Saturday, September 15, 2007

Friday, September 14, 2007

Nada demais. Era só TPM.



Uma pena.
Mas agradeço a mágoa.
Nada em especial com alguém tão especial.
Precisa de espaço.
E tempo. Mais tempo.
Não precisa de palavras delicadas.
Definitivamente nem as identifica.
Há mais.
Há sentir.
Sim.
Sente-se.
Só.
Não quero ter que te ensinar...

Friday, September 07, 2007

Thursday, August 30, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias (dia 5).

5 últimos filmes assistidos por LP:

1. As leis da família.
2. Paris eu te amo.
3. A comédia do poder.
4. Medos privados em lugares públicos.
5. O livro de cabeceira.

5 últimas coisas ingeridas por LP:

1. dois comprimidos de tylenol
2. uma xícara de café puro
3. um toddynho
4. uma fatia de pão pullman com polenguinho
5. um copo de plástico de água

5 últimos livros lidos por LP:

1. A menina que roubava livros.
2. Na praia.
3. Como respirar debaixo d’água.
4. Memórias das minhas putas tristes.
5. O pequeno príncipe.

5 descobertas de LP sobre ela mesma:


1. gosta de ler poemas e se emociona com eles.
2. mojito é sua bebida preferida
3. é boa amiga, dessas que você pode ligar a qualquer hora da madrugada.
4. é tranqüila por fora e tensa por dentro.
5. hiperativa – não era uma fase... tudo bem!

5 coisas que LP tem feito de madrugada:

1. dançado com amigos, o que tem sido bem divertido.
2. estudado, sua Pós graduação tem lhe tirado o sono.
3. estado em cafés 24 horas em companhia de
Priscilla da Bahia e Maíra de Floripa +
chocolate quente, pão de queijo e internet... é perfeito!
4. tem recebido mensagens em seu celular,
algumas engraçadíssimas, outras em tanto.
5. chegado em casa só, nem sempre sóbrea
e é aí que não consegue deixar de perceber o
comentário indesejado do porteiro, do tipo
“ foi boa a noite hoje hein Dona Luiza!” eu mereço!rs.

Wednesday, August 29, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias (dia 4).

5 coisas legais que dá para fazer no ônibus ou no metrô por LP:

1. observar as pessoas. Uma por uma.
2. dá para escrever sobre estas pessoas e até desenhá-las.
Ou ainda, ler o jornal.
3. se quiser, pode conhecer a pessoas que
sentou ao seu lado ou a que está em pé na sua frente.
4. se alimentar, o que é bem complicado quando se está dirigindo.
5. dá ainda para terminar de se maquiar, arrumar o cabelo... se enfeitar!

5 coisas super desinteressantes por LP:

1. signo. Papo sobre ascendentes e astros.
2. papo ecológico de gente que não recicla nem o óleo da cozinha.
3. pessoas eu não trabalham nem estudam.
Não produzem seu próprio dinheirinho,
vivendo de mesada,
acomodadas por pais responsáveis demais.
4. Jô Soares
5. fofocas da classe média e alta, dando ritmo à vida das dondocas.

5 coisas legais que LP tem em seu apartamento:

1. seus livros.
2. suas duas poltronas pretas.
3. suas poesias, desenhos e recortes de jornal
pendurados nas paredes, convivendo com ela.
4. seus remédios para dor e o descongestionante nasal,
fazendo-a sobreviver.
5. seus sonhos depositados nos travesseiros,
bem embrulhados em fronhas limpas.

5 coisas que LP tem nojo:

1. cabelo dos outros e seu acumulados na escova
ou espalhados pelo box do banheiro.
2. escova de dente velha.
3. banheiro químico em dia de sol.
4. comida engordurada.
5. de vomitar.

5 cheiros adoráveis por LP:

1. gasolina
2. acetona
3. confort
4. café
5. da torta da mamãe

Friday, August 24, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias (dia 3).

5 dúvidas pertinentes:

1. por que pararam de falar no aquecimento global?
por que está frio?
2. considerando que eu já almocei sozinha,
posso convidar o porteiro para o jantar?
3. é insano brindar com a lata de azeite
o primeiro gole de vinho e passar
o resto da noite conversando com ela?
4. por que você não me liga?
será que deu liga? acha que devo ligar?
5. posso preferir ir ao cinema sozinha?
Não me sinto a vontade para chorar na sua frente.

5 palavras preferidas por LP:


1. obrigada
2. recíproco
3. ame
4. doce
5. tesouro

5 boas lembranças da infância de LP:

1. aniversário de três anos junto com o Chico,
bolo do Mickey, roupa vermelha, laço no cabelo
e de presente uma coleção de carimbos da turma da mônica.
2. um natal inocentemente feliz aos oito anos.
3. a cozinha da vovó Edna, menção especial
para as balas de goma e a coxinha de frango.
4. piscina com a mamãe no final de tardes
quentes – a água parecia geléia.
5. brincadeira de “escravos de jó” ao redor da mesa,
na casa da tia Walde com outras crianças.

5 sensações prediletas por LP:


1. arrepio
2. saciedade
3. ócio
4. saudade
5. exaustão

5 coisas insuportáveis para LP:

1. gente preconceituosa
2. fila de banco e de banheiro
3. pessoas que nunca mudam o visual.
Que estão sempre com o mesmo corte de cabelo
e um pretinho básico que as deixam iguais a todo mundo.
4. pessoas que cospem no chão.
5. atrasos

Thursday, August 23, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias (dia 2).

5 coisas abomináveis da TV por LP:

1. programação de domingo.
2. programação infantil da TV aberta – exceto canal Cultura.
3. jornalismo terrorista.
4. o casal Fátima Bernardes e Willian Bonner.
5. big brother.

5 últimas alegrias vividas por LP de ontem para hoje:

1. ter recebido sua irmã em sua casa.
2. ter tido companhia no café da manhã.
3. achou-se emocionalmente equilibrada lá pelas duas da tarde.
4. perdeu-se às 17h
5. pesou-se e sorriu para seus 52 k

5 produtos que LP considera cruéis:

1. Biothônico Fontoura é dose pra leão.
2. sabonetes íntimos líquidos para nós mulheres
que tem além de nomes bizarros (ex.: Dermacid)
tem propagandas machistas e embalagens horríveis cor de rosa.
3. Corega – a fita adesiva para dentadura (quer dizer, prótese)
que permite que você coma até maçã e sorria num churrasco.
4. cremes hidratantes bronzeadores e luminosos
que prometem fazer você brilhar.
5. TAK 500 - você toma um comprimido
que vira uma esponja sugadora de gordura.
Aff!! Isso existe!

5 sonhos de consumo de LP

1. aquela máquina de fazer suco que
se você enfia uma cenoura inteira e uma beterrada
resulta num suco incrível de múltiplas vitaminas.
2. um apartamento
3. uma TV tela plana daquelas bem fininhas.
4. sapatos para o verão 2008
antes de todo mundo e antes mesmo do verão chegar.
5. tecnologia.

5 preocupações constantes:


1. não sentir nada. Só sentir muito.
2. bem estar de sua família e amigos.
3. o quanto se produz de dinheiro X o quanto se gasta para viver.
4. juros do cheque especial, dos cartões de crédito.
5. falta de tempo. Os dias, semanas, meses e anos passando por mim.

Wednesday, August 22, 2007

5 listas de 5 itens por 5 dias.

5 coisas que irritam LP:

1. pessoas que falam demais.
2. que roubam comida do meu prato (só batata frita pode).
3. que sempre que me encontram, reclamam da vida,
do trabalho, da família, do namorado, da cunhada, da casa...
4. que tomam suco enquanto eu tomo cerveja.
5. que não sorriem fácil, largo e solto.

5 coisas que agradam LP:

1. bebês ruivos.
2. jantar com os amigos em restaurantinhos pequenos e aconchegantes.
3. pessoas inteligentes, sorridentes e generosas.
4. um café expresso, bom papo e adoçante.
5. poesias de Mallarmé.

5 coisas que emocionam LP:

1. arte
2. vovó Edna e seu Auseimer.
3. cheiros de infância, memória, saudade.
4. palavras sinceras ditas de pertinho.
5. amanhecer – anoitecer.
Ela quase nunca tem a chance de observar estas passagens.

5 coisas que LP gosta de fazer aos domingos:

1. tomar sol na cama (no inverno).
2. almoçar com amigos e ou família.
3. tomar um bom café da manhã, mesmo que seja meio dia.
4. cinema, exposição, teatro... sozinha ou acompanhada, não importa.
5. se conseguir acordar cedo, sair para correr no parque mais próximo.

5 coisas que dão a LP muito prazer:

1. chocolatinhos pequenininhos muito bem embrulhadinhos e saborosos.
Gosta de derretê-los no céu da boca.
2. sexo com intimidade.
3. estourar bolinhas do plástico bolha.
4. vender.
5. brincar com sua sobrinha e outras crianças como se fosse da idade delas.

Friday, August 17, 2007

Se é que há.

Vê se fica feliz!
Com coisas simples, mais palpáveis.
Seja fácil comigo. Serei com você incondicionalmente.
Pare de colocar sua felicidade
tão distante da palma de suas mãos.
Seja feliz agora, neste instante.
Permita-se.
Tranqüilamente a andar num novo ritmo.
Acompanhe-me.
Dance...
Seja mais maleável.
Mais engraçado.
Tente rir um pouco.
De você, aos poucos.
Sorrir ao outro.
Dar sua atenção, um minuto do seu dia
para as pessoas que te querem bem.
Telefone pra elas.
Encontre-as.
Tente gostar de quem gosta de você.
Perceba... Todos têm algo de bom.
Faça a troca. Comércio. Escambo.
Traga-me o melhor de ti e leve consigo o melhor de mim.
Tente!
É um exercício que toda pessoa inteligente deve fazer...
Venha disposto!
A tarde será agradável.
Saudável.
Impreterivelmente.
Porque vou fazer ela acontecer assim.
Vou te falar coisas que sei que gostaria de ouvir.
Farei elogios que saem de mim.
Naturalmente.
Vou dizer que está lindo.
O dia. Você.
Que seus sapatos são lindos e o casaco impecável.
Vou dizer ainda algo positivo
sobre seu cabelo e a tatuagem nova.
Te farei especial ao meu lado.
Tomaremos um chá quente com bolachas.
Será confortável. Macio.
Você poderia me levar para um café.
Adoçar-nos por nada.
Em troca te darei flores.
Um cheiro de mato.
Algo verde para colocarmos na sala.
Algo vivo.
Faça-me te ver bem vivo.
Pulsante.
Indagando, perguntando, questionando.
Traga pra nossa mesa palavras bem colocadas.
Que combinem com a gente.
Histórias engraçadas. Invente coisas boas.
Situações.
Traga-me suas novidades. Dúvidas.
Divida-se comigo.
Seja generoso.
Intenso e leve.
Leve-me para seus sonhos
sem que tenhamos que sair da cadeira.
Não tenha medo de dizer suas verdades.
Acredite na capacidade do outro em te compreender.
Seja sincero consigo. Com o mundo. Com todo mundo.
Na medida certa.
Faça-me sorrir com os olhos.
Olhe-me nos olhos e guia-me com os teus.
Me mostra teu universo. Sua música preferida.
O último livro de ontem.
Me ensina a ser.
Tome sol aos domingos.
Vá ao cinema, ao teatro e me convide, por favor.
Faça algumas surpresas.
Surpreenda-se.
Estude.
Cozinhe e convide amigos para o jantar.
Durma por oito horas ao
menos três vezes por semana.
De pijama quente, cobertores macios
e um bom travesseiro.
Faça exercícios físicos.
Vá à praia.
Ande descalço na areia, na grama.
Pare a tarde para um sorvete.
Contemple um dia terminando
ou começando, sem pressa.
As maravilhas das cores do céu.
Espreguice.
Recicle o lixo.
Não responsabilize o outro.
Faça por si mesmo.
Ame. Seja cordial.
Sensível.
Sinta, não consinta.
Economize desafetos e água.
E não desperdice energia com bobagens.

