Monday, May 11, 2009

Achado.












O problema é que com ele
ela pode ser exatamente o que é.
Isso a torna insuportável!

Saturday, May 09, 2009

1 beijo e até mais tarde.

Quero te deixar livre.
Quero você sem obrigações comigo.
Te quero pró prazer.
Deve ir sem dar satisfação.
Não quero te preocupar.
Quero que vá, que parta.
Que me despedace.

Deixe-me cá onde estou.
Onde sempre estive.
Da onde nunca fugi.

Quero que saibas que sobrevivo.
E você também.
Peço apenas que caminhe em sua direção.
Que me deixe aqui sem sentido.
Que tome seu rumo.
Seu drink.
Encontre-se.
Assemelhe-se.
E me deixe. Só.

Wednesday, May 06, 2009

Tuesday, May 05, 2009

De nada doce.

Ainda deitada na cama quente sua mente
desperta para necessidade de se levantar.
Faz com que seu corpo reaja.
Mas ao perceber que está só,
coberta pelo lençol, rodeada de travesseiros
e com o livro infantil que está lendo lá em baixo
encostado no pé esquerdo,
ela resolve ficar mais. Só mais um pouco.
São oito e meia e a claridade invade a
cabeceira da cama. Os primeiros raios de sol
batem em seus cabelos vermelhos.
Ela insiste em seus olhos fechar.
Hoje, simples assim, não quer se levantar.
Não tem astral para isso.
Ele, sem perceber, prepara o café.
Esquenta dois pães no forninho e
meia xícara de leite.
Corta um pedaço de melancia
e leva até sua boca.
Não a sua, mas a boca dela que resmunga
mal humorada “Deixe-me dormir em paz”.

Sunday, May 03, 2009

Molestada.

Ficou meses sem você.
Dias sem comer.
Horas esperando só passar.
Para te ver em palavras.
Descritas de ilusão.
Passadas a limpo pelo tempo.

A dica de hoje:
















[ + ]

Friday, May 01, 2009

Maravilhoso!
















[ pra ver um téco ]

Sonhei com esta música.

Ontem voltamos lá.
Assim, de última hora.
Sentamos no coro e eu aos poucos
fui me acalmando. Me deixando levar.
Ou contaminar.
Ontem tinha piano.
Aqui em casa também há.
Caetano toca para eu acordar.

No mundo das palavras.
















[ + ]

Thursday, April 30, 2009

Memória - 01.

02.

Ela caminhava pelo corredor, destino ao trabalho.
Passava das treze horas.
Havia dado de comer à ele.
Deixando-o depois nas costas.
Desconsertado do medo de ficar só,
colheu todas as pedras brancas
que enfeitavam o jardim da casa e
atirou uma por uma.
Não acertou nela uma vez sequer.
O que convenhamos,
não mirou nela uma vez sequer.
Não queria machucar, mas assustar.
Todas as pedras bateram no portão
de ferro fazendo barulho.
Um som que nunca mais saiu de dentro dela.

[ouça]

Wednesday, April 29, 2009

Memória - 01.

Resfriada, queria muito deitar e dormir.
Fato é, que hoje a tarde saíram para ver uma exposição
de fotografias e aproveitaram o delicioso café local.
Depois, mais tarde o vizinho veio buscar a sopa de mandioquinha
de ontem e dá-lhe mais café. Resultado, está sem sono.
E ideias (sem acento conforme manda a nova regra)
poluem sua cabeça que na verdade deveria descançar.
Anda querendo escrever. Aleatóriamente.
Anda escrevendo aliás. Coisas que nunca foram ditas.
Das quais se envergonha. E por que?
Talvez para se livrar delas de vez. Quer se despir.
Desinibir. O que me faz crer, estás louca!
É o ser mais tímido que reconheço. E depois,
escrever sobre isto te fará reviver todas estas situações difíceis.
Sei que existe parte dessa sua memória
que nunca mais teve contato. Manteve distância dela
na maior parte do tempo. E fez bem! Auto- controle!
Sobrevivências... Só às vezes, as lembranças são mais
rápidas do que você e vêm à tona num piscar de lágrima.
Ignorou-as até agora por falta de força em enfrentá-las
e passado tanto tempo... Pense, valerá a pena relembrar?

01.

Ela o encontrou sentado num canto da sala.
Ele chorava compulsivamente.
Aquele homem grande e forte parecia uma criança.
Tinha medo. Resistia ao toque. Não respondia suas perguntas.
Não falava. Apenas chorava e muito. Caminhava de um canto a outro.
Dava voltas em si mesmo. Parecia que não a enxergava.
Ela pedia para que ele se acalmasse, para que lhe contasse o
que havia acontecido. Mas ele não a ouvia e se ouvia não respondia.
Como se a comunicação entre eles tivesse sido rompida ali,
naquele momento, naquele lugar estranho comum.
Cantarolava uma música de Gil continuamente.
Sem interrupção. Talvez isto tenha levado mais de seis horas.
Ele em surto cantando aquela canção que
depois de anos ela ouviu uma única vez numa mesa de bar.
Reconheceu e começou a chorar. Que idiota.
Mas foi exatamente o que aconteceu.
O rompimento se deu ali. E ela só o comunicou dois anos mais tarde.

Dele.

Ser. Super. Artista.

O papel do artista é produzir e conceituar seu corpo de trabalho.
O suporte para isso já não mais importa.
A arte contemporânea não se restringe ao papel nem à tela.
Muito menos aos museus e galerias. A arte se democratizou
assumindo as ruas. Invadiu sua vida e você nem reparou.
Porque não tem tempo para parar e observar.
Assim como a maioria de nós que olha para tudo e pouco enxerga.
E tudo bem, este é também um dos papéis do artista. Podemos relaxar?
Intransferivelmente é do artista a responsabilidade de observar
e detalhar que lugar é este que nós ocupamos no agora.
Refletir sobre a sociedade em que vive. Em que vivemos todos nós.
E transportar para o papel, para tela, para um espaço específico
e ou interferir na arquitetura das cidades com sua arte em nossas vidas.
É aproximarmos do lúdico, dos sonhos, do que é real na visão dele, artista.
Do que parece à ele indispensável. Não que seja para a maior parte de nós.
Mas para ele, é assim que lhe parece, necessário.
Para isso o artista contemporâneo ocupa desde altas tecnologias,
celulares e GPSs até o espaço daquela praça que sempre existiu na rua de sua casa,
os edifícios e calçadas além dos lugares em que a arte previsivelmente reside,
os museus e galerias. Por vezes, o artista retira do nosso cotidiano
os hábitos e costumes, móveis e outros objetos levando-os para
esses grandes espaços de arte, desfuncionalizando-os e
instituindo a eles o peso da obra. Isto, desde Duchamp, percebeu?
Vá visitar os museus e galerias, só assim entenderá o que estou tentando dizer.
Na exposição em cartaz na Galeria Vermelho há um carro
logo na entrada totalmente remontado e por assim dizer,
destruído e ao mesmo tempo mumificado. A obra intitulada DRIVE THRU#2
é uma instalação que pertence ao artista Matheus Rocha Pitta
e foi elaborado a partir de dois carros do modelo Escort de anos e cores
diferentes que foram recombinados em um único objeto.
Sim, isto é arte! E normalmente vem acompanhado da seguinte
frase de um amigo meu:

_Nossa, até minha avó faz isto!

Faço cara de desprezo. Pois ele só fala isso porque sabe o quanto me irrita.
Compreenda de uma vez por todas que, com a interferência do artista
seja ela simples ou não, objetos de cena comum ganham o cobiçado
título de obra de arte. Mas quem é que decide o que é arte ou não?
Os críticos, galeristas e jornalistas. Todos em comum acordo dão seu aval.
E de repente, a arte está ali em plena Avenida Doutor Arnaldo,
dentro do hospital Emílio Ribas.

_Repare, são barracas iluminadas... É daquele artista...
_ O... Qual é mesmo o nome dele?
_É Eduardo Srur.
_Ah é! É dele! Chama-se Acampamento do Anjos e é arte, sabia?

