Thursday, July 30, 2009

C A faz o dia seguir triste.

A palavra CÂNCER é proibida na minha família.
Isso coloca em dúvida a tal lei da atração.
Tudo bem porque nunca nem li nem assisti "O Segredo".


_E então mama, levou ela ao médico?
_Sim, ela está toda feliz hoje.
_E o que ela tem? Ele disse?
_C A.
_Ah? Câncer?
_Raãm.

Sunday, July 26, 2009

domingo

Chegou ao apartamento.
Fazia mais de um ano que não botava os pés lá.
Apertou a campanhia.
Seguiu um voz cansada.
Gritada sem força nem ânimo:
_Entre.
Abriu a porta e enxergou sua avó de cabeça baixa,
descalça, sentada em uma das cadeiras da sala de jantar.
_Cadê sua tia? Por que ela não veio me buscar?
_Oi Vó, eu pedi para vir no lugar dela.
Para te fazer uma surpresa.
_Ah.
Um silêncio monstruoso tomou conta do ambiente.
Abaxou-se sob os pés dela e começou a colocar delicadamente
as meias nos pés. Inchados. Depois, calçou-lhe os sapatos.
Com dificuldade. Fez uma graça, uma piada, mas
sua avó, especialmente naquela manhã, não estava para gracinhas.
Os olhos se cuzaram vagarosamente e tímidos.
Quando deu conta, as duas olhavam de novo para baixo.
_Como tens pés pequeninos vó?!
_36 como os seus.
Olharam-se novamente.
Rápido.
E pela primeira vez se enxergaram de fato.
Cruas, com suas verdades.
Não se desgrudaram.
Os cílios se mechiam pedindo calma e socorro.
Ao mesmo tempo.
As mais siceras desculpas.
Sentia-se mal.
Por todas as não visitas do ano.

Não era um habito preocupar-se com ela.
E depois que soube que ficou doente, não podia mudar
de comportamento. Vovó não gostava de ser paparicada
assim só de vez em quando. Ou se é sempre ou nunca!
E à elas faltava intimidade para isso.
Não pode telefonar para dizer o quanto sentia.
Percebeu que nem seu número possuía.
E aquela senhora debilitada que não
mais conseguia calçar o próprio sapato, era sua avó.
À quem pelo menos há vinte anos
não dava satisfação alguma.
Nunca mais havia saboreado a sardinha frita,
o cuscuz e a dobradinha.
Como se estes pequenos prazeres tivessem perdido
a importância com o tempo. Ficaram na infância dela.
Por isso ela sentia culpa.
Enquanto a avó talvez nem se importasse. Não percebesse.
Distraída com os outros netos e bisnetos.
E os problemas com o apartamento na Praia Grande.
Mas era manhã de um domingo e o encontro
entre elas pesou-lhe sobre os ombros.
Estendeu a mão.
A avó segurou firme em seu braço.
Levantaram-se. Uma apoiando na outra.
Seguiram o mesmo caminho.
Dessa vez num silêncio tranquilo.
Não era preciso dizer nada.

Saturday, July 25, 2009

ah,ah,ah

hoje bem cedinho:

_Obrigada.
_Do que?
_Por me fazer feliz.
_Ah, de nada.

E mais isso tudo!

COLUNA SEMANAL
por Gabrielle Machado


Hoje eu vou falar da Laura Marling,
que mencionei no post passado.
Ela já fez participações com várias bandas,
entre elas, o Noah and the Whale,
e no começo do ano passado lançou álbum solo,
chamado Alias I Cannot Swim. Laura tem 19 anos,
é da Inglaterra e tem uma voz muito doce.
As participações que faz deixam as músicas
mais lúdicas e bonitas, como por exemplo em Young Love,
do Mystery Jets. O timbre da voz dela às vezes me
lembra um pouco a Joan Baez, que eu amo.
É difícil falar as faixas que eu prefiro,
porque eu realmente gosto do cd como um todo
(coisa rara de acontecer comigo),
mas as que eu tenho mais escutado são: Ghosts,
Tap at My Window, My Maniac and I e Old Stone.

E agora, saindo um pouco da Europa,
eu tenho ouvido bastante o The Pains of Being Pure At Heart,
banda independente de Nova York. O primeiro álbum lançado
foi no começo desse ano, com o mesmo nome da banda
(ótimo nome, aliás). O som deles é aquele rock indie bem feito,
animado, com boas melodias, que deixam você cantarolando o dia todo.
Às vezes algumas faixas dão a impressão de serem mais do mesmo,
um pouco iguais demais, mas isso não faz com que não seja um bom trabalho.
Ao contrário, acho que é um bom cd, ótimo pra ouvir bebendo com os amigos,
dando risada, aproveitando o tempo de uma forma boa.
As minhas preferidas são Young Adult Friction,
This Love Is Fucking Right e Come Saturday.

Por último tem o Dear Reader, da África do Sul.
Em 2006, quando se juntaram, a banda se chamava Harris Tweed e,
com esse nome lançaram o primeiro cd, The Younger.
Já com o nome novo, eles lançam o ótimo Replace Why With Funny,
com muitas faixas boas. As que eu mais gosto são Bend, Great White Bear,
Dearheart e What We Wanted. Como a Laura Marling,
eu gosto do cd deles como um todo, é gostoso de ouvir e
tenho a sensação de ser levada pelas faixas pela voz da vocalista,
que é doce, mas ao mesmo tempo energética.
Recomendo muito esse álbum!(e o site deles é muito lindo!)

PARA FALAR COM ELA:
gabibilly@gmail.com

Thursday, July 23, 2009

Wednesday, July 22, 2009

resultado

Elaborou mentalmente
e aleatóriamente umas questões para ele.
Onde a única regra do jogo era
“Ela faz as regras”.
E decide quando se acerta ou erra.

Vamos lá?!
Escolha!

Homem ou mulher?
Saudade ou preguiça?
Um bom livro ou um bom filme?
Um bom dia ou uma boa noite?
Para hoje, aventura ou monotonia?
Rotina ou roooooootina?
Um grande amor ou uma bela trepada?
Um grande amor com muitas belas trepadas ou sucesso na carreira?
Sucesso na carreira ou família?
Filhos ou filha(o)?
Seus amigos ou meus amigos?
Sua família e minha família ou só nós dois?
Penne ou bolinho de arroz?
Café da manhã em casa ou na padaria?
MAM ou Estação Pinacoteca?
Praia, areia e vendedores de tudo ou o conforto do nosso lar?
Cinema da augusta ou da consolação?
La tartine ou Belfiorinho?
Festa de casamento ou reunião no bar com amigos recém divorciados?
Agora aos 30 ou quando tinha 20 anos?
Erudita ou rock?
Bolo de fubá ou mexirica?
Uma tarde na cama ou na livraria?
Cerveja ou vinho?
Cuidado ou excessos?
Cabelos longos ou raspados?
Salto alto ou tenis?
TPM ou mal humor sem motivo hormonal?
Sorriso logo cedo ou no final do dia?
Doce ou salgado?
Câncer ou AIDS?
Bicicleta ou patins?
Sol ou chuva?
Sushi ou por favor, qualquer outra coisa?!!
Meu desenho ou sua música?
Sexo de manhã, de tarde ou de noite?
Sexo de manhã, tarde e noite ou préviamente agendado?
Calada pensando ou soltando palavras amenas sem pensar?
Amêndoas em cima da salada ou do sorvete?
Café ou chá?
Coca-cola?
Água com ou sem gás?
Prefere dormir na direita ou na esquerda?
Teatro ou vida real?
Rápido ou bem devagar?
Tranqüila ou normal?
Cachorro ou gato?
Vamos dormir agora ou daqui a pouco?
Desliga a tv? Sim?
Parabéns, você acertou quase todas...

dimensão

A impressão que eu tenho é que
a medida que eu vou crescendo,
os dilemas crescem comigo.
Somos proporcionais.

Saturday, July 18, 2009

A partir de segunda, partida ao meio!