Wednesday, August 15, 2007

Saturday, August 11, 2007

Fase Boa Porque:

Mora só.
Almoça sozinha.
Janta sozinha.
Conversa com as plantas que estão
bem distribuídas na janela do banheiro.
Com a lata de azeite logo no primeiro gole de vinho tinto.
Tinta. Pinta.
Os olhos e a boca antes de sair de casa.
Os cabelos. Deixa crescer.
Formada em Artes Plásticas pela FAAP
resolveu agora aos 28, voltar a estudar.
Pra ocupar o tempo que não tem.
Ausência de si.
Matriculou-se na Pós de Comunicação
com ênfase em Jornalismo Cultural pela PUC.
E tem adorado ir até lá três vezes por semana
pra pensar literatura, cultura, arte e religiosidade.
Trabalha com moda desde menina - estilista.
Faz disso um comércio, com três lojas pra cuidar
de segunda a sábado.
Aos domingos dedica-se ao sol que vêm
visitá-la depois do meio dia.
Se o dia insistir no cinza ela sai pra correr,
pra nadar, pra ver exposições, teatro, cinema.
Nada de ficar em casa!!!
Não tem visto nada na TV.
Precisaria de muitas ritalinas
para chegar ao final dos DVDs
que tem na estante do quarto.
Mas não se droga porque não tem acesso a elas.
E não sente nada.
Nem sente muito.
Ainda...
Isso a tem deixado um tanto transtornada.
Se bem que “tudo bem”. Vai passar.
Pensou em andar numa montanha russa
pra ver de novo seu coração palpitar.
Alimentou a chance de levar uma surra
pra ver se a dor residia novamente em seu corpo.
Mas tudo não passou de projetos.
Odeia projetos.
Gosta de executar.
É pragmática.
Funcional.
Desenha poesias e gosta muito de escrever
em seu livro de cabeceira,
que na verdade não é de cabeceira, mas de bolsa.
Fica na bolsa. Preta como as unhas.
Dentro, dois comprimidos de neosaldina,
uma aspirina efervescente,
uma pasta e escova de dente,
uma cartela de dorflex (parcialmente consumida),
um livro quase no fim.
A agenda,
as contas a serem pagas,
uma caixa de antiinflamatórios
receitada por seu amigo psiquiatra,
alguns elásticos e presilhas de cabelo.
O celular.
A chave do carro, da casa,
das lojas e do seu cofrinho que não
tem nada dentro, a não ser
lembranças que ela não consegue
deixar espalhadas pelo apartamento.

Friday, August 10, 2007

Constatação veloz de uma mulher de quase 30.

A ansiedade me mata aos poucos.
Se pelo menos ela me matasse rápido...

Wednesday, August 08, 2007

5 Dúvidas de uma mulher de quase 30:

- Como se faz pouca sopa?
- Por que pararam de falar no aquecimento global? Por que está frio?
- Por que você não me liga? Será que deu liga? Será que devo ligar?
- Considerando que eu já almocei sozinha, posso convidar o porteiro para o jantar?
- É insano brindar sua primeira taça de vinho com o litro de azeite
e passar o restante da noite batendo um papo com ela?

Responda!
rs.
É só uma piada x 5!

Podemos almoçar? Você leva sua namorada e eu levo meu bom humor...

Monday, August 06, 2007

A Frase do Homem Contemporâneo.

Depois de uma longa reflexão foi eleita a frase
mais dita pelo homem contemporâneo de meia idade.
Pelo menos é a que eu tenho mais ouvido
com meus próprios ouvidos e olhos que
não escondem a insatisfação imaginária
do repetido repertório triste quando se diz:

“Eu não valho nada.”

E a pergunta que me sobra é:
Quer mesmo falar sobre isso?

rs.

Wednesday, July 25, 2007

Não me leia.

Já sei que prefere me ler feliz.
Se bem que acho inviável. Já olhou pela janela?
Mas posso mentir se isto provocar alívio.
Tudo bem pra mim.
Porém, felicidade palpável mesmo, só aqui dentro.
Na minha poltrona preta, rodeada dos meus livros,
meus desenhos e meu silêncio.
O pó gelado de São Paulo impregna a casa toda.
Fuligem de caminhão, carro e ônibus que sobem me visitar no segundo andar.
E entram sem bater, loucas pra me ver.
Por isso decidi, vou comprar uma bicicleta e farei uma longa viagem.
Respirar outros ares.
Suar frio vendo outra paisagem que não as paredes do quarto.
Quero sorrir observando outras flores.
Eu adoro as do supermercado, mas elas são quase mortas.
Quero coisas vivas. Quero viver bem com minhas verdades.
Sentir o vento no rosto e que ele seque minhas lágrimas.
Quero cheiro de mato. De chuva. Terra molhada.
Quero um campo inteiro só pra mim.
Minha bicicleta e eu. Mais nada.
Vou ver se consigo sonhar algo pra nós.
Enquanto meu cabelo se mexe na velocidade do pedal.
Vou me impor limites.
Quero sabores novos e longos períodos de descanso.
Sei que sou capaz. Só não sou agora.
Não quero agora.
Mas fica tranqüila, te fiz um texto feliz.
Sabendo que tudo se cura com hipoglós, merthiolate,
sonrisal e algumas palavras doces.
Doce. Um bom filme. Bons amigos e chá!
Agora sorria, afinal fiz um esforço enorme ignorando-me por dentro.

Só Felicidade.

Meus primeiros dias de solteira feliz
foram realmente felizes. Pode acreditar!
Me encantei com as novidades do mundo
das pessoas sozinhas não deprimidas.
Foram descobertas incríveis.
A começar por todas as coisas que se vende no supermercado,
voltada para este mercado solitário e que eu
jamais havia dado um segundo da minha atenção.
Agora ando a procura deles nas prateleiras.
Porções únicas de arroz, laranjas descascadas cortadas
ao meio sem caroço e posição de destaque para as chamadas
saladas “single” que vem lavada em pequeninas embalagens infladas.
Prontas para consumo.
Aliás, tudo na vida de solteiro é pronto para consumo.
Instantâneo. No máximo, vem um AGITE ANTES DE USAR.
Estou me habituando com a idéia.
No mais, percebi que não tenho compromisso depois do trabalho.
Não tenho que chegar em casa porque não tem ninguém me esperando.
E confesso, não sei se gosto. Tem dias que gosto, tem dias que desgosto.
Mas acho que é assim mesmo.
Ando me divertindo com minhas oscilações de humor.
Se houvesse um gráfico... rs.
Descobri que posso fazer tudo o que quero.
E que o que eu não quero, não preciso fazer.
Que agora, sou só eu quem sofre as conseqüências, assim, só eu me fodo.
Se eu não quiser, resolvo. Sorrio. Trabalho. Corro. Descanso. Saio. Danço.
E volto para casa ao amanhecer.
Voltei a observar o sol nascer. Cheirando a fumaça sempre, infelizmente.
E mantivemos neste primeiro mês uma relação intensa... O sol e eu.
Momentos prolongados de prazer na cama aos domingos.
É o único lugar do apê que ele bate e durante a tarde,
por isso só nos encontramos nos finais de semana. Mas já é alguma coisa.
Uma relação. Ahhh, as relações. Foi difícil e não menos engraçado.
Me vi só. Me vi tímida, crítica, quase chata, egoísta.
Sem paciência com a pessoa certa, com paciência com a pessoa errada...
Desesperada aos domingos.
É o pior dia para quem está sozinho. Domingo é de matar!
Mas ando sempre a repetir em alto e bom tom,
para me ouvir e quem sabe me conscientizar:
“Cada um dá o que pode dar”.
Se alguém pode me fazer companhia no domingo, ótimo.
E levando-se em consideração que o sol já vem me ver...
Maravilha!
Andei refazendo contatos antigos. Nostalgia total.
Andei a procura de pessoas que gostam de coisas que eu gosto
ou que me mostrem novidades vindas de lá.
Com quem eu possa trocar algo mais do que quatro frases e quem sabe,
me empolgar e fazer o papo rolar, rolar, rolar...
Se desmembrar em coisas melhores. Em jantares. Viagens.
Em almoços. Já pensou? Em almoços de domingo?
Nossa. Vai ser ótimo. Divertido.
E feliz.
Uma felicidade só.


LP encontrou Maíra de Floripa, Priscilla da Bahia.
Se divertiu com Cecília e Drizis que embarca no início do mês para Paris.
Almoçou num domingo de sol com Felipe.
E vai ficar bem porque tem conseguido se relacionar relativamente
com as pessoas ao seu redor.

Wednesday, July 18, 2007

O que eu posso dizer?

Achei este textinho... Achei que tinha que publicar...
Belezinha. Mas não tem nada ver com o dia de hoje.

Nublado e cinzento - da cor da estação.
Ou seja, como diria minha amiga Drizis...
"Dia Fashion"!!!
.................................................................................................
Bem, deixe-me ver.
Não quero ficar perto de você.
Não quero mais ter que te ver.
Não quero ir contra os meus princípios
só para te deixar feliz ou sem culpa.
Mesmo sendo eu uma principiante,
sei bem o chão em que quero pisar daqui para diante.
Sei também que talvez esta má experiência
não seja a única na minha vida.
Não, se Deus quiser será.
E falando nele, sei que contrario todas as doutrinas católicas
quando escondo minha outra face da sua mão pesada.
Não sou boa na arte de perdoar. Confesso.
Mas nem por isso sinto-me uma menina má.
Não me sinto pronta.
Instantaneamente pronta.
Igual miojo.
Nas noites mal dormidas ainda sonho.
Sinto muito, estou apenas me protegendo.
E como aqui sou só eu...
O que quer que eu faça?
O que quer que eu diga?
Quer que eu fale mais baixo para ninguém ouvir?
Sim, eu prefiro.
Prefiro sussurrar.
Prefiro cuspir.
Esmurrar a parede do banheiro,
meu único cômodo com chaves.

Prefiro que você fale tão baixo,
mas tão baixo, que não seja possível eu te escutar.
Prefiro a música alta.
A TV sempre ligada, em alerta.
Maré baixa.
E sem telefone em casa.

Saturday, July 14, 2007

Só o pó.

Exaustão.
Cheguei.
Depois de um mês buscando-a desesperadamente.
Então, agora será a hora do descanso sem paz.
Porque o corpo lamenta, mas não “guenta”.
Arde.
Chora.
Desordena.
Desonra.
Distorce.
Fragmenta-se em pedacinhos.
Em cacos afiados igual lâmina.
Lamentos.
Não levanta da cama.
Não dorme.
Não sonha.