Hoje em dia só não é expectador de arte quem não quer.
Basta olhar bem e reparar ao redor.
O artista nos chama atenção para aquilo que há de mais simples,
mas que por tamanha simplicidade, a maior parte de nós já não dá importância.
Ana Maria Tavares é uma das artistas que nos dá prova disso enquanto
ironiza a utilidade da própria arte. Oferece-nos amparo sob superfícies gélidas,
como o aço inox, fazendo-nos perceber o quanto escoramos nossos
corpos nestes móveis existentes nos locais mais públicos, sem constrangimento.
Os corpos precisam de apoio. Ela nos dá este apoio, mas muitas vezes
em desequilíbrio. E eu nunca havia me dado conta do quanto procuro
por encosto ao meu corpo até saber um pouco mais sobre o
trabalho dessa artista. Depois de conhecida as obras,
reparo-me no metrô, na fila do banco e até a forma como acomodo - me
frente a pia, para lavar a louça do jantar.
É quando a arte invade a vida e vice-versa.
O pouco tempo e a correria do dia-dia nos faz apenas
sobreviver em meio aos outros nas cidades.
Ao artista então, cabe a função de refletir sobre o
meio em que vivemos e devolver a este mesmo mundo o que existe
nele que se valha repensar em outros formatos estéticos ou não
e que chamaremos a partir de então de arte.
Os olhos do artista enxergam coisas que nossos olhos não vêem.
Normalmente, escampam-nos. Não que ele tenha super poderes.
Mas é papel do artista treinar seu olhar,
assim como cabe ao corredor correr e ao pugilista lutar.
Ao artista cabe a função de nos detalhar.
Pausar, pensar, escrever, estudar, ler, desenhar, projetar, fotografar.
Chamar até engenheiros se preciso for, para transportar o que há de sensível
dentro de si para todos nós, o público. Um exemplo disso é o trabalho do artista
Marcius Galan exposto na mostra Nova Arte Nova no Centro Cultural Banco do Brasil
em que fez uma instalação dando-nos a impressão de que há
ali um vidro esverdeado, desses blindex. Mas é pura ilusão.
Uma fantástica mentira. E para perceber isso é preciso tocar na obra.
Tocar no nada.

_Mas tocar nas obras não é proibido?
_Neste caso não.

É... Sei que não é assim tão simples.
Cabe a nós apreciadores da arte tentar
deixar-nos seduzir pelos trabalhos do artista.
E a este cabe ainda se interar com o que há de novo.
Se atualizar. Perceber as novidades que são muitas nos dias de hoje.
Inúmeras. Rápidas e fugazes. E tomar o cuidado de não
ser só mais uma dessas novidades
que vem e vão na mesma velocidade.
Ao artista será preciso mais que fôlego de corredor
para acompanhar o que a maioria de nós não quer perder tempo em pensar.
Ou não se permite sentir. Ou não consegue.
E depois, resta a ele a tarefa de produzir.
Incessantemente como treina um lutador.
Continuamente.
Produzir uma vida inteira.
Para um dia o conjunto de suas obras falar por si só.

Thursday, April 23, 2009

Friday, April 17, 2009

Por sorte. O BEM DE ALZHEIMER.













Vovó não se lembra, mas nasceu em São Sebastião da Grama
em três de agosto de 1923.
É filha de Lydia Corsi Ferreira e Antonio Ferreira.
Lydia, sua mãe, teve seis filhos.
Apenas três cresceram.
Os outros morreram ainda crianças.
Portanto, vovó Edna tinha dois irmão – Laerte e Antonio.
Juntos, levavam uma vida tranqüila no interior.
O pai era construtor e a mãe dona de casa.
Eles tinham moradia própria e carro,
o que era um luxo para época.

Quando vovó ainda se lembrava,
contou-me que havia uma mulher negra em sua casa
que era a babá. Mostrou-me numa foto, assim:
_Está vendo esta aqui? Era minha escrava.
Eu achei repugnante, fiquei horrorizada.
Enfim, faz parte da história.
Eram uma família feliz e bem estruturada
até que um dia, descobriram que o pai da vovó tinha outra mulher.
Foi uma escândalo na pequena cidade, imagino.
E o resultado foi que ele suicidou-se.

Lydia agarrada aos três filhos passou pela primeira vez
a ter dificuldades para se manter. Lógico,
toda renda da família vinha do marido que
se matara de vergonha.
Ela então buscou por soluções.
Montou uma confeitaria,
mas não teve experiência para levar o negócio à diante.
Era muito nova, havia se casado com apenas treze anos...
Só sabia mesmo cozinhar!
Foi então que numa tarde pouco tranqüila,
largou tudo o que restava em São Sebastião da Grama
e retirou-se para São Paulo,
carregando os três filhos debaixo do braço.

Precisava de uma vida nova e acho eu,
que não importava muito onde.
A nova vida de toda família recomeçou
na capital tão difícil quanto o
passado recente deixado no interior.
Lydia trabalhava em casa de família como cozinheira
e sua irmã ajudava a cuidar dos meninos.
À Edna restou o colégio interno.

No colégio, vovó não se lembra mais,
mas chegou a comentar que sofria
muito com os castigos de lá.
Vivia ajoelhada no milho e
por vezes faltava-lhe comida.
Tanto, que de tanto reclamar tiraram-na do colégio
e foram todos morar na casa da tia Mariana, a irmã de Lydia.
E talvez nesta época um téquinho de felicidade
tenha reinado naquela casa, por estarem todos juntos outra vez.

O tempo foi passando, Lydia cozinhando
e vovó Edna, mocinha, foi trabalhar numa fábrica de zíper.
Foi lá que conheceu Raphael Pannunzio, meu avô.
Casaram-se e foram tentar a vida no Paraná.
Tentar a sorte! Mas históricamente a sorte não andava ao lado dela.
Raphael trabalhava com o tio Dino, irmão dele.
Eu pouco sei sobre meu avô. Minha mãe não fala sobre ele.
Quase nada. E minha avó já não se lembra...
Sempre tive medo de perguntar e acabar por reativar mágoas.
Mas voltando à vovó, Edna logo engravidou
para alegria de todos. Eram recém casados e você sabe,
casais recém casados vislumbram toda uma vida feliz
para ser construída. Há possibilidades, ao menos.

Mas infelizmente o primeiro bebê da vovó não vingou.
Morreu uns meses após o nascimento.
Depois, ela demorou mais de seis anos para conseguir
engravidar de novo. Mudaram-se para Sorocaba.
Todos! Inclusive o tio Dino que também
há pouco havia se casado. Foram de novo tentar a sorte!
Conseguiram. Vovó engravidou outra vez por sorte
e num janeiro, nasceu a primeira filha do casal, Vera;
minha mãe. Depois veio o tio Sérgio.

Que alegria! Que nada... A vida da vovó com meu avô
não era nada fácil. Ele, alcoólatra, dava muito mais trabalho
que as crianças. Mesmo assim ela permaneceu casada com ele
durante 23 anos, até a sua morte. E eu me pergunto,
o que teria sido diferente se eles tivessem se separado.

Quando meu avô morreu, a vida da vó Edna
ao invés de melhorar, piorou. Vovó não tinha dinheiro.
Sua aposentadoria era muito pequena e suas tentativas
para gerar renda eram todas um fracasso só.
A saída encontrada para diluir as dificuldades foi montar
uma república em sua própria casa para meninas
que vinham ainda mais do interior estudar em Sorocaba.
Foi uma fase ótima. As meninas eram muito alegres,
tinham mais ou menos a mesma idade da Vera, sua filha...
Mas Vó Edna logo enjoou de tanta agitação.
Não levava mesmo jeito para muita alegria dentro de casa.
Desistiu. E quando tio Sérgio viajou, mamãe
se casou e vovó foi morar junto dela.
Carregou consigo desta vez,
debaixo do braço, sua mãe, Lydia
que já estava bem velhinha e doente.

A casa onde todos foram morar era pequena e inacabada,
mas aconchegante. Você sabe como é, casais recém casados
vislumbram toda uma vida feliz para ser construída.
Vera e Luiz não eram diferentes.

Um dia, vovó Edna conheceu um senhor distinto
que se chamava Artibano e com quem imprevisivelmente
veio a namorar e depois casar. Sim, vovó não se lembra,
mas casou-se outra vez. E teve até festa!
Foram morar juntos e tudo ia às mil maravilhas!
Mas como vovó não levava mesmo muito jeito para
alegria dentro de casa, Sr Artibano morreu pouco tempo
depois do matrimonio. Ela ficou sozinha outra vez.
Morreram também seus irmãos.
E Lydia, sua mãe, deixando-a ainda mais só.

Em troca a vida e o tempo lhe deram netos.
Marina, Chico, Pedro, Lucas e eu.
E nós nos amamos desde o primeiro instante.
Ela já não se lembra, mas eu...

Um dia o tio Sérgio voltou para o Brasil
(ele morou anos nos EUA) e ajudou a vovó
construir uma casa, grudadinha na casa dos meus pais.
Moramos a vida toda juntas até eu crescer e
bater em retirada para São Paulo.
É por isso que em todas as minhas recordações ela está.
Que mesmo sem aptidão para alegria dentro de casa,
fez de mim a criança mais feliz do mundo ali naquela sala.
Naquele quintal.
Ali, no nosso sofá.