LP indica para semana que vem:

Só a Gabi para nos fazer ouvir, assim:

COLUNA SEMANAL

Florence Welsh é o nome da cantora inglesa que eu não paro de ouvir.
Ela se apresenta com a banda, Florence and the Machine,
e tem sido muito elogiada pela mídia britânica,
principalmente pela BBC. Seu primeiro álbum, Lungs,
foi lançado semana passada, dia 6 de julho, e desde então
tenho escutado todos os dias! Já tinha ouvido os singles,
mas queria ouvir o trabalho todo.
A voz dela é o que mais me cativa, muito poderosa.
Das faixas do álbum, as minhas preferidas são as que mostram
mais o quão bem ela canta, como por exemplo:
Dog Days Are Over, Girl With One Eye, My Boy Builds Coffins e Bird Song.
Mas além da voz linda, as letras são muito boas e as melodias
muito bem cuidadas. Por receber tantos elogios antes
mesmo do primeiro cd ser lançado, a produção de Lungs foi grande e cara,
gerando uma grande expectativa pelo público e crítica.
O álbum foi parcialmente bem recebido, mas tem quem
acha que a quantidade de instrumentos esconde o fato
de que os acordes são fracos. Na minha opinião isso acontece
em algumas faixas, mas nada que faça com que o cd fique em si, fraco.
Até porque é o primeiro trabalho da Florence.
Ah, outra dica é o cover que ela fez de Hospital Beds,
da banda americana Cold War Kids.

Ainda na Inglaterra, outra banda que eu tenho ouvido muito é Noah and the Whale.
O primeiro álbum lançado, em 2008, é o ótimo Peaceful, The World Lays Me Down,
com participação da Laura Marling. Sempre que eu escuto esse cd eu me
imagino viajando, de carro, passando por paisagens bonitas, com sol e amigos.
Já o segundo álbum, The First Days of Spring, com lançamento oficial para 31 de agosto
desse ano (mas que já vazou na internet) é mais calmo e fala sobre relacionamentos.
É muito bom também, mas ainda prefiro as músicas mais animadas do primeiro.
Entre as que eu mais gosto, dos dois cds, estão 5 Years Time,
2 Atoms in a Molecule, Rocks and Daggers, Love of an Orchestra e Blue Skies.

E por último tem a nova banda do Jack White,
do White Stripes, chamada The Dead Weather.
Fazem parte, além do Jack White, Alison Mosshart (The Kills),
Dean Fertita (Queens of the Stone Age) e Jack Lawrence (The Racounters).
O cd, Horehound, lançado há três dias tem recebido ótimas críticas.
E merece, já que é realmente muito bom, se você gosta de
rock com um pouco de country, punk, blues,
tudo misturado, às vezes meio cru.
Eu amo, e achei que o cd está muito bem acabado,
com ótimas letras e melodias diferentes e marcantes.
Por enquanto, as minhas preferidas são I Cut Like a Buffalo ,
Hang You From the Heavens e Bone House.

FALE COM ELA:
gabibilly@gmail.com

Wednesday, July 15, 2009

Memória - 01.

04.

Teve um dia em que teu pai te batia
e me dizia ao telefone:

_A culpa é toda sua!
A culpa é sua da minha mulher estar em depressão.
A culpa é sua por ele estar assim. Não ligue mais.

E ele te batia, te batia.
E eu ouvia, do outro lado da linha você chorar.

Tuesday, July 14, 2009

Pensou nos primeiros 4 minutos do dia:

Daqui a pouco é agosto.
Gosto do frio quando está calor
e do calor quando está frio.
Nunca estou satisfeita!
Sexo de manhã me da preguiça de sair da cama.
Mas tudo bem porque cada dia é mais difícil de sair da cama.
Se fosse possível, hoje não saía da cama.
Ser adulto é chato.
É isso. Sair da cama cedo.
Não entendo como os adultos
conseguem ser adultos há tanto tempo.
E minha mãe que é adulta já há pelo menos 30 anos.
Coitada. Como ela aguenta?!
Acho que a solução é mesmo ter uns filhos.
Mas pensa, onde estariam agora?
Se Deus existir, bem bonzinho e me achar merecedora,
dará além de filhos, netos pra mim.
Tudo em seu tempo e em seu devido lugar.
Hoje vou caminhando. Definitivamente não gosto de dirigir.
Nem de me arrumar para casamentos.
Não me lembro do nome daquele
seu amigo que se casa no sábado.
Merda! Preciso lembrar do nome!
Preciso lembrar do nome!
Senão, de novo vou chegar na Cleusa Presentes
como fiz ontem e não saberei a que lista pertencemos.
Apesar de que, todas as listas devem ser meio iguais.
Milhares de pessoas se casam neste sábado.
É... Legal as pessoas casarem.
[um meio sorriso]
Ontem você teve uma espécie de ciúme.
É eu vi! Percebi! Tudo bem vá...
A noite vou fazer funcionar a nova máquina
de lavar que ocupa junto da velha toda nossa lavanderia.
Se é que posso chamar aquilo de lavanderia!
Vou colocar a máquina velha na sala.
Tipo decoração. É, uma solução.
É... Não vejo a hora de mudar.
Apesar disso nunca ter passado pela minha cabeça!
Parece perfeito.
Olha, estou bem humorada!
Obrigada, a culpa é sua!
Estou atrasada.
Merda!
Ainda tenho que passar na Cleusa,
me perder nas listas e comprar algo
com a cara de alguém que não conheço.
Queria mesmo é comprar uma bicicleta
e consequentemente um capacete.
Preciso ir ao médico,
mas vou tentando me consertar sozinha.
É meu jeito.
Xiii, está sangrando meu nariz.
Igual ontem. E amanhã, provavelmente.
Gostaria de respirar.
Mais e melhor.
Não é nada demais né?!
Só fazer o ar entrar.
E sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.
Ar entrar, ar sair.

Friday, July 10, 2009

Satisfação garantida ou dinheiro de volta.

Eu quero as coisas mais simples.
Que de tão simples parecerem,
ninguém as deseja como eu.
Tanto.
Não me importo com o resto.
Que aos outros é o todo.
Só, quero o que há de mais simples aqui dentro.
E quero tanto, mas tanto, que acho que
se ainda não possuo é porque não mereço.
Descontento.
E é num total incorformismo que te imploro.
Dai-me aqui este conforto.
Vamos encher nossa casa disso que vos digo.
Parece-te banal.
Mas não é.
Sofá,
nem cama ou a tv de plasma.
Desejos comuns.
Não é eletrodoméstico, nem uma jóia.
Nenhuma viagem.
Nada disso.
Não planejo móveis.
Cristais quebram.
Talheres se perdem.
Não é fácil.
Minha satisfação garantida.
Não disse isso.
Em momento algum.
Desde que te desconheço.
Tome seu dinheiro de volta.
O que eu quero não existe para comprar.
Mas neste exato instante em que te escrevo,
sinto-me repleta desse meu bem.
Estar.

Thursday, July 09, 2009

+ músicas de Gabrielle Machado.

COLUNA SEMANAL
o que Gabi ouve:

Hoje eu vou falar um pouco mais de bandas suecas.
A Lykke Li me fez lembrar de outras coisas bem legais
que estão sendo feitas por lá.
A primeira delas é o Shout ou Louds,
que lançou seu primeiro cd em 2003,
o Howl Howl Gaff Gaff .
Em 2007 eles lançaram seu segundo álbum, o Our Ill Wills .
O som que eles fazem tem muita influência do
The Cure e um pouco de Morrisey também.
A música Very Loud faz parte da trilha do filme Nick and Norah’s Infinate Playlist
(muito legal e com trilha sonora ótima- tem o Bishop Allen, Vampire Weekend, entre muitos outros).
Eles já estiveram no Brasil, no ano passado,
para a Invasão Sueca, um projeto em conjunto com o governo da Suécia
que possibilita que os artistas do país façam turnês
em diversos lugares do mundo, entre ele, o Brasil.
Outra banda que já ta há algum tempo fazendo seu trabalho
é o The Concretes, bem popular na cena indie de Estocolmo.
O primeiro álbum lançado foi o Boyoubetterunow
em 2000 e estão gravando um novo para ser lançado ainda esse ano.
As músicas são simples, bem arranjadas e gostosas de ouvir.
Por último tem a Ida Maria, que não é sueca, é norueguesa,
mas mora em Estocolmo.
A música dela é um rock mais cru e a voz dela me
lembra muito a Julliete Lewis, do Juliette and the Licks (que eu adoro).
Ida tem um álbum lançado, o Fortress Round My Heart, de 2008.
Entre as faixas que eu mais gosto estão Oh My God, Stella
e I Like You So Much Better When You’re Naked.

PARA FALAR COM A GABI...gabibilly@gmail.com

Tuesday, July 07, 2009

muda

_Você é muito palavra!
_Está dizendo que eu falo demais?
_Não. Mas você é isso. Escreve, coloca no papel.
Você não fala, mas pensa demais.
_Como se isso fosse ruim...
_Não percebe que só você sofre?
Constrói narrativas para
suas histórias, transforma, complica.
Quando é tão mais fácil que isso...
Sinta, é simples.
_E sentir é simples?

Monday, July 06, 2009

s o l a













Comprei sapatos novos.
E espero que eles me levem à outro lugar.