Come sempre a mesma coisa que tem na geladeira.
Não sente gosto, nem cheiro, nem desejo.
Nem falta.
Não tem alta.
Não grita.
Nem fala alto o bastante que o faça ouvir os sussurros.
O corpo padece.
Mente.
Adoece.
E se entorpece com antibióticos da farmácia mais próxima.

O corpo agradece o descanso.
A trégua.
Mesmo sem paz.
Apático, quieto com pensamentos barulhentos.
Por todas as dúvidas de outrora.
Pela música de fundo que não há.
Por não existir mais nada além dele mesmo e as paredes do quarto encardidas do pó.
Que enche a vida dela.

Wednesday, July 11, 2007

Os primeiros dias.

Nunca sobrou tanto tempo.
Vazio.
E percebo que continuo a dormir do meu lado da cama.
Dividindo meu edredom com o espaço restante.
Há sobras.
E travesseiros a mais.
Mas não reclamo.
Acho bom.
Preencho o dia e a noite de
forma que me perco no tempo.
Já não sei bem quando foi ontem,
nem quando será amanha de manhã.
Quando foi mesmo que cruzei com você da última vez?
Não me lembro mais.
Permito-me acordar mais tarde.
Tomar sol na cama aos domingos.
Derreter dois quadradinhos de
chocolate suíço no céu da boca de madrugada.
E correr quilômetros e quilômetros sem afobar.
Aliás, correr nunca foi tão importante.
Permito-me não seguir regras nem horários.
Nem dietas.
Só faço o que eu quero.
Independo do próximo.
Chega a ser arrogante, mas me policio.
Leio meu livro que parece não ter fim.
Pintos meus olhos.
Alguém que pinte as unhas pra mim.
Desenho. Preocupo-me com o verão 2008 se aproximando.
Pego roupas novas. Cintura alta.
Corto um cabelo tigela.
Sorrio com as possibilidades a minha volta.
Dou gargalhada.
Vou ao cinema sozinha.
Percebo-me egoísta, mas por enquanto
isso não será um problema.
Várias situações me coloco porque
acho sinceramente que se
há um momento para vivê-las,
este é o mais apropriado.
Busco satisfação pessoal.
Virei uma droga sintética.
Um comprimido.
Mas meu máximo de uso é
neosaldina pra curar a ressaca.
Não me encontro.
Bebo.
Comunico-me bem no começo.
Mas basta uma palavra mal colocada que eu inverto.
Saio. Te deixo. Sumo por um tempo.
Tipo férias.
Privilégios...
Não precisa explicar-me nada.
Não precisa dizer nada só pra me agradar.
Se preferir, não precisa nem me enxergar.
Estou bem aqui.
Só.

Wednesday, June 20, 2007

NÃO SINTO NADA. SÓ SINTO MUITO. Volume-2.

Vamos lá, escrever é preciso.
Para organizar os sentidos e acalmar a galera.
Prometi para mim mesma que não escreveria
nada que parecesse triste, para os amigos e familiares não
ficarem ainda mais preocupados do que já estão.
Vivendo seus dias com minhas novidades em mentes.
Roubando-me a energia que tanto preciso
para acordar de manhã e calçar os sapatos.
Não há culpados entre nós.
Até o momento, o que sei é que devo explicações.
Não se tira alguém de circulação assim, sem mais, nem menos.
Então, vou te deixar encontrar meus motivos.
Quando não, me apontar o previsível sofrimento.
Mas todos precisam entender que eu não lhes trouxe nenhum
problema e sim uma nova situação. Uma posição.
Uma mudança de planos. De trajetos. De história.
Trouxe comigo um livro inteiro de páginas brancas.
E deixei para trás milhares de momentos bons tatuados
no meu punho esquerdo.
Fomos espertos, só ficamos com o melhor de nós.
Agora, um novo começo. Novos tropeços. Mas dessa vez, só.
Uma incrível carreira solo sem destino.
Parece-me uma aventura e tanto, não?!
Single, como ele prefere denominar. Não importa.
O que quero, é que não se preocupem ok?!
Não era esta a minha intenção.
Nossa decisão pareceu tão coerente. Sensata.
Tão honesta. Exata.
Escrevo por que... Quero que saibam que estou feliz.

Reavaliando – nos.
Nossa trajetória foi espetacular.
Teve drama, teve fama, brigas e como eu costumo dizer,
o maior amor do mundo. O nosso.
Nossa trajetória foi heróica.
Teve dificuldades enormes e estranhas novidades.
Liberdade, um entra e sai.
Teve poesia, muita música e cafés da manhã na cama.
Nossa trajetória teve de ser revisada.
Avaliações, notas e imposições.
Mudanças de planos, de cidade, de casa, de carro, de vida, de amigos.
Baguncei um pouco você...
Mas permanecemos juntos quando nem eu mesma
acreditei que a gente iria conseguir.

Nossa trajetória foi linda.
Teve romance e flores (já quase no final).
Jantares regados aos vinhos mais vagabundos,
saboreados como se fossem os melhores. E muito chocolate.
Foi doce.
Teve para sempre um papo bom e uma grande amizade jamais vista.
Aprendemos a cozinhar juntos.
Aprendemos a suportar juntos. A nós. Aos outros.
Aprendemos a viver. Com pouco.
E quando você começou a viver com muito,
achei que era a hora de te deixar caminhar só.

Nossa história teve festa. Foi uma festa. Teve bexigas.
Faltou-nos ar na maior parte do tempo.
Mas a gente saiu para dançar de madrugada diversas vezes.
E a gente também dançou no meio da sala de casa
muitas vezes ao som do seu bolero.
De pijama quente e meias escorregadias.
Nossa trajetória teve filhotes caninos e eu
vou guardar com saudade a sensação de felicidade
que havia naquela época.
Teve o piano. O conhaque. O seu filho.
E todos aqueles que eu planejei, mas que de ver verdade,
faltou-me coragem.

Nossa trajetória teve uma dor que eu nunca superei,
quando você ficou doente.
Teve muita incompreensão. Falta de tato dos outros.
Falta de afeto. De ética. De respeito. E faltou-me o perdão.
Mas saiba que não me perdôo por isto.
Nossa trajetória teve superação. Cuidado. Remédios. Horários.
Teve você grudado em mim... Lembra?!
Teve a Rosa nascendo. E você é o padrinho!
O mais querido. Que ela mais gosta de brincar, cantar e dançar.
Teve a vovó Edna adoecendo e você respondendo as
mesmas perguntas de sempre, no maior bom humor.
Bons almoços em família. Piadas ácidas e risadas rápidas.
Teve você tentando me animar na maior parte do tempo. Obrigada.

Nossa trajetória foi marcada por nós mesmos.
Por nossa criatividade. Sua música, minhas imagens.
Por sermos tão complementares.
Pela dificuldade que tivemos de enxergar o quão
distantes estávamos caminhando. Juntos.
Por não querermos enxergar, talvez.
Pela solidez da nossa vida mole. Dura.
Por tudo o que perdura.
Por um carinho eterno e mútuo.
E sua última pergunta:
_ Agora que separou, vai por silicone?

Rs. Não.
Tinha que ser assim...

LNN – Louca Nota Necessária:
Finalizei este texto e mandei para o Tom aprovar
e corrigir através do MSN.
Segue abaixo nosso diálogo:

- Tom em: Fechado pra balanço diz:
Lu, ficou ótimo.

- LP em: Momento Doce. CÚ DOCE! diz:
Gostou? Posso enviar?

-Tom em: Fechado pra balanço diz:
Gostei muito. Manda já.

- LP em: Momento Doce. CÚ DOCE! diz:
Mas não tem erros?

-Tom em: Fechado pra balanço diz:
Só os nossos. Rs.

Wednesday, June 06, 2007

É Drama, Aventura e Comédia Romântica!

Aos trinta, ou quase trinta como é meu caso, uma mulher já amou de verdade pelo menos uma vez na vida. E isso fode tudo!

Engraçado, sempre quis ter trinta. Desde os dezessete.
Isso porque sempre admirei as mulheres de trinta.
Elas me pareciam bem resolvidas. Mais bonitas.
Mais mulheres do que eu, menina.
Agora, finalmente aos vinte e sete, sempre digo que tenho trinta. Antecipo-me. Como sempre, na pressa de viver emoções precoces.
Mas esta ansiedade não faz parte dessa idade.
Não, aos trinta não somos afobadas nem ansiosas.
Tão pouco ociosas.
Nós, mulheres de trinta, achamos que temos o controle da vida.
Que estamos no comando. Dando as regras,
distribuindo as tarefas, racionalizando os sentidos.
Como se isso fosse possível.
Mas vá tentar explicar para uma mulher de trinta o contrário...
Mulheres de trinta não te deixam falar, nem se quer explicar.
Elas dizem por último, riem por último.
Mandam e desmandam, em casa e no trabalho, no sexo e no amor.
Sim, mulheres de trinta - inteligentes,
conseguem separar sexo de amor.
Marido, de pai do seu filho. TPM de stress.

Teoricamente, tudo aos trinta funciona.
Somos práticas e independentes.
Ah, e magras se desejarmos.
Os hormônios parecem controlados!
Nos dividimos em grupos de mulheres distintos assim:
as que se casaram e tiveram filhos;
as que se casaram e não tiveram filhos
(estas cultivam flores, cachorros e sobrinhos para suprir a carência característica da idade);
as solteiras que estão loucas para se casar e finalmente, as divorciadas.
E dentre estes grupos ainda nos subdividimos em:
as que são felizes, as que se consideram infelizes
e as que acham que um dia serão felizes (as solteiras)
quando encontrarem o príncipe encantado.
Mas vá explicar para uma mulher de trinta que isso não existe!!!
Sua tentativa vai morrer de morte natural.
Ela não te dará ouvidos.
A mulher de trinta precisa ver para crer.
Isso porque já tem vivência, experiência.
Acha que tem, pelo menos.
Acha que já sofreu o suficiente, já amou o suficiente
e foi ou é amada insuficientemente. Sempre.

É normal encontrar mulheres de trinta achando
que a vida tem sido bem cruel com elas.
Mas que agora (aos trinta) retomada a consciência do
seu valor material e mental nada mais a segurará.
A não ser um bom cirurgião e as inseguranças femininas
que existem em qualquer idade, mas que nesta fase,
parecem querer tomar proporções desanimadoras...
É! A crise dos trinta. Entramos de cabeça (e de corpo inteiro)
no maravilhoso mundo dos cosméticos anti-idade.
Começam também os exames detalhadíssimos no ginecologista.
E é também bem nessa fase que os dermatologistas insistem em enxergar em nós (belas mulheres da meia idade)
manchas do tempo. Sabe, faz tempo...
Não precisa explicar! E dá-lhe creme!
Creme pra cá, creme pra lá, para a região dos olhos,
para a testa, para orelha, olheiras.
Para as gordurinhas do lado esquerdo.
Para as do lado direito é outro pote!
Sim, você tem defeitos que nem imaginaria.
Nem em seu pior pesadelo.
E é aos trinta que descobre isso.