Wednesday, April 15, 2009

Tipo assim.

















Sou do tipo que está sempre tentando.
Tentando ser feliz, tentando escrever.
Tentando te encontrar, te compreender.
Tentando se organizar. Desenhar.
Vender. Planejar. Esquecer.
Sou do tipo que não sabe perder.
Que tenta, tenta, tenta
até que todas as possibilidades se esgotem.
Ou você fuja de mim.
Porque sou do tipo insistente.
Jamais abandono meu barco.
Eu afundo com ele.
Até porque, sou do tipo que sabe nadar.
Sou persistente. Resistente.
Tenho fôlego. Força. Tenho garra.
Faço graça e meu choro é só você quem vê.

Sou do tipo que acredita nos outros.
Que no fundo acredita nos sonhos. No nosso amor.
Que acha que tudo pode sim melhorar da noite para o dia.
Sou do tipo que não sabe do jogo.
Do seu, nem do dele, nem dela, nem de ninguém.
Que simplesmente não participa.
Que tenta driblar o cansaço.
Que tenta desviar dos fracassos.
Te ouvir com toda atenção do planeta.

Sou do tipo que sai para dançar e não dança.
Que fica ali no bar, conversando.
Tentando expressar-se diante do barulho.
Tentando respirar na fumaça.
Tentando manter o humor.
Tentado controlar a vontade de só ficar em casa.

Sou do tipo que não vai ao médico.
Que toma uns remédios por conta própria.
Que tenta fazer a dor passar.
Vivo tentando me auto-ajudar porque
sou do tipo que briga com o analista.
Que vive tentando fugir do que é óbvil.
Do que é rotina.
Tentando fazer diferente dia após dia.
Tentando melhorar.
Tentando até mesmo deixar de tentar.
Quando já não mais vale a pena.

Tuesday, April 14, 2009

Duas certezas e uma consequência óbvia.

Tenho problemas no coração.
Falta-me ar.
Morrerei de insuficiência respiratória
seguida de parada cardíaca.
Nem vai doer. Vai?!

recomendo-me outra vez!

Monday, April 13, 2009

Recomendo-me!

- Calma, o mundo não acabará amanhã.
- Não brigue com ele.
- Durma mais cedo.
- Acorde mais cedo.
- Foque.
- Esqueça! Não é mais problema seu.
- Não pense em todas as possibilidades,
precisa aprender a fazer suas escolhas sem sofrimento.
- Salada!
- Prefira o silêncio!
- Às vezes precisa dizer não.
- Agradeça!
- Coma um doce tão doce que te provoque arrepios.
- Faça amor de manhã, seu dia segue melhor depois disso.
- Estude.
- Desenhe.
- Faça render as horas.
- Costure.
- Pague todas as contas no caixa eletrônico,
assim não perderá tempo nas filas.
- Leve uma fruta para o trabalho.
- Tome um café no meio da tarde.
- Alongue-se.
- Sorria.
- Permita que novos amigos se aproximem.
- Ignore fatos irrelevantes.
- Atente-se ao que há de importante.
- Agrade-o.
- Tome a pílula ao amanhecer.
- Projete seus filhos.
- Ame incondicionalmente.
- E como diria sua mãe, não perca a doçura.
- Passe protetor solar.
- Cozinhe. Faça um jantar para vocês dois.
- Visite suas avós e o avô dele.
- Os museus e galerias.
- Outras cidades, países.
- Refaça sua trilha.
- Ouça as músicas que gosta.
- Leve a Rosa ao cinema.
- Telefone...
- Saia uma noite dessas só com suas amigas mulheres.
- Dance.
- Aqueçam-se.
- Assista a todos os filmes.
- Durma com aquele seu pijama velho adorável,
ele disse que não se importa...
- Aproveite para colocar as idéias no papel também por escrito.
- Proteja-se.
- Livre-se das mágoas.
- Retome os exercícios.
- Aproveite os domingos.
- E não esqueça, você precisa parar de usar o descongestionante nasal...

recomendo também!

recomendo!











A primeira sala IMAX do Brasil inaugurou no dia
16 de janeiro no Bourbon Shopping.
Fui só neste final de semana conferir.
A tela tem 21m de largura.
É sensacional!
E divertido!
Vale a ida ao shopping!

Thursday, April 09, 2009

Quem disse que a vida não é um filme?

Cena Interna
Estúdio - casa
Ela está em pé na cozinha de frente para pia cheia de louças.
Ele deitado na cama, no quarto que é bem em frente
a cozinha o que permite um diálogo entre eles.

Quase meia noite.
Ele exausto diz que precisa descansar.
Ela exausta diz que precisa fazer o bolo que havia planejado.

_É meu presente de Páscoa!
_Ta bem.
_Mas você vai dormir?
_Preciso deitar.

Ele parece chateado.
Ela também, mas na verdade só estão cansados.
Ela acha que precisa terminar a receita.
Como, se não terminar significasse imenso fracasso.
Então, para não fracassar manuseia os ovos, a farinha e
as cenouras raladas com habilidade e pressa.
Liga o liquidificador que faz barulho.

Ele grita do quarto:
_Nossa, os vizinhos devem estar adorando!
Ela o ignora.
_Quer conversar?
pergunta ela à ele que responde em tom de ironia
_Quero dormir.
_Ahhh que pena! Eu queria tanto conversar.
_Ta bem.
Ela sorri olhando para ele que se esconde
por debaixo do edredon branco.
_Sabe, tenho umas dúvidas à nosso respeito.
_Xiii... Lá vem a "possibility girl".
Ela nem olha para ele, continua fazendo seu bolo.
Ele pergunta meio sem animação
_Quais?
_Ahhh, quer saber?
_Lógico!
_Mas nem eu sei.
_Não sabe quais dúvidas tem?
_Não, mas eu as possuo!
_Então pergunte-me e eu te respondo,
assim as dúvidas acabarão.
_Mas eu não sei o que te perguntar.

Silêncio.

_Na verdade já sei. A pergunta é:
toda vez que você fica em silêncio,
me olhando, é porque concordas com que estou dizendo?
_Ah, acho que sim.
_Então você não tem dúvidas?
Neste instante, ela para de olhar para a tigela onde prepara
a massa do bolo e olha fixamente para a cama onde ele
está invisível.
Ela olha para o amontoado de travesseiros
ansiosa esperando que ele lhe dê a resposta.

_Dúvidas quanto a nós? Não. Não tenho.

Ela se agita sozinha na cozinha e caminha até a porta do quarto.

_Então você compreende tudo o que falo?
Quer dizer, você acha que tudo o que eu falo
é na verdade tudo o que penso?
_Assim espero...
_Mas eu falo muito!
_É Luiza... Eu sei.
_Não sabe não.
_Ta bem, então não sei.
_ Somos muito diferentes. Somos de mundos diferentes!

Ela diz isso voltando para o interior
da cozinha de costas até o fogão.
Abaixa-se, liga o forno ouvindo ele dizer:
_Mas a graça está aí.
_Eu também acho engraçado, mas não sei...
_Não sabe o que?

Ela volta para tigela, liga a batedeira
e ele repete a frase acrescentada de uma única palavra
que faz uma incrível diferença:
_Nossa, os vizinhos devem estar adorando, amor!

Ela sorri e faz a próxima pergunta bem alto
pois a batedeira produz um barulho realmente insuportável.
_Mas não há nada que você ache estranho em mim?
Algo que te incomode?
_Acho que você está incomodando os vizinhos...
Ela ignora de novo este comentário dele.

Ele demora mais de um minuto para responder
a pergunta fazendo com que ela
quase prefira que ele não responda.

_Algo que me incomode?
Bem, te acho às vezes triste demais.
Às vezes, tímida demais.
Mas eu gosto disso também.

Silêncio.

_Gosta desse incômodo?

Silêncio.

Ela então percebe que ele adormeceu.
Termina de fazer o bolo calada.
Deixa a cozinha toda revirada,
cheia de farinha e açúcar por todo lado.
Apaga a luz e vai se deitar.
Mas não consegue dormir.
Abalada por seus excessos.

Me indica uma trilha?

Wednesday, April 08, 2009

Tuesday, April 07, 2009

Quanto dura a novidade?