Saturday, July 04, 2009

Apartir do dia 06!

verbo

Eu vou.
Tu vais.
Ele vai.
Nós vamos.
Vós ides.
Eles vão.

Sensível

Ela tem alergia do frio e do sol.
Devia viver numa redoma de vidro.

À nossa vidinha idiota.

Levanta as 6:30h e se já não estiver atrasada,
sai para correr.
Quando ele precisa estar muito cedo na filmagem,
ela faz seu café.
Às vezes, esta refeição,
a mais importante para ela, não tem espaço.
Pulam!
Ao trabalho.
Por doze, quatorze horas seguidas.
E esta prática diária que só se exclui aos domingos
exige dos dois esforços físicos e mentais.
Ontem por exemplo, saíram juntos às 7h de casa.
Voltaram por volta das 21h.
Ela fez o jantar.
Mas antes comeu umas besteiras de aperitivo.
Tipo ovinhos de amendoim.
Que para ela deveriam chamar ovinhos de dinossauro,
seria muito mais divertido!

_Luiza, você já viu ovos de dinossauro?
_Não, mas não parece?

Abriram um vinho, mas não beberam nem meia taça.
Mal falavam de tão exaustos.
Ela, cansada de sua própria voz,
pensava na semana que acabava outra vez.
Não fez as unhas, não cortou o cabelo, mas foi ao dentista
e leu o jornal todos os dias!
Então, o saldo do cuidado com si própria,
deu positivo para a primeira semana do mês de férias dos outros.
Jantaram em silêncio, olhando para TV.
Falaram mal da novela, como de hábito.

_Por que a gente assiste a esta novela?
_Para odiá-la talvez.

Deitaram em seguida.
Na cama desarrumada da noite passada.
E dormiram com as pernas entrelaçadas.
De longe, até pareciam felizes.

Friday, July 03, 2009

Quer saber? Eu recomendo!

Márcio e Cecília

Machado, Gabrielle

Gabi é minha cliente/amiga e apartir de hoje também
colaboradora desse blog. Escreverá semanalmente sobre música.
Já que LP confessa, não tardiamente que de música não entende.
Espero que gostem das dicas dela porque eu simplesmente amei!


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Bom, eu to ouvindo mto mto essa moça que chama Lykke Li,
tem umas músicas bem fofinhas e calmas,
um amor!Ela é da Suécia.

Tem também o Camera Obscura e o Bishop Allen.
O Camera Obscura tem umas músicas que me lembram
um pouco o Roberto Carlos, meio Garotas Suecas, sabe?
Enfim, não sei se vc já escutou, mas eu adoro a French Navy,
muito bonitinha. O Bishop Allen é mais animadinho,
gosto bastante tb, e tenho escutado bastante
a The Lion and the teacup.
Eles me lembram um pouco a Band Marino,
bem legal tb.

E por último tem o Phoenix, beem legal tb,
lançaram cd novo esse ano.
E se vc gosta de uma coisa mais folk tem o
The Felice Brothers, dos USA, beeem legal,
umas músicas animadas e meio country/folk!
E ah, só pra não esquecer, não sei se vc gosta de Bob Dylan,
mas o último cd dele tá foda!
Principalmente a música Beyond here lies nothing...mto boaaa!
Usaram na minha série favorita, True Blood!ótima tb,
por sinal, se der, assistaaa!


[PARA FAZER CONTATO: gabibilly@gmail.com]

Wednesday, July 01, 2009

Monday, June 29, 2009

Ou sadia.

Ficou indignado.
Decepcionado.
Até parecia a guria de tão chateado.
Ao ouvir o que um dia fez com ela.

Antes de partir.

à vontade.













Agora há na minha mesa:

Uma tesoura para recortar.
Uma agenda para anotar.
Um boleto para pagar.
Meu celular para te ouvir.
Dois DVDs para queimar.
Uma calculadora para somar.
Uma caneta para desenhar.
Um TOY ART que tenho que entregar
Meu computador para registrar.
Duas réguas para te medir.
Vários pincéis para pintar/colorir.
Um estilete para nos separar.
Uma garrafa d’água para não esquecer de tomar.
Um molho de chaves para a noite seguir.
Uns tecidos para modelar.
Algumas idéias.
Muitos detalhes.
E uma vontade louca me levando à outro lugar.

Friday, June 26, 2009

para amanhã bem cedo.

Quero contigo viver
Aprender.
A andar em seu tempo.
Porque chego a conclusão que estar
à frente não é bom negócio.
De nada adianta.
Só faz sofrer de ansiedade.
E ainda, bem devagarinho.
Me irrita!
Portanto, quero caminhar ao seu lado.
Passo a passo.
Se correr, eu corro.
Se parar, eu paro.

Decididamente é com você que quero fazer planos.
Logo eu que nunca planejei nada na vida.
Quero fazer uma lista.
Programar-me contigo.
A longo prazo.
Sem te perder de vista.

Farei uma tabela periódica de nós dois.
Pelo menos uma boa e longa viagem na vida.
E belos retratos.
Quero jantar sempre em sua companhia.
E ter disposição para preparar
nosso café caprichado.
Fazer exercícios, mesmo sozinha.
Deixar-te com preguiça aos finais de
semana em cima da cama.
Gosto de te observar...
Sentir saudade por tão pouco.
É assim que sem culpa, ligo no meio da tarde.
Atrapalho-te para dizer “Amo” de novo.

Por mim, passava o resto do meu tempo ao seu lado.
Teríamos nossos filhos mimados e bem vestidos amanhã.
Logo ao acordarmos. Já imaginou?
Minha Nona conhecendo João e Lídia?

Seria o melhor trecho do filme de nossas vidas.

Thursday, June 25, 2009

Tuesday, June 23, 2009

INSCRIÇÕES ABERTAS!

















curso livre e prático de moda intensivo - julho 2009
inscrições no nosso atelier - rua da penha, 1126
Sorocaba - SP fone: 15.3234.3821

Sunday, June 21, 2009

Onde foi parar meu dente?

Rita perdeu o dente.
De leite.
Bem da frente.
Até aí tudo bem.
O problema de Rita é que ela
não sabe onde ele foi parar.
Não sabe o paradeiro de seu próprio dente.
Não sabe nem se o engoliu.
Hoje pela manhã abriu o primeiro sorriso do dia
frente ao espelho do banheiro e percebeu a falta do dente.
Gritou de susto.

_ahhhhhhh!
Chamou seu irmão para ver o desaparecido.
_Olhe!
_O que? disse Dudu sonolento.
_Repare, perdi meu dente. Bem este da frente!
_ahahahhah!
_Não é engraçado!
_Lógico que é!
_Tá bom, é engraçado. Mas e agora?
Tenho que achar meu dente!
_Rita, diga-me a verdade.
Onde foi que você o escondeu?
_Dudu, eu não sei. Ai! Será que eu engoli
meu dente enquanto dormia?
_Não... Não é possível.
Você teria se engasgado. Bem, eu acho...
Que tal procurarmos?
_Sim! Mas onde?
_Começamos pelo seu quarto.

NO QUARTO
_Nossa, mas que bagunça!
Reviraram todo o quarto de Rita e nada encontraram.
Quer dizer, encontraram de tudo, menos o dente de leite.

_Depois que você acordou, qual foi a primeira coisa que fez?
_Fui à sala e liguei a TV.
Então, vamos lá ver se encontramos o fugitivo.
_Quem?
_O seu dente!
_Ahh! Boa!

NA SALA DE TV
Reviraram todas as almofadas e nada.
_Rita, você tem certeza que ontem quando foi se deitar
para dormir esse dente estava em sua boca?
_Mas é lógico! Eu me lembro de ter escovado
meus dentinhos e ele estava bem aqui onde agora habita o vazio.
_Bom, deixa de ser trágica. Sejamos práticos!
Depois da sala de TV, onde é que você foi?
_Não me lembro.
_Tente se lembrar, vamos! Aconteceu há poucas horas atrás.
_Hummm. Eu fui até a cozinha para ver se havia café da manhã.
_E alguém já havia acordado?
_Não. Então eu voltei para cama,
pois percebi que era muito cedo.
A mamãe e o papai ainda nem tinham se levantado!
_Então, sinto muito minha irmãzinha, mas acho que você engoliu esse dente.
_Xiiiiii...
_E agora vai nascer uma árvore de dentes dentro da sua barriga!
_Isso é mentira!
_Não é não! Você verá.