Minha visão estereotipada da bem sucedida
carreira solo da mulher de trinta foi por água abaixo.
Os dentistas querem clarear os nossos dentes,
os cabeleireiros nos oferecem uma tintura creme
e isso quer dizer que apareceu o primeiro fio de cabelo branco em você. Ele te pertence! As mini saias não. Parecem coisas de adolescentes.
A depiladora é a mesma, há dez anos te maltratando
intimamente e você ainda paga por isso.
Faz as unhas para pertencer ao sistema. Entra no esquema.
Casa, trabalho, cinema.
Nós mulheres de trinta, nos livramos da ressaca trabalhando.
Dos problemas, trabalhando.
Dos dilemas, trabalhando.
Estamos em plena atividade, quando não, doméstica.
Correndo da mesmice. Sem tempo para os amigos.
Buscando intimidade sem cair na rotina.
Sexo sem compromisso.
Mas dá para dar uma ligadinha depois???

A verdade é que mesmo aos trinta ainda
queremos um amor de filme. Com cheiro de menta e pipoca.
E café na cama sem que eu tenha que pedir.
Queremos a felicidade imaginária,
as dúvidas extraviadas,
os sonhos que deixamos de lado sem
haver um bom motivo para tal abandono.
Aliás, aos trinta, não queremos abandonar mais nada!
Queremos aglomerar, reunir, juntar, amontoar, acumular.
Sentir sempre com as pontas dos dedos. Dos cinco. Desejos.
Queremos o frio na barriga mesmo no inverno.
E está em tempo.

ESTE TEXTO É DEDICADO A TODAS AS MINHAS AMIGAS SOLTEIRAS QUE ME PROPORCIONAM BOAS ANÁLISES SOBRE O TEMA. OBRIGADA! :)

Thursday, May 31, 2007

Lp é "Profissa".

Trabalhar com moda é tão chik! Rs.
É mais ou menos assim:
Trabalhamos 24 horas por dia, 365 dias por ano.
Não relaxamos nunca. Até quando chegamos em casa,
depois de todo um dia intenso de trabalho,
continuamos com nossas crias na cabeça.
Nossas pregas e cartelas de cores.
Buscando as tendências antes dos outros.
Investindo em revistas (é cruel o quanto gastamos com elas!!!)
e na TV a cabo para ver a Europa em seus casacos mais quentes,
ou nas saias menores já existentes.

Nós que trabalhamos com moda,
trabalhamos até quando estamos parecendo relaxadas em frente à TV,
com a bunda raramente bem acomodada no sofá.
Sim, sentar-se é raro! Trabalhamos em pé, quando não,
abaixando-se e levantando... Os tecidos... As linhas...
Os moldes pelo chão! As tesouras...
“Se cair mais uma tesoura no chão, eu mato!”
Ouço isso desde pequenina e mamãe nunca matou ninguém.
Nem à tesouradas! Bom, mas voltando ao fato do glamour da profissão...
Vamos lá, fazer um modelinho novo!
Mulheres querem coisas novas o tempo todo!
Não basta um casaco, mas milhares deles.
Mesmo que ela só vá comprar um,
ela quer ter a chance de descartar todos os outros.
Ou não, ela vai comprar todos, mas só vai usar um!
Mulheres são a cada dia mais exigentes e estamos aqui,
praticamente vivendo por elas.
Isso independente da nossa opção sexual.
Viveremos por elas e pronto!

Então começamos pela modelagem.
Fazemos o primeiro molde. Depois a primeira peça piloto.
Verificamos os defeitos e o que devemos mudar.
Aprimorar o modelo. Pra ele ficar mais lindo e
consequentemente as mulheres ficarem mais elegantes.
Fazemos o segundo molde, o terceiro, quarto e o quinto, não importa!
Lembra-se da exigência de nossas consumidoras?
Também somos mulheres, portanto, também somos exigentes!
Depois fazemos milhares de peças pilotos.
Experimentamos, verificamos os defeitos.
Alfinetamos as modelos. Ás vezes, recomeçamos do zero, tudo de novo.
Às vezes descartamos a idéia original,
mas isso só acontece quando a peça fica intragável.
Quando brigamos com o tecido.
Sim, temos esta relação de amor e ódio com nossa matéria prima,
como toda mulher!!! Rs. A primeira peça demora a ficar pronta.
E normalmente ficamos na ponta da máquina,
enquanto a costureira a termina. Ansiosas!
De lá para o arremate. Depois ferro. Queremos vê-la impecável!
E ela vem e a gente veste em alguém que seja P.
Linda! Magnífica! Eu ando até batendo palmas ao final do processo.
Final? Tá de brincadeira?
Falta a grade.
Sim, você fez o P. Falta o PP, o M e o G.
Ou seja, a grade!
E amanhã, precisaremos criar algo novo!
Voltemos aos moldes, às tesouras e se alguma delas cair no chão hoje...
Eu me mato!
Ai, que chik!

Friday, May 11, 2007

A lista.

LP elaborou uma lista incrível com as 12 coisas + cruéis
(coisas, não vale pessoas nem situações) por ela considerada:

1. Sabonete para xoxota (a começar pelos nomes – vagisil ou dermacid),
com embagem cor de rosa e propagandas bizarras na TV.
2. Bolacha de água e sal, sem gosto, sem graça e calórica. Prefiro pão de queijo.
3. Filas. Sejam elas nos bancos ou no banheiro daquela festa que você já teve que enfrentar fila para entrar, fila para comprar a cerveja e ainda vai ter que agüentar outra fila para sair da balada, a fila do manobrista... Não há quem agüente!
4. Vigilantes do Peso. Alguém aí conhece algo mais chato?
5. Futebol toda quarta feira na TV.
6. Música sertaneja é cruel para mim, desculpem!
7. Formigas que gostam de doce e salgado e atacam tudo o que enxergam pela frente, inclusive aquele último pedaço de bolo recheado que você tinha deixado para comer mais tarde.
8. Biotônico Fontoura é dose pra leão!
9. Cabelos com chapinha, escova progressiva, de chocolate, japonesa...
Uniformizando as cabeças das meninas.
10. Política.
11. Papanicolau.
12. Livros de auto-ajuda. Ui! Não dá!

O Fundamental.

Em São Paulo era outono, numa noite de terça.
E eu acabara de voltar do bar Leblon,
sem o menor risco de balas perdidas.
Aliás, já te falei da minha teoria de que no Rio
não existe bala perdida? É bala na mira. Andam mirando em nós.
Estão treinando conosco. E levam nota dez porque andam acertando-nos bem.
Mas isso não vem ao caso. O dilema da noite é que me sinto só.
Sozinha. Sem companhia. Com poucos (três ou quatro) amigos de verdade.
Sem cachorros. Sem conhecer as vizinhas.
Vivendo numa grande metrópole com minha TV a cabo.
Tão sozinha que ando a sentir falta de Dona Maria,
minha amiga de oitenta e tantos que morreu no ano passado.
Ela era chata (só falava de doenças, do marido Jacob,
falecido um ano antes e dos filhos que não vinham visitá-la – é claro),
mas me fazia companhia. Chá com bolacha às quatro e trinta.
Enfim, me vi só depois de um dia cheio. Foi cruel!
E para uma pessoa como eu, tímida, que prefere escrever a falar,
olhar para baixo ou invés de olhar nos olhos; que se emociona fácil,
introspectiva; comunicar-se é como ir para forca a cada diálogo.
É um exercício diário, igual aos outros que me obrigo a fazer.
Já dizia uma psicóloga amiga minha (inclusa na conta acima),
com a qual tenho me consultado de forma velada nos últimos cinco anos,
“Não existe crescimento sem sofrimento”.
Aff! Chego à conclusão então de que sofrer é viver e por conseqüência crescer.
E hoje foi só mais um dia daqueles...
O lado bom da história é que, diante tamanha solidão nada mais há
para se fazer a não ser mergulhar nas profundezas do nosso ser mais íntimo
e observar, como bom expectador, o que realmente somos - sem rótulos.
E é engraçado se não fosse trágico, mas nossas peculiaridades
exibem-se graciosamente num dia como o de hoje.
E pensar que cheguei a esta crise existencial só por
causa de uma pesquisadora de rua que resolveu ignorar o
espaço físico ocupado por mim ao lado dela (ombro a ombro),
sem dar ao menos a chance de eu lhe dizer:
_Desculpe, não posso responder.
Ela não interrompeu meus passos apressados
e ainda tornou-me invisível num dia de sol.
Como assim? Eu seria a pessoa mais indicada para opinar
sobre a cremosidade de todas as marcas de requeijão existentes no planeta.
Ou eu não tenho cara de quem come pão com requeijão todos os dias?

Dessa forma ignorada começou meu dia.
Foi a gota d´água, ou melhor, uma facada de requeijão no peito,
dada por uma desconhecida de prancheta na mão e caneta bic atrás da orelha.
Depois do fato consumado, nada mais me restara.
Corri para casa e vasculhando as velhas agendas num ato de completo desespero,
percorri os nomes dos amigos da faculdade que não vejo há pelo menos três anos.
Mas os números de telefone já nem existem mais, faltam dígitos,
faltou-nos contato e eu não teria coragem suficiente para ligar a qualquer um deles,
depois de todo este tempo de silêncio e dizer, e aí? Vai fazer o que hoje?
Lembre-se da minha timidez desorientada.
Aproveitei para jogar as empoeiradas de 97 a 2007 no lixo.
Isso quer dizer que desmarquei todo e qualquer compromisso
para os próximos sete meses. Assim a vida se reiniciou ao meio dia,
depois de uma manhã inconsolável. Pintei as unhas de vermelho e
saí perambulando em meio aos transeuntes. Nem os bebês sorriram.
Nem o caixa do supermercado. Nem o atendente do Mc Donalds
perguntou se eu queria mais batata por quarenta centavos.
Invisível, percebi coisas incríveis!
Descobri que não sou o centro do universo, que as coisas não regem sobre mim,
tampouco eu sobre elas. Que não sou pontual e por isso meu relógio de pulso
(de plástico) está dez minutos adiantado. Mas como sei disso,
não me engano e perco a hora. Descobri que sou negativa para que,
quando algo positivo aconteça, me surpreenda.
Não gosto de criar expectativas em nenhuma área.
Não gosto de piadas, nem de BIS em shows de música.
Teatro é teatro, música é música. Me irrita o entra e sai dos músicos,
que já sabiam que iriam voltar e mesmo assim saem do palco!
Descobri que não sou previsível, nem 100% coerente.
Ah, nem amável por completo.
Que falo baixo, tenho uma vergonha controlada e dentes sensíveis.
Adoro café e tomo coca-cola. Não sei mentir. Não uso pijama de seda jamais.
Não sou organizada, nem sexy. Deixo roupas pelo chão,
toalhas molhadas em cima da cama e sapatos debaixo da mesa de jantar.
Gosto de música para dançar, silêncio para dormir, um bom livro e neosaldina.
Crítica. Amargo as conseqüências por ser assim.
Invisível, inviável. Não sei cuidar de plantas e por excesso de zelo
acabo por matar todas elas afogadas na lavanderia,
onde também não bate sol nem a pau.
Descobri e assumo a preguiça para o fio dental,
as dificuldades para o corel draw e o mau humor quando a fome assombra-me.
Descobri meu gosto para chocolates sempre depois do jantar,
derretendo-os junto ao céu da boca. Amei o filme Céu de Sueli e
por acaso tenho uma tia ótima com este nome.
Pratico esporte porque assim despreocupo-me com a balança e posso comer mais.
Adoro umas cervejas de vez em quando e em tempos difíceis com mais freqüência.
Sorrio sempre profissionalmente. Gosto de acordar cedo, inclusive aos domingos.
Satisfaço meu desejo de consumo desenfreado no supermercado mais próximo.
Nada de futilidade, a não ser doméstica.
Gosto de mudar os móveis de lugar para não estar sempre no mesmo.
Gosto de ouvir o que os outros tem para contar.
Acredito na medicina alternativa. Acredito em Deus, até uma bíblia tenho.
Acredito na invisibilidade daquilo que não queremos ver.
Acredito ainda que, ser invisível para sempre não seria de todo ruim.
Eu poderia colocar o dedo no nariz e ajeitar a calcinha em plena praça pública.
Não teria que pentear o cabelo, nem passar blush para parecer saudável.
Ah, e nunca mais uma cera quente veria a minha virilha.
Por fim, invisível passei pelo dia. Foi só.
Era terça, era outono e eu acabara voltar do bar Leblon.
Sobrevivente, desanimada e defumada pelo cigarro do próximo
que não notara o meu desconforto. Escovei os dentes rapidamente,
mal podia esperar para cair na cama quente. Demaquiei os olhos pintados,
pretos, desde as sete da manhã. Estava exausta e triste até perceber a
própria imagem borrada, refletida no espelho do banheiro.
Ela sorriu para mim.
E foi o fundamental.