O novo marido
em seu prazo de validade:

-tem mira! Não faz xixi no chão nos primeiros dois meses,
nem deixa respingos no acento.
-faz seu jantar sem reclamar.
-clima para o sexo.
-mantém o controle quando você perde.
-o bom humor na hora da fome.
-sorri quando você chora.
- sorri também para todas suas amigas, simpatia é seu nome.
-compra chocolates para te alegrar.
-repõe o papel higiênico como num passe de mágica!
-te beija quando acorda mesmo sem você escovar os dentes.
-visita seus pais sem problemas.
-não repara em suas unhas, sobrancelha...
-sai com você para dançar.
-te ama em tempos de crise.
-e diz isso sempre, continuamente sem você pedir nem se irritar.

Friday, April 03, 2009

Tuesday, March 31, 2009

Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Aos 22 era ele quem aguentava minha TPM.

Vencida, ainda tinha dúvidas.
















Quantas vezes uma pessoa do meu tamanho pode errar na vida?
Qual o tamanho da sua coleção de fracassos?
Quais dificuldades vieram para teu aprendizado?
Quanto vale ser forte?
Qual vantagem de ser fraco?
Frágil?
Quanto vale um cafezinho?
Qual valor do meu traço?
O que eu faço?
Para que sirvo?
Senhor diretor,
posso passar o dia todo aqui na
minha cama de pijama e cachecol?

_Mas não está frio Luiza.
_Há uma vastidão gélida aqui dentro.

Sunday, March 29, 2009

Matilda.


Um mini filme. A história de um grande amor.
Do meu maior. Caetano.

Thursday, March 26, 2009

colapso

Lembra ontem quando comentei contigo
que meu limite estava tão próximo
que já não via a linha que me separava dele?
Então...

costas

Monday, March 23, 2009

feliz aniversário!!!

Meu amor fez esta semana 30 anos.
Eu farei em agosto.
Mas antecipo minha conclusão de que fazer 30 anos
significa além de já termos amado algumas outras pessoas nessa vida,
além da experiência adquirida, das inseguranças profissionais,
das dores e gorduras acumuladas, a dificuldade para
conviver com a bebida, o cigarro e o trabalho;
fazer 30 significa acima de tudo isso que,
nossos pais estão ficando velhos.
Sim, eles têm quase 60. Não adianta disfarçar.
E não há plástica que resolva o tempo interno.
O tempo do coração, da memória ou do pulmão dos que fumam.

O problema é que aos 30 ainda
não somos totalmente crescidos.
Os filhos para os pais como dizem, nunca crescem.
Mas também, esta posição de
dependência passa a ser um conforto.
Um PLUS para nossa geração. Tome!
Faz parte do negócio e parece bom para ambos os lados.
Como se os laços de amor se fortalecessem
nutridos das dificuldades que sentimos
para gerir nossas próprias vidas.
Provocada também por eles que nos pouparam de
quase tudo que era indigesto até agora.
Mas aos 30 a coisa muda.

Deixamos de ter aquele ar de enganáveis.
Acho que é isso.
Tornamo-nos adultos, barbudos, peludos.
E alguns de nós até já tem filhos!
Dentro do mesmo sistema poupante em
troca de um cotidiano doce.
Porque assim é que se faz.

Mas aos trinta, ouça meu amigo, as coisas mudam.
Nossos pais sentem a obrigação de nos colocar a par
das dificuldades da vida real.
Pois sim, somos jovens crescidos
e parecemos mais fortes e saudáveis do que eles.
Acrescidos de tais responsabilidades,
lhe digo por experiência própria
que, viver passa ser desesperador.
Perceber a vida como ela é
sem o filtro deles é duro, por vezes cruel.

O pior é que ainda não
estamos aptos à resolver os problemas que eles relatam.
E às vezes estes nem existem soluções.
O que acaba por nos fazer sentir de novo pequenos.
Menores. Incapazes. Deficientes.
Faz sobrar mais algumas culpas grandes e felizes.
Vira um drama adulto.
Do qual não há como escapar.
Bem vindo!

PS.: Hoje, deitada na cama enorme de meus pais,
com vovó Eca de um lado e mamãe do outro tive
a nítida impressão, enquanto vovó segurava minha mão, de
que ela não espera mais nada. Só que o tempo a faça descansar.
E que graças ao Alzheimer que há anos anda com ela
não percebe mais o tempo passar.
Os dias dela são feitos de açúcar.

Thursday, March 19, 2009

Sua caixa de entrada.

Para bom escrevedor
meia palavra basta!

Tuesday, March 17, 2009

congestionada sempre.
















Dentro do carro, descendo a Consolação
ela pingava uma gota gorda de Sorine
em uma das narinas quando disse:
_Eu adoro conviver com vc.
_Você está dizendo isso para o seu descongestionante nasal?
_Não. Para você.
_Ahhh...

Monday, March 16, 2009

O menino que morava num antigo Baú.

Para Rosa - uma história:

Raul é um menino que morava num antigo baú.
Não tinha interesse pela vida fora dele.
E não havia quem o tirasse de lá.

Raul só gostava da Lua.
Tinha o desejo de fazer seu Baú voar até ela.
Mas como isso não acontecia,
Raul ficava olhando para Lua até cair no sono.
Saboreava o luar pelo buraquinho da fechadura
do velho caixote de madeira.
E sonhava.

No Baú de Raul tinham dois brinquedos,
um livro lido, seu travesseiro e um pequeno cobertor
que lhe cobria por inteiro.
Achava que não precisava de mais nada além disso.
Gostava de viver assim, apertadinho.
Sentia-se protegido.
Acolhido, envolvido.
Era quase um abraço.

Raul vivia do passado.
Gostava de lembrar das coisas que fazia
antes de entrar no velho Baú.
Dos almoços em família, das brincadeiras
com os coleguinhas, corre-corre, os passeios de bicicleta,
amarelinha, a menininha ruiva da rua com quem pulava corda,
a piscina do clube no verão, sorvete aos finais de semana,
chocolate quente em frente a lareira e o que para ele era
o melhor de tudo, a cama enorme e macia dos pais.
Mas por que então Raul entrou no Baú e não saíra jamais?

O Baú de Raul estava em seu quarto antes mesmo dele nascer.
Ficava naquela posição, encostado no papel de parede azul,
logo abaixo da janela branca onde de manhã batia sol e de
noite o luar vinha visitar.
Era um caixote antigo de madeira nobre que já havia
pertencido ao seu avô e em seguida ao seu pai. Foi herança.
Portanto este não era um simples baú.
Mas uma caixa cheia de histórias!

Raul ainda bebê, observava do berço com olhar
de encantamento sua mãe guardar todos os brinquedos
naquela caixa de madeira.
O que despertou sua curiosidade.
Quando aprendeu a engatinhar, era sempre para
aquela direção que ele ia. Houve um tempo em
que acreditava que o baú era um portal para a
Terra dos Brinquedos.
E isso manteve em segredo.
Tinha vergonha do que as outras crianças podiam achar.
Não queria parecer tolo por imaginar – imaginar – imaginar.
Disfarçava seus pensamentos, escondendo-os.

Comum como qualquer outro garoto de cinco anos de idade,
antes de entrar no Baú Raul brincava na rua, ia à escola,
passeava com os pais e por vezes passava um dia todo com seus avós.
Todos adoravam sua companhia!
O tempo foi passando e as responsabilidades foram chegando.
Junto do crescimento do garoto vieram também as provas e
cobranças que resultaram em belas dores de barriga.
Nesta mesma época Raul perdeu dois dentes de leite
bem na frente, abrindo verdadeiras janelas em sua boca.
Ele morria de vergonha dos vãos e por conta disso parou
de falar em público. Sorrir, jamais! Sua mãe o alertava:
_Raul, veja o Antonio, o Filipe e a Laurinha,
todos também possuem esta janelinha!
Mas Raul mantinha a boca fechada e um silêncio perturbador.

Na medida em que os dias passavam, as estações mudavam e os anos corriam.
Flores nasciam, folhas caíam, nevava, chovia,
esfriava e fazia sol de rachar coquinho.
Raul tinha medo de tudo o que era novo.
Apavorado, reagia com total desinteresse por tudo que
existia de mutável no mundo.
Numa posição blasé, para não dar o braço à torcer.
Apenas recusava os convites.
Não – não e não. Obrigado.

Foi perdendo a vontade de sair de casa.
Depois de sair do quarto.
Não adiantava nem mesmo a menininha ruiva da rua chamá-lo na janela:
_Raul, venha! Vamos brincar!
Ele não saía. Mal comia. Raul não queria saber de nada.
Nem cinema. Nem a televisão escapava.
Era para ele um filme de terror constante.
Tamanho medo de viver e ver o mundo lá fora.