Rita ficou inconformada com a perda do dente de leite.
E realmente preocupada com o nascimento de
uma árvore de dentes dentro da sua barriga.
Voltou para o seu quarto disposta a recomeçar as
buscas por seu dente de leite da frente.
Procurou novamente em cima da cama, debaixo dela,
entre os brinquedos da estante...
Chegou a pensar até que a fada do dente,
aquela que troca os dentes recém caídos por pequenos presentes,
havia levado seu dente sem deixar nada em troca.
Quando sua mãe chegou à porta do quarto e
viu aquela bagunça toda e Rita debruçada ao chão como se procurasse
uma agulha no palheiro, foi a vez dela de inconformar-se.

_Rita! O que está acontecendo?
_Mamãe, perdi meu dente!
Pior do que isso, estou achando que o engoli
e agora vai nascer na minha barriga uma árvore de dentes.
A mãe de Rita riu.
_Você acha que é possível mamãe?
_Não Ritinha! Uma hora acharemos esse seu dente.
Agora venha, vamos tomar café da manhã. Você me ajuda a por a mesa?
Ela balançou a cabeça não muito animada.

Rita meio tristonha foi com a mãe para cozinha
e a ajudou na organização do café.
_Rita, por favor, pegue a manteiga que está dentro da geladeira.
Ah, e o queijo.
_Sim! Mas mamãe, onde está o queijo? Não estou encontrando...
_ Está aí, ao lado da goiabada!

Foi então que ela avistou a amada goiabada.
Não havia nada na vida que Rita gostasse mais que goiabada.
Variava. Com queijo branco, com requeijão.
Goiabada e Rita era igual paixão! Ela amava!
Sim e o queijo estava ali, bem ao lado da goiabada.
Ah... A goiabada!

_Credo! Tem um dente na minha amada goiabada! Mamãe olhe isso!

Rita incrédula e sua mãe desconfiada.

_Rita, qual foi a primeira coisa que você fez hoje quando acordou?
_Liguei a TV.
_E depois?
_Vim até aqui para ver se já havia café da manhã,
mas não tinha. Nem ninguém havia acordado.
Então achei melhor voltar para cama.
_E aí?
_Bem, aí antes de voltar para o meu quarto eu abri a geladeira
e dei uma mordidinha nessa goiabada. Acho que esse dente é meu.
_Muito bonito, não?!

E as duas caíram na gargalhada!

Enfim, Rita achou seu dente de leite da frente.
A árvore de dentes não ameaçou nascer em sua barriga.
A fada do dente não a traiu.
O que a fez seguir em frente, feliz da vida, comendo goiabada sempre.
E vira e mexe todos da casa de Rita lembram-se dessa história
que rende longas e boas risadas!

Thursday, June 18, 2009

sonho

Te contei?
Que sonhei com você.
Que te encontrava na rua.
Assim, do nada, no meio de todos.
E parava.
E olhava.
E sorria.
Retribuía aos olhos teus.
Enquanto os outros me diziam que era um absurdo.
Que jamais deveria eu conversar de novo contigo.
Nem dar-lhe ouvidos.
Que deverias pagar por todo mal que nos fez passar.
Te contei?
Que foi um pesadelo.
Desses que depois a gente se pergunta
será que foi verdade?
Pegava-te pelo braço, como fazia de habito.
Te encarava sem medo.
E perguntava algo sobre sua felicidade.
Você me respondia com um gesto sincero.
Eu disfarçava.
A gente se abraçava.
Assim, como se não houvesse mais rancor entre nós.
Como se não houvesse mais espaço
para este tipo de sentimento.
Ou tivéssemos nos curado.
Com o tempo.
E que naquele momento
só desejássemos coisas boas um ao outro.
Te contei?
Que no meu sonho você me parecia
melhor do que realmente é.

Saturday, June 13, 2009

Missão Cumprida.

Todas as manhãs, levanta bem cedo para correr.
Repete esta prática há pelo menos dois anos.
Faça frio ou faça sol, ela calça o tênis e sai rua afora.
De Ipod no ouvido para distrair.
Dando socos no ar.
É quase uma coreografia desajeitada.
Quando passa em frente aos guardas de esquina, disfarça.
Mas em seguida, relaxa e solta seus socos em todas as direções.
No alto, embaixo, em cima, de um lado, do outro.
É uma luta!
Ela luta sozinha nas ruas às seis da manhã.
Sim, sei que pode parecer loucura...
Mas não é! É apenas estranho.
Para quem a vê de longe.
Não à aqueles que a conhecem. Bem...
Nesta manhã de sábado ocorreu na cabeça dela uma dúvida.
Perturbadora que a acompanhou nos primeiros vinte minutos de suor.

Quem recebe estes socos teus?

Houve um tempo que ela sabia que todos aqueles
movimentos certeiros eram focados em seu próprio peito.
Numa tentativa de tirar de lá uma dor, um amor.
Mas e agora?
Contra o que estás lutando?
Encontra-se feliz. De novo amando, profundamente.
Não deveria então permanecer em sua cama quente,
em seus braços, entrelaçadas as pernas nas dele?
O que te move sair de casa às seis da manhã nesse frio do cão?
Se ao menos tivesse um cachorro para levar passear e fazer companhia...

Nesta manhã ocorreu nela esta dúvida perturbadora.
Seguida de uma longa resposta balbuciada
na praça enquanto dava voltas em si mesma.

Estou correndo do azar.
Dando socos nas lembranças que eu não deveria lembrar.
Lutando contra a preguiça. Meu dia-dia.
Contra a rotina. Meu cansaço.
O mau humor que em mim é nato.
Estou em guerra com a ansiedade. A normalidade.
E com a balança, quase sempre.
Estou socando aqui meus erros.
Afastando tudo aquilo que me incomoda
e buscando melhorar.
Estou matando um tempo só meu.
Aos socos e pontapés.
Respirando o primeiro ar do dia.
Desviando dos carros, buracos e pedras.
Estou atenta às seis da manhã.
Lutando simplesmente.
Assim faço todos os dias.
Porque a vida me ensinou que sem esforços
não chego a nenhum lugar.
Não nasci vencida.
Mas fizeram-me cheia de disposição.
É por isso que eu corro.


As sete e vinte ela já estava de volta em casa.
Saída do banho, preparava um café para dois.
Arrumada, maquiada e penteada para mais um dia.
Parecia meio igual aos outros.

Friday, June 05, 2009

caminhos

















Eu sigo por aí.
Desde cedo.
Abrindo caminhos.
Roteirizando rotinas.
Correndo atrás dos sonhos que
acho apropriado à nós dois.

Eu vou por lá.
Bem longe.
Carregando as bagagens nas costas.
Sem reclamar do peso.
Do trânsito, dos calos, dos outros.

Eu ando rápido porque a história me fez assim.
Me mudo continuamente sem movimentos
bruscos que é para não assustar.
Escolho outros rumos por aqui,
donde não saio por teimosia.
Rabisco trajetos e invisto em nossos trajes.
Te faço mais belo.
Depois, relato baixinho, cansada,
no caminho de volta pra nossa casa,
as impressões do meu tênis azul.

Tuesday, June 02, 2009

vergonhas públicas

Tenho pensado sobre coisas vergonhosas a meu respeito.
Porque outro dia mesmo escrevi aqui que não
encontrava em mim algo que fosse impublicável.
Como se a vergonha não habitasse meu corpo tímido.
Em primeiro lugar, acho que em parte, menti para vocês.
Descaradamente.
E isso me é realmente vergonhoso.
Desculpem.
Tenho uma porção de situações assim para contar-lhes...
Que me fazem corar o rosto e os olhos encherem de lágrimas.
Cenas que escondo, tentando enganar minha própria memória.
Pra viver melhor. Fingindo ser melhor para eu mesma.
E para você.
Mas no fundo guardo uma lista com
o que em mim há de inaceitável:
E leio-a mentalmente todas as noites antes de dormir.
Numa busca por fazer diferente no amanhã.
E com o tempo, estas coisas impublicáveis a meu
respeito vão dando lugar a outras ações ou
inércias deste corpo que vos escreve.
Tão vergonhosas quanto!
Ao menos, renovam-se.
E este é meu lado mais positivo.

Perdoem-me.
Só quero que sejamos felizes agora.
Mas minha mania por perfeição faz com que
haja sempre novos itens na minha lista.
Assim, a felicidade mantém-se a alguns metros de nós dois.
E talvez este seja o maior dos meus defeitos.

Eu sou a tempestade num copo d’água.
Alguém que já implorou por amor.
Que subiu a rua augusta correndo e chorando atrás dele.
E se perdeu durantes longas tardes em seu apartamento.
Fingia não ver as drogas consumidas lá em casa.
Era mais fácil ignorar seu desejo pelo outro.
Sempre num tom cínico incontrolável.
Fazendo com que boa parte de sua saudade se desgastasse.
Junto de sua saúde.

