009
O amor.

Come.
Engole.
E chupa.
Sobretudo na hora de acordar e de dormir.
7:43h am.
_Amor, me diz bom dia, bom trabalho.
Ela de olhos ainda fechados quase se aborrece por
ter sido acordada dessa maneira.
Não quer acreditar no que está ouvindo, mas
repete a frase com sorriso nos lábios.
_Bom dia Amor e bom trabalho.
23:19 pm.
Ele tocava o piano há pelo menos 40 minutos
quando resolveu levantar e apoiar o corpo no batente da porta
do quarto onde ela estava. De pijama, encostada na cabeceira da cama,
com todos os travesseiros, um pote de sorvete na mão, uma colher na outra.
Ora na boca, ora no pote.
_Não gostou?
_Como assim não gostei, eu adoro esta nossa música!
_Mas esta não é aquela, é outra.
_Ah... Mas eu adoro também. Adoro tudo o que você toca.
Diz ela séria, olhando exclusivamente para a TV.
Thursday, August 27, 2009
Wednesday, August 26, 2009
Saturday, August 22, 2009
Vem!!!

Vem!!!
ball´s place
são paulo: rua mourato coelho, 451
pinheiros e rua augusta, 2690
galeria ouro fino - 2°andar f:(11)30823821
sorocaba: rua da penha, 1126
centro - arp alamedas
f:(15)32343821
Labels:
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sonhos
Friday, August 07, 2009
Tuesday, July 14, 2009
Pensou nos primeiros 4 minutos do dia:
Daqui a pouco é agosto.
Gosto do frio quando está calor
e do calor quando está frio.
Nunca estou satisfeita!
Sexo de manhã me da preguiça de sair da cama.
Mas tudo bem porque cada dia é mais difícil de sair da cama.
Se fosse possível, hoje não saía da cama.
Ser adulto é chato.
É isso. Sair da cama cedo.
Não entendo como os adultos
conseguem ser adultos há tanto tempo.
E minha mãe que é adulta já há pelo menos 30 anos.
Coitada. Como ela aguenta?!
Acho que a solução é mesmo ter uns filhos.
Mas pensa, onde estariam agora?
Se Deus existir, bem bonzinho e me achar merecedora,
dará além de filhos, netos pra mim.
Tudo em seu tempo e em seu devido lugar.
Hoje vou caminhando. Definitivamente não gosto de dirigir.
Nem de me arrumar para casamentos.
Não me lembro do nome daquele
seu amigo que se casa no sábado.
Merda! Preciso lembrar do nome!
Preciso lembrar do nome!
Senão, de novo vou chegar na Cleusa Presentes
como fiz ontem e não saberei a que lista pertencemos.
Apesar de que, todas as listas devem ser meio iguais.
Milhares de pessoas se casam neste sábado.
É... Legal as pessoas casarem.
[um meio sorriso]
Ontem você teve uma espécie de ciúme.
É eu vi! Percebi! Tudo bem vá...
A noite vou fazer funcionar a nova máquina
de lavar que ocupa junto da velha toda nossa lavanderia.
Se é que posso chamar aquilo de lavanderia!
Vou colocar a máquina velha na sala.
Tipo decoração. É, uma solução.
É... Não vejo a hora de mudar.
Apesar disso nunca ter passado pela minha cabeça!
Parece perfeito.
Olha, estou bem humorada!
Obrigada, a culpa é sua!
Estou atrasada.
Merda!
Ainda tenho que passar na Cleusa,
me perder nas listas e comprar algo
com a cara de alguém que não conheço.
Queria mesmo é comprar uma bicicleta
e consequentemente um capacete.
Preciso ir ao médico,
mas vou tentando me consertar sozinha.
É meu jeito.
Xiii, está sangrando meu nariz.
Igual ontem. E amanhã, provavelmente.
Gostaria de respirar.
Mais e melhor.
Não é nada demais né?!
Só fazer o ar entrar.
E sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Gosto do frio quando está calor
e do calor quando está frio.
Nunca estou satisfeita!
Sexo de manhã me da preguiça de sair da cama.
Mas tudo bem porque cada dia é mais difícil de sair da cama.
Se fosse possível, hoje não saía da cama.
Ser adulto é chato.
É isso. Sair da cama cedo.
Não entendo como os adultos
conseguem ser adultos há tanto tempo.
E minha mãe que é adulta já há pelo menos 30 anos.
Coitada. Como ela aguenta?!
Acho que a solução é mesmo ter uns filhos.