Foi então numa noite de total desespero que Raul,
ouvindo o barulho da chuva batendo no telhado, acordado
e com medo, resolveu se refugiar no antigo Baú.
Levou consigo seu livro preferido que de tanto ler,
já o havia decorado; seu travesseiro - o companheiro de sonhos
e o cobertor para cobri-lo até as orelhas de pavor.
Lá no fundo do antigo baú encontrou um soldadinho de chumbo
que servia de escudeiro e um pequeno urso empoeirado que só o fazia espirrar.
Nesta primeira noite, Raul agüentou firme a coceira no nariz,
para não chamar atenção de seus pais.
Sentia-se seguro dentro do baú.
Pronto. Criou seu mundo paralelo ali dentro.
Encontrou o esconderijo perfeito e não pretendia mais sair de lá.

Quando ficava entediado, lia o livro.
Quando queria diversão, tinha os brinquedos.
Quando queria companhia, contemplava o Luar.
Assim, nem percebia o tempo passar.
E se o tempo não passava, nada mudava.
Tu do continuava sempre igual para Raul!
Só às vezes quebrava a rotina com seus sonhos incríveis.
Foi assim, de repente que uma longa noite de sono levou Raul à Lua.
Aterrissando meio desajeitado,
levantou poeira com sua nave espacial especial de madeira.
Visitou estrelas, desviou de satélites e na volta pegou carona
num grande cometa. Descobriu que a lua é linda de perto.
Que flutuar é uma das melhores sensações vivenciadas ou sonhadas;
não importa. Viu o planeta Terra lá de cima e ele é incrivelmente azul.
Azul da cor do mar. Foi uma aventura e tanto!
Inacreditável como diria a vovó quando ele lhe contasse.

Mas quando Raul acordou não tinha ninguém por perto.
Estavam todos vivendo a vida lá fora.
E ele teve que esperar por horas até a chegada dos avós
que visitavam o baú todas as tardes.
Encostavam-se no velho caixote,
cada um com sua xícara de chá de limão e liam para Raul
as mais incríveis fábulas. Era o momento mais doce do dia deles.
Raul que sempre viajava com seu Baú para dentro de todas
essas histórias fez desta tarde diferente para sempre.
falou-falou-falou.
Como há muito não falava.
Contou – contou – contou.
Detalhadamente sua viagem para todos os planetas.
_Que inacreditável Raul!
_Mas é a mais pura verdade vovó!
Exclamou o menino animado com a reação previsível de sua avó.

Os pais de Raul estavam muito preocupados
com o isolamento do filho. Num primeiro momento,
queriam tirá-lo do baú de qualquer jeito.
Mas depois aceitaram a decisão do garoto que desde
pequeno sempre soube o que sentia.
_Deixe o menino!
Dizia o sábio pai que tinha certeza de que um dia
o velho caixote de madeira ficaria pequeno para
um menino como ele, criativo e expansivo.
_Ele não vai caber lá para sempre...
Sorrindo, tentava tranqüilizar a mãe, pois sabia
que um dia Raul teria que sair de lá, nem que fosse aos quinze anos.

E isso aconteceu muito antes do que se esperava.

Numa manhã de sol igual a tantas outras, Raul
criava histórias mirabolantes em sua cabeça quando
ouviu a voz da menininha ruiva da rua chamando-o para brincar.
Pensou:
“Que garotinha insistente! Por que não me deixa em paz?!”
E ela continuou a gritar:
_Raul, vem! Vamos brincar!
Ele ignorou.
Mas ela continuou – continuou –continuou.
Até que Raul, levantou-se com raiva e sem perceber,
pulou para fora do Baú e enfiou a cabeça pra lá da janela.
Enxergou tudo.
E como os raios de sol deixavam os cabelos da
menininha ruiva da rua ainda mais vermelhos. Gritou de volta:
_Sua cabelo de fogo!
Ela apenas sorriu. Estava linda.
Vestia um vestido rosa e sapatos azuis da cor do mar
que em cima da grama verde do bem cuidado quintal da casa dele,
fazia uma combinação espetacular. Até parecia um sonho mas
Raul estava acordado, prestes a entrar de novo no mundo real.
_Você é muito insistente sabia?
Ela apenas sorriu e abriu os braços esperando um abraço.
Raul não teve dúvidas ao abrir a porta do quarto.
Queria sair. Queria contar à menininha ruiva da rua
que as cores dos sapatos que ela usava eram exatamente da
cor do nosso planeta visto lá da Lua.
Estava tão afobado que desceu a escada do sobrado voando.
Sua mãe que preparava um bolo de cenoura na cozinha quase o perdeu de vista.
_ Raul? É você meu filho?
Ela nem acreditava que o menino deixara o baú.
Ele corria-corria-corria!!!
Até tropeçar na primeira pedra que estava em seu caminho
bem no canto da calçada.
A mãe, lá da porta da casa viu quando Raul caiu.
Levou as mãos à cabeça tampando os olhos por um longo instante.
Depois torceu para que o menino levantasse. Chegou a dizer baixinho:
_Vamos Raul, levante!
E lá da outra ponta, no gramado a menina ruiva da rua
continuava com os braços abertos esperando firmemente o abraço.

O menino ficou no chão.
Percebeu naquele exato momento que precisaria levantar
do tombo, levantar a cabeça e caminhar.
Que ficar ali caído na calçada não era a melhor opção.
Estava quente, pelando o concreto onde seu rosto esfolado apoiava.
Suava. Estava um sol de rachar coquinho e a
menininha ruiva da rua lá de braços abertos.
Ele a viu e até sorriu para ela ao levantar o queixo ralado.
Ardeu. Lágrimas começaram a descer dos olhos de Raul descontroladamente.
Ele chorava e não era de dor, mas de alegria.

Alegria por ter perdido o medo de tudo.
Das coisas. Da vida. Estava pronto. Certo.
Decidido a continuar o que de fato o levara sair do seu quarto,
abandonar o antigo caixote de madeira e se aventurar pelo mundo a fora.
Tinha coragem de continuar a inventar para viver do lado de fora.
Acreditava em si próprio e confiava nas pessoas ao redor.
Pois a menininha ruiva da rua continuava firme e
forte na grama verde com seus sapatos azuis da cor do mar esperando-o.
Raul, com tantas histórias para lhe contar
juntou forças e ergueu seu corpo.
Todo dolorido caminhou para até bem perto dela e disse:
_Sabia que eu já fui para Lua?
Ela o abraçou bem forte e disse baixinho
só para ele ouvir e mais ninguém:
_Sabia. Eu te vi passando com sua nave de madeira pela minha janela.

Wednesday, March 11, 2009

dengo

_Por que está falando assim?
_Assim como?
_Assimmmm nhé-nhé-nhé.
_Porque estou doente.
_E está doente na boca?
_Não. Nas costas.
_Então não fale assim!

Tuesday, March 10, 2009

Mata pernilongo!

Acordou no meio da noite
assustada com as burrifadas
dele de OFF em seus pés.
O cheiro lembrava praia...

Sunday, March 08, 2009

Hoje é domingo.
Dia internacional da mulher.
Acabo de ganhar o presente que pedi.
Um pedaço de vidro para que eu possa fazer deslizar meu estilete.
Estou escrevendo bem aqui ao lado dele.
Não vamos almoçar com a família.
Nem com a dele, nem com a minha.
Acho que nem vamos almoçar.
Hoje é domingo.
Dia nosso.
Não há regras.
Vamos ficar de pijama.
Escrevendo, desenhando, filmando,
fazendo música e comendo chocolate.
Talvez um filme no início da noite.
Talvez não.
Parece que não precisamos de nada.
Ou tudo de que precisamos está aqui.
Só por hoje.

A Orquestra.

De fato, não sei da onde vem meu gosto pela música erudita.
Não me lembro de papai ouvindo na vitrola.
Nem da mamãe sintonizando o rádio.
Só sei que gosto.
Emociono e relaxo.
Equilibro o desconcerto.

Sexta passada, às oito e quinze da noite
saí do trabalho correndo, vestindo preto, largo,
enfeitada do calor que vem presenteando a cidade.
Fui ver Yan Pascal Tortelier reger nossos músicos.
Rímel, blush e três grampos.
Um coque salva uma mulher.
Finge elegância.
Não alto nem muito baixo.
Bem no meio.
Levamos em passos lentos os avós do meu Caetano
para nos acompanhar. Avô que também chamo de meu.
Sentamos no coro. De frente ao regente.
Nas últimas quatro cadeiras que estavam à nossa espera.