Que se machuca.
Faz feridas enormes por dentro com uma caneta nanquim.
E ainda tem coragem de ter preguiça com o senso comum.
Mantém debaixo do travesseiro suas fraquezas,
alguns pensamentos, seu ciúme tolo e um silêncio...
Que incomoda.

Sunday, May 31, 2009

domingo

Num dia cheio de coisas para fazer.
Ela não consegue.
Seu corpo é quem manda.
Ela apenas obedece.
Mas a culpa é maior que tudo isso.
Vontades e desvantagens.
Sente-se então, agora, neste exato instante,
devendo a si própria.
Pode?

Friday, May 29, 2009

Para enfeitar as paredes!

Tem disso pra vender aqui!
na rua augusta, 2690 loja 328
2°andar - GAleria Ouro Fino
fone: 30823821

Thursday, May 28, 2009

Numa pequena entrevista:

_Agora, conte-me algo que seja impublicável de sua vida.
_Hummm... Impublicável?
_É! Algo de que se envergonhe ou
que ninguém saiba. Algo curioso sobre você!
Pausa.
_Olha vou te dar um exemplo. O "fulano ali"
contou-me que seu primeiro trabalho foi
como office boy do Amaury Júnior.
Silêncio.
_Mas isso é impublicável?
_Curioso?
_Não sei. No meu caso...
Talvez seja o fato de não haver em mim
algo que eu ache impublicável. Nossa, acho isso uma vergonha!

Monday, May 25, 2009

Curta!












Passamos o domingo juntas.
Fazendo um filme.
Caetano, Vovó e eu.

Ela contou-me repetidamente de sua
infância e adolescência.
Falou muito sobre sua casa na capital,
do tempo em que a Tia Mariana cuidava dela.
Na rua Teodoro Sampaio e eu acho esta coincidência doce.
Hoje sou eu quem reside em Pinheiros.

"São Paulo é transitório minha filha. Cansa!"

Vovó me deu tristes relatos de solidão.

"Eu sou viúva!"

De ausência.
De tempo.
Muito tempo.
E a falta dele para com o restante
daqueles que habitam seu mundo.
Seus filhos e netos.

"Às vezes eles vem me visitar."

Mostrou-me suas roupas, seus brincos e broches.
Uma bolsa vazia.
Mostrou-me fotos que enfeitam a sala de estar
onde ela nunca mais havia sentado para bater um papo.

"A foto serve para relembrar..."

Sua casa, seu quarto, um banheiro.
Apresentou-me tudo, como se eu já não conhecesse e
da forma que ela percebeu o ambiente naquele exato instante.
Porque no minuto seguinte tudo pode mudar.
Assim é o Alzheimer com ela.
Faz tudo transformar, recodificar, reorganizar.
E de repente aquela casa não está ali,
a filha dela não é aquela e Luiza não sou eu.

"Não... Você não é a Luiza.
É parecida com ela, mas não é ela!"

E por aí vai a confusão.
Ou melhor, a fusão de todas as histórias que vovó já viveu.
Seu filho vira seu irmão, o genro vira primo,
seu pai passa a ser marido e sua mãe Lydia,
por incrível que pareça, está aqui entre nós.

_Viva vó?
_Vivinha da silva! Graças à Deus!

E quem sou eu para explicar-lhe as verdades dessa vida.
Nossa conversa durou mais de três horas.
Seguidas.
Gravadas em fitas.
Imutáveis.
Amáveis.
Publicáveis.
E nossas.

Necessárias.
No caminho de volta para casa
percebi com tristeza que com a doença
as pessoas deixaram de conversar com a Dona Edna.
De fato, nossos diálogos não chegam a nenhum lugar.
Comum só o amor.
Se isso lhe basta...

Friday, May 22, 2009

LP indica:

porque pareceu UAU!

A semana.

Quando a saudade aperta.
Quando sente-se estranha
em meio aos mais íntimos.
Quando tem vontade de silêncio
e o piano toca desconcertado.
Quando sai para correr de todas as
verdades de dentro do peito.
E elas não saem. Ao contrário, acumulam.
Quando tudo deveria estar tranqüilo
e você simplesmente não consegue.
Quando sente-se incapaz.
Inseguro.
Quando a felicidade faz parte só
das histórias dos outros.
Quando a fome se perde.
As vontades fogem.
Quando seus olhos olham
e mentem descaradamente.
Quando você faz parte daquilo
que inventa para ser sua verdade.
Frágil.
Quando sua criatividade passa por cima da vida real.
Quando todos te apontam.
Relatam seus erros.
E você percebe que a vida não é um filme
nem um desenho. Quando já não existe desejo por nada.
Nem com o que há de se comer.
Quando você é o estranho no ninho.
O patinho feio.
O excluído.
Quando sai à procura de similares.
De derrotados.
É discutível.
Duvidoso.
Desconfiável.
Quando a fé desapega.
Quando as lágrimas tornam-se gigantes e pesadas.
Quando chove.
Ou o céu está nublado.
É assim.
Ainda bem que hoje fez sol.

Monday, May 18, 2009

2

















Ela fica em silêncio.
Ele fica aflito.

Thursday, May 14, 2009

Wednesday, May 13, 2009

Olá! Como se sente?

Por favor, não mente.
Sejamos sinceros a partir de agora.
Eu veja bem, sou exatamente isto que você vê.
Sou esta que vos escreve.
Que perde horas em palavras que
relatam cenas de um umbigo rico em lamentos.
Mas, como se faz para sentir diferente?
Você também não sabe.
Então, diga-me como se sente?
Realmente.
Eu não posso te ajudar?
Sente-se.
Sente-se mal?
Bem, está tudo ok?
Quer um cigarro?
Um trago?
Quer um pedaço de mim?
Me conte, monte uma de suas histórias
para eu ouvir atentamente.
Para odiar ou amar.
Para que eu sinta pena.
Para que tenhas dó de mim.
Para que sejamos invadidos
de inveja ou de alegria.
De curiosidade, fantasia.
Conte-me como é ser você?
Eu não sei.
Você tem alguma idéia?
Por onde devemos começar?
Já começamos devendo?
És linear?
Você me dará começo, meio e fim?
Vamos lá!
Pouco importa!
Muito prazer!
Vamos nos conhecer?
Esta que vos escreve sou eu,
exatamente como imagina.

Agora conte-me...
Como se sente?

Tuesday, May 12, 2009

Ele é meu melhor motivo.

O anel que aperta-lhe o dedo:

_Vó, a senhora me da este seu anel?
Disse apontando o ouro
que quase já não se vê em seu dedinho gordo.
_Não. Eu ganhei. Não posso te dar! É uma aliança!
_Então, mas passado tantos anos...
A senhora poderia me dar de presente.
_De jeito nenhum! Arrume alguém para dar à você!
Você tem que se casar Luiza!

elegantemente

Monday, May 11, 2009

Memória - 01.

03.

No carro, na volta, ela perdeu a cabeça por duas vezes talvez.
Se culpa por isso todas as noites.
Gritou com ele.
Bem alto até sua garganta doer.
Para que ele parasse de cantar a tal música da baleia.
Gritou mais de uma vez.
Chorou.
Parou no acostamento e ficou por meia hora para fora.
Não sabia mais o que fazer.
Ele não reagia, apenas cantava aquela canção.
Cada vez mais alto.
Balançava seu corpo para frente e para trás.
Ela quase desistiu de chegar em casa.
E quando isso aconteceu, disfarçou aos vizinhos.
Pensou “Vai passar”.
Mas, era apenas o início.
Da sucessão de movimentos repetidos.
Despido, banhava-se e saia. Corria.
Abria e fechava portas, janelas e gavetas.
A casa acabou ficando toda molhada.
Ele escorregava, caia e não chorava, mas se machucava.
Se machucavam e ele não percebia.
Quando ela conseguia, encostava,
pedia calma, tentava abraçá-lo para tranqüilizar.
Mas não havia jeito. Ele era fisicamente mais forte.
E quando descobriu a cozinha, ela escondeu dele o faqueiro.
Confiscou os fósforos e desligou o gás.
Nas quatro horas que se seguiram dedicou-se a enxugar
o piso da casa que ele molhava, escorregava,
caía, chorava e machucava.

Achado.












O problema é que com ele
ela pode ser exatamente o que é.
Isso a torna insuportável!

Saturday, May 09, 2009

1 beijo e até mais tarde.

Quero te deixar livre.
Quero você sem obrigações comigo.
Te quero pró prazer.
Deve ir sem dar satisfação.
Não quero te preocupar.
Quero que vá, que parta.
Que me despedace.