Thursday, March 22, 2007

Por Debaixo do Tapete da Sala.

Vou comemorar minha derrota como se fosse à última.
Viver por mais algumas horas a felicidade incerta e diária.
Não vou me afobar, nem parar de chorar. Deixe-me doer.
Vou apenas continuar vivendo de forma apática.
Arrotando meus planos em meio à poeira da sala.
Bebendo um pouco para dormir.
Lembrando de nós, com o conhaque nas mãos
em nosso primeiro inverno bom.

Inferno.
Testando meus limites, consigo ir ainda mais longe.
Consigo desviar da estrada de asfalto, retilínea.
Consigo emagrecer um quilo por dia e
isso seria inviável em tempos de alegria.
Consigo perceber que, mesmo apesar de tudo,
éramos mais felizes ontem do que hoje.
E amanhã será um dia mais triste.
Que o tempo vai se esvaindo.
Esvaziando as tendências,
descontinuando a nossa música.
Interrompendo nossos planos,
como os coloridos balões de ar que vão embora
por descuido das mãos pequenas
das crianças que não tivemos.

O céu anda cinzento.
O clima anda ameno.
E eu ando a respirar com dificuldade.
Mas continuo andando descalça
pelo mais tortuoso caminho já visto.
Fazendo calo nos dedos dos pés.
Fazendo curativo no peito com gaze e fita crepe.
Quebrando as obturações com a força
dos problemas enquanto dormimos.

Nada de sonhos.
Nada de valsas.
Apenas nós na nossa noz e um mundo que está à parte.
Cobrando-nos energia de sobra.
Reavaliações comportamentais semanais.
Agendas lotadas, horários, notas...
Coisa de gente grande mesmo.
E para os grandes,
só o amor maior do mundo não basta.
Não quero mais...

Luiza considera-se socialmente
insólita e DESLIGADA até o próximo eletro-choque.

Monday, March 12, 2007

Nós.



Vovó e eu, num dos nossos muitos momentos bons!

Saturday, March 10, 2007

O Bem de Alzheimer. por LP para sua avó de 83.

Minha avó Edna foi uma vovó perfeita.
Era adorada pelas crianças da vizinhança,
que admiravam suas aptidões culinárias.
Os adultos também!
Pode perguntar para qualquer tia minha
sobre as coxinhas que a Dona Edna
(ou tia Pipa, como a chamam alguns) fazia.
Doces e salgados eram suas especialidades.
Parceria perfeita. Ela cozinhava e eu comia.
Praticamente, sua vida se resumia à cozinha,
costura, aos netos, animais de estimação
(inclui-se aí gatos, galinhas, tartarugas e
cachorros todos convivendo juntos, muito bem obrigada),
plantas no jardim (orquídeas, rosas, pés de limão, mamão,
bananeira, pitanga, goiaba...) e as leituras no jornal pela manhã.
Ela era e é até hoje sócia da ACM,
mas nunca freqüentou. Nem mesmo a piscina.
Nunquinha!Sempre me dizia que precisava
matricular-se nas aulas de lá,
mas faltou-lhe espírito esportivo talvez.
Exercitar-se realmente nunca foi o seu forte.
E isso pouco nos importava.
A diversão era mesmo outra.
A diversão éramos nós, a TV, os bolos que fazíamos e
minhas confissões de adolescentes jamais ignoradas.
Eu aproveitei da companhia dela.

Vovó sempre me pareceu uma pessoa feliz,
apesar de eu saber (por alto) que sua vida não fora nada fácil.
Mas este é um assunto inexplorado por enquanto,
então, o que posso garantir é que ela é simplesmente uma senhora forte.
Lembro-me que até bem pouco tempo atrás,
ela usava banha de porco na cozinha e
isso deixava minha mãe de cabelos em pé.
Também cortava a grama do seu jardim, abaixada,
de cócoras, com uma tesoura gigante nas mãos.
Isso me amedrontava. Mas, foi com a vovó Eca
(meu apelido para ela) que eu aprendi parte das coisas boas da vida.
Ela sabia preencher o nosso tempo.
Me orientava, me contava histórias e me protegia.
Na época da faculdade foi minha modelo nas aulas
de desenho, pintura e fotografia.
Foi sempre meu foco. Minha benção.
Sofria com ela, ria com ela e fazíamos lanchinhos
incríveis no cair da tarde.
Se ela está bem, estou bem, funciona assim pra mim.

De uns anos pra cá, vovó foi deixando de cozinhar.
De cortar a grama, as unhas, os cabelos.
Deixou de fazer compras. Sua despensa ficou vazia,
com apenas o pó de café na prateleira.
Ela foi ficando dependente da mamãe.
Dia após dia. E aquilo que os médicos diziam ser apenas
sintomas de uma velhice prescrita, ganhou o nome de um alemão:
ALZHEIMER. O mal de Alzheimer. Mal?!
Vejamos pelo lado positivo:

Vovó não cozinha mais.
Mas deixou boas lembranças, cheiros e sabores só dela.
Odeia ajudar a descascar batatas ou cebolas. Xinga.
Acha definitivamente que já fez a sua parte.
Almoça todos os dias no mesmo horário.
Nós fazemos o seu prato, cortamos o seu bifinho e
colocamos o seu pãozinho ao lado.
O copo de Fanta não pode faltar, nem no almoço, nem no jantar.
Há três anos ganhou uma amiga, a Rosa, sua bisneta.
Elas brincam juntas de quebra-cabeça, de pintura e desenho.
E como boas amigas que são, brigam de vez em quando.
Mas vovó logo esquece... Está sempre conhecendo gente nova.
Todos os dias fica sabendo com surpresa de alguma novidade velha.
De alguém que já morreu ha mais de dez anos e ela não sabia,
de alguém que se casou ha mais de trinta anos e ela não sabia.
E é sem constrangimento que ela encara as novidades,
como se o mundo tivesse escondido todas as informações dela.
Não se questiona. Nem nós a ela.
Assim, qual é o problema?
Nenhum. Não tem tempo ruim, afinal,
nada parece fazer muito sentido.

Deixou de gostar tanto de tantos animais.
Agora mantém relações estreitas e complexas
com apenas um cão, Caramelo.
E diz que ele a adora e a maior demonstração disso
são os beijos na pontinha do nariz. Focinho com focinho!
Ela odeia tomar banho, lavar a cabeça então, é a morte!!!
E por incrível que pareça tem uma flexibilidade incrível,
abaixa-se com facilidade para lavar o tornozelo. É de dar inveja!
Eu fico bem na frente do chuveiro fiscalizando as partes limpas
e elogiando a sabedoria das espumas por ela criada.
Ainda vai a missa aos domingos, religiosamente de agasalho,
porque para ela está sempre frio. Odeia os ventiladores.
Gostou muito de ir à praia no último verão, mas já não se lembra:
_ Eu fui mesmo? Não sabia não...
Adora sorvete de creme com calda de chocolate,
é sua sobremesa preferida.
Gosta de assistir filmes na TV com ou sem legenda, não importa.
Ela sente as imagens. Não gosta muito de conversar, aliás,
tem estado a cada dia mais quieta, calada. Não faz mal.
A gente já decidiu que ela tem de estar junto
mesmo não estando, entende?!
E é nessas reuniões em que ela se limita a
olhar para o teto que sai um:
_Que pereréco!
Pereréco pra cá, pereréco pra lá,
nós vamos acabar patenteando e expressão
criada por ela para denominar uma
dificuldade ou uma cagada de alguém.

Vovó Edna, que fez o seu próprio vestido de noiva,
é viúva desde que eu nasci, mas não tirava sua gasta
aliança por nada nesse mundo. Isso não seria problema
se o seu dedo gordinho não estivesse sendo dividido ao meio pelo anel.
Era uma questão de princípios! Mas a esta altura do campeonato...
Ganhei! No último fim de semana que passamos juntas,
resolvi pedir emprestada e ela não hesitou em me dar.
Porém, passou domingo todo perguntado da aliança.
Parece piada! Temos dado boas risadas com a Vó Eca.
E não há nada melhor do que rir em família.
Temos curtido esta nova fase da vida dela. De forma orgânica.
Deixamos as teorias de lado. Vamos a cada dia sentindo-a.
Servindo-a. Paparicando, alimentando, medicando,
vestindo, trocando, beijando, alegrando, levando para passear
e ajeitando seus cabelos branquinhos como as nuvens do céu.
Ainda bem que ela está aqui, fazendo-nos companhia.
Fazendo a vida de todos nós ficar mais leve, mais branda.
Apenas por existir.
E é quando colocamos a vovó para dormir,
que sabemos que mais aquele dia valeu a pena,
porque como eu já disse, se ela está bem, estou bem, funciona assim.
E com minha Nona, não há mais tempo ruim.


Acesse também: botinhaderave.blogspot.com/
www.fotolog.com/ballsplace

Saturday, March 03, 2007

Borbulhas e fervuras de mim.

Procuro uma caneta ou um lápis,
mas eles nunca estão por perto
quando minhas idéias vêm à tona,
numa euforia de criança em frente à roda gigante.
Padeço com todas elas dentro de mim.
Uma atrás da outra, em fila indiana.
Ansiosas e ociosas, todas em banho-maria.
Cozinhando a mim mesma.

Se eu tivesse uma caixa de lápis de cor,
sairia desenhando por aí.
Rabiscando muros brancos por pura sorte.
Escrevendo entre as passarelas, os transeuntes, os carros.
Dentre toda sujeira, poemas, poeira e lágrimas.

Ele diz que eu gosto dessa minha melancolia.
Mal sabe que não sem nem viver de outro jeito.
Mau jeito, bem feito pra mim.
Mereci.
Bobeei.
Quase larguei.
Cai.
E guardei tudo aqui por dentro.
Também em fila indiana,
assim como as boas idéias.
Em banho-maria, cozinhando-me.

Fazendo fumaça.
Fazendo graça.
E tudo de graça.

Porque não posso controlar meu pensar.

Tuesday, February 13, 2007

Quando eu crescer, quero ser criança de novo.