A Sala São Paulo é um dos lugares mais belos da cidade.
Não há dúvidas.
Os músicos ocupam seus lugares.
Abrem as partituras e me encantam de tal
forma que meus olhos se agitam,
tamanha felicidade em perceber que tudo vira desenho.
As roupas, os cabelos, as páginas, as notas musicais...
Preto e branco.
Não há negros na orquestra. Isso chama a minha atenção.
Ele manda eu fechar os olhos.
_Ouça.
Mas prefiro mantê-los bem abertos.
Meu contato com a música é visual.
_Eu a enxergo.
Sorrio com o maestro dançando na minha frente.
Ritmado na respiração de todos.
E enquanto a música ía, tudo passava pela minha cabeça.
Meu aniversário de três anos, meus pais dançando,
minha irmã brigando, meu irmão sorrindo.
Pensei no futuro. Em filhos. Nos papéis que quero
desempenhar ao seu lado. Na sua família. Na nossa.

As cenas se multiplicavam em mim.
Envolvida, perdi o fôlego.
Tornei espectadora da minha própria história.
Dos abraços que demos. As surpresas que tivemos.
A tristeza que me assombrou. As dores que mantenho em segredo.
O apoio que recebo deles e dele em especial.
Altos e baixos.
Lembrei das reuniões que fazíamos quando criança.
Chamavam-se “dever de sentar-se”. Num clima tenso
porque para mim tudo o que era devido, talvez não fosse bom.
Assim como escovar os dentes. Lembrei dos meus padrinhos,
dos meus presentes repetidos, do meu carinho por eles.
Do nome dos meus avôs que não conheci, tentei. Confundi.
Lembrei da dificuldade em aceitar que não tinha
como administrar as vontades dele. Das desvantagens em fugir.
Das doenças que já tivemos de enfrentar.
Do tempo em que íamos à missa domingo de manhã
e depois tinha café com leite e pão com manteiga
que a igreja distribuía aos pobres. Eu adorava!
Lembrei com gosto.
Os passeios de bicicleta. Das tardes na piscina do clube.
Da coxinha do Egídio. Cheiros dos papéis de carta.
De nós deitados na grama observando a vovó e a
Rosa caminhando com dificuldade.

Pensei na constituição da nossa família.
Dos nossos amigos. Dos meus primos.
Somos todos coração. Que também sofrem porque,
de qualquer forma, todos precisam de um dilema para viver.
Então, mesmo que não exista um problema,
a gente inventa e acredita. Mas dos males,
escolhemos os menores. A dedo.
Lembrei do dia em que sem querer machuquei Aline,
minha vizinha, com um corte profundo no punho
ao levantá-la para apertar uma campainha do bairro.
De todas as minhas culpas.
Do meu acidente com o patinete motorizado
que ganhei de aniversário metade-metade com Francisco
e estourei-o no muro logo no primeiro passeio.
Da minha falta de sorrisos aos quinze anos.
O dedo da vovó que prendi na porta do carro.
Da minha alegria com o primeiro amor,
com o segundo e o terceiro, um amor adulto, maior.
Da minha fé que levo em silêncio para todo canto.
Dos nossos erros. Dos almoços com tio Sérgio.
Da capacidade em apaixonar. Perdoar. Deletar.
De todo meu amor por todos.
Da saudade do tio Di e até da tia Dela.

Meus lábios se estenderam de um canto a outro
quando recordei da brincadeira de escravos de Jó na casa da tia Walde,
com os guarda chuvas na casa da tia Sueli, eu devia ter uns quatro anos.
Na praia com a tia Rose. Ela era uma louca de nos levar para lá.
Os passeios no fusca da Samira. Toda ajuda do tio Jorge.
Lembrei do meu pai no balcão da loja.
Minha mãe na mesa de corte. Do trabalho.
Somos sim trabalhadores, incessantes. Sonhadores. Braçais.
Somos quase máquinas de costura e juntos somos fortes.
Só, me orgulho deles. Queria que estivessem ali conosco.
A orquestra me fez pensar em disciplina.
Esforço. Comando. Foco. Tempo. Pausa. Ritmo.
Harmonia. Continuidade. E palmas.
Aplausos!
Porque assim é a vida!


Para experimentar dessas sensações
veja a programação completa no site
OSESP e bom espetáculo!

Saturday, March 07, 2009

sequelas

_Se eu surtar vc me devolve para minha família?
_Isso eu que decido. Mas por que está pensando nisso?
_Se eu surtar vc me devolve, tipo um pacote? Promete! Por favor...
_Esta bem.
_Obrigada.

Thursday, March 05, 2009

deserto

Sobre as verdades.
Mantém em segredo.
Mas nem todas.
Boa parte delas cuspiu em teu rosto.
Hoje visto quão desnecessário.
Outras escreveu.
Verdades lidas em voz alta para colocar as paredes à par.
Para protegerem e que não haja uma próxima vez.
De todo mal que ele lhe fez.

E os azulejos do banheiro souberam de tudo.
As luzes filmaram.
O piso de taco desesperou-se com o movimento.
Os espelhos da casa fugiram, tamanha vergonha.
Ouviram seu choro.
Silêncio.
Pouco podiam fazer.

Há.
Três minutos atrás.

Sentada no ônibus a caminho do trabalho
percebeu que não sente mais a dor da surra.
Nem a perda.
Não sente culpa.
Não tem orgulho.
Só.
Rareia ar.

Wednesday, March 04, 2009

Tuesday, March 03, 2009

As aparências a enganam.

_Luiza, você comprou o gengibre?
_Sim, está aí em cima da mesa.
_Onde?
_Aqui oh!
Diz ela impaciente com a mandioquinha na mão.

Monday, March 02, 2009

Friday, February 27, 2009

ontem

Saiu do trabalho.
Passava das oito e meia da noite.
Comprou um jantar rápido para dois.
Chegando em casa foi direto ao chuveiro.
Mas antes fez tocar Philip Glass no
pequeno aparelho que reside em cima do piano.
Bem alto.
Ao sair do banho percebeu que uma estranha
sensação de tristeza havia preenchido seu corpo.
Todo. Menos a cabeça.
Esta estava perdida dentre todas as
possibilidades de uma noite feliz.
Enfiou-se num pijama quente, mas nem estava frio.
Abriu a janela que fica na cabeceira
da cama e deitou ali mesmo.
Bem na cara do vento que
fazia a cortina dançar.
Alegremente.
Não faltava-lhe ar.
Quando ele abriu a porta,
os olhos dela já estavam rasos d’água.
Abraçou.
Ela, que escondia o rosto do dele.
Um fracasso.
Ou quase uma brincadeira de gato e rato.
Permaneceram grudados por alguns minutos.
_Porque está assim?
_Porque estou sofrendo diante tantas oportunidades.

Wednesday, February 18, 2009

Exausta.

Não fala mais a palavra CANSADA
desde que sua amiga Ana Kátia ensinou
que se não falar, não cansa.
Não fala mas pensa na proibida palavra
o tempo inteiro.
Pensa no formato que ela tem.
Letra por letra.
C - A - N - S - A - D - A
Que chegam a dançar frente aos olhos dela.
E quando vai chegando o fim do dia
a palavra parece invadir a ponta de sua língua.
Segura.
Flutua em seus pensamentos.
Mas ela não fala.
Não faz som de cansada.
E se cansa de sensurar.

Monday, February 16, 2009

O Alzheimer da vovó.

Pelo Nexel:
_Você vem quando?
_Ah Vó, acho que agora só no final da semana.
_Mas eu estou com saudade.
_Eu também.
_Como é mesmo seu nome?
_Você não se lembra?
_Ninguém me falou...
_É Luiza Vó.
_Ah Luiza, você sumiu. Nunca mais veio aqui na casa
da, da... Como é mesmo o nome dela?
_Vera Vó, sua filha.
_Isso. Eu nunca mais te vi por aqui!
_Mas pode me esperar, desse final de semana não passa.
Vou aí te abraçar e te encher de beijos, combinado?!
_Ta bem.

Ao desligar o telefone olhou para
a filha pouco reconhecida segurando aparelho
nas mãos e disse:
_Legal esta sua prima!

Sorriram apenas.
Hoje, Vera chorou de rir ao me contar.
Sinal de que a tristeza não deixa de ter a sua graça.

Friday, February 13, 2009

friozinho por dentro.
















Atravessou a rua com uma ideia fixa.
Ser feliz.
Porque sente-se meio obrigada.
Desde pequena.
Aos quinze relembra,
a mãe questionou a falta de sorrisos dela
pela primeira vez. Depois só silêncio.
Foi nesta mesma época que passou a fingir.
Porque assim é que é.
Ser adulto é um pouco isso.
Também, parou pra pensar,
se não for feliz agora, quando será?