Deixe-me cá onde estou.
Onde sempre estive.
Da onde nunca fugi.

Quero que saibas que sobrevivo.
E você também.
Peço apenas que caminhe em sua direção.
Que me deixe aqui sem sentido.
Que tome seu rumo.
Seu drink.
Encontre-se.
Assemelhe-se.
E me deixe. Só.

Wednesday, May 06, 2009

Tuesday, May 05, 2009

De nada doce.

Ainda deitada na cama quente sua mente
desperta para necessidade de se levantar.
Faz com que seu corpo reaja.
Mas ao perceber que está só,
coberta pelo lençol, rodeada de travesseiros
e com o livro infantil que está lendo lá em baixo
encostado no pé esquerdo,
ela resolve ficar mais. Só mais um pouco.
São oito e meia e a claridade invade a
cabeceira da cama. Os primeiros raios de sol
batem em seus cabelos vermelhos.
Ela insiste em seus olhos fechar.
Hoje, simples assim, não quer se levantar.
Não tem astral para isso.
Ele, sem perceber, prepara o café.
Esquenta dois pães no forninho e
meia xícara de leite.
Corta um pedaço de melancia
e leva até sua boca.
Não a sua, mas a boca dela que resmunga
mal humorada “Deixe-me dormir em paz”.

Sunday, May 03, 2009

Molestada.

Ficou meses sem você.
Dias sem comer.
Horas esperando só passar.
Para te ver em palavras.
Descritas de ilusão.
Passadas a limpo pelo tempo.

A dica de hoje:
















[ + ]

Friday, May 01, 2009

Maravilhoso!
















[ pra ver um téco ]

Sonhei com esta música.

Ontem voltamos lá.
Assim, de última hora.
Sentamos no coro e eu aos poucos
fui me acalmando. Me deixando levar.
Ou contaminar.
Ontem tinha piano.
Aqui em casa também há.
Caetano toca para eu acordar.

No mundo das palavras.
















[ + ]

Thursday, April 30, 2009

Memória - 01.

02.

Ela caminhava pelo corredor, destino ao trabalho.
Passava das treze horas.
Havia dado de comer à ele.
Deixando-o depois nas costas.
Desconsertado do medo de ficar só,
colheu todas as pedras brancas
que enfeitavam o jardim da casa e
atirou uma por uma.
Não acertou nela uma vez sequer.
O que convenhamos,
não mirou nela uma vez sequer.
Não queria machucar, mas assustar.
Todas as pedras bateram no portão
de ferro fazendo barulho.
Um som que nunca mais saiu de dentro dela.

[ouça]

Wednesday, April 29, 2009

Memória - 01.

Resfriada, queria muito deitar e dormir.
Fato é, que hoje a tarde saíram para ver uma exposição
de fotografias e aproveitaram o delicioso café local.
Depois, mais tarde o vizinho veio buscar a sopa de mandioquinha
de ontem e dá-lhe mais café. Resultado, está sem sono.
E ideias (sem acento conforme manda a nova regra)
poluem sua cabeça que na verdade deveria descançar.
Anda querendo escrever. Aleatóriamente.
Anda escrevendo aliás. Coisas que nunca foram ditas.
Das quais se envergonha. E por que?
Talvez para se livrar delas de vez. Quer se despir.
Desinibir. O que me faz crer, estás louca!
É o ser mais tímido que reconheço. E depois,
escrever sobre isto te fará reviver todas estas situações difíceis.
Sei que existe parte dessa sua memória
que nunca mais teve contato. Manteve distância dela
na maior parte do tempo. E fez bem! Auto- controle!
Sobrevivências... Só às vezes, as lembranças são mais
rápidas do que você e vêm à tona num piscar de lágrima.
Ignorou-as até agora por falta de força em enfrentá-las
e passado tanto tempo... Pense, valerá a pena relembrar?

01.

Ela o encontrou sentado num canto da sala.
Ele chorava compulsivamente.
Aquele homem grande e forte parecia uma criança.
Tinha medo. Resistia ao toque. Não respondia suas perguntas.
Não falava. Apenas chorava e muito. Caminhava de um canto a outro.
Dava voltas em si mesmo. Parecia que não a enxergava.
Ela pedia para que ele se acalmasse, para que lhe contasse o
que havia acontecido. Mas ele não a ouvia e se ouvia não respondia.
Como se a comunicação entre eles tivesse sido rompida ali,
naquele momento, naquele lugar estranho comum.
Cantarolava uma música de Gil continuamente.
Sem interrupção. Talvez isto tenha levado mais de seis horas.
Ele em surto cantando aquela canção que
depois de anos ela ouviu uma única vez numa mesa de bar.
Reconheceu e começou a chorar. Que idiota.
Mas foi exatamente o que aconteceu.
O rompimento se deu ali. E ela só o comunicou dois anos mais tarde.

Dele.

Ser. Super. Artista.

O papel do artista é produzir e conceituar seu corpo de trabalho.
O suporte para isso já não mais importa.
A arte contemporânea não se restringe ao papel nem à tela.
Muito menos aos museus e galerias. A arte se democratizou
assumindo as ruas. Invadiu sua vida e você nem reparou.
Porque não tem tempo para parar e observar.
Assim como a maioria de nós que olha para tudo e pouco enxerga.
E tudo bem, este é também um dos papéis do artista. Podemos relaxar?
Intransferivelmente é do artista a responsabilidade de observar
e detalhar que lugar é este que nós ocupamos no agora.
Refletir sobre a sociedade em que vive. Em que vivemos todos nós.
E transportar para o papel, para tela, para um espaço específico
e ou interferir na arquitetura das cidades com sua arte em nossas vidas.
É aproximarmos do lúdico, dos sonhos, do que é real na visão dele, artista.
Do que parece à ele indispensável. Não que seja para a maior parte de nós.
Mas para ele, é assim que lhe parece, necessário.
Para isso o artista contemporâneo ocupa desde altas tecnologias,
celulares e GPSs até o espaço daquela praça que sempre existiu na rua de sua casa,
os edifícios e calçadas além dos lugares em que a arte previsivelmente reside,
os museus e galerias. Por vezes, o artista retira do nosso cotidiano
os hábitos e costumes, móveis e outros objetos levando-os para
esses grandes espaços de arte, desfuncionalizando-os e
instituindo a eles o peso da obra. Isto, desde Duchamp, percebeu?
Vá visitar os museus e galerias, só assim entenderá o que estou tentando dizer.
Na exposição em cartaz na Galeria Vermelho há um carro
logo na entrada totalmente remontado e por assim dizer,
destruído e ao mesmo tempo mumificado. A obra intitulada DRIVE THRU#2
é uma instalação que pertence ao artista Matheus Rocha Pitta
e foi elaborado a partir de dois carros do modelo Escort de anos e cores
diferentes que foram recombinados em um único objeto.
Sim, isto é arte! E normalmente vem acompanhado da seguinte
frase de um amigo meu:

_Nossa, até minha avó faz isto!

Faço cara de desprezo. Pois ele só fala isso porque sabe o quanto me irrita.
Compreenda de uma vez por todas que, com a interferência do artista
seja ela simples ou não, objetos de cena comum ganham o cobiçado
título de obra de arte. Mas quem é que decide o que é arte ou não?
Os críticos, galeristas e jornalistas. Todos em comum acordo dão seu aval.
E de repente, a arte está ali em plena Avenida Doutor Arnaldo,
dentro do hospital Emílio Ribas.

_Repare, são barracas iluminadas... É daquele artista...
_ O... Qual é mesmo o nome dele?
_É Eduardo Srur.
_Ah é! É dele! Chama-se Acampamento do Anjos e é arte, sabia?