É sempre assim.
Quando estou sentada bem de frente para a secretária,
já começo a suar frio. Sei que ela está prestes a me fazer aquela pergunta.
_ Profissão?
Engasgo. Olho no fundo dos olhos dela. Suspiro.
Meus pensamentos apressam-se.
Todas as minhas atividades, de verdade, ficam bem na ponta da língua.
Um minuto de silêncio prossegue, sem que eu queira.
Organizo-me por dentro. Bem, sou formada em artes.
Mas isso não quer dizer que eu seja artista.
Trabalho com moda, mas não sou modelista, nem mesmo costureira.
Desenho. Fotografo. Mas meu real desejo é escrever sempre, todos os dias.
Mas, não sei... Escritora?! Não.
Sou comerciante na maior parte do tempo, isso sim.
E alguns preferem me chamar de empresária.
Micro - empresária. Eu deixo.
Mas a grande verdade é que eu vendo coisas.
Idéias, roupas, caras e bocas.
Igual aos meninos no sinal.
Somos todos micro-empresários da vida real.
Isso! Então, a resposta é:

_ Puxa, preciso decidir isso agora?
Ela me olha fulminantemente.
Como quem dissesse... Querida, não tenho a tarde toda
para preencher o seu cadastro!
Engulo seca a minha dúvida e
respondo qualquer uma das alternativas anteriores.
Às vezes até invento. Tipo, farmacêutica, terapeuta, dona de casa.
E tem vezes que respondo:

_ Nada, avulsa mesmo.
E quem é que vai dizer que não...
E quem é que vai provar o contrário...
E tem dias que me sinto mesmo assim...
Mantenho-me em dilema.
Dúvida perturbadora.
Afinal, o que mesmo eu queria ser quando crescer?
E agora que eu cresci o que sobrou de mim?
No que foi que me transformei?
Vamos lá!

Sou menina.
E gosto de meninos.
Tem sido assim desde a adolescência.
Sou branquela. Tenho sarda.
E tenho gostado muito do sol por entre os edifícios.
Já fui mais ruiva. Nunca a primeira da turma.
Quando criança, brinquei muito na rua,
com as minhas vizinhas amigas.
De futebol, de escolinha, de pular corda, amarelinha...
E o carrinho de rolimã do meu irmão, era eu quem pilotava!
Tive piolho, comi muito bolo da Cida,
bolinhos de chuva e as balas de goma da vovó.
Minha memória de infância, engraçado, é quase toda gastronômica!
Lembro do dia em que teve uma super feijoada (e que estava chovendo),
dos meus bolos de aniversário, da coxinha e do pé de moleque.
Fui tão feliz que cresci feliz.

Fiz artes plásticas aos dezessete.
Aos vinte e sete queria ter feito jornalismo e publicidade.
Teria me dado bem também. Seria mais feliz?
Não sei. Na semana passada,
descobri que fazer cinema também não seria má idéia.
Eu gostaria de escrever roteiros de filmes, novelas
e um livro com o seguinte título: “Memórias de uma mulher de trinta”,
então, tenho três anos para começar e finalizar este projeto.
E mais, descobri que odeio projetos.
A palavra PROJETO me desagrada por completo.
Desejo realizar. Sou imediatista. Por isso a fotografia me cabe.
Miojos, molhos prontos, tortas congeladas e pizzas também.
Tudo precisa ser rápido. Não perdemos tempo com bobagens.
Só os romances precisam ser longos.
Amo intensamente e guardo meus rancores
num cantinho especial do meu corpo.
Ora no estômago, ora nas amídalas, mas, meu sorriso, repare,
é sempre o mesmo. Nem muito largo, nem muito fechado. Sorriso médio.
Gosto de acordar cedo. Gosto de vender logo cedo.
E simplesmente, amo os meus clientes. Isso não é piada não. É sério!

Gosto de desenhar ouvindo Caetano.
Correr ouvindo Lirinha em tom de denúncia.
E nadar em silêncio. Muitos dos meus problemas,
resolvo debaixo d´água.
Gosto de tomar uma cervejinha num bar qualquer para conversar
com você coisas que a gente não conversa em casa.
Funciona!
Odeio ir ao banco.
Odeio filas, nem mesmo as de restaurantes se salvam.
Impaciente confessa.
Faço compras de dez em dez itens só
para freqüentar a fila rápida e involumosa dos supermercados.
Sinto-me sempre, na maior parte do tempo, atrasada.
Tomo muito café e no trânsito, leio o jornal que está quase vencendo.
De tarde, como maçã. De manhã, mamão para fazer cocô.
Adoro! Observo as pessoas no ônibus.
Os esmaltes das pessoas. Cintilantes! Observo tudo.
Até me canso de olhar e de pensar em histórias melhores para contar.
Agora ando com caneta e papel, fazendo notas do mundo.
Desenhando uma trajetória melhor,
mais acessível e ao mesmo tempo, mais distante de tudo.
Nossos erros, meus remorsos, suas culpas, minhas desculpas.
Ando a colocar tudo no papel, pra ver se eu me encontro.
Me acho.
Me candidato ao meu próprio papel multifuncional
de ser apenas mais uma.
Luiza.

LNN- Louca Nota Necessária:
Curso Livre e Prático de Moda.
Ministrado por Vera e Luiza Pannunzio (eu mesma...rs)
Inscrições até 28-02-07
O curso que terá duração de 4 meses e se iniciará em 05 de março de 2007,visa colocar você, estudante ou interessado em moda, na prática da profissão. Contamos com um amplo atelier que nos servirá de laboratório para você criar sua nova coleção, pesquisar tendências, aprimorar a modelagem, corte, confecção e acabamento. Além de receber noções de varejo, disposição dos produtos dentro da loja e vitrine. É você de tesoura nas mãos e fita métrica no pescoço,colocando suas melhores idéias finalmente em prática.
Local:Penha, 1126 Sorocaba - ARP ALAMEDAS
Inscrições através do e-mail:
luizapannunzio@terra.com.br
ou pessoalmente no endereço acima.
Informações : 11.38144960 e 30823821
beijos
LP


Chegou a alguma conclusão?
Ball´s Place São Paulo: rua mourato coelho, 451 - Pinheiros - fone: (11)3814.4960
rua augusta, 2690 - Jardins - Galeria Ouro Fino 2º PISO fone: (11)3082.3821
Sorocaba: ***atendendo com exclusividade*** rua da penha, 1126 - Centro -
ARP ALAMEDAS fones: (15)3234.3821 e 3011.9099

Thursday, February 08, 2007

Durante a Dança.

Torci o tornozelo.
Por zelo, botei gelo.
Espirrei gelol, que passa.
Lacrimejei os olhos.
Os cílios se umedeceram.
Senti algo além da dor diária.

Logo, um lenço.
Um espirro.
Não respiro.
Só pela boca.
Encho-me de ar.
E como um balão, subo às estrelas.
Vou visitar outros planetas.
Alguns cometas.
Conhecer outros prazeres.
Além da terra.
Da flor.
Da semente.
Que brotou lépida por uma lágrima minha.

Beijo
LP
ACESSE-ME, É GRÁTIS!

E a sua inscrição para o nosso
Curso Livre e Prático de Moda?
Já fez? Só até 28-02-07, hein?!
Aí, então faremos uma seleção,
porque muita gente já nos procurou!
O curso terá duração de 4 meses e
se iniciará em 05 de março de 2007.
Com dois alunos por período, visamos colocar você,
estudante ou interessado em moda, na prática da profissão.
É você de tesoura nas mãos e fita métrica no pescoço,
colocando suas melhores idéias finalmente em prática.
Local:Penha, 1126 Sorocaba - ARP ALAMEDAS
Inscrições através do e-mail:
luizapannunzio@terra.com.br
ou pessoalmente no endereço acima.
Informações : 11.38144960 e 15.32343821
http://www.fotolog.com/ballsplace
http://botinhaderave.blogspot.com/
e entre na comunidade que eu fiz para o tom:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5803502
Ball´s Place São Paulo: rua mourato coelho, 451 - Pinheiros -
fone: (11)3814.4960 rua augusta, 2690 - Jardins -
Galeria Ouro Fino 2º PISO fone: (11)3082.3821
Sorocaba: ***atendendo com exclusividade***
rua da penha, 1126 - Centro - ARP ALAMEDAS
fones: (15)3234.3821 e 3011.9099

Saturday, January 27, 2007

Filme.

_Ok, eu vou.
Me dá um segundo para eu arrumar uma caneta.
Oi, diga. Sei.
Nossa, às 6 da manhã, você tem certeza???
Tá, tudo bem, estarei lá!

Assim começou a minha turnê de 3 dias ao incrível
mundo do cinema comercial de sampa.
Era uma quinta-feira. Estava escuro. Era muito cedo.
Cheguei no horário combinado sem saber ao certo o
que aconteceriam nas próximas doze horas, que estavam em contrato.
Comigo, chegaram outras pessoas e por um instante pensei
que estaria editada para um filme bizarro.
Sabe, cheio de pessoas estranhas e feias?!
Sofri desconcertada, em frente ao enorme prédio.
Pensei em recuar, mas depois...
Luiza, você não tem nada a perder!
Vamos lá, siga em frente.
Ao segundo sub-solo!
Cheguei!
_ E você quem é? Pergunta um rapaz visivelmente cansado.
Então, sou encaminhada para maquiagem.
Eu odeio maquiagem comunitária.
Sabe, aqueles pincéis que esfregam no rosto de todo mundo?!
Aquela base, lápis e batom?! Já pensou no batom???
E no pincelzinho do batom... É cruel pensar nas bactérias,
nas gotículas de suor dos outros, na oleosidade da pele dos outros.
Luiza, não pense nisso!!! Desvie!
Depois, figurino.
As roupas são feias. Quase todas.
Mas os sapatos são lindos. Quase todos.
Menos o do diretor, ele usa um terrível!
Mas ele não sabe, pois era da side.
Concluo então que ele não é casado,
nem mora com ninguém, se não, jamais usaria um par daqueles.
Café. Sinto-me tensa.
Não conheço ninguém. Todos se conhecem.
Os figurantes fazem isso quase todos os dias.
É o trabalho deles. Assim como eu vou para loja todos os dias,
eles vão filmar alguma coisa todos os dias.
Então, se você observar, os figurantes são sempre os mesmo,
não importa o comercial, Kaiser, Veja, Omo ou Chevrolet,
todos tem as mesmas pessoas de fundo.
Assim, viram objetos de cena,
como a mesa ou a cadeira onde minha bunda gorda
está muito bem acomodada. Leio Mário Prata, pensando...
Mas os figurantes são mais importantes! Se mechem!
Cadeiras não se mechem!
Os atores, lógico, se conhecem! De testes, de peças,
de cinemas, de cursos. Pareço um peixe fora d´água.
Mas não sinto-me mal. O comercial em questão é para Net.
E justo eu, que estou devendo a última parcela da TV à cabo,
estou fazendo o comercial para eles.
E eles ainda vão me pagar por isso.
Enfim, a equipe técnica é toda do Rio.
E é o pessoal da fotografia que mais me chama atenção.
Eu trato logo de contar-lhes que também sou fotógrafa
e que estou encantada com tamanha parafernálha!
A gente conversa, quase que em silêncio.
No set, não pode fazer barulho!
Silêncio é pedido o tempo inteiro.
Mas o celular do ator principal toca e todos fazem cara de bosta.
Inclusive eu, porque ele tem uma dificuldade incrível
para decorar a fala e quando consegue, o celular...
TÃRÃRÃRÃ- TÃRÃRÃRÃ- TÃRÃRÃRÃRÃRÃ...