A insatisfação a acompanhou até
o outro lado da calçada.
Grudou nela o dia todo.

Incomodada.
Comemorou quando o dia terminou.
Feio, amargurado e triste.
Feito de um chuvisco previsivelmente chato.
Não foi nada emocionante.

Na volta para casa ela evitou olhar ao redor.
Já não queria mais nada.
Apenas a continuidade.
Mesmo que signifique isso.

Thursday, February 12, 2009

Flashback.

AO Leitor.
Quando acordou, sentiu a
responsabilidade do amor nos ombros.

Wednesday, February 11, 2009

Tuesday, February 10, 2009

eu não me encaixo!

eu vim daqui.
















De milhares de cores e texturas.
De café com leite.
De abraço quente.
Conforto e colo.

Eu vim daqui.
Da bagunça.
De mãos ágeis.
Feita de agulhas e alfinetes.
Gente.
Suor.

Eu ouço o rádio.
Eu sou do meio.
Sou máquina.
Do interior.
Sou coração.

Recortes.
Moldes.
Eu tenho modos.
Me vendo.
Parcelo.
Recebo e entrego.

Te enfeito.
Invento.
Eu tenho medos.
Mas isso não vem ao caso.

Saturday, February 07, 2009

É tudo verdade.

Desde pequena sabia o que queria ser.
Os papéis que queria desempenhar.
Desenhava para isso.
Passava tardes e noites em cima da escrivaninha,
rodeada de lápis coloridos e canetinhas.
Quando chegou a hora de escolher a faculdade, já sabia!
E os pais não interferiram nas decisões dela.
Nunca.

Quando resolveu se casar, simplesmente foi ao cartório.
Quando resolveu separar, foi simples, voltou ao cartório.
Mudou de cidade.
Experimentou de tudo que queria.
Escolheu.
Parcerias.
Fez os amigos que lhe convieram.
Sempre parecia saber o que desejava.
Não restavam-lhe dúvidas.
Algumas.

Mas houve um tempo em que ela se perdeu.
Talvez por meses, não sei.
Passava tardes e noites em cima da escrivaninha,
rodeada de lápis coloridos e canetinhas.
Desenhando o cenário que via.
Desesperou-se com sua hipocrisia.
Desde pequena sabia as mentiras que queria.

Belezinha!

She´s an Apple Pie
clip do irmão do meu irmão Filipe.

Partido.

Queria que ficasse.
Que cuidasse.
Que planejasse.
Organizasse.

Queria que fosse.
Que tivesse sido.
Que não voltasse.
Que se encontrasse.
Apaixonasse.

Queria tudo,
passado do meu jeito.
Agora,
não espero presente.

Friday, February 06, 2009

fofoca.

Um sorriso impregnou nos lábios dela.
Seus ouvidos souberam da partida dele.

Thursday, February 05, 2009

perdeu o rascunho.











Ela teve várias boas idéias
no trajeto para casa.
Anotou tudo num papel.
Rabiscou no trânsito.
Inclusive a surra que
levava do pequeno pônei.

Tuesday, January 27, 2009

Trifásica.

Quando a tristeza chegava nela,
seu primeiro marido levava-a para
tomar uma cerveja e conversar.

O segundo dizia que ela ficava mais
linda quando triste. Alimentava sua dor.

O terceiro, bem...
Este nunca tinha visto o
tal sentimento abater a menina.
Assim, parece não saber o que fazer.
Nem com ela.
Nem com ele.

Monday, January 26, 2009

sem igual.









Divertiu-se ao perceber que
suas experiências são únicas.
Mesmo quando compartilhadas.

Saturday, January 24, 2009

2 conclusões de um dia inteiro:













Ela tem depressão às sextas-feiras
no cair da tarde.

Ela gasta seu bom humor na rua.

Friday, January 23, 2009

com desconto.
















Um meio sorriso ou ela está meio sorrindo.
Por possuir uma história morna,
uns pensamentos pela metade,
uma vontade e meia,
um coração inteiro.
Por ter consumido uma média
e meio pão com mantega.
Por estar com pouca coragem de viver o dia de hoje.
Está meio morta.

Tuesday, January 20, 2009

Um pouco dele.



Do trabalho dele.
Da música dele.
E de um amigo também.
Mandou bem?

Estranha era Ela.

Que trabalhava mais de doze horas
todos os dias. Inclusive aos sábados.
Que fazia pós graduação três vezes por
semana. Incluindo os sábados.
Que dava curso livre e prático de moda
nas segundas à tarde na cidade onde nasceu.
E aproveitava para visitar sua avó que tem Alzheimer
e que não se lembrava dela segundos depois que saía de lá.

Estava escrevendo um livro nos segundos vagos.
Aliás, está aí um bom título: “Segundos Vagos”.
Desenhando compulsivamente para vestir e viver.
E por conseqüência, scaneando todos seus traços.
Isso leva um tempo, considerável.
Na madrugada.
Portanto, estranha era ela que
havia acabado de aceitar o desafio de ilustrar para um jornal.
Que administrava sua vidinha modesta só desde os 17.
Que desde os dezessete queria ter trinta por
achar que aos trinta toda mulher é ou deveria ser
mais bem resolvida. Coitada,
estranhamente se dedicava à escrever
uma coluna numa revista todo mês.
E todos os dias alimentava um blog barato.

Fazia figurino com um prazer descabido.
Comprava tecidos com os dedos, tipo Amelie.
Fazia roupas com os moldes da mamãe.
Com tesouras pouco mais afiadas que a língua.
Queria saber falar várias.
Mas definitivamente esta não era uma de suas prioridades.

Louca era ela por aceitar o convite para mais um freela.
Afinal, trabalhar mais nunca é demais.
Percebeu-se estranha por levar a vida de forma tão séria.
Por viajar pouco, não por opção.
Assinar a folha enquanto os conhecidos ao seu redor
lêem tudo pela internet.
Estranha ela as pessoas que só agora estão
estreando na vida adulta. Não tem muita paciência

Percebeu a destreza numa noite de sexta,
semi embriagada, chegando de uma festa chata.
Achou-se estranha e ficou triste.
Não é de se estranhar,
afinal era uma menina inteligente, apesar da estranheza.

Monday, January 19, 2009

Friday, January 16, 2009

Thursday, January 15, 2009

Um dia de lágrimas.

Ontem fui ao homeopata buscar conforto.
Levei um coice no confronto.

Ontem meu amor chorou vendo TV.
Conflitou-se com a tristeza da atriz

Ontem choveu no fim da tarde.
Pingos gordos.
Fez esfriar.

Wednesday, January 14, 2009

bravezas dela:
















Ah... Vá caçar lesma vai!
Catar coquinho!
Descascar cebola.
Nem vem que não tem.
Nem à pau Juvenal!
Não - Não e Não!
Não percebe que estou furiosa?

Saturday, January 10, 2009

vem?
















mais informações: 15.32343821

Lhe é incompreensível esta manhã:

- as novas regras de ortografia
- esta guerra
- os sonhos
- os pesadelos
- a constante insatisfação alheia
- o tempo ou a falta dele
- uma dose de saudade que em seu peito insiste
- o funcionamento de um fax
- a tristeza dela
- a força dele
- a fé dos outros
- os caminhos\destinos
- a bolsa de valores
- o porquê de construir carros cada vez mais velozes
se somos todos obrigados a andar dentro da velocidade permitida
- o que é físico no amor

Thursday, January 08, 2009

auto-inconveniência.

















Sinto-me uma mulher inútil
que bem mesmo só sabe amar
e ainda assim muitas vezes
nem isso faz direito.

Acho que hoje contabilizou
o erro número 332 da semana.
E ainda é quinta-feira...

Wednesday, January 07, 2009

Prefiro. Me refiro.

da série: Maysa

Só tenho uma coisa à dizer...
Coitado do Jaime.

Diferenças.

Meus amigos:
_Lembra daquela cena? Nossa, chorei muito.
_Eu achei o filme inteiro incrível. Tão poético...
_Palmas para o roteirista.
_Acho que foi o filme mais lindo que assisti no ano passado.
_E mais triste também.

Seus amigos:
_Acho este diretor bom.
_Mas naquele outro filme, achei um fracasso.
_Ele mandou bem neste elenco.
_Lembra daquela cena? Até hoje me pergunto...
onde estava a câmera?
_Eu também.

Nos completam!

Monday, December 22, 2008

O melhor que não planejamos.