Hoje em dia só não é expectador de arte quem não quer.
Basta olhar bem e reparar ao redor.
O artista nos chama atenção para aquilo que há de mais simples,
mas que por tamanha simplicidade, a maior parte de nós já não dá importância.
Ana Maria Tavares é uma das artistas que nos dá prova disso enquanto
ironiza a utilidade da própria arte. Oferece-nos amparo sob superfícies gélidas,
como o aço inox, fazendo-nos perceber o quanto escoramos nossos
corpos nestes móveis existentes nos locais mais públicos, sem constrangimento.
Os corpos precisam de apoio. Ela nos dá este apoio, mas muitas vezes
em desequilíbrio. E eu nunca havia me dado conta do quanto procuro
por encosto ao meu corpo até saber um pouco mais sobre o
trabalho dessa artista. Depois de conhecida as obras,
reparo-me no metrô, na fila do banco e até a forma como acomodo - me
frente a pia, para lavar a louça do jantar.
É quando a arte invade a vida e vice-versa.
O pouco tempo e a correria do dia-dia nos faz apenas
sobreviver em meio aos outros nas cidades.
Ao artista então, cabe a função de refletir sobre o
meio em que vivemos e devolver a este mesmo mundo o que existe
nele que se valha repensar em outros formatos estéticos ou não
e que chamaremos a partir de então de arte.
Os olhos do artista enxergam coisas que nossos olhos não vêem.
Normalmente, escampam-nos. Não que ele tenha super poderes.
Mas é papel do artista treinar seu olhar,
assim como cabe ao corredor correr e ao pugilista lutar.
Ao artista cabe a função de nos detalhar.
Pausar, pensar, escrever, estudar, ler, desenhar, projetar, fotografar.
Chamar até engenheiros se preciso for, para transportar o que há de sensível
dentro de si para todos nós, o público. Um exemplo disso é o trabalho do artista
Marcius Galan exposto na mostra Nova Arte Nova no Centro Cultural Banco do Brasil
em que fez uma instalação dando-nos a impressão de que há
ali um vidro esverdeado, desses blindex. Mas é pura ilusão.
Uma fantástica mentira. E para perceber isso é preciso tocar na obra.
Tocar no nada.

_Mas tocar nas obras não é proibido?
_Neste caso não.

É... Sei que não é assim tão simples.
Cabe a nós apreciadores da arte tentar
deixar-nos seduzir pelos trabalhos do artista.
E a este cabe ainda se interar com o que há de novo.
Se atualizar. Perceber as novidades que são muitas nos dias de hoje.
Inúmeras. Rápidas e fugazes. E tomar o cuidado de não
ser só mais uma dessas novidades
que vem e vão na mesma velocidade.
Ao artista será preciso mais que fôlego de corredor
para acompanhar o que a maioria de nós não quer perder tempo em pensar.
Ou não se permite sentir. Ou não consegue.
E depois, resta a ele a tarefa de produzir.
Incessantemente como treina um lutador.
Continuamente.
Produzir uma vida inteira.
Para um dia o conjunto de suas obras falar por si só.

Thursday, April 23, 2009

Friday, April 17, 2009

Por sorte. O BEM DE ALZHEIMER.













Vovó não se lembra, mas nasceu em São Sebastião da Grama
em três de agosto de 1923.
É filha de Lydia Corsi Ferreira e Antonio Ferreira.
Lydia, sua mãe, teve seis filhos.
Apenas três cresceram.
Os outros morreram ainda crianças.
Portanto, vovó Edna tinha dois irmão – Laerte e Antonio.
Juntos, levavam uma vida tranqüila no interior.
O pai era construtor e a mãe dona de casa.
Eles tinham moradia própria e carro,
o que era um luxo para época.

Quando vovó ainda se lembrava,
contou-me que havia uma mulher negra em sua casa
que era a babá. Mostrou-me numa foto, assim:
_Está vendo esta aqui? Era minha escrava.
Eu achei repugnante, fiquei horrorizada.
Enfim, faz parte da história.
Eram uma família feliz e bem estruturada
até que um dia, descobriram que o pai da vovó tinha outra mulher.
Foi uma escândalo na pequena cidade, imagino.
E o resultado foi que ele suicidou-se.

Lydia agarrada aos três filhos passou pela primeira vez
a ter dificuldades para se manter. Lógico,
toda renda da família vinha do marido que
se matara de vergonha.
Ela então buscou por soluções.
Montou uma confeitaria,
mas não teve experiência para levar o negócio à diante.
Era muito nova, havia se casado com apenas treze anos...
Só sabia mesmo cozinhar!
Foi então que numa tarde pouco tranqüila,
largou tudo o que restava em São Sebastião da Grama
e retirou-se para São Paulo,
carregando os três filhos debaixo do braço.

Precisava de uma vida nova e acho eu,
que não importava muito onde.
A nova vida de toda família recomeçou
na capital tão difícil quanto o
passado recente deixado no interior.
Lydia trabalhava em casa de família como cozinheira
e sua irmã ajudava a cuidar dos meninos.
À Edna restou o colégio interno.

No colégio, vovó não se lembra mais,
mas chegou a comentar que sofria
muito com os castigos de lá.
Vivia ajoelhada no milho e
por vezes faltava-lhe comida.
Tanto, que de tanto reclamar tiraram-na do colégio
e foram todos morar na casa da tia Mariana, a irmã de Lydia.
E talvez nesta época um téquinho de felicidade
tenha reinado naquela casa, por estarem todos juntos outra vez.

O tempo foi passando, Lydia cozinhando
e vovó Edna, mocinha, foi trabalhar numa fábrica de zíper.
Foi lá que conheceu Raphael Pannunzio, meu avô.
Casaram-se e foram tentar a vida no Paraná.
Tentar a sorte! Mas históricamente a sorte não andava ao lado dela.
Raphael trabalhava com o tio Dino, irmão dele.
Eu pouco sei sobre meu avô. Minha mãe não fala sobre ele.
Quase nada. E minha avó já não se lembra...
Sempre tive medo de perguntar e acabar por reativar mágoas.
Mas voltando à vovó, Edna logo engravidou
para alegria de todos. Eram recém casados e você sabe,
casais recém casados vislumbram toda uma vida feliz
para ser construída. Há possibilidades, ao menos.

Mas infelizmente o primeiro bebê da vovó não vingou.
Morreu uns meses após o nascimento.
Depois, ela demorou mais de seis anos para conseguir
engravidar de novo. Mudaram-se para Sorocaba.
Todos! Inclusive o tio Dino que também
há pouco havia se casado. Foram de novo tentar a sorte!
Conseguiram. Vovó engravidou outra vez por sorte
e num janeiro, nasceu a primeira filha do casal, Vera;
minha mãe. Depois veio o tio Sérgio.

Que alegria! Que nada... A vida da vovó com meu avô
não era nada fácil. Ele, alcoólatra, dava muito mais trabalho
que as crianças. Mesmo assim ela permaneceu casada com ele
durante 23 anos, até a sua morte. E eu me pergunto,
o que teria sido diferente se eles tivessem se separado.

Quando meu avô morreu, a vida da vó Edna
ao invés de melhorar, piorou. Vovó não tinha dinheiro.
Sua aposentadoria era muito pequena e suas tentativas
para gerar renda eram todas um fracasso só.
A saída encontrada para diluir as dificuldades foi montar
uma república em sua própria casa para meninas
que vinham ainda mais do interior estudar em Sorocaba.
Foi uma fase ótima. As meninas eram muito alegres,
tinham mais ou menos a mesma idade da Vera, sua filha...
Mas Vó Edna logo enjoou de tanta agitação.
Não levava mesmo jeito para muita alegria dentro de casa.
Desistiu. E quando tio Sérgio viajou, mamãe
se casou e vovó foi morar junto dela.
Carregou consigo desta vez,
debaixo do braço, sua mãe, Lydia
que já estava bem velhinha e doente.

A casa onde todos foram morar era pequena e inacabada,
mas aconchegante. Você sabe como é, casais recém casados
vislumbram toda uma vida feliz para ser construída.
Vera e Luiz não eram diferentes.

Um dia, vovó Edna conheceu um senhor distinto
que se chamava Artibano e com quem imprevisivelmente
veio a namorar e depois casar. Sim, vovó não se lembra,
mas casou-se outra vez. E teve até festa!
Foram morar juntos e tudo ia às mil maravilhas!
Mas como vovó não levava mesmo muito jeito para
alegria dentro de casa, Sr Artibano morreu pouco tempo
depois do matrimonio. Ela ficou sozinha outra vez.
Morreram também seus irmãos.
E Lydia, sua mãe, deixando-a ainda mais só.

Em troca a vida e o tempo lhe deram netos.
Marina, Chico, Pedro, Lucas e eu.
E nós nos amamos desde o primeiro instante.
Ela já não se lembra, mas eu...

Um dia o tio Sérgio voltou para o Brasil
(ele morou anos nos EUA) e ajudou a vovó
construir uma casa, grudadinha na casa dos meus pais.
Moramos a vida toda juntas até eu crescer e
bater em retirada para São Paulo.
É por isso que em todas as minhas recordações ela está.
Que mesmo sem aptidão para alegria dentro de casa,
fez de mim a criança mais feliz do mundo ali naquela sala.
Naquele quintal.
Ali, no nosso sofá.

Wednesday, April 15, 2009

Tipo assim.

