O ator principal é um senhor muito engraçado,
que conta piadas o tempo inteiro.
Não, não olhe para mim, não gosto de piadas.
Desvio mais uma vez. Não gosto de prever risinhos.
Gosto de ser surpreendida! Sinto-me bem mais estrábica
do que dias antes, anoto na contra-capa do livro:
Marcar Oftalmologista URGENTE.
A sensação de enxergar meu próprio nariz é desconfortável.
_Luiza! Vem do vice- diretor(rs.).
Sim, ele decorou meu nome rapidinho.
Estamos em 27 pessoas, entre atores e figurantes
e ele decorou justo meu nome. Deve ter sido por
causa da cor da camisa, verde.
Sei lá, deve ser uma boa cor.
Combino com o cenário.
Percebo que os outros não fazem questão nenhuma em aparecer.
Aliás ouço alguns dizendo que não querem aparecer.
Então, o que foram fazer lá?!
_Som? Carrinho? Câmera? Ação!
Ouço o diretor (do sapato feio) gritar esta seqüência
milhares de vezes, seguidos de ok, ok, ok,
de cada setor responsável. Bonito de ver, mas enjoativo.
No set de filmagens, serviram-nos comida o tempo inteiro.
Parece que querem nos ver mais do que saudáveis no vídeo.
Volto a pensar na “bizarisse” da coisa.
Distraio-me. Passa.
Alguns guardam os sanduíches na bolsa.
Devem morar sozinhos. Será que passam fome?!
Não...
_ Luiza! Grita o vice.
Senta aqui. Olha aqui. Agora você vira! Pega o telefone.
Volta, olha para frente. Olha lá na porta. Olha a postura, Luiza!
Pausa para o almoço.
Equipe faminta. E como comem...
E todos tomam refrigerante e comem doce de sobremesa.
Bonito de ver, mas enjoativo para um dia de semana.
Só tolero isso aos domingos...
Escova de dente em punho.
Xixi.
Volta para o set de filmagem após uma hora exata.

O cenário é lindo.
É amplo. Um andar inteiro do prédio.
Pé direito enorme.
O pessoal da arte cuidou de cada detalhe.
Das plantas do local, das lapiseiras, canetas, cadeiras.
E os computadores ligam de verdade.
É bonito e não enjoa. Leio meu livro que levei debaixo do braço,
já prevendo minhas horas ociosas frente á câmera.
E quantas horas... Saio do estúdio e já é noite,
prometendo voltar na manhã seguinte.
E volto por mais dois dias.
Faço até hora extra no sábado.
Ao terminar o trabalho, o espetáculo, as cenas todas,
todo teatro,batemos palmas para nós mesmos e
voltamos para o mundo real onde as 40 horas de gravação
passarão na nossa televisão por apenas 30 segundos.
E ninguém vai acreditar que deu tanto trabalho...

LP:)ACESSE-ME É GRÁTIS! (rs.)
http://www.fotolog.com/ballsplace
http://botinhaderave.blogspot.com/
e entre na comunidade que eu fiz para o tom:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5803502
Ball´s Place
São Paulo: rua mourato coelho, 451 - Pinheiros - fone: (11)3814.4960 rua augusta, 2690 - Jardins - Galeria Ouro Fino 2º PISO fone: (11)3082.3821
Sorocaba: ***atendendo com exclusividade*** rua da penha, 1126 - Centro - ARP ALAMEDAS fones: (15)3234.3821 e 3011.9099

Wednesday, January 24, 2007

Breve.

Já vivi tanto e sei tão pouco da vida que
Deus me permita sofrer pouco.
Porque pelo muito dolorido passado,
sei que não aguento o bastante que mereço.


LP:)
http://www.fotolog.com/ballsplace
http://botinhaderave.blogspot.com/
e entre na comunidade que eu fiz para o tom:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5803502
Ball´s Place São Paulo: rua mourato coelho, 451
- Pinheiros - fone: (11)3814.4960
rua augusta, 2690 - Jardins -
Galeria Ouro Fino 2º PISO fone: (11)3082.3821
Sorocaba: ***atendendo com exclusividade***
rua da penha, 1126 - Centro - ARP ALAMEDAS
fones: (15)3234.3821 e 3011.9099

Tuesday, January 02, 2007

Retrospectiva 2006 - Valioso Aprendizado Humano.

Aprendi com minha mãe que nós somos fortes.
Que somos inteligentes e independentes.
Que não se pode esperar nada dos outros.
Que é preciso fazer por nós mesmos.
Crescer por nós mesmos.
E criar o tempo inteiro.
Estudar saídas.
Sair correndo.

Papai me orientou a pausar.
A pensar.
A não agir impulsivamente.
A refletir, tomar um chá quente ou uma cerveja gelada
antes de dormir, quando o dia foi mais que difícil.
Papai me ensinou a relaxar.
A viver mais devagar.
Divagar.
Mostrou-me que se pode ir pescar ali mesmo,
no nosso quintal.
Que quem não tem cão, caça com gato.
Mas nós temos Caramelo.
E que com o nosso amor, tudo se resolve.

Minha irmã mostrou-me que sua filha é nossa maior alegria.
Que com crianças a gente se distrai,
mas que não podemos descuidar delas um minuto sequer.
Que não adianta chorar, que é preciso trabalhar
e deixar sua pequena na escola logo cedo.
E que em momentos de completo desespero,
temos uma a outra. E que sim, existe telefone para isso.
E que a distância de nossas casas, não é assim tão grande.
Apenas uma ou duas horas.
Com Francisco, aprendi que a saudade é física.
Que eu preciso vê-lo ao vivo, com todas suas cores e relatos.
Que a gente não devia ficar assim tão longe.
Que a distância de nossas casas é sim muito grande.
E que chega a doer.

Soube por minhas avós Edna e Júlia,
que quando se chega aos oitenta e tantos,
pode-se fazer o que quiser.
Que temos todo direito de esquecer das coisas,
principalmente das ruins. De falar coisas.
De não falar nada. Que está tudo liberado!
Que já fomos muito amadas, mal faladas,
bem ditas, celebradas, queridas e que já comemos muito,
então não precisamos jantar, simplesmente porque
não temos mais fome a noite.

Com minhas amigas, aprendi que elas vão e vêm,
mas que algumas são para sempre.
Por isso Lili e Fabi vieram me ver várias vezes este ano.
Estiveram do meu lado numa fase difícil.
Dri, Ferrr, Carina, Larissa, Paloma, Duda e Tati
com seus respectivos companheiros também.
E com minhas clientes aprendi que de tanto virem aqui,
a gente acaba virando confidentes.
A Paula me disse que se a gente fosse criança,
ela me convidaria para brincar...
Comprar acaba sendo uma grande terapia em grupo.
Aprendi que todo mundo tem uma história triste para contar
e que isso, numa mesa de bar, gera risos e lágrimas simultâneas.
Pelo menos aqui é assim.

Aprendi com minhas tias (Cris, Nilza, Beth, Sueli, Rose e Cláudia)
que rir da situação é fundamental.
A ala feminina da família tem ótimo senso humor.
Que eu não preciso falar nada porque elas sabem
quando está tudo bem ou tudo mal.
E estão sempre prontas a me ajudar.
Que se for preciso irão me sustentar.
Que são minhas amigas. Que são da minha família.
Que cuidaram de mim desde pequenina e
por isso me zelam em pensamento até os dias hoje e para sempre.
Isso sem falar que eu não pude deixar de notar
a tia Marita, Lucila e Nora, com elas meu sorriso rola solto.

Com meus tios (Celso, Beto, Cláudio, Lindolpho, Jorge e Sérgio)
aprendi a superar as dificuldades sem fazer alarde.
Sem tocar a sirene. Sem gritar por socorro.
Aprendi a me manter em pé. De cabeça erguida.
E por isso, minha admiração por eles é imensa e intensa.

Aprendi com meus primos que somos uma história que se repete.
Que todas as etapas de nossas vidas serão cumpridas, uma hora ou outra.
Que uns terão mais sucesso profissional,
outros terão filhos mais lindos, que uns são mais inteligentes,
outros se mostram mais contentes, alguns tem carros novos,
outros casos novos, e há quem tenha até peitos novos.
Que tem sempre alguém que chora ao entregar o presente,
que quase todos temos sardas, temos sonhos, problemas,
dilemas a enfrentar. Que a gente senta e ri na mesa de jantar.
Que a gente se protege e se apóia.
Alguém joga a bóia antes de eu me afogar.
Que gostamos de nossa própria companhia e
desfrutamos dela ao menos uma vez ao ano.
É engraçado, mas foi por e-mail que aprendi com minha
prima Lavínia (que ainda não conheço) que o afeto pode ser
transmitido apenas com palavras.
Que a gente pode se gostar de longe,
mesmo estando tão perto (ela na Vila Madalena, eu em Pinheiros).
Que falar com ela ao telefone,
e jurar que um dia a gente vai se encontrar
foi uma das melhores coisas de 2006.

Aprendi com um casal amigo meu (Gal e Érica),
que é preciso viver com arte. E que fazer o bem é bom e faz bem.
Aprendi com Rosa, minha sobrinha, que o significado da palavra saudade é:
_Quando a gente chora(palavras dela, uma garotinha de três anos).
Aprendi com os zeladores do prédio onde moro que,
para se ouvir Bom Dia, Boa Tarde ou Boa Noite, é preciso ser insistente.
Aprendi com os amigos dos meus pais, Cláudia, Juca e Ana, Zé e Lourdes,
Fuinha e Fernanda que, é importante estar em boa companhia sempre e
que eles são sempre boas companhias.
Aprendi com Paulinho que um bom livro marca a nossa vida.
Com Madia, João, Toco e Marcelo aprendi que a música além
de alegrar o ambiente, me distrai. Nos distrai, faz-me esquecer
por alguns instantes de todos os problemas do mundo. Pareço feliz.
Aprendi com uma colunista da cidade onde nasci que o ditado
“Falem mal, mas falem de mim” cabe bem a quem escreve.
Mas que eu só tenho o bem para falar dela.
Porque a Jak é inteligente, sensível e sensual. Quer mais o que?
Aprendi com a Nátali do escritório, que eu adoro ela.
Com a Bel, que pudins de goiaba são gostosos e fáceis de fazer.
Aprendi com Cecília que nossos amores são bem parecidos,
que gostamos das mesmas coisas, temos o mesmo desejo de felicidade,
objetivos e que isso tudo foi muito além do nosso contrato. Graças a Deus!
Aprendi com Michele que seu filho Tomás é seu maior tesouro
e que eu quero ser a tia dele para sempre.
Com Mila, minha vendedora VIP da Galeria, aprendi que a gente briga,
mas a gente se ama. Mas a gente mais se ama do que briga.
E que eu psico-somatizo tudo e tudo vira dor de garganta.
E com a Dri (lá da mourato) aprendi que a paciência é a alma do negócio.

Por fim, foi no fim de 2006 que aprendi com Tom
que na vida a gente renasce.E que não há nada melhor.
Então feliz 2007.
E que tudo comece outra vez!

Um beijo LP
http://botinhaderave.blogspot.com/ www.fotolog.com/ballsplace

Wednesday, December 06, 2006

Penso, logo inexisto.