_Você imaginava terminar seu ano assim?
perguntou à ele a caminho do aeroporto.
_Não mesmo.
respondeu sorrindo.
_Mas nem eu.

Thursday, December 18, 2008

Wednesday, December 17, 2008

Tuesday, December 16, 2008

pragmatismos dela - 02:

Sobre o amor:
"Acho que não sei conviver com mágoas antigas.
Prefiro dar a chance de outras pessoas me magoarem."

pragmatismos dela - 01:

Sobre os sapatos que o jornalista
atirou no ainda presidente Bush:
"Mas porque ele não deu um tiro logo?!"

Faz tempo que acredita nisso.













está escrito na parede
bem perto dos travesseiros.

Monday, December 15, 2008

No Balanço do Ano.

Chacoalhou.
2008 foi cheio de altos e baixos.
Idas e boa vindas!
Fique à vontade. A casa não é sua nem minha.
É aluguel.
Sem despedidas.
Quase caiu. Mais de uma vez.
Passou por sete meses mal dormidos.
Sonhando tudo pela metade.
Comendo pouco.
Correndo muito.
Querendo o que não lhe pertencia.
Desejando o que não podia.
Amando.
Estudando.
Desenhando.
Percebeu-se meio autista,
fechada em seu mundo de traços.
Fina.
Um dia olhou-se no espelho e
viu que não tinha nem peito nem bunda.
Só pintas.

No balanço do ano,
assume investidas em seu lado mais
dramático - trágico - cômico.
Alimentou-o.
Mas termina 2008 segura de que
não quer mais viver assim.
Certamente, como diz Caetano.
Agradece aos amigos que lhe trouxeram músicas
novas para sempre alegrar esta casa.
Que por hora ainda vive vazia à sua espera.
Clamando por seu barulho.
Ouvindo o silêncio dela.
Morto.
Pensamentos.
Pregados nas paredes preenchidas de poesia.
De carinhos compartilhados.

Percebeu neste ano que bom mesmo
é ter você por perto.
Que quando é de verdade,
dá se um jeito de viver uma paixão.
Que sempre dá se um jeito para tudo.
Que és imatura.
E que por isso acha que pode tudo,
que tudo se resolve.
Ou melhor, é pior; “ela resolve”.

Percebeu numa tarde a caminho do aeroporto
que os pais sempre confiaram demais nela.
Que podiam, mas talvez, não deveriam.
E que por isso, o medo de decepcioná-los
a perseguiu continuamente, o ano inteiro.
Dormia com ela.
O medo de errar.
Mas que mesmo amedrontada,
errou diversas vezes e
se culpou e depois errou por se culpar.
Virou uma bola de neve.
Se Papai Noel existisse, lhe traria um presente.
Mas no atual momento encontra-se bem, obrigada.
Não precisa é de nada.
Nada à desejar.
Só os cuidados teus.
Pois continua chorando no trânsito.
Por lembra-se de você.
E de você e de você.
O tempo inteiro.
E quando chove, piora.
Recorda-se daquela,
aquela e aquela outra situação que passou.
Congestionamento.
Mas tudo passa.
Parece ouvir sua mãe dizendo
bem na virada de todos os anos
num abraço apertado com sua voz confiável e trêmula:
_Minha filha, tudo passa. E o ano que vem será melhor.

Deus me perdoe!

_Moça gostaria de dar uma olhada neste trabalho que faço?
_Não.
_Mas são salmos de Deus.
_Não.
Repondeu sorrindo enquanto
pensava timidamente baixinho: "FODA-SE!"

Saturday, December 13, 2008

Se vê, meio autista.
















(fenómeno patológico em que o Eu ocupa o primeiro plano)

Thursday, December 11, 2008

Pensa!

Quem pode, pode.
Quem não pode, pede calma.

Tuesday, December 09, 2008

Duas vezes divórcio.

Divórcio 01
Depois de sete anos resolveram separar-se.
Ela então chamou seus pais que há tempos
não via para um café seguido da novidade.
Colocou-se na frente deles, na companhia dele,
num formato previsível de um casal já desfeito.
Então começou a embolação para dizer que
queriam contar-lhes algo,
que tinham decidido ha algum tempo fazer e
que só agora então tomaram coragem...
O pai dela:
_Você está grávida! Que incrível filha!
_Não é bem isso.
Eles levantam-se, abraçam,
parabenizam o casal recém divorciado.
_Não é bem isso papai...
Dizia a filha em tom amável com os olhos lacrimejando
de desapontamento por todos os lados.

Divórcio 02
Depois de sete meses juntos ela fez as malas dele e chamou o taxi.

Novos tempos.

Ele já namorou com ela.
E ela já namorou com ele.
Ele que hoje é dela.
Ela que hoje é dele.
E ele ali, também já se apaixonou por ela.
E por ele? Já amou ele?
Não, ele só amou ela.
E ela amou todos eles.

Grude!

Monday, December 08, 2008

Sonhou uma dúvida.













E logo ao abrir os olhos na manhã de domingo:
_Às vezes tem acento?
_Acho que as vezes.

Sexta-feira.

Ela entrou esbaforida no banco.
Subiu no primeiro andar de contas
à pagar e pegou a senha.
Número 152.
Olhou no luminoso que indica em que
vez está e desanimou, era 89.
Sexta feira, passava das três da tarde e
ela estava cheia de compromissos ainda à cumprir.
Desorientada, sentou-se numa confortável
cadeira que fazia parte de um bloco mais livre.
Assim, meio separado do restante.
Só porque não queria ninguém por perto.
Observou depois que atrás dela só haviam duas
senhorinhas bem idosas que reclamavam dos parentes.
E por um momento a vozes delas a irritaram.
O diálogo descontente.
Ela estava sim de TPM.
Quando percebeu que havia entrado na fila de idosos,
deficientes físicos e gestantes.
Se fez de morta.
De morta não, de grávida.
Lá permaneceu.
Mas quando chegou a sua vez
não teve coragem de seguir em frente.
Idiota, não sabe mentir.
Nem mesmo quando precisa.
Estava tão atrasada que caminhou até
um dos moços do atendimento e explicou-lhe a situação.
Blá-Blá-Blá.
Esperou do lado de fora.
Pagaram sua conta em menos de dez minutos.
Correndo saiu dali...
Aliviada!

Thursday, December 04, 2008

Armando assim, de confabulando.
















Termino o ano amando.
A mando dos juros do meu cheque especial.
A mando do que a natureza resolver guardar pra nós.
Presa no trânsito.
Tomando chuvas de verão.
Termino 2008 amando quase tudo o que vejo
através do vidro embaçado do carro.
Por onde passa o menino de rua e joga espuma
mesmo que eu lhe implore que não.
Não queria, mas obrigada por passar
o rodo enquanto a cidade inunda.
O vendedor de mapas insistindo para que eu perceba...
Estamos todos perdidos.

Termino o ano amando.
Você e tudo que vem junto contigo.
Observo.
É a primeira vez que me vejo assim.
A mando dos prazeres.
A mando do coração com razão.
Das lembranças que não consigo
ou não quero apagar.
Dos medos.
Da violência.

Termino o ano aliviada por este estar acabando.
Sedenta por 2009.
Cheia de planos.
Com fé e pouca esperança.
Aguardando que a crise me apanhe.
Dando a cara à tapa.
Colecionando sardas.
Deixando o cabelo crescer.
Com novas cenas para desenhar e escrever.
Com coragem.
Transbordando sensações boas.
E sabendo que posso morrer de
excessos a qualquer momento.

Fecho 2008 amando o teatro de nossas maneiras.
Delicada.
Aguardando você chegar pra te levar
pra passar outros anos ao meu lado.
Até a gente ficar velhinho.
Até meu joelho enrugar.
A mando do que sinto, do que me despertas.

Termino o ano amando.
Dormindo pouco para dar tempo de fazer tudo
o que eu achava que faria nestes 364 dias
que passaram por mim rápidos demais.
Feliz por não estar triste.
Ciente de que passei por dias melancólicos
em meados de junho e que papai tinha razão ao alertar-me
que “tristeza não paga dívida”.

Termino o ano reunindo as cartas que
mamãe me escreveu, repletas de preocupação, atenção e cuidados.
Com os amigos lá em casa.
Risadas.
Com Marina, a irmã mais velha ainda querendo mandar em mim.
E eu deixo.
Não deixa de ser um mimo.
Um homeopata na manga.
Francisco bem perto.
Nona esquecendo.
Rosa descobrindo.

Acabo 2008 com mais dúvidas do que certezas.
Com saúde.
Saudade.
Cheia.
Pois estou amando...