Sou do tipo que está sempre tentando.
Tentando ser feliz, tentando escrever.
Tentando te encontrar, te compreender.
Tentando se organizar. Desenhar.
Vender. Planejar. Esquecer.
Sou do tipo que não sabe perder.
Que tenta, tenta, tenta
até que todas as possibilidades se esgotem.
Ou você fuja de mim.
Porque sou do tipo insistente.
Jamais abandono meu barco.
Eu afundo com ele.
Até porque, sou do tipo que sabe nadar.
Sou persistente. Resistente.
Tenho fôlego. Força. Tenho garra.
Faço graça e meu choro é só você quem vê.

Sou do tipo que acredita nos outros.
Que no fundo acredita nos sonhos. No nosso amor.
Que acha que tudo pode sim melhorar da noite para o dia.
Sou do tipo que não sabe do jogo.
Do seu, nem do dele, nem dela, nem de ninguém.
Que simplesmente não participa.
Que tenta driblar o cansaço.
Que tenta desviar dos fracassos.
Te ouvir com toda atenção do planeta.

Sou do tipo que sai para dançar e não dança.
Que fica ali no bar, conversando.
Tentando expressar-se diante do barulho.
Tentando respirar na fumaça.
Tentando manter o humor.
Tentado controlar a vontade de só ficar em casa.

Sou do tipo que não vai ao médico.
Que toma uns remédios por conta própria.
Que tenta fazer a dor passar.
Vivo tentando me auto-ajudar porque
sou do tipo que briga com o analista.
Que vive tentando fugir do que é óbvil.
Do que é rotina.
Tentando fazer diferente dia após dia.
Tentando melhorar.
Tentando até mesmo deixar de tentar.
Quando já não mais vale a pena.

Tuesday, April 14, 2009

Duas certezas e uma consequência óbvia.

Tenho problemas no coração.
Falta-me ar.
Morrerei de insuficiência respiratória
seguida de parada cardíaca.
Nem vai doer. Vai?!

recomendo-me outra vez!

Monday, April 13, 2009

Recomendo-me!

- Calma, o mundo não acabará amanhã.
- Não brigue com ele.
- Durma mais cedo.
- Acorde mais cedo.
- Foque.
- Esqueça! Não é mais problema seu.
- Não pense em todas as possibilidades,
precisa aprender a fazer suas escolhas sem sofrimento.
- Salada!
- Prefira o silêncio!
- Às vezes precisa dizer não.
- Agradeça!
- Coma um doce tão doce que te provoque arrepios.
- Faça amor de manhã, seu dia segue melhor depois disso.
- Estude.
- Desenhe.
- Faça render as horas.
- Costure.
- Pague todas as contas no caixa eletrônico,
assim não perderá tempo nas filas.
- Leve uma fruta para o trabalho.
- Tome um café no meio da tarde.
- Alongue-se.
- Sorria.
- Permita que novos amigos se aproximem.
- Ignore fatos irrelevantes.
- Atente-se ao que há de importante.
- Agrade-o.
- Tome a pílula ao amanhecer.
- Projete seus filhos.
- Ame incondicionalmente.
- E como diria sua mãe, não perca a doçura.
- Passe protetor solar.
- Cozinhe. Faça um jantar para vocês dois.
- Visite suas avós e o avô dele.
- Os museus e galerias.
- Outras cidades, países.
- Refaça sua trilha.
- Ouça as músicas que gosta.
- Leve a Rosa ao cinema.
- Telefone...
- Saia uma noite dessas só com suas amigas mulheres.
- Dance.
- Aqueçam-se.
- Assista a todos os filmes.
- Durma com aquele seu pijama velho adorável,
ele disse que não se importa...
- Aproveite para colocar as idéias no papel também por escrito.
- Proteja-se.
- Livre-se das mágoas.
- Retome os exercícios.
- Aproveite os domingos.
- E não esqueça, você precisa parar de usar o descongestionante nasal...

recomendo também!

recomendo!











A primeira sala IMAX do Brasil inaugurou no dia
16 de janeiro no Bourbon Shopping.
Fui só neste final de semana conferir.
A tela tem 21m de largura.
É sensacional!
E divertido!
Vale a ida ao shopping!

Thursday, April 09, 2009

Quem disse que a vida não é um filme?

Cena Interna
Estúdio - casa
Ela está em pé na cozinha de frente para pia cheia de louças.
Ele deitado na cama, no quarto que é bem em frente
a cozinha o que permite um diálogo entre eles.

Quase meia noite.
Ele exausto diz que precisa descansar.
Ela exausta diz que precisa fazer o bolo que havia planejado.

_É meu presente de Páscoa!
_Ta bem.
_Mas você vai dormir?
_Preciso deitar.

Ele parece chateado.
Ela também, mas na verdade só estão cansados.
Ela acha que precisa terminar a receita.
Como, se não terminar significasse imenso fracasso.
Então, para não fracassar manuseia os ovos, a farinha e
as cenouras raladas com habilidade e pressa.
Liga o liquidificador que faz barulho.

Ele grita do quarto:
_Nossa, os vizinhos devem estar adorando!
Ela o ignora.
_Quer conversar?
pergunta ela à ele que responde em tom de ironia
_Quero dormir.
_Ahhh que pena! Eu queria tanto conversar.
_Ta bem.
Ela sorri olhando para ele que se esconde
por debaixo do edredon branco.
_Sabe, tenho umas dúvidas à nosso respeito.
_Xiii... Lá vem a "possibility girl".
Ela nem olha para ele, continua fazendo seu bolo.
Ele pergunta meio sem animação
_Quais?
_Ahhh, quer saber?
_Lógico!
_Mas nem eu sei.
_Não sabe quais dúvidas tem?
_Não, mas eu as possuo!
_Então pergunte-me e eu te respondo,
assim as dúvidas acabarão.
_Mas eu não sei o que te perguntar.

Silêncio.

_Na verdade já sei. A pergunta é:
toda vez que você fica em silêncio,
me olhando, é porque concordas com que estou dizendo?
_Ah, acho que sim.
_Então você não tem dúvidas?
Neste instante, ela para de olhar para a tigela onde prepara
a massa do bolo e olha fixamente para a cama onde ele
está invisível.
Ela olha para o amontoado de travesseiros
ansiosa esperando que ele lhe dê a resposta.

_Dúvidas quanto a nós? Não. Não tenho.

Ela se agita sozinha na cozinha e caminha até a porta do quarto.

_Então você compreende tudo o que falo?
Quer dizer, você acha que tudo o que eu falo
é na verdade tudo o que penso?
_Assim espero...
_Mas eu falo muito!
_É Luiza... Eu sei.
_Não sabe não.
_Ta bem, então não sei.
_ Somos muito diferentes. Somos de mundos diferentes!

Ela diz isso voltando para o interior
da cozinha de costas até o fogão.
Abaixa-se, liga o forno ouvindo ele dizer:
_Mas a graça está aí.
_Eu também acho engraçado, mas não sei...
_Não sabe o que?

Ela volta para tigela, liga a batedeira
e ele repete a frase acrescentada de uma única palavra
que faz uma incrível diferença:
_Nossa, os vizinhos devem estar adorando, amor!

Ela sorri e faz a próxima pergunta bem alto
pois a batedeira produz um barulho realmente insuportável.
_Mas não há nada que você ache estranho em mim?
Algo que te incomode?
_Acho que você está incomodando os vizinhos...
Ela ignora de novo este comentário dele.

Ele demora mais de um minuto para responder
a pergunta fazendo com que ela
quase prefira que ele não responda.

_Algo que me incomode?
Bem, te acho às vezes triste demais.
Às vezes, tímida demais.
Mas eu gosto disso também.

Silêncio.

_Gosta desse incômodo?

Silêncio.

Ela então percebe que ele adormeceu.
Termina de fazer o bolo calada.
Deixa a cozinha toda revirada,
cheia de farinha e açúcar por todo lado.
Apaga a luz e vai se deitar.
Mas não consegue dormir.
Abalada por seus excessos.

Me indica uma trilha?

Wednesday, April 08, 2009

Tuesday, April 07, 2009

Quanto dura a novidade?

O novo marido
em seu prazo de validade:

-tem mira! Não faz xixi no chão nos primeiros dois meses,
nem deixa respingos no acento.
-faz seu jantar sem reclamar.
-clima para o sexo.
-mantém o controle quando você perde.
-o bom humor na hora da fome.
-sorri quando você chora.
- sorri também para todas suas amigas, simpatia é seu nome.
-compra chocolates para te alegrar.
-repõe o papel higiênico como num passe de mágica!
-te beija quando acorda mesmo sem você escovar os dentes.
-visita seus pais sem problemas.
-não repara em suas unhas, sobrancelha...
-sai com você para dançar.
-te ama em tempos de crise.
-e diz isso sempre, continuamente sem você pedir nem se irritar.

Friday, April 03, 2009