Não sei nada sobre o tempo.
Nada sobre o vento.
Nem sobre o ar seco.
Ou sua falta de ar.
Não sei nada além do que é preciso saber.
Sobre nós mesmos.
Que amor há.
E transborda-me aqui dentro,
como um copo cheio de leite fervendo pela manhã.

Nossos tormentos.
Madrugadas recém chegadas que eu não espero nunca,
porque gosto de passar meus dias com você.
Dormir me desencadeia de ti.
Me faz sentir medo.
Afinal, não sei nada sobre a vida.
Nem mesmo sobre sonhos sei.
Outro dia mesmo, te perguntei qual era o seu sonho.
Pois não sabia se tinha um.
Um sonho solo.

E a cada dia que passa, parece que desaprendo.
Desapego.
Não sei mais fazer planos.
Não sabemos.
Nada de dinheiro.
Não sei poupar, nem a ti, nem a ninguém que me cerca.
Não sei dos seus anseios.
Não sabemos de quem é a culpa.
Não nos importamos com a culpa,
mas nos livramos dela.
Não usamos armas de fogo, nem espadas, só palavras.
Assim, somos nossas próprias forcas.

Pensar me faz sumir a cada dia.
Me faz medir qual de nós perdeu mais desde o último verão.
Quem sorriu menos e fracassou mais.
Pensar me faz pensar mais a cada dia.
E pensar que posso morrer pelo cérebro e não pela boca,
sem fazer nada.
De mãos abanando, sem escrever, pensando só,
na minha cozinha que transformei em escritório
para sentir bem de pertinho a dor e delícia da frigideira.
Fritando.
Vou morrer de pesar.
---------------------------------------------------------------------www.fotolog.com/ballsplace (para pedir para o Papai Noel)
TEM FOTOS NOVAS NO MEU ÁLBUM!!!
Ball´s Place
São Paulo: rua mourato coelho, 451 - Pinheiros - fone: (11)3814.4960
rua augusta, 2690 - Jardins - Galeria Ouro Fino 2º PISO fone: (11)3082.3821
Sorocaba: ***atendendo com exclusividade***
rua da penha, 1126 - Centro - ARP ALAMEDAS
fones: (15)3234.3821 e 3011.9099
encomendas ON LINE? luizapannunzio@terra.com.br
http://botinhaderave.blogspot.com/

Monday, October 16, 2006

Chega de falar de coisas felizes, porque a verdade é que Luiza não sabe onde colocar suas mágoas.

Passo os dias pensando onde colocar tanta mágoa.
Tamanha a minha decepção com a vida.
Onde deixo meus maus pensamentos se não no desenho, no desejo, no pesadelo?
Não sei o que fazer com meu desgosto.
Meu osso.
Rui um zumbido ruim no meu ouvido que desce e dá um nó na garganta.
Meu ponto fraco.

E onde foi que você colocou nossa mágoa naquela manhã?
Por que a levou para passear no parque?
Para tomar sol.
Para lamber sorvete de morango.
Para contemplar uma lagoa falsa com peixes famintos por fandangos.
Como se atreve fingir que ela não lhe dói?
Não sei o que faço com as más lembranças que por
hora insistem em me mostrar o quão vivas estão.
Me rasgando por dentro.
Invadindo-me.
Doendo.
Me deixando de cama com o despertador tocando às sete.
Remoendo cada palavra, cada argumento,
cada gesto que faço força para esquecer.

Maldita memória.
Devo fugir de mim mesma?
Da minha história?
Preciso.
De um remédio. Uma droga. Um médico.
Uma porra qualquer.
Preciso de ajuda?

Mamãe disse que as coisas ruins a gente esquece.
- Apenas as boas ficam. São palavras dela.
Não acredito.
Talvez a pressa me faça descrente.
Mas minha mãe não mente.
Alivia.
E faz assim desde que sou menina.
Para eu não desistir de sobreviver.
Maquiando-me para não desmaiar.
Para eu pensar que nasci pra vencer,
pra ganhar, pra amar,
pra ser tão feliz quanto os outros parecem ser.

Não é que eu seja infeliz.
Não. Não é isso.
Absolutamente.
É que ultimamente, minhas mágoas não me têm deixado dormir.
E eu, as aceito, completamente.
Porque este é um tormento só meu e de mais ninguém!

Com os olhos bem atentos,
observo as más mágoas do lado direito do
meu travesseiro a noite toda.
Para que nenhum detalhe me escape.
Então, alguém aí, tem alguma idéia?

Sei que todo mundo passa na vida
por momentos difíceis.
E que não dá para avaliar o quanto o outro sofreu,
se foi mais ou menos.
Mas observar o sofrimento alheio nunca
me assegurou tranqüilidade, mesmo que tardia.

Sei também que nessas fases a gente aprende
algumas coisas sobre o nosso próprio comportamento,
que amadurecemos.
E que depois da tempestade,
vem à chuva fina, o chuvisco, a ventania, o céu nublado
e só então o esperado sol aparece.
Ufa! Finalmente.
Mas este blá, blá, blá não me comove nem locomove.
Porque a verdade é que eu não sei onde colocar
minhas mágoas queridas.

Também já pensei que talvez
eu não queira me desfazer delas.
Mas esta é uma hipótese que eu jamais vou admitir.
Afinal, socialmente isso seria um escândalo!
Já posso ler a manchete do dia:
“Garota branca e de boa aparência não quer se desfazer de suas mágoas”.

Colecionando cicatrizes.
Catalogando coisas tristes.
A melancolia me inspira.
Matéria-prima.
Assim, em mim seu tiro pegou de raspão.
E se era para ferir profundamente...
Saiu pela culatra.
Mostrou-me a força e a determinação necessária
e um coração trabalhando a mil por hora.
É por esta razão que chego ao início dos meus
vinte e sete com um enorme desejo de colocar
todas as minhas mágoas na estante da sala.
Bem pertinho do piano.
E toda vez que você tocar ali uma canção,
vou me lembrar que tudo aquilo,
já esteve dentro de mim.
Pode ser que eu ainda chore algumas vezes.
Pode ser que eu me arrependa.
Mas de qualquer forma, prefiro aprender a
conviver com minhas próprias dores a esquecê-las para sempre.
E o prazer, ao meu futuro pertence.
Afinal, amanhã é outro dia.

Alguém aí tem algo a dizer?
luizapannunzio@terra.com.br



Ball´s Place
São Paulo:
rua mourato coelho, 451 - Pinheiros - fone: (11)3814.4960
rua augusta, 2690 - Jardins - Galeria Ouro Fino
2º PISO fone: (11)3082.3821
Sorocaba:
***atendendo com exclusividade***
rua da penha, 1126 - Centro - ARP ALAMEDAS
fones: (15)3234.3821 e 3011.9099

Saturday, September 30, 2006

A saudade é duvidosa. A saúde é uma mentira.

Vivo esperando o adoecer sadio do meu corpo.
Que a mentirosa medicina tenta adiar.
Adiantando o adiar futuro presente doente de todos os presentes.
Nesse mundo inferno.
O Adiar da dor.
Sem dor, por favor, porque hoje e
desde sempre existe a morfina!
Para o progresso da medicina,
voltemos à morfina!
Abolida!

Os remédios são mentiras vendidas a prazo.
No cartão.
De plástico.
Na era do dinheiro digital.
Prolongando-nos.
Endividando-nos.
E acostumando-nos a consumir todo dia mais.
Mentira.
Tática, prática, antiga e inimiga.
Drogas de drogarias que já não saram,
mas nos fazem viciar.
Por mentiras que andam me contando
desde o dia em que nasci.
De que tudo vai melhorar.

Como?
Se tudo é uma mentira.
Insana promessa corrompida e desmedida.
Se a felicidade é uma mentira que eu mesma invento.
Se o desejo é uma mentira que eu estimulo.
Se a comida nos mata lentamente com os agrotóxicos mais modernos.
Se a minha pasta de dentes não deixa meus dentes mais brancos.
E o adoçante, pode me fazer mal.

Se o celular, dizem esquenta o cérebro.
E a minha taboa de carnes da cozinha estava cheia de bactérias.
Se o amor é um pleno momento de euforia,
que passa e é absorvido dia após dia.
E o meu corpo pede calma para suportar o trauma.
Se os livros são apenas histórias.
E os programas de TV, ficção.
Se uma sessão de cinema custa R$30,00
e o salário mínimo R$300,00.
Se meus dias são corridos e eu agüento.
Desmaio de mentira aos domingos,
na cama, esperando a segunda chegar.
Se não posso me dar o digno direito de enlouquecer
deprimida em meu quarto
porque o despertador toca sem cessar.
Se não me acho no direito de ter filhos neste mundo
que inventamos para viver.
No processo doloroso de crescer,
concorrer e ser alguém melhor.
Uma mentira melhor.
Se o pelo dos meus cães me deixam alérgica.
Tossindo, sem respirar.
Ofegante.
Paro a pensar...

Se tudo é uma mentira.
Para que na verdade estamos aqui?

LP:(

Friday, June 16, 2006

Amor contínuo.

Ame seus pais e seus irmãos.
Eles são a base de sua vida, seu chão e quem
com certeza vai sempre te ajudar.

Ame suas tias e tios, porque foram eles que
por muitas vezes zelaram seu sono,
quando você era apenas uma criança mimada.
Eu sei, não se lembra!
Mas você só vai entender o amor dos tios,
depois que sua primeira sobrinha nascer.
Então, não perca tempo.

Ame!Seus primos e amigos por mais que eles
sejam completamente diferentes de ti.
Aceite-os.
Aceite-se.
Todo mundo tem defeitos.

E por falar neles...
Ame sua barriga, suas celulites e as tais estrias.
Elas indicam que sua vida está repleta de
prazeres gastronômicos.
Ame também seus quilos a mais,
porque se eles não existissem,
você jamais poderia comemorar a vitória de um dia perdê-los.

Ame seu cabelo do jeitinho que ele é.
E o seu armário...
Mude.Completamente.
Experimente coisas novas, outras cores.
Calças largas e calcinhas de algodão.
E não troque seu velho pijama por nada nesse mundo.
Ele é o seu companheiro de sonhos.

E é com aquele tênis feio e fora de moda,
com o formato exato dos seus pés,
que eu acho que você deve sair para
caminhar todas as manhãs.
Leve os cachorros.
Pra pensar.
Pra amar as coisas que estão do lado de fora.

Tarefa difícil.
Respire.

No fundo, procure outra pessoa para amar um tanto,
que de até vontade de se casar com ela.
Aliás, ame assim quantas pessoas quiser no decorrer da vida.
E case-se quantas vezes forem necessárias.
Não há nada mais complexo que o casamento.

Namore.
Não importa o sexo, nem a idade.
E não se preocupe com o tempo que a paixão vai durar.
Se gostem.
Se assumam.
Se curtam.
Se abracem.
Beijos.
Viagens.
E saiam para dançar sempre.

Tomem café da manhã juntos.
Fiquem o domingo inteiro na cama,
enquanto o mundo despenca numa chuva fria e fina.

E quando você achar que já amou demais nessa vida...
Tenha filhos.
Se não conseguir, adote.
Dizem que não há amor maior.
E eles vão crescer,
amando você e muitas outras coisas e pessoas.
Com sorte, você terá netos.
E dos seus netos, receberá mais tarde com muito orgulho,
o amor dos bisnetos...

Pois, o nosso amor é contínuo.
Para sempre.
E infinito.

Publicado na Revista Ego 2 - Sorocaba SP.