Mas pensa, onde estariam agora?
Se Deus existir, bem bonzinho e me achar merecedora,
dará além de filhos, netos pra mim.
Tudo em seu tempo e em seu devido lugar.
Hoje vou caminhando. Definitivamente não gosto de dirigir.
Nem de me arrumar para casamentos.
Não me lembro do nome daquele
seu amigo que se casa no sábado.
Merda! Preciso lembrar do nome!
Preciso lembrar do nome!
Senão, de novo vou chegar na Cleusa Presentes
como fiz ontem e não saberei a que lista pertencemos.
Apesar de que, todas as listas devem ser meio iguais.
Milhares de pessoas se casam neste sábado.
É... Legal as pessoas casarem.
[um meio sorriso]
Ontem você teve uma espécie de ciúme.
É eu vi! Percebi! Tudo bem vá...
A noite vou fazer funcionar a nova máquina
de lavar que ocupa junto da velha toda nossa lavanderia.
Se é que posso chamar aquilo de lavanderia!
Vou colocar a máquina velha na sala.
Tipo decoração. É, uma solução.
É... Não vejo a hora de mudar.
Apesar disso nunca ter passado pela minha cabeça!
Parece perfeito.
Olha, estou bem humorada!
Obrigada, a culpa é sua!
Estou atrasada.
Merda!
Ainda tenho que passar na Cleusa,
me perder nas listas e comprar algo
com a cara de alguém que não conheço.
Queria mesmo é comprar uma bicicleta
e consequentemente um capacete.
Preciso ir ao médico,
mas vou tentando me consertar sozinha.
É meu jeito.
Xiii, está sangrando meu nariz.
Igual ontem. E amanhã, provavelmente.
Gostaria de respirar.
Mais e melhor.
Não é nada demais né?!
Só fazer o ar entrar.
E sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
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vida
Monday, July 06, 2009
Monday, June 29, 2009
Ou sadia.
Ficou indignado.
Decepcionado.
Até parecia a guria de tão chateado.
Ao ouvir o que um dia fez com ela.
Antes de partir.
Decepcionado.
Até parecia a guria de tão chateado.
Ao ouvir o que um dia fez com ela.
Antes de partir.
Monday, June 22, 2009
Thursday, June 18, 2009
sonho
Te contei?
Que sonhei com você.
Que te encontrava na rua.
Assim, do nada, no meio de todos.
E parava.
E olhava.
E sorria.
Retribuía aos olhos teus.
Enquanto os outros me diziam que era um absurdo.
Que jamais deveria eu conversar de novo contigo.
Nem dar-lhe ouvidos.
Que deverias pagar por todo mal que nos fez passar.
Te contei?
Que foi um pesadelo.
Desses que depois a gente se pergunta
será que foi verdade?
Pegava-te pelo braço, como fazia de habito.
Te encarava sem medo.
E perguntava algo sobre sua felicidade.
Você me respondia com um gesto sincero.
Eu disfarçava.
A gente se abraçava.
Assim, como se não houvesse mais rancor entre nós.
Como se não houvesse mais espaço
para este tipo de sentimento.
Ou tivéssemos nos curado.
Com o tempo.
E que naquele momento
só desejássemos coisas boas um ao outro.
Te contei?
Que no meu sonho você me parecia
melhor do que realmente é.
Que sonhei com você.
Que te encontrava na rua.
Assim, do nada, no meio de todos.
E parava.
E olhava.
E sorria.
Retribuía aos olhos teus.
Enquanto os outros me diziam que era um absurdo.
Que jamais deveria eu conversar de novo contigo.
Nem dar-lhe ouvidos.
Que deverias pagar por todo mal que nos fez passar.
Te contei?
Que foi um pesadelo.
Desses que depois a gente se pergunta
será que foi verdade?
Pegava-te pelo braço, como fazia de habito.
Te encarava sem medo.
E perguntava algo sobre sua felicidade.
Você me respondia com um gesto sincero.
Eu disfarçava.
A gente se abraçava.
Assim, como se não houvesse mais rancor entre nós.
Como se não houvesse mais espaço
para este tipo de sentimento.
Ou tivéssemos nos curado.
Com o tempo.
E que naquele momento
só desejássemos coisas boas um ao outro.
Te contei?
Que no meu sonho você me parecia
melhor do que realmente é.
Wednesday, June 10, 2009
Monday, June 08, 2009
Tuesday, May 12, 2009
Sunday, April 26, 2009
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